Tribunal de Justiça de MT

Poder Judiciário capacita oficiais de justiça em solução de conflitos

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Teve início nesta sexta-feira (02 de agosto) o curso “Solução de Conflitos pelo Oficial de Justiça”, voltado à mediação e conciliação no cumprimento de mandados judiciais. O corregedor-geral da Justiça, desembargador Juvenal Pereira da Silva, participou da aula inaugural, na Escola dos Servidores. A ação é uma iniciativa do Sindicato dos Oficiais de Justiça e Avaliadores do Estado de Mato Grosso (Sindojus) com apoio da Escola dos Servidores do Poder Judiciário.
 
O desembargador Juvenal Pereira da Silva destacou que o curso abraça a causa da gestão da presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), desembargadora Clarice Claudino da Silva, que é a pacificação social por meio dos métodos autocompositivos. “A conciliação traz, primeiro, a satisfação para o jurisdicionado e, por outro lado, para o Estado, economia, praticidade e uma satisfação geral de todas as pessoas que aportam ao Poder Judiciário com alguma ação ou algum litígio de qualquer natureza. A autocomposição é a saída porque a partir do momento em que as pessoas possam conversar entre si e solucionar, é a melhor solução que se possa encontrar porque uma decisão judicial, por mais jurídica e justa que seja, nunca satisfaz as partes. E quando se tem uma consensualidade, todas as partes saem satisfeitas e o litígio solucionado”, declarou.
 
O presidente do Sindojus, Jaime Osmar Rodrigues, deu as boas-vindas aos colegas de categoria, que participaram presencialmente e remotamente (no caso dos oficiais de outras comarcas) e agradeceu ao Judiciário pelo apoio dado na capacitação dos servidores. “Quero agradecer a todos. Esperamos que seja uma oportunidade de aprendizado, troca de experiências e enriquecimento para todos neste curso tão importante para o Poder Judiciário e para os oficiais de justiça do Estado de Mato Grosso”.
 
Um dos professores do curso e oficial de justiça do Tribunal de Justiça de Alagoas, Daniel Faião, ressaltou que o TJMT é o primeiro tribunal do país a oferecer proporcionar para seus servidores o curso, que terá formato híbrido, sendo a aula inaugural presencial e os próximos quatro meses na modalidade Educação à Distância (EaD). Segundo ele, ao final da formação, os oficiais de justiça estarão habilitados a atuar na atividade de conciliador e de mediador.
 
“Hoje essa é uma atividade que ainda não é comum para a prática do oficial de Justiça. É uma tendência, é uma evolução, existe previsão legal pra isso, mas os oficiais ainda não costumam ter, em geral, essa habilidade para atuar na mediação, na conciliação. E a ideia é que a gente consiga por fim ao litígio no início do processo ou até no meio do processo, pela atuação do oficial de justiça, de posse de uma ordem judicial para isso, e tentar resolver o processo em diligência, sendo mais eficiente e contribuindo para a efetividade judicial”.
 
O professor e oficial de justiça do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Ricardo Prado, afirma que o curso alcança dois objetivos, que são a valorização do oficial de justiça e a celeridade processual que será entregue aos usuários do Poder Judiciário. “É muito importante por dois fatores: primeiro pela valorização do oficial de justiça. Com o advento da inteligência artificial, eu convido a todos para repensarem suas profissões. E o oficial, hoje, tradicionalmente, ele acaba fazendo o papel de intermediário entre o juiz e o jurisdicionado. Por quanto tempo essa função vai sobreviver? Então, quando ele começa a fazer conciliação na rua, ele começa a captar acordo e pacificar, ele contribui para a solução do conflito. Isso é muito importante! E o segundo ponto é para a população que usa esse serviço porque a população quer a solução rápida. E quando o oficial vai, já na primeira diligência, e a parte às vezes não quer pegar um advogado, ela não quer litigar, ficar anos no Judiciário discutindo, ela quer resolver, então se ela tem a possibilidade de chegar para o oficial de justiça e falar: ‘eu quero pagar isso em tantas vezes’, então isso resolve rapidamente. É um benefício muito grande, principalmente para o jurisdicionado”.
 
Luciana Dias Mancio Etiene, oficial de justiça lotada nas Varas Especializadas da Infância e Juventude de Cuiabá, é uma das alunas do curso de Solução de Conflitos pelo Oficial de Justiça e demonstra satisfação em poder contribuir com a pacificação social. “Eu me sinto honrada por estar tendo essa oportunidade que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, na vanguarda, está proporcionando para nós, oficiais de justiça, essa oportunidade de sermos agentes de pacificação social também. A gente sabe a necessidade que os jurisdicionados têm e poder fazer parte desse processo, nesse elo, é uma alegria e uma honra”.
  
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: desembargador Juvenal Pereira da Silva fala ao microfone, no púlpito da Escola dos Servidores. Ele é um senhor calvo, de olhos castanhos claros, usando óculos de grau, camisa branca, gravata clara e terno azul. Foto 2: foto em plano aberto que mostra a sala de aula cheia de pessoas sentadas nas carteiras, assistindo à aula dos professores Daniel Faião e Ricardo Prado, que estão à frente, em pé. Daniel fala ao microfone.
 
Celly Silva/ Fotos: Eduardo Guimarães 
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT    
 
 
 
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas

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Close de uma mão com um X vermelho desenhado na palma, símbolo de combate à violência contra a mulher. Ao fundo, outra mão e manga de blusa cinzaA cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.

Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.

A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra aMulher de cabelos longos e escuros veste jaqueta branca sobre blusa amarela com detalhes em azul, semblante alegre, olha para o lado. Ao fundo, vegetação desfocada Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.

“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.

Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

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Desafio permanente

Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.

Mulher de cabelos longos e loiros, veste blazer preto rendado sobre blusa branca e colar dourado, sorri em ambiente iluminado. Ao fundo, plantas e estrutura de vidroPara a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.

A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.

Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.

Rede que protege

As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.

Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.

Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.

Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.

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Romper o silêncio salva vidas

Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.

Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.

Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).

Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.

Roberta Penha

Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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