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Poder Judiciário promove encontro para preparar adolescentes para o mercado de trabalho

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Como se portar em uma entrevista de emprego, saber o que falar, como se vestir e onde procurar trabalho foram alguns dos tópicos abordados no encontro “Despertando Talentos: Preparação para o Mundo do Trabalho”, realizado na tarde de segunda-feira (2 de setembro), no Tribunal de Justiça de Mato Grosso, em Cuiabá. 
 
Quinze adolescentes de 15 a 18 anos participaram do encontro, que contou com a presença de empresas empregadoras como Grupo Pereira, dos supermercados Comper e Fort Atacadista, além do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac). 
 
Adolescentes que cumprem medida socioeducativa em meio aberto e também alguns que possuem medidas protetivas receberam as orientações, ouviram a presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva e outras autoridades, além de participarem de um círculo de paz. Eles estavam acompanhados de ao menos um dos pais ou responsáveis legais. 
 
“É uma atividade voltada para o acompanhamento mais efetivo do cumprimento dessas sanções que foram impostas a eles em decorrência de algum ato infracional. Isso tem a importância de envolver as famílias, acreditar no futuro desses jovens, com profissionalização, atividade laboral e estudos. Nós investimos na educação por meio dos cursos, não só da instrução formal por meio do ensino regular”, destaca a presidente. 
 
O adolescente C.V.F.P., 16 anos, cursa o 6º e o 7º ano no sistema de Ensino para Jovens e Adultos (EJA), mora no bairro Pedra 90, em Cuiabá, e participou do evento. “Achei muito interessante, eu sabia um pouco sobre o que era, já havia corrido atrás de direitos trabalhistas para menor aprendiz e estou achando muito renovador, eu já vinha há muito tempo procurando um emprego para ajudar minha mãe e agora eu consegui achar. Espero que dê tudo certo”, expressou. 
 
O grande sonho do adolescente T.V.B.S., 16 anos, é trabalhar de carteira assinada e conquistar suas próprias coisas. “Eu sempre sonhei em conquistar minhas próprias coisas, chegar na minha casa, deitar depois de um dia cansativo de trabalho, poder conversar com alguém que eu confio como foi meu dia, pra mim isso vai ser uma grande emoção quando eu conquistar. Aqui é uma expectativa de mudar de vida”, relata. 
 
A gestora da Central de Execução de Medidas Socioeducativas de Cuiabá, Alciane Alves, é uma inspiração para os jovens com quem trabalha. Ela trabalha na recuperação de meninos e meninas em cumprimento de medida socioeducativa, de forma humanizada e acolhedora. 
 
“Nós fazemos todo um trabalho de educação, saúde, encaminhamentos, um trabalho amplo. A abordagem que fazemos é humana e muitas vezes não trabalham dessa forma com eles. Eles já vêm de situações que não deram certo, não têm apoio de ninguém e na central eles mudam a chave. Eu vim do mesmo lugar que eles, se eu consegui, eles também conseguem”, analisa.
  
Garotos do Futuro – O programa Garotos do Futuro é uma iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso que vem sendo desenvolvida desde 2015, na qual são ofertadas 10 vagas dentro do Poder Judiciário para adolescentes em cumprimento de medida socioeducativa que cursam o ensino médio. 
 
A presidente do Tribunal de Justiça relembra que fez sua dissertação de mestrado baseada no programa Garotos do Futuro, chamando a atenção para a importância em se dar uma orientação integral a esses adolescentes, qualificando-os para a vida, não apenas para o mercado de trabalho, além de combater a reincidência infracional.   
 
A juíza Leilamar Aparecida Rodrigues é a coordenadora do eixo Socioeducativo do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo de Mato Grosso (GMF/MT) e também participou da iniciativa. 
 
“O que nós visualizamos nesses adolescentes em atendimento de medida socioeducativa em meio aberto e também das medidas protetivas é a questão da vulnerabilidade social e a desestrutura familiar. Temos reforçado o psicológico deles, fortalecimento do vínculo familiar e social, como uma forma de inserção na sociedade por meio da empregabilidade”, pontuou. 
 
O encontro teve a participação de servidores e magistrados da Comissão da Infância e Juventude (CIJ), da 2ª Vara Especializada em Infância e Juventude de Cuiabá, e agentes do sistema de justiça que atuam na área da Infância e Juventude, do Ministério Público e Defensoria Pública. 
 
#Paratodosverem 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Imagem 1: foto horizontal colorida dos adolescentes e suas famílias em círculo, sentados em cadeiras pretas, em uma sala da Escola dos Servidores do Poder Judiciário. I
 
Mylena Petrucelli/Fotos: Alair Ribeiro 
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT  
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas

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Close de uma mão com um X vermelho desenhado na palma, símbolo de combate à violência contra a mulher. Ao fundo, outra mão e manga de blusa cinzaA cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.

Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.

A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra aMulher de cabelos longos e escuros veste jaqueta branca sobre blusa amarela com detalhes em azul, semblante alegre, olha para o lado. Ao fundo, vegetação desfocada Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.

“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.

Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

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Desafio permanente

Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.

Mulher de cabelos longos e loiros, veste blazer preto rendado sobre blusa branca e colar dourado, sorri em ambiente iluminado. Ao fundo, plantas e estrutura de vidroPara a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.

A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.

Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.

Rede que protege

As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.

Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.

Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.

Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.

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Romper o silêncio salva vidas

Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.

Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.

Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).

Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.

Roberta Penha

Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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