Tribunal de Justiça de MT

Poder Judiciário promove oficinas virtuais para ensinar boa convivência entre pais separados e filho

Publicado

A convivência pacífica entre os pais é extremamente importante para a saúde emocional e psicológica dos filhos. Por isso, o Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), implementou a “Oficina Virtual da Parentalidade”. O objetivo principal é auxiliar mães, pais e filhos durante o processo de separação conjugal ou de guarda compartilhada. O Núcleo, que faz a gestão dessa boa prática, idealizou a “agenda estadual”, possibilitando que as Comarcas do Estado incluam todos os processos e reclamações pré-processuais na agenda, semanalmente.
 
De janeiro até a primeira semana de junho deste ano, foram realizadas 15 reuniões virtuais com a participação de 340 pais, mães e/ou responsáveis, que recebem o convite para participarem, de forma remota, diretamente do seu aparelho celular, tablet ou computador por meio do link de acesso, antes da realização da mediação.
 
As oficinas são conduzidas por expositores (as) capacitados (as) que atuam nos Centros Judiciários de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc´s) de todo o Estado, responsável pelo cadastro dos processos na agenda estadual. Nas Comarcas onde não há Cejusc, os processos são enviados para o Cejusc Virtual, que procede com o cadastramento.
 
A metodologia está alinhada à Resolução nº 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre a Política Judiciária Nacional de tratamento adequado dos conflitos de interesses atribuindo ao Poder Judiciário o papel de pacificador social.
 
“Essa nova sistemática de realização estadual das Oficinas de Pais oportuniza de forma célere e eficaz o acesso a essa valorosa ferramenta adequada de solução de conflitos a todas as partes envolvidas em uma relação de divórcio ou dissolução e vínculo conjugal, sem qualquer prejuízo ou morosidade ao andamento do processo ou realização das mediações”, explica a coordenadora do Nupemec-MT, juíza Helícia Vitti Lourenço.
 
Ela afirma que o programa disponibilizado pelo Nupemec, além de ser importante para difundir a Política da Pacificação Social dos Conflitos por meio do diálogo e comunicação não- violenta, traz praticidade, comodidade e economia com deslocamentos para os participantes, que podem receber o treinamento de forma remota.
 
“O Nupemec está muito feliz em poder, efetivamente, assegurar o amplo acesso a Métodos Consensuais de Solução de Conflitos para todos os envolvidos nesse complexo processo de dissolução da relação conjugal”, diz a coordenadora.
 
Conteúdo das Oficinas Parentais
 
O enfoque principal das aulas é a convivência pacífica entre os pais e os filhos, que aprendem como se comportar durante o período conturbado do divórcio e/ou da decisão da guarda da criança. “Quando seu filho não mora com você, mantenha sempre contato com ele. Seja pontual para buscá-lo. Transforme a sua casa na casa do seu filho. Introduza seu filho à vizinhança. Respeite as necessidades do seu filho e lembre-se que é normal seu filho sentir saudade do outro (mãe ou pai)”, são alguns dos ensinamentos apresentados.
 
Os participantes assistem vídeos curtos que encenam situações do dia a dia e sugerem como se comportar e como não agir em determinadas situações, como em assuntos referentes ao pagamento da pensão alimentícia em dia, para garantir segurança alimentar à criança e diminuir os conflitos com o outro genitor. Os participantes podem interagir durante a oficina, verbalmente ou por escrito, no chat da plataforma.
 
A “comunicação não-violenta” é ensinada e sugerida como ferramenta eficaz na solução de conflitos entre os pais, mas acima de tudo o principal ensinamento é para que os pais coloquem-se no lugar da criança, transmitam segurança, conversem e respeitem seus sentimentos e que coloquem o bem-estar da criança em primeiro lugar, evitando discutir em sua frente para evitar danos emocionais.
 
As Oficinas de Parentalidade também trabalham como prática restaurativa na prevenção, e se necessário, na intervenção sobre casos de alienação parental, que ocorre quando um dos pais fala mal, desqualifica o outro para a criança, por exemplo. A alienação parental é crime, com pena de três meses a três anos de prisão, e se tornou recorrente em processos judiciais envolvendo situações de separação, guarda e visita em casos de disputa familiar.
 
Marcia Marafon
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Leia mais:  Reconhecimento de paternidade é garantido pelo Judiciário durante todo o ano

Comentários Facebook
publicidade

Tribunal de Justiça de MT

Lei Maria da Penha: magistradas do TJMT destacam avanços, desafios e a luta para salvar vidas

Publicado

Close de uma mão com um X vermelho desenhado na palma, símbolo de combate à violência contra a mulher. Ao fundo, outra mão e manga de blusa cinzaA cada mulher que rompe o silêncio, uma história de coragem se sobrepõe ao medo. Há 20 anos, a Lei Maria da Penha passou a oferecer instrumentos concretos para proteger vítimas de violência doméstica e familiar, transformando a forma como o Brasil enfrenta um problema que, por muito tempo, permaneceu invisível dentro dos lares. Apesar dos avanços conquistados desde então, magistradas do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) alertam que a mudança cultural ainda é o maior desafio para impedir que novas mulheres tenham suas vidas interrompidas pela violência.

A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa, que atuou por muitos anos na 1ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher e atualmente responde pela 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões, destaca que a legislação representou uma mudança histórica ao reconhecer diferentes formas de violência contra a mulher e criar mecanismos de proteção mais efetivos.

Segundo ela, além de ampliar o conceito de violência doméstica para incluir as agressões psicológica, sexual, patrimonial e moral, a Lei Maria da Penha instituiu medidas protetivas com análise prioritária, fortaleceu a punição aos agressores e criou varas especializadas com equipes multidisciplinares e atuação integrada com a rede de proteção.

A juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra aMulher de cabelos longos e escuros veste jaqueta branca sobre blusa amarela com detalhes em azul, semblante alegre, olha para o lado. Ao fundo, vegetação desfocada Mulher de Cuiabá, também aponta a visibilidade dada ao problema como um dos maiores legados da legislação.

“Um dos principais avanços foi, principalmente, a visibilidade da violência doméstica contra a mulher. Hoje, nós conseguimos entender que não se trata de um problema no âmbito privado, como se entendia no passado, mas ela se tornou o centro do debate público. Hoje, nós discutimos não apenas a violência física, mas também a violência psicológica, moral, patrimonial, sexual e, mais recentemente, a violência vicária”, afirma.

Para a magistrada, dar visibilidade ao problema também permite produzir estatísticas e direcionar políticas públicas voltadas à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

Leia mais:  Evento anual debate enfrentamento à violência doméstica e familiar no Judiciário de Mato Grosso

Desafio permanente

Mesmo após duas décadas da Lei Maria da Penha, as duas magistradas concordam que a violência doméstica não será combatida apenas com a aplicação da legislação.

Mulher de cabelos longos e loiros, veste blazer preto rendado sobre blusa branca e colar dourado, sorri em ambiente iluminado. Ao fundo, plantas e estrutura de vidroPara a juíza Ana Graziela, trata-se de um problema social e estrutural. “A violência doméstica e familiar contra a mulher, para além de um problema judicial, é um problema social e estrutural. Esse é o maior desafio, a mudança social e estrutural do que gera e fomenta essa violência, não bastando a aplicação correta da lei para findar a violência e proteger as vítimas. Por isso se mostra tão importante a articulação em rede”, ressalta.

A magistrada observa ainda que nos últimos anos houve aumento das denúncias envolvendo violência psicológica e patrimonial, impulsionado pelo maior conhecimento sobre os direitos das mulheres. Ao mesmo tempo, o crescimento dos casos de feminicídio em Mato Grosso preocupa o Judiciário, que busca identificar fatores de risco para fortalecer as ações preventivas.

Na mesma linha, a juíza Tatyana lembra que o aumento das penas para feminicídio representa uma resposta importante do Estado, mas não é suficiente para mudar uma realidade construída ao longo de gerações. “Infelizmente, como a gente vê que isso não é um problema só legislativo, é um problema cultural, mesmo com a implantação da lei, no ano passado nós tivemos um aumento de feminicídio”, afirma.

Rede que protege

As magistradas destacam que nenhuma instituição consegue enfrentar a violência doméstica sozinha.

Ana Graziela defende investimentos permanentes em políticas públicas, fortalecimento das Delegacias Especializadas, ampliação da Patrulha Maria da Penha, atendimento psicológico e ações que promovam a autonomia financeira das mulheres. Para ela, a atuação integrada da rede é indispensável para garantir proteção efetiva às vítimas.

Tatyana reforça que o trabalho em rede também precisa olhar para o futuro, apostando na educação como instrumento de transformação social.

Ela cita iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário, como o projeto Lei Maria da Penha Vai às Escolas e o A Escola Ensina, a Mulher Agradece, que levam o debate sobre respeito, igualdade e prevenção da violência às salas de aula. “Por meio da educação, a gente pode transformar essa cultura de violência para uma cultura de respeito”, afirma.

Leia mais:  Justiça anula sentença em ação de usucapião e determina nova análise sobre área rural

Romper o silêncio salva vidas

Outro ponto destacado pelas magistradas é a importância da denúncia e das medidas protetivas de urgência.

Segundo Tatyana, Mato Grosso concede medidas protetivas em poucas horas, um dos melhores desempenhos do país. Ela ressalta que esses mecanismos têm papel fundamental na preservação da vida das mulheres. “As medidas protetivas realmente salvam vidas. No ano passado foram quase 20 mil medidas protetivas deferidas dentro do nosso estado. Milhares de mulheres estão protegidas por medidas protetivas e é de forma célere”, destaca.

Às mulheres que ainda enfrentam situações de violência, Ana Graziela deixa uma mensagem de acolhimento. “Procurem ajuda, seja de familiares, amigos ou ajuda especializada, se informem sobre os seus direitos, sobre as medidas de proteção que podem lhes ser deferidas e sobre as ações judiciais e sociais que podem ser adotadas”, orienta, lembrando que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso disponibiliza atendimento psicológico, social e diversas ações de apoio por meio do Centro Especializado de Atendimento às Vítimas (CEAV).

Tatyana faz um apelo semelhante e reforça que a denúncia deve vir acompanhada de uma rede de apoio. “O que eu diria para essa mulher é que ela procure primeiramente uma rede de apoio. Se for uma situação de emergência, realmente vá até uma delegacia especializada da mulher e ofereça essa denúncia. A partir desse momento em que ela procura essa ajuda inicial, serão feitos os encaminhamentos necessários para que ela possa realmente romper com esse ciclo da violência”, conclui.

Roberta Penha

Josi Dias e Rodrigo Moura

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana