O projeto “Memória e Ancestralidade: Cosmologia indígena & imagem em movimento” assegurou a preservação do acervo de imagens da cultura do povo Xavante, com a digitalização dos registros feitos ao longo de mais de 30 anos pelo cineasta indígena Divino Tserewahú, na Terra Indígena de Sangradouro. A iniciativa foi contemplada pela Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) no edital Cinemation de Acervo/Publicação – edição Lei Paulo Gustavo.
O material digitalizado foi entregue, nesta quinta-feira (9.4), ao Museu de História Natural do Araguaia, em Barra do Garças, e também será devolvido ao cineasta e à comunidade de Sangradouro. As imagens documentam rituais, costumes e falas de anciãos e lideranças, muitos deles já falecidos.
De acordo com o idealizador do projeto, o produtor audiovisual Rodrigo Pereira Teodoro, parte dos registros retrata práticas que já não são mais realizadas, o que amplia o valor histórico e cultural do material. “O projeto representa um passo importante na preservação da memória do povo Xavante e na valorização da produção audiovisual dos povos originários”, destaca.
Rodrigo também explica que, sem a digitalização, parte da história e de práticas rituais da comunidade de Sangradouro corriam sério risco de serem definitivamente danificadas. “Essas imagens guardam registros relevantes, de valor histórico, cultural e para a memória da própria comunidade. A digitalização contribui para resguardar essa memória histórica”.
Com trabalho técnico detalhado, o processo de digitalização contou com curadoria e tratamento do material bruto. Foram utilizados diferentes aparelhos para garantir a reprodução e a padronização das imagens, já que foram gravadas em formatos em formatos analógicos, em equipamentos como VHS, Mini-DV, Betacam e Hi-8.
Ao Museu de História Natural do Araguaia foram entregues as imagens autorizadas para uso de pesquisadores e estudantes. O material também passará a integrar o acervo do Cineclube Coxiponés, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Originalmente gravados na língua Xavante, parte dos conteúdos conta com legendas em português, ampliando o acesso do público em geral.
“O maior impacto é o pertencimento. Com esse acervo disponível, a comunidade passa a ter acesso direto às suas referências culturais, podendo manter vivas suas tradições e até retomar práticas que foram se perdendo ao longo do tempo”, conclui Rodrigo Pereira Teodoro.
O Governo de Mato Grosso e a Rumo inauguraram, neste sábado (20.6), o primeiro trecho da 1ª Ferrovia Estadual de Mato Grosso. São 162 quilômetros de extensão, ligando Rondonópolis ao novo terminal ferroviário instalado na BR-070, em Dom Aquino, com investimento de R$ 5 bilhões nesta primeira etapa.
Considerada a maior ferrovia em execução no Brasil, o projeto terá 740 quilômetros de extensão quando concluído, conectando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde, passando por 16 municípios mato-grossenses e com ramal previsto para Cuiabá.
Durante a entrega, o governador Otaviano Pivetta destacou o papel do Governo de Mato Grosso na criação das condições para o desenvolvimento econômico do Estado.
“Mato Grosso é um exemplo do que o Brasil pode fazer. Enquanto a Rumo construiu 162 quilômetros de ferrovia, nós vamos concluir mais de 7 mil quilômetros de asfalto novo nas rodovias estaduais até o final do ano. Investimos R$ 28 bilhões em infraestrutura para melhorar a vida do nosso povo”, afirmou.
Ele também ressaltou os avanços fiscais e institucionais do Estado nos últimos anos.
“Recebemos um Estado considerado insolvente e hoje Mato Grosso tem nota triplo A há três anos. Saímos das últimas posições na educação e hoje estamos entre os melhores do país. Quando o governo faz o dever de casa, o desenvolvimento acontece”, completou.
O presidente da Rumo, Pedro Palma, destacou a construção conjunta do projeto.
“A visão de futuro é importante, mas ela não basta. É preciso conhecimento, parceria e coragem para transformar projetos em realidade. O modelo criado por Mato Grosso foi fundamental para que esse investimento saísse do papel e chegasse até aqui”, destacou.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, destacou a importância da ferrovia para a competitividade da produção brasileira.
“Essa ferrovia liga Mato Grosso ao Porto de Santos, reduzindo custos logísticos e aumentando a competitividade da produção brasileira. A ferrovia melhora o transporte, ajuda o meio ambiente, reduz custos e impulsiona o desenvolvimento econômico do país”, disse.
O presidente do conselho de administração da Cosan, Rubens Ometto, ressaltou o impacto da integração logística.
“É uma parceria que mostra o que o Brasil é capaz de fazer quando iniciativa privada e poder público trabalham juntos. Esse projeto conecta a produção de Mato Grosso ao Porto de Santos e ao mundo. É a verdadeira ferrovia do grão, que também traz fertilizantes, exporta algodão e movimenta a indústria do etanol. Essa entrega representa muito mais do que novos trilhos, gera empregos e cria condições para que as pessoas construam aqui as suas vidas”, pontuou.
O ministro dos Transportes, George Santoro, parabenizou os envolvidos. “Essa obra representa um avanço importante para a logística do país e para o setor produtivo”, disse.
Terminal Ferroviário
As obras tiveram início em novembro de 2022 e mobilizaram mais de 65 empresas contratadas e cerca de 5 mil trabalhadores. Somente na construção do terminal, foram gerados mais de 800 empregos diretos e indiretos.
Para o prefeito de Dom Aquino, Carlim Amarelo, a chegada da ferrovia representa uma transformação regional.
“Estamos diante de uma obra que fortalece Mato Grosso e muda a história da nossa região. Dom Aquino passa a integrar uma importante rota logística nacional, ampliando oportunidades para produtores, empresas e para toda a população”, afirmou.
A cerimônia contou com a presença de autoridades federais, estaduais e municipais, entre elas senadores, deputados federais, deputados estaduais, prefeitos da região, empresários, representantes do setor produtivo e outras lideranças.
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