Tribunal de Justiça de MT

Projeto fortalece ressocialização de reeducandos com foco em trabalho, família e responsabilidade

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Mais de 100 reeducandos do Centro de Ressocialização Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande, estão participando de um ciclo de palestras voltado ao fortalecimento da ressocialização por meio do trabalho extramuros, da reconstrução de vínculos familiares e da capacitação para reinserção social. A iniciativa busca estimular reflexão, disciplina e novas perspectivas de vida para pessoas privadas de liberdade.

O projeto teve início em 24 de fevereiro e segue até o dia 31 de março de 2026. A ação é realizada pela Prefeitura de Várzea Grande, em parceria com o Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Poder Judiciário de Mato Grosso (GMF-MT), além de instituições públicas e representantes da sociedade civil.

Com duração média de três horas, as palestras reúnem autoridades do sistema de Justiça, especialistas e lideranças comunitárias para dialogar com os participantes sobre temas ligados à disciplina, responsabilidade, trabalho e reconstrução de projetos de vida. A proposta é contribuir para a mudança de comportamento e fortalecer valores essenciais à reintegração social.

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A metodologia do projeto inclui momentos expositivos e espaços de diálogo, permitindo que os reeducandos reflitam sobre suas escolhas e sobre as oportunidades existentes para reconstruir a própria trajetória após o cumprimento da pena.

Palestras já realizadas

Desde o início do projeto, três encontros já foram realizados no auditório da unidade prisional. O primeiro ocorreu no dia 24 de fevereiro, com o tema “Disciplina e Comportamento”, abordando a importância da ordem e da postura adequada no processo de ressocialização.

Em seguida, no dia 26 de fevereiro, a palestra “Empresas e Prefeituras” apresentou aos reeducandos as possibilidades de parcerias e oportunidades de trabalho, destacando o papel das instituições públicas e do setor produtivo na reintegração social.

Já no dia três de março, o encontro “Direito e Judiciário” tratou das decisões judiciais e dos direitos das pessoas privadas de liberdade, promovendo orientação jurídica e esclarecimentos sobre o funcionamento do sistema de Justiça.

Reflexão sobre responsabilidade

A programação continuou nesta quinta-feira (05), com a palestra “Ação e Responsabilidade”, ministrada por Lusanil Cruz, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso. O tema propõe uma reflexão sobre o poder das escolhas e a importância da autorresponsabilidade no processo de mudança de vida.

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Ao longo das próximas semanas, a agenda ainda inclui encontros sobre nova oportunidade de vida, o papel do Conselho da Comunidade, trabalho e ressocialização, espiritualidade, prevenção aos vícios e fortalecimento da família como base de apoio para o retorno à sociedade.

Entre os destaques da programação está também a palestra que será ministrada pelo juiz Geraldo Fidelis, no dia 24 de março, abordando os desafios relacionados ao trabalho extramuros e à superação de comportamentos que podem comprometer a reinserção social.

A expectativa dos organizadores é que o ciclo de palestras contribua para ampliar o acesso ao trabalho extramuros, fortalecer a estabilidade emocional dos reeducandos e incentivar atitudes de responsabilidade e convivência social, fatores considerados fundamentais para reduzir a reincidência criminal e promover a dignidade humana.

Autor: Roberta Penha

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Curso “Pena Justa no Ciclo Penal” fortalece atuação humanizada no sistema penitenciário de MT

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Magistrados(as), servidores(as) e gestores(as) judiciais concluíram nos dias 29 e 30 de abril o primeiro módulo da capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal”, promovida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso.

A formação integra a estratégia institucional voltada ao aperfeiçoamento da atuação judicial no sistema penal, com foco em práticas mais eficientes, humanizadas e alinhadas aos direitos fundamentais. Durante os dois dias de atividades presenciais, foram debatidos temas como medidas diversas da prisão, execução penal, políticas de cidadania, inspeções judiciais e atenção a populações com vulnerabilidade acrescida no ciclo penal.

O diretor da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal destacou que a Esmagis e o Poder Judiciário cumprem papel essencial na formação continuada da magistratura e no aprimoramento institucional.

“A execução penal exige uma jurisdição mais consciente e comprometida com a realidade humana do sistema prisional. A formação é o caminho para que possamos refletir sobre nossas responsabilidades e buscar alternativas que efetivamente contribuam para a recuperação das pessoas. Não basta levar ao cárcere, é preciso discutir formas verdadeiras de recuperar e reeducar. Isso exige conhecimento, consciência e responsabilidade de todos nós”, comentou

Supervisor do GMF-MT, o desembargador Orlando de Almeida Perri ressaltou que a capacitação também busca ampliar a sensibilidade dos magistrados(as) diante da realidade prisional. “É muito importante promover cursos como este para conscientizar sobre a importância do sistema prisional. Precisamos enfrentar problemas graves e depende muito das atitudes e condutas dos magistrados para que possamos promover as melhorias necessárias”.

A formadora do curso, Laryssa Angélica Copack Muniz, juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba e coordenadora Adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça do Paraná, conduziu os debates com foco na humanização da atuação judicial, no papel constitucional do sistema penal e na necessidade de construir respostas mais eficazes para a violência e a reincidência. Durante a capacitação, a magistrada abordou temas ligados à execução penal, medidas alternativas à prisão, reinserção social e o compromisso institucional de garantir direitos fundamentais também às pessoas privadas de liberdade.

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“O curso propõe uma reflexão sobre como juízes e juízas podem aperfeiçoar sua atuação criminal e na execução penal, contribuindo para reverter o estado inconstitucional reconhecido nas prisões brasileiras. Não existe sociedade sem reintegração. As pessoas privadas de liberdade retornarão ao convívio social, e cabe ao Estado criar condições para que voltem melhores do que entraram. Quando falamos em trabalho, estudo e dignidade no sistema prisional, falamos em segurança pública de verdade. Ressocializar também é proteger a sociedade”, destacou.

Participação ativa

Juiz da 3ª Vara Criminal de Sinop, Walter Tomaz da Costa avaliou que o curso trouxe reflexões importantes para o enfrentamento da superlotação carcerária.

“Mato Grosso vive uma realidade de superpopulação carcerária. O Programa Pena Justa enfatiza a ressocialização e tende a melhorar esse cenário, desde que haja sensibilização de todos os poderes envolvidos. E esta capacitação chega em um momento necessário, especialmente para comarcas que convivem diretamente com a superlotação carcerária. A formação permite que os magistrados compartilhem experiências e reflitam sobre caminhos possíveis. Em Sinop, por exemplo, a superlotação é uma realidade urgente, e precisamos de medidas que envolvam não apenas o Judiciário, mas também o Executivo”, contou

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Já a magistrada Edna Ederli Coutinho, integrante do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá e juíza cooperadora de Execução Penal, destacou a importância de enxergar o sistema penitenciário sob a perspectiva humana.

“Esses cursos são fundamentais porque trazem ao magistrado a reflexão de que a pessoa presa continua sendo um ser humano. A rotina do trabalho judicial muitas vezes nos aproxima da burocracia e nos distancia da dimensão humana do sistema prisional. Cursos como este ajudam a resgatar esse olhar. Precisamos ainda lembrar que toda pessoa privada de liberdade um dia retornará ao convívio social. Se o sistema não oferecer trabalho, estudo e condições de dignidade, a reincidência continuará afetando toda a sociedade”, ressaltou Edna Coutinho.

Formação alinhada às metas institucionais

A capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal” integra diretrizes estratégicas relacionadas ao Prêmio CNJ de Qualidade 2026/2027 e busca fortalecer a atuação de magistrados(as), assessores(as) e gestores(as) judiciais no ciclo penal, especialmente nas áreas de fiscalização das unidades prisionais, aplicação de medidas alternativas e garantia de direitos fundamentais.

O próximo módulo será ofertado no período de 11 a 15 de maio, na modalidade EAD, com foco na prevenção à tortura e na saúde mental, também sob a responsabilidade da magistrada Laryssa Muniz.

O terceiro e último módulo será promovido no dia 18 de maio de 2026 e tratará do tema “Audiência de Custódia”, tendo como formadores o juiz Marcos Faleiros da Silva e o servidor Marcos Eduardo Moreira Siqueri.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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