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Rede de Enfrentamento fará blitz educativa em Cuiabá e amplia ações em março

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A imagem apresenta um cartaz digital da campanha “Protocolo Não é Não”, com fundo azul e letras grandes em branco e rosa destacando a mensagem principal. Há corações e traços desenhados ao redor, reforçando o respeito e o combate ao abuso. Na parte inferior aparecem os logos do PJMTNo próximo dia 6 de março, a partir das 19 horas, a Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar de Cuiabá realizará uma blitz informativa na Praça Popular sobre o Protocolo “Não é Não”, voltada à prevenção do constrangimento e da violência contra a mulher e à proteção das vítimas.

Segundo a juíza Tatyana Lopes Araújo Borges, coordenadora da Rede (que reúne também o Ministério Público do Estado, Defensoria Pública, Prefeitura de Cuiabá, dentre outros membros), a difusão é sempre necessária.

“Cada vez que falamos sobre o assunto, alcançamos mais mulheres que, muitas vezes, estão em um ciclo de violência e nem percebem. A violência física é facilmente identificada, mas a psicológica e a moral, em muitos casos, não são reconhecidas, e a mulher pode passar anos sem saber que está sendo vítima. Da mesma forma, muitos homens também não têm consciência de que estão reproduzindo comportamentos abusivos.”

Sobre a programação de março, Tatyana adiantou que haverá uma série de atividades ao longo do mês, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e o Ministério Público Estadual (MPE-MT).

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Não é não!

O protocolo amplia a segurança e a proteção para mulheres em casas noturnas, shows e eventos esportivos onde há venda de bebidas alcoólicas. A mensagem é clara: “Respeito não é opção, é obrigação”.

A campanha incentiva as vítimas ou testemunhas de violência a fazerem a denúncia pelos canais 190 (Polícia Militar) ou 180 (Central de Atendimento à Mulher), serviços que são gratuitos e seguros. A denúncia pode ser feita também de forma anônima. A mensagem final é direta: “Quando uma mulher diz que não quer, nada pode acontecer”.

Expansão das Redes no interior

A juíza Tatyana Lopes Araújo Borges destacou que a redução dos índices de violência está diretamente ligada à quebra do ciclo de agressões que, muitas vezes, se reproduz dentro do ambiente familiar. Nesse contexto, ressaltou o papel estratégico da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.

Neste ano, mais 30 municípios de Mato Grosso receberão a instalação da Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar. A iniciativa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, com apoio de instituições parceiras, já está presente em 100 cidades, atuando na prevenção e enfrentamento das agressões contra mulheres.

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As Redes são implementadas por meio da Cemulher-MT, coordenada pela desembargadora Maria Erotides Kneip. A atuação integrada permite que o Judiciário vá além das decisões judiciais, promovendo educação, prevenção e articulação interinstitucional.

Concurso cultural mobilizou 2 mil estudantes

No ano passado, a Cemulher-MT promoveu o concurso cultural “A Escola Ensina, a Mulher Agradece – Aprender a respeitar transforma a sociedade”, envolvendo estudantes do 1º ao 9º ano das redes municipal e estadual de ensino.

Foram avaliadas produções em cinco categorias – Redação, Poesia, Desenho, Música Autoral e Vídeo -, com apresentações dos primeiros colocados no plenário do TJMT, que emocionaram o público presente.

A iniciativa mobilizou 66 escolas estaduais, 51 municipais, cerca de 2 mil estudantes e teve mais de 600 trabalhos inscritos. Os vencedores receberam troféus, e os três melhores de cada categoria foram contemplados com certificados, medalhas e brindes.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Quando um filho chama

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Foto vertical que mostra o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira, sentado em seu posto no plenário do tribunal, olhando para o lado. Ele é um senhor branco, de cabelo e barba brancos, usando toga e óculos de grau.Há um instante pequeno, quase invisível, em que a paternidade se revela: um filho chama, e o pai decide se continua o que estava fazendo ou olha para ele e o escuta. É uma cena comum, dessas que os adultos deixam passar. A criança pode guardá-la por muito tempo.

No Dia dos Pais, é natural celebrar afeto, cuidado e dedicação. A data também deixa uma pergunta incômoda: quando nossos filhos pensarem em nós anos depois, do que se lembrarão? Talvez esqueçam o que lhes demos. Dificilmente esquecerão como se sentiram ao nosso lado.

Quem trabalha na Justiça conhece as consequências de vínculos que se romperam ou nunca chegaram a se formar. Processos de reconhecimento de paternidade, pensão alimentícia e convivência familiar trazem histórias marcadas por espera, conflito e ausência. A lei pode reconhecer o vínculo, exigir sustento e proteger direitos. Nenhuma decisão judicial, porém, consegue fazer um pai parar e ouvir o filho com interesse.

Nos processos de família, os autos registram as versões dos adultos, mas a infância continua enquanto o caso é analisado. A rapidez importa. O tempo de uma criança não espera o andamento do processo. Um ano de demora pode atravessar uma etapa inteira de sua formação e transformar distância em costume.

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Nenhum pai sabe tudo, embora muitos sintam que deveriam ter respostas para tudo. O filho precisa se aproximar sem achar que está incomodando quando o pai trabalha, usa o telefone ou está cansado. É preciso ouvi-lo antes de responder, perceber quando o silêncio esconde alguma coisa e reconhecer os próprios erros. Uma tarde comum pode ficar na memória por décadas porque o pai interrompeu o que fazia e permaneceu ali.

Muitos homens receberam pouco dos próprios pais e acabam repetindo a única forma de convivência que conheceram: disciplina sem ternura e afastamento. Esse passado ajuda a explicar a dificuldade, mas não precisa determinar o próximo gesto. Um pai pode pedir perdão, aproximar-se sem discurso e aprender, mesmo tarde, a demonstrar afeto.

Nenhum filho convive com um pai perfeito. Convive com um homem que trabalha, se cansa, erra e às vezes chega tarde à conversa necessária. Um pai pode morar longe e continuar presente. Há homens que não geraram uma criança, mas assumiram seu cuidado. Ao reconhecer a falha, o pai pode reconstruir a relação. A indiferença repetida ensina o filho a não esperar.

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Toda criança tem direito a sustento, proteção e convivência. Há uma necessidade que nenhum processo consegue medir: saber que sua existência importa para alguém. Quando encontra essa certeza no pai, o filho ganha segurança para enfrentar a vida e tem condições de não repetir com os próprios filhos as ausências com que cresceu.

Muitos filhos esquecerão o presente dado ao pai neste domingo. Anos depois, uma conversa na cozinha ou a tarde em que o pai percebeu que havia algo errado poderá voltar à memória com nitidez inesperada. Ninguém planeja essas lembranças. Elas surgem enquanto a vida comum acontece: o telefone deixado sobre a mesa e uma conversa sem pressa.

José Zuquim Nogueira

Presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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