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Relatório WASDE aponta alta na produção global de grãos e revisão positiva para soja e algodão em 2026

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Produção global de grãos avança em 2026, segundo relatório WASDE

O relatório WASDE (World Agricultural Supply and Demand Estimates), divulgado em fevereiro de 2026 pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e analisado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, indica crescimento na produção mundial de grãos, impulsionado principalmente pela soja e pelo algodão.

De acordo com o levantamento, a produção global de soja foi revisada para cima, passando de 426 para 428 milhões de toneladas, enquanto o milho e o trigo também apresentaram expansões moderadas. O estudo reforça a tendência de aumento da oferta mundial, ainda que com ajustes pontuais nos estoques e exportações de alguns países.

Brasil lidera expansão da soja, com nova revisão positiva

O Brasil foi destaque no relatório, com nova revisão positiva na produção de soja para 180 milhões de toneladas, acima das 178 milhões estimadas anteriormente. O desempenho reflete o avanço da colheita e condições climáticas mais favoráveis em parte das regiões produtoras.

A área colhida subiu para 49,4 milhões de hectares, e a produtividade média manteve-se em 3,6 toneladas por hectare. As exportações brasileiras permanecem projetadas em 114 milhões de toneladas, consolidando o país como maior exportador mundial da oleaginosa.

O consumo doméstico também deve crescer, alcançando 65,4 milhões de toneladas, impulsionado pelo aumento da demanda por farelo e óleo de soja.

Milho global tem leve revisão, com estoques menores e alta nas exportações dos EUA

O balanço de oferta e demanda global do milho mostra produção total de 1,296 bilhão de toneladas, alta de 5% em relação ao ciclo anterior. O estoque final mundial foi ajustado para baixo, de 291 para 289 milhões de toneladas, refletindo maior consumo global.

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Nos Estados Unidos, principal produtor, a exportação foi revisada de 81,3 para 83,8 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais recuaram de 56,6 para 54 milhões de toneladas.

O Brasil mantém estimativa de produção em 131 milhões de toneladas, com exportações estáveis em 43 milhões de toneladas, mas com estoques finais menores, sinalizando maior escoamento da safra.

Trigo tem estabilidade global, mas Argentina e União Europeia se destacam

No caso do trigo, o USDA manteve a produção mundial em 842 milhões de toneladas, indicando estabilidade frente ao relatório anterior. No entanto, países como Argentina e União Europeia registraram aumentos expressivos.

A Argentina teve a exportação revisada para 18 milhões de toneladas, refletindo recuperação de produtividade e colheita recorde. A União Europeia, por sua vez, viu suas importações subirem de 5,5 para 6 milhões de toneladas, acompanhando a recomposição de estoques e aumento do consumo interno.

No Brasil, a produção segue estável em 8 milhões de toneladas, enquanto o consumo doméstico é projetado em 12,4 milhões de toneladas, mantendo o país como importador líquido do cereal.

Algodão: Brasil e China impulsionam aumento global de produção

O algodão apresentou desempenho positivo no relatório, com produção global revisada para 26,1 milhões de toneladas, ante 26 milhões estimadas anteriormente. O aumento foi puxado por China e Brasil, que tiveram revisões de alta em suas projeções.

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A produção brasileira subiu para 4,1 milhões de toneladas, crescimento de 10% em relação ao ciclo anterior, enquanto a China passou de 7,5 para 7,6 milhões de toneladas.

Os estoques finais globais também aumentaram, de 16,2 para 16,4 milhões de toneladas, indicando maior equilíbrio entre oferta e demanda.

Perspectivas do mercado e preços internacionais

O Itaú BBA aponta que o cenário global de 2026 combina alta oferta de grãos e estabilidade nos preços internacionais, com tendência de leve pressão sobre as cotações da soja e do milho.

Em fevereiro de 2026, os preços médios de referência foram:

  • Soja: entre US$ 11,2 e US$ 11,4/bushel
  • Milho: entre US$ 5,3 e US$ 5,6/bushel
  • Trigo: entre US$ 6,2 e US$ 6,8/bushel
  • Algodão: entre US$ 0,64 e US$ 0,68/libra-peso

As expectativas do mercado seguem cautelosas, com atenção ao impacto climático sobre as próximas safras e ao comportamento da demanda global, especialmente da China, principal importadora de soja e milho.

Considerações finais

O relatório WASDE de fevereiro confirma o fortalecimento da produção agrícola mundial em 2026, com destaque para os avanços da América do Sul e ajustes estratégicos nos principais exportadores. Para o Brasil, o cenário é de continuidade do protagonismo global em soja, milho e algodão, reforçando sua relevância no equilíbrio do comércio internacional de alimentos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Preço do trigo no Brasil fecha primeiro semestre de 2026 em alta, mas junho registra desaceleração nas negociações

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O mercado brasileiro de trigo encerrou o primeiro semestre de 2026 com tendência de valorização nos preços, apesar da desaceleração observada nas negociações em junho. O cenário foi sustentado principalmente pela baixa disponibilidade de produto da safra velha, estoques internos apertados e maior necessidade de importação para suprir a demanda doméstica.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Elcio Bento, o comportamento dos preços reflete um equilíbrio ainda frágil entre oferta e demanda.

“O primeiro semestre foi marcado pela recomposição dos preços. A menor disponibilidade de trigo no mercado interno e a necessidade de importação deram sustentação às cotações, mesmo em um ambiente de liquidez bastante limitada”, destacou.

Mercado do trigo acumula altas expressivas no semestre

Apesar da pressão de baixa registrada em junho, o desempenho acumulado do semestre foi positivo nas principais praças do país.

No Paraná, a média dos preços FOB interior encerrou junho em R$ 1.407 por tonelada, com alta acumulada de 19,9% em relação ao fechamento de 2025. No entanto, o mês registrou recuo de 1,6%, influenciado pela menor demanda dos moinhos e pelo enfraquecimento das referências internacionais.

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No Rio Grande do Sul, o movimento de valorização foi ainda mais intenso no semestre, com avanço de 24,9%. Em junho, porém, houve queda de 5,1%, levando a média para R$ 1.290 por tonelada FOB. Mesmo com a correção, o estado segue sustentado pela escassez de trigo remanescente da safra anterior e pelo forte ritmo de exportações ao longo do período.

Ajuste em junho não muda tendência de alta, diz analista

De acordo com Elcio Bento, a retração observada em junho não representa mudança estrutural no mercado, mas sim um ajuste técnico após meses de valorização.

“O que vimos em junho foi muito mais um ajuste técnico do que uma mudança de tendência. A oferta continua limitada, os estoques seguem apertados e isso impede uma queda mais acentuada dos preços”, analisou.

O ambiente de baixa liquidez continua sendo uma característica marcante do mercado físico brasileiro de trigo. Produtores seguem retendo parte do produto, aguardando melhores condições de preços na entressafra, enquanto os moinhos realizam compras pontuais devido à dificuldade de repasse dos custos ao preço da farinha.

Esse desalinhamento entre oferta e demanda mantém o mercado travado e com negociações limitadas.

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Mercado internacional sustenta cenário de preços no Brasil

No mercado externo, o trigo negociado em Kansas acumulou valorização de 15,5% no primeiro semestre de 2026, mesmo com correções pontuais registradas em junho. Já o trigo argentino, referência importante para a paridade de importação brasileira, avançou 6,7% no período.

Por outro lado, a valorização do real frente ao dólar ao longo do semestre contribuiu para reduzir parte da pressão altista que poderia ter sido transmitida ao mercado doméstico.

Perspectivas para o segundo semestre seguem atreladas ao clima e ao câmbio

Para os próximos meses, o mercado brasileiro de trigo deve permanecer sensível a fatores externos e internos. Entre os principais vetores de atenção estão o desenvolvimento da safra nacional, as condições climáticas na Argentina, o comportamento das bolsas internacionais e as oscilações cambiais.

Segundo o analista, esse conjunto de variáveis continuará sendo determinante para a formação de preços no mercado.

“Esse conjunto de fatores continua oferecendo sustentação estrutural aos preços”, concluiu Elcio Bento.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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