Tribunal de Justiça de MT

Reunião interinstitucional alinha ações da Rede de Memória do Estado

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) avançou na consolidação de uma política integrada de preservação da memória institucional ao alinhar ações da Rede de Memória do Estado de Mato Grosso, em reunião realizada de forma on-line no dia 6 de fevereiro de 2026. Durante o encontro, foram aprovados encaminhamentos para a estruturação e o funcionamento da Rede, marcando uma etapa prática de implementação do Acordo de Cooperação nº 1/2025.

Definiu-se uma agenda periódica de reuniões da Rede de Memória para fortalecer a comunicação e a articulação interinstitucional, o planejamento de capacitações voltadas às equipes que atuam com gestão de memória, arquivos e documentação histórica, com foco no aprimoramento técnico e na padronização de práticas.

Outro encaminhamento relevante foi a criação de um circuito de visitas técnicas aos espaços de memória de cada instituição, mediante agendamento prévio, para troca de experiências e boas práticas. No mesmo sentido, deliberou-se pelo levantamento dos perfis institucionais e dos acervos documentais dos órgãos.

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Para a coordenadora Administrativa do TJMT e membro da Comissão de Gestão da Memória, Bruna Penachioni, “a Rede fortalece a atuação integrada dos órgãos, amplia a capacidade técnica das equipes envolvidas e contribui para a preservação e difusão da memória institucional em todo o estado”.

Acordo de Cooperação

O Acordo de Cooperação nº 1/2025 é o instrumento jurídico que instituiu oficialmente a Rede de Memória e formalizou um ambiente permanente de cooperação entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além do Tribunal de Contas, Ministério Público e Defensoria Pública.

A criação da Rede de Memória não se limita à preservação de documentos, mas busca fortalecer a identidade institucional, fomentar pesquisa histórica e democratizar o acesso da sociedade às informações de interesse público.

A iniciativa também reafirma o compromisso do Judiciário mato-grossense com políticas públicas de memória, transparência e cidadania, consolidando um modelo cooperativo que pode servir de referência para outras unidades da Federação.

Assinam o Termo de Cooperação o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT 23), Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE/MT), Tribunal Regional Federal da 1ª Região – Seção Judiciária de Mato Grosso (TRF 1- SJMT), a Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Mato Grosso (SEPLAG/MT), Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (ALMT), Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE/MT), Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) e a Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso.

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Autor: Patrícia Neves

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Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Avanços no papel e entraves na prática mostram que a inclusão ainda carece de efetividade

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Apesar da existência de um arcabouço jurídico avançado, a garantia de direitos às pessoas com deficiência ainda enfrenta entraves concretos para sua execução. A avaliação foi apresentada pela advogada doutora Jennyfer Bathemarque durante a palestra “A Pessoa com Deficiência no Sistema de Justiça: Direitos, desafios e o papel do Judiciário na efetivação da inclusão”, realizada dentro da programação do evento “TJMT Inclusivo: Autismo e Direitos das Pessoas com Deficiência”, realizado na quinta-feira (16), na Igreja Lagoinha, em Cuiabá.

A advogada conhece na pele as dificuldades de uma mãe atípica e da necessidade de recorrer ao sistema de Justiça para garantir que o amor de sua vida, seu filho, quando ainda um bebezinho de seis meses, pudesse ser submetido a uma intervenção cirúrgica cardíaca de alta complexidade.

Ao aprofundar a reflexão, a palestrante adotou um tom crítico ao provocar o público sobre a distância entre o que está previsto na legislação e o que, de fato, é entregue à população: o que determina a “Lei Berenice Piana” quanto à responsabilidade dos municípios na proteção das pessoas com autismo?

Segundo ela, o país não carece de normas, mas de efetividade. “Temos um arcabouço jurídico robusto, mas que ainda falha na execução. O direito existe no papel, mas não chega com a mesma força na vida real de quem precisa”, pontuou.

Na avaliação da advogada, essa desconexão se reflete em violações recorrentes: negativa de terapias por planos de saúde, ausência de profissionais especializados nas escolas, falta de atendimento adequado no SUS, escassez de especialistas, longas filas de espera e entraves no acesso ao Benefício de Prestação Continuada (BPC). “O que vemos é um sistema que empurra as famílias para decisões difíceis, muitas vezes abrindo mão de estabilidade financeira para tentar garantir o mínimo de dignidade”, alertou.

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A crítica se intensifica quando o acesso a direitos passa, quase sempre, pelo Judiciário, evidenciando um cenário que exige reflexão: direitos básicos ainda dependem de ação judicial para serem garantidos, enquanto a morosidade processual compromete tratamentos que não podem esperar.

A advogada cita ainda que se soma a isso a exigência excessiva de laudos, que acaba se tornando mais uma barreira de acesso, além da falta de uniformidade nas decisões, gerando insegurança jurídica. Nesse contexto, também se coloca em debate a própria capacidade do sistema de Justiça de compreender, em sua complexidade, as dimensões clínicas e sociais que envolvem as pessoas com deficiência.

Ela também chamou atenção para o que classificou como distorções estruturais: por que a judicialização deixou de ser exceção e passou a ser regra? Por que decisões ainda se baseiam, muitas vezes, em critérios exclusivamente formais? Onde está o olhar multidisciplinar? E por que, mesmo após decisões favoráveis, ainda há descumprimento, dependência de bloqueios judiciais e um ciclo contínuo de novas ações?

Para Jennyfer, esse cenário evidencia uma inversão preocupante. “O que deveria ser resolvido administrativamente tem sido transferido ao Judiciário. Isso revela não apenas a fragilidade das políticas públicas, mas também a sobrecarga de um sistema que acaba sendo acionado para garantir o básico”.

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A advogada também fez questão de elogiar o serviço prestado por meio do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), com destaque para a realização do evento TJ Inclusivo, que, segundo ela, evidencia o compromisso institucional com a promoção da acessibilidade e da inclusão.

Para a advogada, iniciativas como essa ampliam o diálogo com a sociedade e, a cada interação, contribuem para uma compreensão mais clara das falhas ainda existentes, auxiliando na promoção de ações mais efetivas, sensíveis e alinhadas às necessidades das pessoas em situação de vulnerabilidade.

TJMT Inclusivo – O projeto reforça o compromisso do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio da Comissão de Acessibilidade e Inclusão, com o respeito à neurodiversidade e dá cumprimento à Resolução 401/2021 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que dispõe sobre o desenvolvimento de diretrizes de acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência nos órgãos do Judiciário, e à Lei federal nº 12.764/2012 – Lei Berenice Piana, que institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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