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Rota usada por contrabandistas vira trajeto turístico em MG

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Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira
Bruno Guilarducci/Descaminhos do Ouro

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira

A Zona da Mata Mineira ganhou um novo atrativo turístico com a inauguração da Ciclorrota Caminhos do Ouro. O projeto, desenvolvido a partir de uma parceria entre a Instância de Governança Regional (IGR) Circuito Turístico Caminhos Verdes de Minas, a Universidade Federal de Viçosa (UFV), Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), Sebrae, Emater e Senar, busca valorizar o turismo na região e resgatar a história da colonização mineira. 

A ciclorrota foi lançada em novembro e envolve 20 municípios, seguindo trajetos históricos usados no período do ciclo do ouro. Em mais de 420 kms, a ciclorrota passa por cidades como Bicas, Chácara, Chiador, Descoberto, Guarani, Guarará, Goianá, Mar de Espanha, Pequeri, Piau, Rio Novo, Rochedo de Minas, Rio Pomba, São João Nepomuceno e Tabuleiro.

Em entrevista ao Portal iG , a gestora da IGR, Luciene Braga, detalhou o processo de desenvolvimento da iniciativa e os desafios enfrentados. “A ciclorrota é o primeiro produto desenvolvido dentro do programa de regionalização do turismo. Trabalhamos com um levantamento histórico e identificamos que o cicloturismo já existia de forma espontânea na região. O projeto veio para estruturar esse fluxo e agregar valor”, afirmou.

Definição do trajeto

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira
Bruno Guilarducci/Descaminhos do Ouro

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira

A definição dos trajetos e das cidades participantes seguiu critérios históricos, culturais e geográficos. Luciene explica que todos os municípios associados puderam integrar a ciclorrota, desde que estivessem inseridos no contexto do Descaminho do Ouro. “Os trajetos foram escolhidos para garantir autenticidade histórica e oferecer uma experiência enriquecedora aos ciclistas”, destacou.

A representante detalha que foi realizado um levantamento histórico sobre o local e o fato de já haver ciclistas que faziam o caminho de forma espontânea: “Percebemos que faltava um direcionamento temático, e então adotamos o marco programa como base.”

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira
Bruno Guilarducci/Descaminhos do Ouro

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira

O projeto recebeu apoio do governo estadual por meio do edital Minas para Minas, que financiou a promoção da ciclorrota, incluindo site, redes sociais, fotografias e vídeos. “O desenvolvimento inicial foi financiado com recursos da IGR. Posteriormente, na etapa de criação da ciclorrota, obtivemos apoio do governo estadual por meio do edital ‘Minas para Minas’, que utilizou recursos da reparação da tragédia de Mariana. Já a estruturação da ciclorrota, como mapeamento, pesquisa histórica e sinalização, foi viabilizada com recursos da própria IGR”, explicou Luciene.

A participação acadêmica também fortaleceu o projeto. A Universidade Federal de Viçosa contribuiu com estudos históricos e georreferenciamento dos caminhos. “A parceria permitiu documentar trajetos e atualizar mapas com tecnologia moderna”, destacou.

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira
Bruno Guilarducci/Descaminhos do Ouro

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira

A ciclorrota tem nomes inspirados em expedições históricas que desbravaram Minas Gerais. O primeiro percurso, Cunha Menezes, homenageia um general da época colonial. “Recentemente, um descendente direto do Cunha Menezes descobriu que sua família dá nome a um dos caminhos. Isso reforça a autenticidade do nosso projeto”, destacou Luciene. Outro personagem histórico ligado ao trajeto é Tiradentes, que participou dessas expedições ainda como soldado. “Ele fazia parte das missões de reconhecimento e combate ao desvio de ouro”, lembrou a gestora.

Já sobre desafios, Luciene afirma que o engajamento dos municípios em dar atrativos para os turistas se manterem na cidade tem sido levantado. “Como IGR, desenvolvemos e executamos o projeto, mas dependemos das prefeituras para ações essenciais, como vistorias, sinalização e manutenção de estradas. A ciclorrota passa por um território 99% rural, exigindo logística e infraestrutura adequadas. A necessidade de articulação com o setor público gerou dificuldades adicionais, já que o envolvimento das prefeituras é essencial para a implementação e continuidade do projeto”, explica.

Estrutura

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira
Bruno Guilarducci/Descaminhos do Ouro

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira

Luciene explica que a sinalização segue padrões internacionais de trilhas de longo curso, utilizando cores e desenhos específicos. Ela esclarece que as placas incluem QR codes com informações históricas sobre cada caminho e cidade. “O visitante acessa o site e conhece detalhes da região sem sobrecarregar a sinalização com textos extensos”, explicou.

A recepção da comunidade local à ciclorrota tem sido positiva, mas ainda há desafios na capacitação do setor turístico. “A população local, em geral, não conhecia toda a história da ciclorrota. Algumas pessoas familiarizadas com a temática participaram do processo, compartilhando relatos em reuniões. Durante a implementação, identificamos pontos históricos ao longo das estradas, alguns preservados, outros não.”, analisou Luciene.

Ela continua: “Os ciclistas da região abraçaram o projeto, utilizando a rota de maneira autoguiada. No entanto, o envolvimento da rede empresarial ainda é pequeno, pois a cultura local ainda não vê o cicloturismo como uma oportunidade econômica. Nosso desafio atual é ampliar esse engajamento.”

Impacto

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira
Bruno Guilarducci/Descaminhos do Ouro

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira

Com o percurso consolidado, o foco agora é medir o impacto econômico e turístico da ciclorrota. Segundo a gestora, os primeiros levantamentos estão previstos para março. “Os dados iniciais mostram que a maior parte dos visitantes faz o percurso em um dia, sem pernoitar. A economia gira em torno da alimentação, mas queremos estimular estadias mais longas”, afirmou.

Uma das estratégias para aumentar a permanência dos turistas é a criação de eventos culturais nos municípios participantes. “Poucos grupos já percorreram a rota completa, permanecendo por dois ou três dias. O gasto principal dos visitantes tem sido com alimentação. Para aumentar a permanência, estamos incentivando as prefeituras a criarem agendas culturais que complementem a experiência dos ciclistas, oferecendo atividades além do percurso. Esse é um gargalo que precisamos trabalhar para fortalecer o impacto econômico da ciclorrota na região.”

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira
Bruno Guilarducci/Descaminhos do Ouro

Ciclorrota Descaminhos do Ouro: os Caminhos Proibidos da Zona da Mata Mineira

O projeto também despertou interesse do Ministério do Meio Ambiente, que busca mapear áreas ambientais ao longo do trajeto. Dois parques municipais já foram identificados como pontos de relevância ecológica. “Queremos agregar valor com turismo sustentável, incluindo visitação a sítios e outros atrativos rurais”, afirmou a gestora.

Para garantir o sucesso da ciclorrota, Luciene enfatiza a necessidade de envolvimento da gestão municipal e da comunidade. “O turismo precisa ser organizado. É essencial que as prefeituras invistam em educação patrimonial e que os empresários enxerguem oportunidades no setor”, concluiu.

Fonte: Turismo

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Conjunto Moderno da Pampulha: um marco da arquitetura brasileira reconhecido pela Unesco

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Na capital mineira, Belo Horizonte, a Lagoa da Pampulha emoldura um dos marcos mais revolucionários da história da arquitetura mundial. Inscrito na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco em 2016, o Conjunto Moderno da Pampulha foi concebido entre 1940 e 1943 e representa o nascimento de uma identidade arquitetônica genuinamente brasileira, unindo arte e paisagismo.

Projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, a pedido do então prefeito de Belo Horizonte, Juscelino Kubitschek, o complexo integrou o uso do concreto armado a painéis de azulejos de Candido Portinari, esculturas de Alfredo Ceschiatti e jardins tropicais do paisagista Roberto Burle Marx.

Reconhecimento

A Unesco concedeu o título de Patrimônio Mundial ao Conjunto Moderno da Pampulha por ser um testemunho das artes e da arquitetura do século 20. O projeto introduziu novas formas ao movimento moderno internacional, ao flexibilizar as linhas retas da época em favor das curvas no concreto.

O reconhecimento destaca a integração entre as edificações e o espelho d’água da lagoa artificial, criando uma “cidade-jardim” onde arquitetura, artes plásticas e paisagismo conversam em perfeita harmonia. A Pampulha serviu também como um verdadeiro laboratório de ideias que, anos mais tarde, inspiraria a construção de Brasília – outro ícone brasileiro reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco. Confira AQUI.

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O que fazer

Entre os principais atrativos do Conjunto Moderno da Pampulha estão:

  • Igreja de São Francisco de Assis (Igrejinha da Pampulha): mais famoso cartão-postal da capital, destaca-se pelo seu formato ondulado e linhas curvas, pelos jardins de Burle Marx e pelo impressionante painel externo em azulejos azuis, pintado por Candido Portinari.

  • Museu de Arte da Pampulha (MAP): o primeiro edifício do conjunto a ser concluído surpreende pelo jogo de espelhos, transparências e mármores, abrigando exposições e eventos culturais.

  • Casa do Baile: em uma ilha artificial conectada por uma ponte, destaca-se pela marquise que contorna o espelho d’água. É o atual Centro de Referência de Arquitetura, Urbanismo e Design.

  • Iate Tênis Clube: projetado para a prática de esportes náuticos, possui arquitetura que remete à estrutura de um barco.

  • Casa Kubitschek: antiga residência de férias de JK, projetada por Niemeyer, com jardins de Burle Marx, hoje é aberta à visitação como museu.

Como chegar

O Conjunto Moderno da Pampulha fica na Zona Norte de Belo Horizonte (MG), a cerca de 10 quilômetros do centro da capital.

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Para quem chega de avião, o ponto de acesso principal é o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte (Confins), a cerca de 30 quilômetros da Pampulha. O deslocamento, a partir do aeroporto ou da região central, pode ser feito de carro ou ônibus executivos pelas avenidas Antônio Carlos e Pedro I.

Patrimônio Mundial

A Lista do Patrimônio Mundial reúne locais reconhecidos pela Unesco por sua importância cultural, natural ou histórica para a humanidade. Os bens inscritos são considerados de Valor Universal Excepcional e passam a integrar uma relação internacional de patrimônios cuja preservação é de interesse mundial.

O Brasil possui atualmente 26 bens inscritos na lista, distribuídos entre as categorias Cultural, Natural e Mista.

Por Bárbara Magalhães
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

 

Fonte: Ministério do Turismo

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