Turismo
Rota usada por contrabandistas vira trajeto turístico em MG
Publicado
28 de fevereiro de 2025, 19:30

A Zona da Mata Mineira ganhou um novo atrativo turístico com a inauguração da Ciclorrota Caminhos do Ouro. O projeto, desenvolvido a partir de uma parceria entre a Instância de Governança Regional (IGR) Circuito Turístico Caminhos Verdes de Minas, a Universidade Federal de Viçosa (UFV), Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais (Secult), Sebrae, Emater e Senar, busca valorizar o turismo na região e resgatar a história da colonização mineira.
A ciclorrota foi lançada em novembro e envolve 20 municípios, seguindo trajetos históricos usados no período do ciclo do ouro. Em mais de 420 kms, a ciclorrota passa por cidades como Bicas, Chácara, Chiador, Descoberto, Guarani, Guarará, Goianá, Mar de Espanha, Pequeri, Piau, Rio Novo, Rochedo de Minas, Rio Pomba, São João Nepomuceno e Tabuleiro.
Em entrevista ao Portal iG , a gestora da IGR, Luciene Braga, detalhou o processo de desenvolvimento da iniciativa e os desafios enfrentados. “A ciclorrota é o primeiro produto desenvolvido dentro do programa de regionalização do turismo. Trabalhamos com um levantamento histórico e identificamos que o cicloturismo já existia de forma espontânea na região. O projeto veio para estruturar esse fluxo e agregar valor”, afirmou.
Definição do trajeto

A definição dos trajetos e das cidades participantes seguiu critérios históricos, culturais e geográficos. Luciene explica que todos os municípios associados puderam integrar a ciclorrota, desde que estivessem inseridos no contexto do Descaminho do Ouro. “Os trajetos foram escolhidos para garantir autenticidade histórica e oferecer uma experiência enriquecedora aos ciclistas”, destacou.
A representante detalha que foi realizado um levantamento histórico sobre o local e o fato de já haver ciclistas que faziam o caminho de forma espontânea: “Percebemos que faltava um direcionamento temático, e então adotamos o marco programa como base.”

O projeto recebeu apoio do governo estadual por meio do edital Minas para Minas, que financiou a promoção da ciclorrota, incluindo site, redes sociais, fotografias e vídeos. “O desenvolvimento inicial foi financiado com recursos da IGR. Posteriormente, na etapa de criação da ciclorrota, obtivemos apoio do governo estadual por meio do edital ‘Minas para Minas’, que utilizou recursos da reparação da tragédia de Mariana. Já a estruturação da ciclorrota, como mapeamento, pesquisa histórica e sinalização, foi viabilizada com recursos da própria IGR”, explicou Luciene.
A participação acadêmica também fortaleceu o projeto. A Universidade Federal de Viçosa contribuiu com estudos históricos e georreferenciamento dos caminhos. “A parceria permitiu documentar trajetos e atualizar mapas com tecnologia moderna”, destacou.

A ciclorrota tem nomes inspirados em expedições históricas que desbravaram Minas Gerais. O primeiro percurso, Cunha Menezes, homenageia um general da época colonial. “Recentemente, um descendente direto do Cunha Menezes descobriu que sua família dá nome a um dos caminhos. Isso reforça a autenticidade do nosso projeto”, destacou Luciene. Outro personagem histórico ligado ao trajeto é Tiradentes, que participou dessas expedições ainda como soldado. “Ele fazia parte das missões de reconhecimento e combate ao desvio de ouro”, lembrou a gestora.
Já sobre desafios, Luciene afirma que o engajamento dos municípios em dar atrativos para os turistas se manterem na cidade tem sido levantado. “Como IGR, desenvolvemos e executamos o projeto, mas dependemos das prefeituras para ações essenciais, como vistorias, sinalização e manutenção de estradas. A ciclorrota passa por um território 99% rural, exigindo logística e infraestrutura adequadas. A necessidade de articulação com o setor público gerou dificuldades adicionais, já que o envolvimento das prefeituras é essencial para a implementação e continuidade do projeto”, explica.
Estrutura

Luciene explica que a sinalização segue padrões internacionais de trilhas de longo curso, utilizando cores e desenhos específicos. Ela esclarece que as placas incluem QR codes com informações históricas sobre cada caminho e cidade. “O visitante acessa o site e conhece detalhes da região sem sobrecarregar a sinalização com textos extensos”, explicou.
A recepção da comunidade local à ciclorrota tem sido positiva, mas ainda há desafios na capacitação do setor turístico. “A população local, em geral, não conhecia toda a história da ciclorrota. Algumas pessoas familiarizadas com a temática participaram do processo, compartilhando relatos em reuniões. Durante a implementação, identificamos pontos históricos ao longo das estradas, alguns preservados, outros não.”, analisou Luciene.
Ela continua: “Os ciclistas da região abraçaram o projeto, utilizando a rota de maneira autoguiada. No entanto, o envolvimento da rede empresarial ainda é pequeno, pois a cultura local ainda não vê o cicloturismo como uma oportunidade econômica. Nosso desafio atual é ampliar esse engajamento.”
Impacto

Com o percurso consolidado, o foco agora é medir o impacto econômico e turístico da ciclorrota. Segundo a gestora, os primeiros levantamentos estão previstos para março. “Os dados iniciais mostram que a maior parte dos visitantes faz o percurso em um dia, sem pernoitar. A economia gira em torno da alimentação, mas queremos estimular estadias mais longas”, afirmou.
Uma das estratégias para aumentar a permanência dos turistas é a criação de eventos culturais nos municípios participantes. “Poucos grupos já percorreram a rota completa, permanecendo por dois ou três dias. O gasto principal dos visitantes tem sido com alimentação. Para aumentar a permanência, estamos incentivando as prefeituras a criarem agendas culturais que complementem a experiência dos ciclistas, oferecendo atividades além do percurso. Esse é um gargalo que precisamos trabalhar para fortalecer o impacto econômico da ciclorrota na região.”

O projeto também despertou interesse do Ministério do Meio Ambiente, que busca mapear áreas ambientais ao longo do trajeto. Dois parques municipais já foram identificados como pontos de relevância ecológica. “Queremos agregar valor com turismo sustentável, incluindo visitação a sítios e outros atrativos rurais”, afirmou a gestora.
Para garantir o sucesso da ciclorrota, Luciene enfatiza a necessidade de envolvimento da gestão municipal e da comunidade. “O turismo precisa ser organizado. É essencial que as prefeituras invistam em educação patrimonial e que os empresários enxerguem oportunidades no setor”, concluiu.
Fonte: Turismo
Turismo
Ministério do Turismo e UNESCO listam os destinos inteligentes e criativos do Brasil
Publicado
21 de maio de 2026, 17:30
O futuro do turismo global passa por inovação, sustentabilidade e criatividade, e o Ministério do Turismo (MTur) atua para que o Brasil opere efetivamente essa verdadeira transformação. Por meio da Estratégia Nacional de Destinos Turísticos Inteligentes (DTI), a pasta apoia localidades de norte a sul do país a adotarem ações nesse sentido, envolvendo eixos como governança, segurança, acessibilidade e mobilidade.
O trabalho inclui a disponibilização de revistas eletrônicas, elaboradas em parceria com a Unesco, que apresentam os atrativos e as iniciativas desenvolvidas pelas cidades contempladas.
O Brasil, inclusive, é a primeira nação da América Latina a criar uma metodologia própria de DTIs, inspirada no modelo da Sociedade Mercantil Estatal para a Gestão da Inovação e das Tecnologias Turísticas (SEGITTUR), empresa pública da Espanha, que é pioneira na área.
Além disso, o modelo brasileiro de Destinos Turísticos Inteligentes trabalha um pilar muito especial e específico da metodologia do país: a criatividade. Com isso, é dado destaque ao potencial de cada município em utilizar a economia criativa como diferencial na experiência dos visitantes, ao mesmo tempo em que valoriza o trabalho local e melhora o sentimento de pertencimento dos habitantes. Esse pilar conversa diretamente com as cidades criativas da Rede Unesco, da qual fazem parte vários dos destinos inteligentes em transformação.
Para o visitante, os Destinos Turísticos Inteligentes proporcionam melhores sistemas de transportes, informações digitais precisas e serviços integrados. Já para a população local, a Estratégia DTI promove o desenvolvimento econômico sustentável e a preservação dos patrimônios cultural e ambiental locais, além da geração de novas oportunidades de emprego, renda e inclusão social.
Clique AQUI para acessar as revistas.
Confira abaixo algumas das cidades brasileiras que participam da iniciativa do Ministério do Turismo e que avançam na adaptação do setor a uma nova realidade:
Angra dos Reis (RJ): com 365 ilhas, praias e Mata Atlântica, a cidade investe em gestão integrada e qualificação para equilibrar conservação e desenvolvimento. Com monitoramento por câmeras, Wi-Fi público e o portal “Visite Angra”, o destino proporciona segurança e conectividade. O município abriga ainda o Parque Tecnológico do Mar, ecossistema que acelera startups de turismo náutico e de energia, tornando a região um laboratório vivo.
Belém (PA): conhecida como a “metrópole da Amazônia”, a cidade é cenário de ícones como o Mercado Ver-o-Peso e investe na requalificação de espaços públicos, valorizando acessibilidade e conforto. Por meio de uma governança que une o poder público às comunidades ribeirinhas, Belém promove um turismo que respeita a biodiversidade e as raízes ancestrais. A economia criativa gira em torno de ingredientes amazônicos e saberes tradicionais, gerando renda e inclusão.
Belo Horizonte (MG): na capital mineira, a governança do DTI inclui a Belotur (Empresa Municipal de Turismo de Belo Horizonte) no ecossistema de inovação, focando em acessibilidade e mobilidade. O turista conta com portais integrados e infraestrutura que facilita o trânsito entre o clássico e o contemporâneo, apoiado por monitoramento inteligente e sustentabilidade. Por outro lado, BH faz da cozinha seu maior ativo, com a economia criativa girando em torno do “comer bem”.
Bonito (MS): referência em ecoturismo no Brasil, a cidade equilibra tecnologia e preservação. O coração dessa gestão é o Voucher Único Digital, sistema pioneiro, que monitora a capacidade de carga dos atrativos, garantindo a segurança do visitante e a integridade dos ecossistemas. Essa governança integrada entre os setores público e privado assegura padrões rigorosos de qualidade, acessibilidade e conectividade em expansão.
Brasília (DF): a capital federal é um marco do urbanismo moderno e utiliza sua arquitetura icônica como base para a inovação. A governança local foca na integração tecnológica para melhorar a mobilidade e a acessibilidade em seu traçado único, facilitando a experiência do visitante entre os monumentos e as áreas verdes. Com portais de dados e infraestrutura digital, a cidade busca otimizar a gestão urbana e garantir um turismo seguro e eficiente
Campina Grande (PB): conhecida pelo “Maior São João do Mundo”, a cidade usa inteligência de dados para gerenciar grandes fluxos de pessoas, garantindo segurança e eficiência durante festivais. O município oferece uma rede de serviços modernos, com foco em conectividade e soluções digitais. A inovação manifesta-se no design, nas artes visuais e na modernização das festas populares, criando um ecossistema de colaboração entre startups e produtores culturais.
Campo Grande (MS): reconhecida como uma das cidades mais arborizadas do mundo, Campo Grande, capital de Mato Grosso do Sul, une a logística eficiente e uma política de gestão e preservação do verde urbano. Principal portão de entrada do Pantanal, o município usa a tecnologia para monitorar fluxos de visitantes, otimizar a segurança e garantir conectividade em parques e centros de eventos, preservando corredores biológicos urbanos.
Curitiba (PR): referência mundial em planejamento urbano, a capital do Paraná prioriza mobilidade e sustentabilidade. Com uma rede de transporte eficiente e parques que servem como “pulmões”, a cidade oferece uma experiência urbana organizada e acessível. A governança DTI foca na integração de dados para otimizar serviços públicos e a segurança do visitante, usando a tecnologia na preservação de seus patrimônios, como o Portal do Turismo Inteligente (POTI).
Florianópolis (SC): a “Ilha da Magia” integra suas belezas naturais a um dos ecossistemas tecnológicos mais vibrantes do país. A cidade investe em uma governança que prioriza a sustentabilidade e a acessibilidade, usando soluções digitais para monitorar o fluxo turístico e melhorar a experiência nas praias e trilhas. Por meio de aplicativos de mobilidade e portais integrados, o visitante navega com facilidade entre o centro histórico e polos de inovação.
Fortaleza (CE): a capital cearense une suas paisagens litorâneas a uma gestão urbana focada em tecnologia e sustentabilidade. A cidade usa monitoramento inteligente e soluções de conectividade para elevar a qualidade da experiência turística. A governança DTI garante que a infraestrutura moderna beneficie tanto visitantes quanto moradores. O fomento a hubs de inovação e distritos criativos impulsiona startups e talentos locais, valorizando a identidade cearense.
Foz do Iguaçu (PR): a cidade consolidou-se como um laboratório internacional para a implementação de DTIs. Localizada na tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai), a cidade usa tecnologia para otimizar processos migratórios e a mobilidade entre grandes atrativos. Com sistemas avançados de monitoramento e prioridade em acessibilidade nas Cataratas, a cidade une eficiência tecnológica a uma hospitalidade multicultural.
Goiânia (GO): a capital de Goiás usa a tecnologia para otimizar a segurança, o tráfego e a experiência do visitante. Reconhecida por suas vastas áreas verdes, a cidade equilibra a força do agronegócio com uma gestão urbana voltada à acessibilidade e à preservação do patrimônio histórico. Por meio de incentivos à cultura e à digitalização de serviços, Goiânia fortalece o turismo de negócios e a governança local, unindo tradição e modernidade.
Gramado (RS): ícone em hospitalidade no Brasil, a cidade é um “DTI em Transformação” de referência, integrando sustentabilidade à gestão de dados. A tecnologia brilha no programa “Conecta Gramado”, que oferece Wi-Fi gratuito em pontos estratégicos como a Rua Coberta, garantindo a jornada digital para os turistas e moradores. Das fábricas de chocolate artesanal ao design de mobiliário de alto padrão, a criatividade local gera milhares de empregos qualificados.
João Pessoa (PB): a capital paraibana investe em tecnologias de monitoramento para preservar orlas e áreas verdes, oferecendo uma experiência turística segura e equilibrada. A gestão foca na acessibilidade urbana e na digitalização de serviços, facilitando o acesso ao rico patrimônio histórico e natural. A economia criativa promove a inclusão social e a geração de renda, transformando a identidade paraibana em um produto de alto valor agregado.
Rio de Janeiro (RJ): principal cartão-postal do Brasil, a cidade, por meio do Centro de Operações Rio, usa tecnologia para monitorar o tráfego e a segurança, garantindo fluidez em eventos como Réveillon e Carnaval. A acessibilidade em pontos como o Cristo Redentor e o Pão de Açúcar é referência mundial. A capital fluminense incentiva o empreendedorismo cultural em comunidades e investe na economia do Carnaval, que gera milhares de empregos.
Apoio à implementação de DTIs
A jornada para se tornar um DTI reconhecido pelo Ministério do Turismo é organizada em cinco etapas. O processo começa com um diagnóstico da pasta, que avalia a maturidade atual do destino com base em requisitos ligados a cada um dos pilares da estratégia, seguido da elaboração de um Plano de Transformação, onde são definidas as ações prioritárias para potencializar suas virtudes.
Durante a execução desse plano, o município recebe o selo “DTI em Transformação”, um reconhecimento ao seu compromisso com a mudança. A etapa final envolve a realização de uma auditoria oficial, que, caso seja aprovada, confere ao destino o título “DTI Brasil”, validando internacionalmente a qualidade de sua gestão e infraestrutura.
O MTur oferece não apenas a metodologia, mas também fornece capacitações e ferramentas práticas a gestores, a exemplo de suporte à comercialização dos destinos participantes do projeto. O órgão incentiva ainda a troca de experiências entre as localidades, por meio da Rede Brasileira de DTIs, criada com o apoio da pasta e que conecta os municípios contemplados.
Por Victor Mayrink
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo
Fonte: Ministério do Turismo
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