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Safra de trigo em São Paulo deve ter queda de área em 2026 diante de preços pressionados no mercado global

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O cultivo de trigo no estado de São Paulo deve registrar redução de área na safra de 2026, refletindo um cenário de preços internacionais pressionados e custos elevados de produção. O tema foi debatido durante a primeira reunião do ano da Câmara Setorial do Trigo paulista, realizada no dia 5 de março, que reuniu representantes do setor produtivo, cooperativas e especialistas do mercado.

O encontro ocorreu de forma híbrida na sede da Cooperativa Agroindustrial de Capão Bonito (CACB) e teve como objetivo discutir o planejamento das lavouras de inverno e avaliar as perspectivas do mercado para os produtores do estado.

Mercado global pressiona preços e reduz estímulo ao plantio

A expectativa de retração na área plantada está diretamente ligada ao cenário internacional do trigo, marcado por oferta elevada e preços mais baixos. Para o novo presidente da Câmara Setorial do Trigo de São Paulo, Ruy Zanardi, o momento exige cautela por parte dos produtores.

Segundo ele, apesar das dificuldades, o trigo continua sendo uma alternativa relevante para o inverno. A cultura apresenta boa liquidez no mercado paulista devido à demanda da indústria de moagem e também contribui agronomicamente para melhorar o desempenho de culturas como a soja no sistema de rotação.

Ainda assim, o ambiente de preços internacionais mais baixos tende a reduzir o entusiasmo para ampliar as áreas cultivadas no estado.

Cooperativas apontam retração de área e desafios financeiros

Relatos apresentados por cooperativas durante a reunião indicam que o custo de produção, aliado aos riscos climáticos e ao calendário agrícola, tem influenciado diretamente as decisões dos produtores.

Na Capal Cooperativa Agroindustrial, por exemplo, a estimativa é de queda de cerca de 20% na área cultivada com trigo em comparação ao ciclo anterior. De acordo com o coordenador técnico Airton Rodrigues, muitos produtores demonstram preocupação com a viabilidade econômica da cultura.

Já na Cooperativa Castrolanda, a área destinada ao trigo também deve diminuir, passando de 5.700 hectares para cerca de 4.590 hectares. O consultor agrícola Jeandro Oliveira explicou que o atraso na colheita da soja comprometeu o planejamento das culturas de inverno, além de impactar a situação financeira de muitos produtores.

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Por outro lado, a Cooperativa Holambra prevê maior estabilidade e estima manter aproximadamente 25 mil hectares de trigo, mesma área registrada em 2025. Entretanto, a cevada surge como uma alternativa crescente, podendo ampliar a área de 2 mil para 5 mil hectares neste ano.

Na Cooperativa Agrícola de Capão Bonito, a expectativa é de manutenção da área plantada em cerca de 4 mil hectares, mesmo após o atraso de aproximadamente 30 dias no ciclo da soja. Segundo o engenheiro agrônomo Nelio Uemura, muitos produtores optaram por investir no milho safrinha tardio em vez de migrar para o trigo.

Custos de produção e cenário geopolítico preocupam setor

Outro ponto destacado durante o encontro foi o impacto de fatores internacionais sobre os custos de produção. A empresa Ourosafra alertou que tensões geopolíticas têm pressionado insumos importantes, como fertilizantes nitrogenados e combustíveis.

Esse cenário tende a elevar os custos operacionais do produtor, reduzindo a margem de rentabilidade da cultura e aumentando a cautela nas decisões de plantio.

Trigo argentino amplia competitividade no mercado global

A análise de mercado apresentada pelo analista Jonathan Pinheiro, da StoneX, destacou que o mercado mundial vive um momento de oferta elevada.

Segundo ele, a Argentina tem registrado produções robustas e estoques confortáveis, o que mantém o trigo argentino altamente competitivo no comércio internacional.

O país sul-americano tem ampliado sua presença em mercados tradicionais da Ásia, como Indonésia, Vietnã e Bangladesh, além de conquistar novos destinos, como a China.

Com oferta abundante, o especialista avalia que é difícil esperar uma alta significativa nos preços do trigo no Brasil no curto prazo, fator que acaba reduzindo o incentivo para expansão da área plantada.

Problemas logísticos globais também influenciam mercado

O conflito no Oriente Médio também foi citado como fator de atenção, especialmente pelos impactos logísticos no comércio internacional.

A redução no fluxo de navios pelo Mar Vermelho — superior a 50% — tem levado embarcações a utilizarem rotas mais longas pelo Cabo da Boa Esperança. Essa mudança aumentou em cerca de 200% o uso desse trajeto, elevando custos de transporte e tempo de entrega para exportadores da Europa e da região do Mar Negro.

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Esse novo cenário logístico acaba favorecendo o trigo argentino, que possui rotas mais competitivas para abastecer o mercado brasileiro.

Mudança na presidência da Câmara Setorial do Trigo

A reunião também marcou o encerramento do terceiro mandato de Nelson Montagna na presidência da Câmara Setorial do Trigo paulista.

Durante sua gestão, a produção estadual registrou crescimento significativo, passando de 90 mil toneladas para cerca de 500 mil toneladas em 12 anos, com destaque para a safra recorde de 2022.

O vice-presidente da Câmara Setorial, José Reinaldo Oliveira, classificou o cenário atual como um momento de grande incerteza para os produtores.

Segundo ele, quando há uma safra cheia com boa produtividade e qualidade, os preços tendem a se estabilizar ou cair, o que reduz a rentabilidade do produtor.

Pesquisa e inovação seguem como apoio ao produtor

Durante o encontro, pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) apresentaram avanços em pesquisas voltadas ao trigo, reforçando que o suporte tecnológico ao produtor continua evoluindo no estado.

A programação também incluiu apresentações do Projeto Be8 – transformando grãos em energia e alimento, além de palestras de empresas do setor de sementes e biotecnologia.

Outro destaque foi a mudança na coordenação das Câmaras Setoriais da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, com a saída de José Carlos Junior e a chegada de Fabiana Ferreira da Costa Gouvea, que assumiu a função reforçando o compromisso de diálogo com o setor triticultor.

Perspectivas para o trigo paulista

Apesar das incertezas de mercado, especialistas avaliam que o trigo continuará sendo uma cultura importante no sistema produtivo paulista, especialmente pelo papel agronômico na rotação de culturas e pela demanda da indústria moageira.

Entretanto, o tamanho da área plantada em 2026 deverá depender principalmente da evolução dos preços internacionais, dos custos de produção e das condições climáticas durante a janela de plantio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Tirol inaugura centro de distribuição em Maringá e amplia presença no Norte do Paraná

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A Laticínios Tirol inaugura no próximo dia 12 de maio um novo Centro de Distribuição em Maringá, fortalecendo sua operação logística no Norte do Paraná e ampliando a capacidade de atendimento em cidades estratégicas como Londrina e região.

A nova unidade faz parte da estratégia de crescimento da empresa no mercado nacional e deve movimentar mais de 1.000 toneladas de produtos por mês, consolidando a presença da marca em uma das regiões mais relevantes para o consumo e distribuição de alimentos no Sul do país.

Novo centro logístico amplia eficiência operacional

O Centro de Distribuição possui área total de 1.550,20 metros quadrados e conta com mais de 500 posições de armazenagem.

Segundo a empresa, a estrutura foi planejada para aumentar a eficiência operacional, acelerar o fluxo logístico e garantir maior disponibilidade de produtos aos clientes e consumidores da região.

A expectativa é que a nova operação permita:

  • maior agilidade nas entregas;
  • redução no tempo de abastecimento;
  • fortalecimento da distribuição regional;
  • aumento da capacidade de atendimento comercial.
Leia mais:  Decisão paralisa todos os processos sobre Moratória da Soja
Maringá se consolida como polo estratégico da operação

A escolha de Maringá reforça a importância logística e econômica da cidade para o setor de alimentos e bebidas.

Além de ampliar a presença da Tirol no Paraná, o empreendimento também deve gerar impactos positivos na economia regional, com novas oportunidades de emprego e fortalecimento da cadeia de serviços ligada ao transporte, armazenagem e distribuição.

A companhia destaca que o novo CD integra o plano de expansão sustentável da empresa e aproxima ainda mais a operação dos clientes e parceiros comerciais.

Tirol reforça estratégia de crescimento no mercado brasileiro

De acordo com a direção da empresa, a inauguração representa mais um passo no fortalecimento da atuação nacional da indústria de laticínios.

“A inauguração do Centro de Distribuição de Maringá representa um passo importante para estarmos ainda mais próximos dos nossos clientes e parceiros. A nova estrutura amplia nossa capacidade de atendimento, traz mais eficiência para a operação e fortalece nossa presença em uma região estratégica para o crescimento da companhia”, destacou a empresa em nota.

Com o novo investimento, a Tirol amplia sua capacidade logística no Sul do Brasil e reforça sua estratégia de crescimento baseada em eficiência operacional, proximidade com o mercado consumidor e fortalecimento da cadeia de distribuição.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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