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Seminário do MTE e DIEESE analisa cenário do trabalho doméstico no país

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O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) promoveram, nesta quarta-feira (9), o XXVI Seminário Mensal da Rede de Observatórios do Mercado de Trabalho. Com o tema “Quem cuida de quem: trabalho doméstico, cuidado e desigualdades no Brasil”, o encontro reuniu especialistas para debater desafios e transformações.

A subsecretária de Estatísticas e Estudos do Trabalho do MTE, Paula Montagner, destacou que cerca de 5 milhões de trabalhadores com carteira assinada atuam no trabalho doméstico no país. Segundo ela, a retomada da política de valorização do salário mínimo tem impacto positivo para essa categoria. “A valorização do salário mínimo contribui diretamente para a melhoria das condições desses trabalhadores”, afirmou.

A abertura contou com a participação da secretária nacional de Políticas de Cuidados e Família, Laís Abramo, que ressaltou que o Brasil possui cerca de 6 milhões de trabalhadores domésticos, sendo a grande maioria composta por mulheres negras. Ela lembrou que, em 2023, o governo federal criou a Secretaria Nacional de Políticas de Cuidados e Família, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), além da aprovação, por unanimidade no Senado, da Política Nacional de Cuidados.

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Desenvolvida com a participação de 20 ministérios e em diálogo com estados, municípios, Distrito Federal, sociedade civil, setor privado e organismos internacionais, a política estabelece o cuidado como um direito — incluindo o direito de cuidar, de ser cuidado e ao autocuidado — e prevê a implementação gradual por meio do Plano Nacional de Cuidados.

Laís Abramo também destacou desafios enfrentados pelas trabalhadoras do setor, como a desvalorização histórica do trabalho de cuidado, os altos índices de informalidade, as desigualdades no acesso a direitos e o envelhecimento da categoria. Ela ressaltou ainda a importância da criação da Coordenação Nacional de Fiscalização do Trabalho Doméstico e de Cuidados (Conadon), no âmbito do MTE. “Há muitos desafios, como a necessidade de revisar regras do seguro-desemprego, hoje desfavoráveis aos trabalhadores domésticos, e ampliar a proteção para trabalhadoras resgatadas de condições análogas à escravidão”, afirmou.

A professora do Departamento de Sociologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Felícia Picanço, abordou aspectos culturais relacionados à divisão do trabalho. Segundo ela, ainda persiste uma visão conservadora que associa os homens ao trabalho remunerado e as mulheres às atividades domésticas. “As pesquisas mostram que as mulheres dedicam mais tempo ao trabalho doméstico, concentrando-se em tarefas como lavar, passar, limpar a casa e cuidar da louça”, explicou.

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Já Michele Redondo, pós-doutoranda no Laboratoire Interdisciplinaire pour la Sociologie Économique, destacou a importância de compreender o papel do cuidado na organização da sociedade. “O trabalho de cuidado é essencial, mas ainda é pouco valorizado e reconhecido”, afirmou.

A Rede de Observatórios do Mercado de Trabalho é composta por núcleos regionais que produzem estudos e análises com o objetivo de subsidiar políticas públicas, especialmente no âmbito do Sistema Nacional de Emprego (Sine) e das comissões estaduais e municipais de trabalho. Os seminários mensais promovidos pelo MTE e pelo DIEESE buscam ampliar o debate sobre temas relevantes e atuais do mundo do trabalho.

Confira a íntegra do seminário no canal do MTE no YouTube.

 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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Brasil recebe 75,6 mil pedidos de refúgio em 2025 e ultrapassa 165 mil refugiados reconhecidos

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Brasília, 22/6/2026 – O Brasil recebeu 75,6 mil novos pedidos de reconhecimento da condição de refugiado em 2025 e soma 165.774 pessoas reconhecidas como refugiadas pelo Estado brasileiro. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (22) na publicação Refúgio em Números 2026, apresentada pelo Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), anuário produzido em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), durante evento em celebração ao Dia Mundial do Refugiado e aos 75 anos da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, realizado em parceria com a Agência da ONU para Refugiados (Acnur).

O levantamento mostra que o número de pessoas reconhecidas como refugiadas cresceu 5,9% entre 2024 e 2025. Desde 2010, o País acumulou 551.072 solicitações de reconhecimento da condição de refugiado.

Realizado no Palácio da Justiça, em Brasília (DF), o evento reuniu representantes do Governo Federal, organismos internacionais, academia, sociedade civil e comunidades refugiadas para debater os desafios da proteção internacional e os avanços do Brasil no acolhimento e na integração de pessoas refugiadas.

O relatório também registra uma mudança no perfil dos solicitantes de refúgio. Pela primeira vez, Cuba ultrapassou a Venezuela em número de novos pedidos e respondeu por 55,4% das solicitações registradas em 2025. Os venezuelanos representaram 28,1% do total. O levantamento identificou ainda solicitantes oriundos de 177 países.

Durante a abertura do evento, o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, enfatizou a importância histórica da Convenção de 1951 e o compromisso brasileiro com a proteção internacional.

“Essa data não marca apenas a assinatura de um tratado, mas a reafirmação da própria dignidade da pessoa humana diante do desafio do deslocamento forçado. Ao reconhecer a pessoa refugiada como sujeito de direitos, o Estado cumpre uma de suas funções mais elevadas: servir à lei, à justiça e à dignidade humana”, afirmou.

O ministro ressaltou ainda que o Brasil tem consolidado políticas voltadas à proteção e à integração de pessoas refugiadas, citando instrumentos como o reconhecimento da condição de refugiado, os vistos humanitários e o Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário.

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“Os relatórios apresentados hoje reforçam a relevância de políticas públicas baseadas em dados e evidências para qualificar a atuação estatal. O Brasil segue sendo reconhecido internacionalmente como um País capaz de proteger, acolher e reconhecer em cada pessoa refugiada uma vida com direitos, capacidades e futuro”, declarou.

Dia Mundial do Refugiado
Dia Mundial do Refugiado. Foto: Isaac Amorim/ MJSP

Acolhimento e integração

A secretária nacional de Justiça e presidente do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), Maria Rosa Loula, destacou que a política de refúgio tem papel estratégico para o desenvolvimento social e para a promoção dos direitos humanos.

“O refúgio é um instrumento de transformação da sociedade brasileira e do mundo. O Brasil consegue dar exemplo de um paradigma que reúne segurança, direitos humanos, acolhimento e desenvolvimento social”, enfatizou.

Segundo a secretária, o trabalho desenvolvido pelo Estado brasileiro é resultado da atuação articulada entre Governo Federal, organismos internacionais, academia e sociedade civil. “Trata-se de uma política pública fundamental, construída coletivamente e comprometida com a proteção da dignidade humana”, acrescentou.

Desafios globais

O representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, Davide Torzilli, destacou que o contexto atual reforça a relevância da Convenção de 1951 e da cooperação internacional para garantir proteção às pessoas deslocadas à força.

Segundo ele, os números globais evidenciam a necessidade de fortalecer os sistemas de proteção. “Mais de 117 milhões de pessoas estão deslocadas à força em todo o mundo. Esses dados lembram que a necessidade de proteção internacional não diminuiu; ela se tornou ainda mais urgente”, observou.

Torzilli também reconheceu o papel desempenhado pelo Brasil no fortalecimento das políticas de acolhimento e integração. “O Acnur agradece ao Brasil por continuar promovendo espaços de diálogo, fortalecendo seu sistema de proteção internacional e buscando soluções que permitam não apenas proteger, mas também integrar pessoas refugiadas, deslocadas e apátridas”, disse.

O relatório Tendências Globais, com dados sobre deslocamento forçado no mundo e nas Américas, também foi apresentado no primeiro painel do evento. Acesse o relatório aqui: https://www.acnur.org/br/noticias/comunicados-imprensa/relatorio-tendencias-globais-2025

Cantora e refugiada iraniana Mah Mooni compartilha sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil. Foto: Isaac Amorim/MJSP
Cantora e refugiada iraniana Mah Mooni compartilha sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil. Foto: Isaac Amorim/MJSP
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Programa é institucionalizado

Durante o evento, o ministro Wellington Lima assinou o ato de institucionalização do Programa Nacional de Acolhida Humanitária por Patrocínio Comunitário. Coordenado pelo MJSP, em articulação com o Ministério das Relações Exteriores (MRE) e outros órgãos do Governo Federal, e implementado em parceria com a sociedade civil, o Acnur e a Organização Internacional para as Migrações (OIM), o programa constitui uma iniciativa inovadora da política brasileira de acolhida humanitária.

Implementado inicialmente como projeto-piloto voltado à população afegã, o programa tem promovido a acolhida, a proteção e a integração de pessoas em situação de vulnerabilidade por meio do engajamento direto de organizações da sociedade civil e comunidades locais. Sua institucionalização representa um passo importante para consolidar a experiência e permitir sua expansão gradual a outros grupos que necessitam de proteção e acolhida humanitária.

Programação

Além da apresentação dos relatórios Refúgio em Números 2026, o encontro contou com um bate-papo com a cantora e refugiada iraniana Mah Mooni, que compartilhou sua trajetória de deslocamento, acolhida e reconstrução de vida no Brasil.

A programação também incluiu um painel dedicado aos 75 anos da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951, reunindo especialistas, representantes do governo, da academia, da sociedade civil e de organismos internacionais para discutir os desafios atuais da proteção internacional e as perspectivas para o fortalecimento das políticas de refúgio no Brasil.

Também compuseram a mesa de abertura o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; a secretária-executiva adjunta do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Isadora Lacava; a secretária de Comunidades Brasileiras no Exterior e Assuntos Consulares do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Márcia Loureiro; o subprocurador-geral da República, André de Carvalho Ramos; e o representante do Acnur no Brasil, Davide Torzilli.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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