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Sete planos setoriais de Adaptação passam por revisão final para compor Plano Clima

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O processo de elaboração dos Planos Setoriais de Adaptação Climática do Brasil entrou na fase final. Nesta segunda-feira (18), o grupo de trabalho responsável pela consolidação do documento realizou a primeira reunião de revisão e finalização, fase que marca a penúltima etapa antes da aprovação formal pelo Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM). Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), o encontro focou na análise e aprovação, em nível de escuta e contribuição técnica, de sete dos 16 planos setoriais e temáticos, além da discussão e ajuste das metas nacionais de adaptação.

Foram foco de revisão os planos de Agricultura Familiar, Segurança Alimentar e Nutricional, Turismo, Indústria e Mineração, Oceano e Zona Costeira, Recursos Hídricos e Saúde. A reunião, que contou com a participação dos ministérios e órgãos governamentais envolvidos na construção das políticas setoriais de adaptação às mudanças do clima, é um passo fundamental para consolidar o trabalho que, segundo a diretora do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima, da Secretaria de Mudança do Clima (SMC) do MMA, Inamara Mélo, deve entregar ao Brasil uma “agenda de adaptação com metas ousadas e robustas”.

“Estamos avançando no processo de revisão dos planos setoriais e temáticos, conduzido pela equipe de coordenação com apoio tanto de analistas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, como de consultorias especializadas, garantindo alinhamento com a versão mais atual da Estratégia Nacional de Adaptação. Passamos também pelo processo da consulta pública e, ao fim, isso precisou orientar um pouco o que vinha sendo apresentado pelos planos setoriais. Diante disso, buscamos uma padronização que agora passa pela análise do grupo de trabalho”, explicou Inamara Mélo.

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O objetivo principal da sessão da segunda-feira foi ouvir comentários e contribuições dos entes federativos envolvidos, após as sugestões recebidas por meio da consulta pública. A aprovação final será de responsabilidade do Subcomitê-executivo (Subex), principal instância de assessoramento ao CIM, cuja reunião está marcada para 3 de setembro.

Metas e inclusão

A reunião abordou as metas nacionais, nas quais representantes de diferentes ministérios destacaram a complexidade do processo de elaboração e mensuração desses pontos, o que evidenciou a importância dos alinhamentos interministerial e intersetorial antes da submissão da Estratégia Nacional de Adaptação ao Subex. Nesse sentido, foram discutidos prazos, critérios de priorização e a necessidade de maior convergência entre os planos setoriais e a Estratégia Nacional de Adaptação, além do desafio de garantir acompanhamento eficaz das metas.

O acompanhamento de indicadores foi outro aspecto abordado. Nesse sentido, a iniciativa de alinhar os planos setoriais com o Plano Plurianual (PPA) buscou integrar sistemas de monitoramento e reduzir a sobrecarga de dados, a partir de um processo contínuo de aproximação.

O representante da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) Alexandre Tofeti reforçou que os ciclos de revisão do Plano Clima e do PPA são diferentes, e as metas do Plano Clima, por vezes mais audaciosas, refletem as demandas da sociedade. Ainda sobre esse ponto, Inamara Mélo acrescentou que todo o processo é uma construção coletiva que busca assegurar o alinhamento e a integração.

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Durante a reunião, também foi ressaltada a importância de contemplar grupos vulneráveis, como povos e comunidades tradicionais, e de fortalecer a integração entre diferentes políticas públicas para assegurar maior efetividade. “É necessário reforçarmos a citação de povos e comunidades tradicionais como grupo social vulnerabilizado. A gente deve tratar os diferentes na medida da sua desigualdade, considerando serem protagonistas de mudanças climáticas e de conservação da biodiversidade. Nossa missão está em darmos visibilidade às comunidades tradicionais com políticas específicas”, destacou o coordenador de Sustentabilidade e Ações Climáticas no Turismo do Ministério do Turismo (MTur), Edson Teixeira.

Restam nove planos setoriais para serem revisados. Uma nova agenda foi marcada para 25 de agosto, com o objetivo de concluir a análise. A meta é que todos os planos setoriais sejam enviados oficialmente ao Subex até a última semana de agosto, para a aprovação final no início de setembro. O lançamento do Plano Clima Adaptação está previsto para outubro.

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Chuva trava colheita enquanto mercado internacional paga mais pelo produto

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O produtor de cana do Centro-Sul brasileiro chegou à reta final da safra 2026/27 com parte da lavoura ainda esperando para ser colhida. As chuvas de setembro interromperam o trabalho das máquinas, atrasaram o transporte até as usinas e reduziram a concentração de açúcar na matéria-prima justamente quando o mercado internacional voltou a pagar mais pelo produto.

O atraso brasileiro coincidiu com a entrada da Índia no mercado comprador. Tradicional exportador e segundo maior produtor mundial, o país abriu uma cota para importar 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos. Os pedidos de autorização já alcançam aproximadamente 800 mil toneladas, parte delas destinada à compra de açúcar brasileiro.

A pressão sobre a oferta levou as cotações internacionais ao maior nível desde março de 2025 no início de setembro. Os preços recuaram posteriormente, mas continuam sustentados pelas dúvidas sobre quanto açúcar o Brasil conseguirá produzir até o encerramento da moagem.

A safra do Centro-Sul começa normalmente em abril e perde ritmo entre novembro e dezembro. Portanto, as usinas entraram no período decisivo: precisam colher e processar a cana que permanece no campo antes que novas chuvas reduzam ainda mais os dias disponíveis para o trabalho.

Até o fim de agosto, haviam sido processadas 413,55 milhões de toneladas de cana no Centro-Sul, crescimento de 2,2% sobre o mesmo período da temporada anterior. O aumento do volume, entretanto, não se transformou em maior produção de açúcar. As usinas direcionaram uma parcela maior da matéria-prima ao etanol, enquanto a umidade reduziu a qualidade da cana destinada à indústria.

Uma pesquisa realizada com dez analistas estimou que a moagem caiu 35,4% na primeira quinzena de setembro, para 29,8 milhões de toneladas. A produção de açúcar teria recuado 42,5%, para 2,09 milhões de toneladas. Os números ainda são estimativas de mercado, mas mostram a dimensão da paralisação provocada pelas chuvas.

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Para o produtor, o problema não se resume ao atraso da colheita. A chuva mantém a cana em crescimento, aumenta seu peso e retarda a maturação. O resultado pode ser uma planta aparentemente mais produtiva, mas com menos Açúcares Totais Recuperáveis, o ATR, por tonelada.

Na primeira metade de setembro, o ATR foi estimado em 147,53 quilos por tonelada, abaixo dos 154,59 quilos registrados um ano antes. Como grande parte dos fornecedores recebe de acordo com a quantidade de açúcar recuperável entregue, a queda afeta diretamente a remuneração.

A cana que permanece no campo também aumenta o risco operacional. Quando o solo está encharcado, as colhedoras não conseguem entrar na lavoura sem provocar compactação, atolamentos e danos às soqueiras. Mesmo depois que a chuva para, pode ser necessário esperar vários dias até que as condições permitam a retomada das máquinas.

O transporte fica mais caro e irregular. As usinas recebem menos matéria-prima e operam abaixo da capacidade, enquanto produtores e prestadores de serviço precisam reorganizar equipes, caminhões e frentes de corte. Se o atraso não for recuperado, parte da cana poderá permanecer no campo para ser processada somente na próxima safra.

A Companhia Nacional de Abastecimento estimou em agosto uma produção brasileira de 705,2 milhões de toneladas de cana, crescimento de 4,7%. Apesar do aumento, a fabricação de açúcar deverá cair 2,9%, para 42,89 milhões de toneladas, em razão da qualidade da matéria-prima e da maior destinação ao etanol.

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No Centro-Sul, a previsão oficial era de 39,51 milhões de toneladas de açúcar. Com a continuidade das chuvas, avaliações mais recentes já trabalham com a possibilidade de o volume ficar abaixo de 38 milhões de toneladas.

O açúcar voltou a oferecer remuneração superior à do etanol para as usinas, mas a indústria não consegue alterar rapidamente o mix quando falta cana ou quando a matéria-prima chega com baixa concentração de sacarose. A demanda pelo biocombustível também permanece firme e disputa espaço dentro das unidades industriais.

A procura indiana pode sustentar as exportações e melhorar os preços negociados pelas usinas. Isso, porém, não garante automaticamente ganho maior ao fornecedor. O resultado dependerá do ATR, do modelo de contrato, do momento da entrega e da capacidade de cada região de recuperar o atraso da colheita.

O Brasil tem produto para abastecer o mercado interno e manter as exportações. A preocupação não é falta de açúcar no país, mas redução do excedente disponível para venda ao exterior. Entre abril e julho, os embarques brasileiros já haviam caído 13,1%, para 9,3 milhões de toneladas.

Nas próximas semanas, o clima será mais importante que a própria cotação internacional. Uma sequência de dias secos permitirá acelerar a colheita e ampliar a moagem. Se as chuvas continuarem, produtores e usinas entrarão em dezembro com mais cana no campo, menor concentração de açúcar e menos tempo para encerrar a safra.

Fonte: Pensar Agro

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