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Sociobioeconomia é destaque em workshop na COP30

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O Pavilhão Belém+10 da Zona Verde, na COP 30, recebeu, na última quarta-feira (12/11), o workshop “Sociobioeconomia e o Futuro da Bioeconomia Global”, que reuniu representantes do Brasil, África, Indonésia, Equador para discutir caminhos comuns na construção de uma bioeconomia inclusiva e baseada em direitos. A atividade integra o Bioeconomy Challenge, iniciativa internacional que traduz os princípios da bioeconomia do G20 em ações territoriais concretas, e contou com o apoio do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). 

Organizado pelo WRI Brasil e pela Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia, com colaboração da Conservação Internacional (CI-Brasil) por meio do projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), o encontro destacou a sociobioeconomia como pilar central de uma agenda global que conecta comunidades locais, valorização da natureza e governança climática. 

Para o chefe de gabinete e secretário substituto da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Carlos Eduardo Marinelli, é preciso transformar ideias em resultados no território.  

“Mais do que planejar, nosso desafio, agora, é fazer as políticas acontecerem no território, unindo cooperação internacional, sociobioeconomia e metas como as das Convenções do Rio para entregar resultados concretos”, afirmou Marinelli, citando o Pacto pela Sinergia entre as Convenções do Rio, um plano de aceleração de soluções para o clima, apresentado pelo MMA na COP30. A medida  busca garantir que ao menos 30% das metas das três convenções — Biodiversidade, Desertificação e Clima — sejam alcançadas por meio de ações integradas. 

“Quando colocamos na mesma mesa, perspectivas tão diversas sobre bioeconomia, vindas diretamente dos territórios, enxergamos com mais precisão o que deve orientar esse debate. Um movimento como o Bioeconomy Challenge só se sustenta com essa escuta atenta e a troca de experiências, que devem guiar uma coordenação global para alavancarmos a bioeconomia de forma justa, eficaz e conectada às urgências dos territórios, principais detentores das soluções para as crises do clima e da biodiversidade”, avaliou a diretora de Soluções para o Clima da CI-Brasil, Laura Lamonica. 

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“O Bioeconomy Challenge e seu pilar de Sociobioeconomia tem a oportunidade de colocar as pessoas e as comunidades no centro dos avanços da bioeconomia. Para isso, precisamos impulsionar métricas, financiamento e desenvolvimento de mercados para a sociobioeconomia dos vários territórios ao redor do mundo”, ponderou a moderadora do painel e secretária executiva da Rede Pan-Amazônica pela Bioeconomia, Joana Oliveira. 

Intercâmbio como motor da transformação 

O painel apresentou uma leitura plural sobre os desafios e potencialidades da sociobioeconomia, mostrando como diferentes regiões enfrentam problemas semelhantes — pobreza, insegurança fundiária e pressão sobre ecossistemas — e compartilham soluções que nascem das comunidades. 

A indonésia Meizani Irmadhianycomo vice-presidente sênior e presidente executiva da Konservasi Indonesia, enfatizou o poder do aprendizado entre territórios. Ela relatou como a transição de pesca predatória para turismo sustentável em Raja Ampat gerou impactos regionais e internacionais. “Líderes das Ilhas do Pacífico viajaram até Raja Ampat para aprender sobre essa transformação da pesca para o turismo sustentável”, informou ao mostrar como o intercâmbio entre povos acelera a busca por soluções. 

Para Irmadhiany, tecnologia e tradição caminham juntas. “Quando unimos conhecimento tradicional e inovação, criamos comunidades mais resilientes. A tecnologia não substitui as pessoas, ela amplia sua capacidade de proteger florestas e transformar economias locais.” 

Representante da Rede de Mulheres Africanas para Gestão Comunitária de Florestas (REFACOF)Cécile Bibiane Ndjebet reforçou que investir em pessoas é decisivo para garantir florestas vivas. “A destruição ambiental não nasce da ignorância, mas da pobreza. Fortalecer a economia local é o caminho para proteger a natureza e garantir direitos.” 

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Representando o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), Ivanildo Gama trouxe a força cultural das populações tradicionais e defendeu a regularização fundiária como base de uma bioeconomia justa. “Nós não somos donos da terra nem da natureza. Somos parte do ciclo da vida. A floresta não é capital, é casa, é mãe, é cultura.”  

Ele lembrou que os territórios coletivos — extrativistas, indígenas e quilombolas — no Brasil representam um modelo “revolucionário” que alia conservação e modo de vida. “A Amazônia já viveu ciclos predatórios da borracha, da madeira e do palmito, que fracassaram. A bioeconomia precisa respeitar o ciclo da vida, não impor monoculturas de mercado.” 

Próximos passos: uma bioeconomia global inclusiva 

Durante o evento, foi reforçada a necessidade de que o Bioeconomy Challenge avance na consolidação de indicadores, políticas e mecanismos financeiros que valorizem modelos sociobioeconômicos já existentes nos territórios. 

Entre as prioridades levantadas estão: a segurança da posse da terra e governança comunitária; a ampliação de cadeias de valor sustentáveis e regenerativas; as parcerias multirregionais para intercâmbio de conhecimento; a integração entre princípios socioculturais e instrumentos de mercado; a participação efetiva de povos indígenas, quilombolas e comunidades locais na construção da agenda global. 

O workshop encerrou com um chamado coletivo para que a COP30 marque uma virada na forma como o mundo enxerga a economia baseada na natureza, reconhecendo que as soluções já existem e nascem dos povos da floresta. 

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Safra recorde já não basta para garantir rentabilidade ao produtor

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A perspectiva de uma nova safra recorde encontra o produtor brasileiro diante de um desafio que cresce na mesma proporção da produção: financiar uma atividade mais tecnológica, mecanizada e intensiva em capital, num ambiente de juros elevados, margens menores e bancos mais seletivos. O avanço do crédito privado amplia as alternativas disponíveis, mas também exige profissionalização da gestão e uma análise mais rigorosa sobre o retorno proporcionado pelo patrimônio investido.

Dados do Banco Central (BC), compilados por entidades do setor, mostram que 23,5% da carteira ativa de crédito rural apresentava algum nível de problema em julho de 2026. Eram R$ 207,5 bilhões em operações inadimplentes, atrasadas, renegociadas ou prorrogadas. O indicador não representa apenas parcelas vencidas, mas revela o aumento do estresse financeiro acumulado depois de safras afetadas pelo clima, custos elevados e preços menos favoráveis.

Ao mesmo tempo, o financiamento bancário tradicional perdeu força. Em 12 meses, o volume de crédito rural concedido sem considerar instrumentos do mercado de capitais recuou 12%, para R$ 181,1 bilhões. A área atendida pelas linhas convencionais de custeio caiu quase 26%, de 34,2 milhões para 25,4 milhões de hectares.

Esse espaço vem sendo ocupado gradualmente por cooperativas, tradings, fornecedores de insumos, fundos de investimento e emissões no mercado de capitais. O estoque dos instrumentos privados de financiamento do agronegócio alcançou R$ 1,34 trilhão em julho, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Somente as Cédulas de Produto Rural (CPRs) somavam R$ 580,8 bilhões, distribuídos em aproximadamente 372 mil títulos.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), Isan Rezende (foto), a diversificação das fontes de recursos é necessária, mas não pode ser confundida com crédito fácil ou capacidade ilimitada de endividamento.

“O crédito privado será cada vez mais importante para complementar o Plano Safra e o financiamento bancário. O produtor, porém, precisa avaliar o custo efetivo, o prazo, as garantias exigidas e a compatibilidade das parcelas com o fluxo de caixa da propriedade. Trocar uma dívida por outra mais cara, sem corrigir a origem do desequilíbrio, apenas transfere o problema para a safra seguinte”, afirma.

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A necessidade de capital aumentou com a transformação da agropecuária brasileira. Produzir em escala passou a exigir máquinas de maior capacidade, agricultura de precisão, armazenagem, irrigação, conectividade, sistemas de gestão, insumos tecnológicos e equipes especializadas. A valorização das terras também elevou o volume de patrimônio imobilizado nas operações.

Essa evolução permitiu ganhos de produtividade e consolidou o Brasil entre os maiores fornecedores mundiais de alimentos, fibras e energia. Mas também tornou as propriedades mais sensíveis ao custo do dinheiro. Quando os juros aumentam e as margens recuam, uma atividade pode apresentar lucro contábil e, ainda assim, não remunerar adequadamente todo o capital empregado.

É nesse ponto que ganha importância o conceito de Valor Econômico Agregado, conhecido pela sigla EVA. O indicador calcula o resultado operacional do negócio depois de descontado o custo de todo o capital utilizado, inclusive recursos próprios, terras quitadas, máquinas e demais ativos.

Uma propriedade pode encerrar o ciclo com resultado positivo no balanço, mas destruir valor se o retorno obtido ficar abaixo do que aquele patrimônio poderia render em uma alternativa de menor risco. A terra própria, por exemplo, não deixa de ter custo econômico porque está quitada. Ela representa capital que poderia ser arrendado, vendido ou aplicado em outro investimento.

“O produtor sempre acompanhou produtividade, custo por hectare e preço de venda. Esses indicadores continuam fundamentais, mas já não são suficientes para medir a saúde econômica do negócio. Também é necessário saber se o resultado remunera a terra, as máquinas, o capital de giro e o risco assumido durante a safra”, diz Rezende.

A aplicação dessa análise não significa abandonar investimentos ou reduzir a produção. O objetivo é identificar quais atividades, áreas e estruturas realmente geram retorno. A avaliação pode mostrar que determinado talhão produz bem, mas possui custo elevado; que uma máquina permanece ociosa; ou que o arrendamento oferece resultado melhor do que a compra de terras financiada.

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O mesmo raciocínio vale para a contratação de crédito. Recursos obtidos a juros superiores ao retorno esperado pela atividade diminuem o valor econômico da propriedade, mesmo quando ajudam a ampliar o faturamento. Por isso, crescimento de receita, aumento de área e recorde de produção não significam necessariamente fortalecimento financeiro.

A busca por recursos privados também coloca a governança no centro das negociações. Instituições financeiras e investidores analisam demonstrações contábeis, histórico de produção, previsibilidade de caixa, endividamento, garantias, regularidade ambiental e fundiária, contratos e capacidade de gestão. Quanto maior a qualidade dessas informações, maior tende a ser a possibilidade de acessar diferentes fontes e negociar condições melhores.

“Governança deixou de ser uma preocupação exclusiva das grandes empresas. O produtor que conhece seus números, separa as contas da família e da propriedade, mantém documentos regulares e apresenta informações confiáveis reduz a percepção de risco. Isso melhora sua posição diante dos financiadores e permite comparar propostas sem decidir apenas pela disponibilidade imediata do dinheiro”, acrescenta Rezende.

O modelo de financiamento do agronegócio tende a permanecer híbrido. Crédito rural, recursos obrigatórios, cooperativas, tradings, fornecedores, fundos e mercado de capitais continuarão convivendo, cada um com custos, prazos e riscos diferentes. O desafio será combinar essas fontes sem comprometer parcelas excessivas da produção futura ou oferecer garantias incompatíveis com o valor da operação.

A safra recorde continua sendo uma demonstração da capacidade produtiva brasileira. Para que esse desempenho se transforme em renda, entretanto, o produtor precisará acompanhar não apenas quantas toneladas colhe, mas quanto valor permanece depois de remunerados todos os recursos utilizados. Em uma agricultura intensiva em capital, produzir mais é importante; produzir com retorno econômico tornou-se decisivo.

Fonte: Pensar Agro

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