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Tarifaço: Trump recua e tira quase 700 itens, mas carne, café e grãos ficam de fora

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Dois dias antes da entrada em vigor, o governo dos Estados Unidos recuou parcialmente no tarifaço de 40% sobre produtos brasileiros, mas manteve firme a sobretaxa sobre a maior parte do agronegócio nacional. Apenas três itens do campo escaparam da nova alíquota: castanha-do-brasil, suco de laranja e madeira tropical.

A medida, já oficializada pelo presidente norte-americano, entra em vigor a partir do dia 6 de agosto, meia-noite no horário local, e atinge em cheio o agronegócio brasileiro, afirmaram executivos do setor. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) calcula um impacto de US$ 5,8 bilhões em exportações do setor para o mercado americano, principalmente os setores de carne, café e grãos — todos deixados de fora da lista de exceções.

O alívio veio principalmente para setores estratégicos da economia brasileira, como o aeronáutico, o energético e parte do agronegócio. Produtos como aeronaves civis, veículos, eletrônicos, fertilizantes, madeira tropical e determinados metais ficaram de fora da cobrança extra, o que trouxe certo fôlego ao mercado. Apesar disso, produtores de itens como café e carne bovina, por exemplo, não foram contemplados nas exceções e seguem em alerta quanto aos efeitos do novo cenário comercial.

Embora o corte na lista de produtos tarifados tenha reduzido os danos potenciais, autoridades brasileiras reconhecem que os impactos ainda serão significativos. O plano de resposta do governo para mitigar os efeitos da medida já está pronto e aguarda apenas o momento político mais oportuno para ser anunciado.

A ideia é adaptar os mecanismos de apoio conforme o grau de exposição de cada setor. A exclusão de alguns produtos estratégicos dos EUA da lista de sobretaxas é vista como uma brecha que pode ser explorada para evitar um abalo mais profundo na corrente de comércio entre os dois países.

Para o setor agropecuário, as reações foram mistas. A isenção de tarifas para fertilizantes e itens como suco de laranja, madeira tropical e castanha foi bem recebida por produtores dessas cadeias. Porém, a ausência de carne bovina e café na lista de exceções gerou apreensão.

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Representantes do setor rural afirmam que, mesmo com parte dos produtos poupados, a medida representa uma sinalização negativa para o comércio bilateral, podendo provocar reflexos nos preços internos e na confiança do exportador brasileiro.

O decreto que embasa a medida tarifária foi sustentado por argumentos ligados à segurança nacional e à política externa. Segundo o documento oficial, recentes posturas adotadas pelo Brasil estariam colocando em risco interesses estratégicos dos Estados Unidos. A decisão, no entanto, foi acompanhada de críticas diretas à condução política e jurídica no Brasil, o que acendeu o alerta de analistas sobre o uso de sanções econômicas com viés político.

O que ficou fora:

A lista de isenções publicada junto ao decreto contém uma variedade de produtos. Entre os principais itens poupados da nova alíquota, estão:

  • Aeronaves civis e componentes: Inclui desde aviões até motores, peças, sistemas elétricos, pneus e simuladores de voo.

  • Veículos e partes específicas: Modelos como SUVs, sedans e caminhonetes leves seguem livres da tarifa adicional.

  • Fertilizantes agrícolas: Produtos essenciais ao campo brasileiro continuam isentos.

  • Eletrônicos e equipamentos de telecomunicação: Smartphones, gravadores, antenas e aparelhos multimídia estão liberados.

  • Minérios e metais industriais: Como silício, ferro-gusa, estanho, ferroníquel, ouro, prata e alumina.

  • Produtos energéticos: Petróleo, gás natural, querosene, carvão e até energia elétrica ficaram fora da medida.

  • Produtos agrícolas específicos: Castanhas, suco de laranja, madeira tropical e fibras vegetais.

  • Itens em trânsito e de uso pessoal: Mercadorias já embarcadas até a entrada da tarifa e bagagens de passageiros não serão afetadas.

  • Donativos e material informativo: Incluem alimentos, medicamentos, livros, filmes e conteúdos jornalísticos.

Café

Um dos setores que pode ser mais prejudicado é o de café. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) considera urgente a articulação diplomática para evitar prejuízos ao setor diante das tarifas anunciadas pelos Estados Unidos.

O Brasil é o maior produtor de café do mundo e exporta cerca de 80% da sua safra anual, o que representa, em média, mais de 50 milhões de sacas de 60 quilos. Desse total, aproximadamente um quarto tem como destino o mercado norte-americano, o principal cliente da cafeicultura brasileira.

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Com cerca de 12 milhões de sacas por ano sob risco de encarecimento, o setor vê espaço para negociação, apostando no histórico de acordos que já permitiram a revisão de medidas semelhantes em outros países.

Carne

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) e a Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo) manifestaram forte preocupação com a nova tarifa dos Estados Unidos sobre a carne bovina brasileira, que salta de 26,4% para 76,4% com a medida recém-anunciada.

O impacto é direto: com essa carga tributária, os embarques ao mercado norte-americano, que hoje é o segundo maior destino das exportações do setor, tornam-se economicamente inviáveis.

Em 2024, o Brasil projetava exportar cerca de 400 mil toneladas de carne bovina aos EUA, o que representaria aproximadamente US$ 1 bilhão em receita. Agora, com esse mercado praticamente fechado, a estratégia será redirecionar os esforços para compradores na Ásia e no Oriente Médio, especialmente a China, que já representa uma fatia expressiva da demanda global e tende a se tornar ainda mais central nas negociações.

Próximos passos

Enquanto isso, produtores brasileiros aguardam com cautela os desdobramentos do caso. O temor é que a medida dos EUA seja apenas o início de uma escalada de barreiras comerciais, com reflexos diretos na rentabilidade das exportações. O momento agora exige atenção às sinalizações de Washington e agilidade na implementação de ações compensatórias por parte das autoridades brasileiras.

A expectativa é que o plano de mitigação seja detalhado nos próximos dias, com foco especial nos segmentos mais atingidos. Mesmo com a lista de exceções, o clima entre os exportadores é de prudência – e a certeza de que, em tempos de tensão política e comercial, nada está garantido até o último container desembarcar.

Fonte: Pensar Agro

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Ministro André de Paula encerra missão à China com avanços no diálogo agropecuário e cooperação bilateral

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Encerrando a missão do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) à China, o ministro André de Paula e a delegação brasileira participaram de reuniões com o Ministério do Comércio da China (MOFCOM) e com o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA). Os encontros ocorreram em Pequim, nesta quarta-feira (20).

Em visita ao Ministério do Comércio da China (MOFCOM), o ministro André de Paula reuniu-se com o vice-ministro chinês Jiang Chenghua e destacou o simbolismo da viagem. “Escolhi a República Popular da China como destino da minha primeira viagem internacional. Esta escolha traduz o reconhecimento da importância da China como principal parceiro comercial do agronegócio brasileiro e interlocutor estratégico para o futuro da nossa agropecuária”, afirmou.

O vice-ministro Jiang Chenghua ressaltou a importância das relações comerciais e da cooperação técnica entre os dois países. “O Brasil é o nosso principal fornecedor de carne, soja, algodão, açúcar e frango. No campo dos investimentos, empresas chinesas têm atuado no Brasil em infraestrutura, melhoramento de sementes e cooperação em tecnologia agrícola. Nos últimos dois anos, observamos crescente participação de empresas chinesas em feiras e exposições do setor agrícola brasileiro”, declarou. 

Durante a reunião, os representantes discutiram temas relacionados ao comércio agropecuário, cooperação técnica e fortalecimento da parceria bilateral.

Na sede do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA), o ministro André de Paula reuniu-se com o ministro chinês Zhang Zhu, ocasião em que destacou que as relações entre Brasil e China são resultado de uma trajetória diplomática consolidada ao longo de mais de cinco décadas.

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“As relações entre o Brasil e a China são fruto de uma trajetória diplomática consolidada ao longo de mais de cinco décadas. Desde o estabelecimento de nossas relações, em 1974, construímos juntos uma parceria que evoluiu. Mais recentemente, sob a liderança dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Xi Jinping, alcançamos um novo patamar de cooperação e confiança mútua”, destacou o ministro André de Paula.

O ministro Zhang Zhu ressaltou a relevância da recente visita do presidente Lula à China e destacou a importância do aprofundamento da cooperação bilateral em áreas como infraestrutura, agricultura, inovação e energia. “Sua visita à China logo após assumir o cargo de ministro da Agricultura demonstra a atenção dedicada à cooperação agrícola sino-brasileira. Desejo unir esforços para ampliar nossa cooperação e gerar benefícios concretos aos nossos setores produtivos”, disse.

Durante a reunião, os representantes brasileiros reiteraram a importância da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban), um dos principais mecanismos de coordenação política e diálogo estratégico entre os governos do Brasil e da China.

A parte brasileira também apresentou os principais programas desenvolvidos pelo Mapa voltados à promoção de uma agropecuária sustentável, inovadora e de baixa emissão de carbono. Entre as iniciativas destacadas estiveram o Plano ABC+, política nacional de incentivo à adoção de tecnologias sustentáveis no campo; o Programa Nacional de Bioinsumos, voltado à ampliação do uso de insumos biológicos na produção agropecuária; e as ações de pesquisa, inovação e transferência de tecnologia conduzidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

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Os representantes brasileiros ressaltaram ainda o interesse em ampliar o intercâmbio científico e a cooperação técnica bilateral, especialmente em áreas relacionadas à biotecnologia, segurança alimentar, sustentabilidade e modernização agrícola, reforçando a disposição do Brasil em aprofundar parcerias estratégicas com a China.

As agendas realizadas em Pequim consolidaram o diálogo técnico e institucional entre os dois países e reforçaram a importância da parceria sino-brasileira para o comércio agropecuário, a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável. A missão reafirmou o compromisso do Brasil com o fortalecimento da cooperação bilateral em temas estratégicos para a agropecuária.

Integraram a delegação brasileira o secretário de Comércio e Relações Internacionais, Luís Rua; o secretário adjunto de Defesa Agropecuária, Alan Alvarenga; o diretor do Departamento de Negociações Não Tarifárias e de Sustentabilidade, Marcel Moreira; a chefe de gabinete do ministro, Adriana Vilela Toledo; a assessora especial de Comunicação Social, Carla Madeira; a assessora especial Sibelle Andrade; e os adidos agrícolas na China, Leandro Feijó e Jean Felipe Gouhie.

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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