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Tensão com o Irã aumenta incertezas logísticas e impacta agronegócio brasileiro

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Escalada do conflito e impacto no agronegócio

A recente escalada de tensões envolvendo o Irã pode afetar diretamente o agronegócio brasileiro, pressionando os preços do petróleo, aumentando a volatilidade do câmbio e gerando incertezas sobre fertilizantes e rotas comerciais.

Segundo André Aidar, sócio e head de Direito do Agronegócio no Lara Martins Advogados, doutor e mestre em Agronegócio (UFG) e especialista em Análise Econômica do Direito (Universidade de Lisboa), o primeiro impacto tende a surgir na conta de energia e logística, do campo ao porto.

“A alta do petróleo afeta diretamente o custo do diesel nas operações agrícolas e no transporte interno, além de pressionar os fretes marítimos. Como o Brasil depende de exportações de longa distância, qualquer aumento no combustível impacta a competitividade do produtor”, explica Aidar.

Riscos duplos para produtores e exportadores

O especialista ressalta que o risco é duplo:

  • Produtores: enfrentam aumento no custo do diesel para colheita, plantio e transporte interno.
  • Exportadores: fretes internacionais mais sensíveis a choques de energia podem reduzir margens e travar negociações em momentos de oscilação de preços.
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Mesmo sem relação direta de fornecimento, tensões no Oriente Médio costumam afetar preços globais de insumos, com reflexos na formação de preços e na disponibilidade de fertilizantes e defensivos agrícolas.

Câmbio e competitividade

A volatilidade cambial entra como uma variável decisiva. A valorização do dólar pode favorecer exportações de soja, milho e proteínas no curto prazo, mas eleva o custo de insumos importados e pode apertar margens nas safras seguintes.

“O risco imediato não é uma ruptura do comércio internacional, mas a combinação de custos logísticos mais altos com oscilação de preços”, afirma Aidar.

Estratégias jurídicas e de gestão

Aidar explica que, em cenários extremos, podem surgir discussões sobre reequilíbrio contratual ou alegações de força maior, especialmente se houver interrupções logísticas relevantes ou disparadas abruptas de custos.

Do ponto de vista das empresas, as medidas mais comuns incluem:

  • Reforço de hedge cambial
  • Revisão de cláusulas de eventos extraordinários
  • Definição clara de mecanismos de ajuste de preço
  • Planejamento de travas de frete e de câmbio
  • Escalonamento de compras de insumos
  • Governança interna para decisões rápidas diante de rupturas logísticas
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Volatilidade exige planejamento

O impacto mais imediato do conflito é a volatilidade de preços e custos, que exige planejamento estratégico e governança para manter a competitividade do agronegócio. De acordo com Aidar, empresas que adotam mecanismos de proteção e ajustes contratuais estão melhor preparadas para enfrentar choques externos e manter a continuidade das operações.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Açúcar sobe no mercado internacional, mas preços caem no Brasil com pressão da safra e recuo do etanol

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Mercado internacional do açúcar mantém viés de alta

O mercado do açúcar encerrou a quinta-feira (23) com novos ganhos nas bolsas internacionais, dando continuidade ao movimento positivo observado nos últimos pregões.

Em Nova York, os contratos de açúcar bruto negociados na ICE Futures registraram valorização moderada em diferentes vencimentos:

  • Maio/26: +0,03 cent, fechando a 13,60 cents/lbp
  • Julho/26: +0,08 cent, a 13,89 cents/lbp
  • Outubro/26: +0,08 cent, a 14,31 cents/lbp

Os demais contratos também encerraram o dia em alta, reforçando o movimento de recuperação das cotações no curto prazo.

Açúcar branco também avança em Londres

Na ICE Europe, o açúcar branco manteve o viés positivo ao longo da sessão.

Os principais vencimentos registraram ganhos:

  • Agosto/26: alta de US$ 3,80, para US$ 427,50/t
  • Outubro/26: avanço de US$ 3,00, para US$ 425,00/t
  • Dezembro/26: valorização de US$ 2,00, a US$ 425,60/t

Os demais contratos também acompanharam o movimento de alta, refletindo sustentação no mercado externo.

Mercado interno do açúcar recua com força no Brasil

No mercado doméstico, o cenário foi de pressão sobre os preços. O indicador do açúcar cristal branco Cepea/Esalq, em São Paulo, registrou queda de 3,01% nesta quinta-feira (23).

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A saca de 50 kg foi negociada a R$ 96,06, ampliando o movimento negativo observado ao longo do mês.

Com isso, o indicador acumula retração de 8,91% em abril, refletindo maior pressão de oferta no mercado físico com o avanço da safra 2026/27.

Safra e demanda pressionam preços no mercado brasileiro

Segundo análise de mercado, o cenário interno segue influenciado por dois fatores principais: expectativa de maior oferta com o avanço da colheita e demanda mais cautelosa por parte dos compradores.

A postura retraída de usinas e compradores indica que o mercado aguarda novas oportunidades de compra diante da perspectiva de maior disponibilidade de produto no curto prazo.

Petróleo dá suporte ao açúcar no mercado global

No cenário internacional, a recente alta do petróleo tem contribuído para sustentar os preços do açúcar.

O movimento favorece a competitividade do etanol, o que pode reduzir a destinação de cana para a produção de açúcar e, consequentemente, diminuir a oferta global do produto.

Esse fator tem ajudado a manter o viés positivo nas bolsas internacionais, apesar da volatilidade do mercado.

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Etanol segue em forte queda em abril

No mercado de biocombustíveis, o Indicador Diário Paulínia apontou o etanol hidratado a R$ 2.523,50/m³ nesta quinta-feira (23), com queda de 1,54% no comparativo diário.

No acumulado de abril, o indicador já registra retração de 16,65%, reforçando o cenário de pressão contínua sobre os preços do etanol no mercado paulista.

Enquanto o mercado internacional do açúcar mantém tendência de recuperação sustentada por fatores energéticos e cambiais, o cenário doméstico brasileiro segue pressionado pela oferta da nova safra e pela demanda mais fraca, com impactos diretos também sobre o mercado de etanol.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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