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UE anuncia novo adiamento da lei que barra importação de produtos de áreas desmatadas

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A Comissão Europeia anunciou nesta terça-feira (24.09) que pretende adiar novamente, por mais um ano, a entrada em vigor da lei que barra a importação de commodities ligadas ao desmatamento. O motivo alegado é técnico: o sistema digital que processará os documentos de rastreabilidade não estaria pronto para lidar com o volume de informações exigido.

A comissária de Meio Ambiente da UE, Jessika Roswall, informou que a plataforma de TI desenhada para receber dados de geolocalização e certificações enfrenta riscos de lentidão e instabilidade. A proposta de extensão do prazo será submetida ao Parlamento Europeu e, se aprovada, empurrará a aplicação plena da lei para o fim de 2026.

A proposta foi anunciada poucas horas após a assinatura de um acordo de livre comércio com a Indonésia, país que se opõe fortemente à legislação, que pretende barrar a entrada na Europa de produtos como óleo de palma, cacau, café, soja e madeira provenientes de áreas desmatadas após dezembro de 2020. A lei também foi criticada pelos Estados Unidos sob o governo de Donald Trump, que firmaram um acordo comercial com a União Europeia em julho.

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A chamada EUDR, aprovada em 2023, proíbe a entrada no mercado europeu de soja, carne bovina, madeira, café, cacau e borracha (e derivados) oriundos de áreas desmatadas após 2020. Importadores devem comprovar a origem das mercadorias por meio de documentos de due diligence, sob pena de sanções.

O setor cafeeiro brasileiro afirmou já estar pronto para atender às exigências, destacando investimentos em rastreabilidade. “O Brasil está altamente preparado”, disse o Conselho Nacional do Café em nota. A pecuária, por outro lado, ainda busca soluções para monitorar fornecedores indiretos e vê no adiamento uma oportunidade de ajuste.

ONGs como a Fern e a Mighty Earth acusaram Bruxelas de ceder a pressões políticas e comerciais. Para os grupos, cada dia de atraso representa mais áreas devastadas e risco de enfraquecimento do acordo climático firmado em Glasgow. Parlamentares europeus também prometem cobrar mudanças, mas há pressão para simplificar a burocracia e criar categorias como “risco zero de desmatamento”.

O mercado de commodities reagiu imediatamente. O café caiu mais de 3% nas bolsas internacionais, reflexo da expectativa de menor custo regulatório. A soja manteve estabilidade, enquanto o óleo de palma recuou ao menor patamar em sete semanas. Analistas apontam que o adiamento ajuda a conter pressões inflacionárias, mas posterga ajustes estruturais nas cadeias globais.

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A proposta de adiamento será submetida aos países membros e ao Parlamento Europeu, onde pode receber apoio de partidos de direita e extrema direita, em meio a um contexto político de crescente pressão contra o Pacto Verde europeu.

Fonte: Pensar Agro

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Safra de girassol da Argentina bate recorde histórico e impulsiona exportações bilionárias

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A safra argentina de girassol 2025/26 entrou para a história ao registrar recordes simultâneos de área cultivada, produtividade média e produção total. Os dados divulgados pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires mostram um avanço expressivo da cultura, consolidando o país como um dos principais players globais do mercado de óleo e derivados de girassol.

O desempenho histórico foi impulsionado pela expansão da área semeada, boas condições climáticas em regiões estratégicas e resultados produtivos acima da média em grande parte das lavouras.

Área cultivada cresce quase 30% na Argentina

Segundo a entidade argentina, a área plantada com girassol alcançou 2,85 milhões de hectares na temporada 2025/26, superando em 5,6% o recorde anterior, registrado na safra 2007/08, quando o cultivo ocupou 2,7 milhões de hectares.

Na comparação com o ciclo passado, a expansão foi ainda mais expressiva, com crescimento de 29,5%.

O principal avanço ocorreu na região do Nordeste Argentino (NEA), onde a área cultivada disparou 224%. Também houve aumento relevante nas províncias de Córdoba e no centro-norte de Santa Fé, reforçando o movimento de expansão da oleaginosa no país.

Condições climáticas favoreceram desenvolvimento das lavouras

O ciclo agrícola foi marcado por boa disponibilidade hídrica nas regiões norte e oeste da Argentina, fator que contribuiu para o desenvolvimento das plantas e para o elevado potencial produtivo.

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Em parte do centro-leste e do sudeste argentino, porém, o déficit hídrico registrado entre janeiro e fevereiro provocou maior variabilidade nos rendimentos das lavouras.

Mesmo assim, os resultados médios ficaram próximos ou ligeiramente acima dos padrões históricos, garantindo o melhor desempenho já registrado pela cultura no país.

Produtividade e produção também quebram recordes

A produtividade média nacional foi estimada em 23,6 quintais por hectare, superando o recorde anterior de 23,4 quintais por hectare obtido na safra 2024/25.

Com isso, a produção total de girassol da Argentina atingiu 6,6 milhões de toneladas, volume histórico que representa:

  • alta de 32% frente ao recorde anterior, de 5 milhões de toneladas;
  • crescimento de 60,2% em relação à média das últimas cinco campanhas agrícolas.

O resultado fortalece ainda mais a posição da Argentina no mercado internacional de óleo de girassol, segmento no qual o país possui participação estratégica nas exportações globais.

Complexo do girassol deve movimentar mais de US$ 3,3 bilhões

O avanço da produção também deve ampliar significativamente o peso econômico da cadeia do girassol na economia argentina ao longo de 2026.

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As estimativas apontam que o Produto Bruto do complexo deve crescer 53% em relação à campanha anterior, alcançando cerca de US$ 3,304 bilhões.

Além disso:

  • a arrecadação fiscal ligada ao setor pode atingir US$ 757 milhões;
  • as exportações devem somar aproximadamente US$ 2,491 bilhões.

O aumento projetado nas vendas externas representa um avanço de US$ 819 milhões frente ao ciclo anterior, refletindo a forte demanda internacional por óleo e derivados da oleaginosa.

Mercado internacional acompanha avanço da produção

O crescimento da safra argentina ocorre em um momento de atenção global ao mercado de óleos vegetais, especialmente diante da volatilidade climática em importantes regiões produtoras e das oscilações nos preços internacionais das commodities agrícolas.

Com maior oferta disponível, a Argentina tende a ampliar sua competitividade nas exportações de óleo de girassol, podendo influenciar os fluxos globais do setor e a dinâmica dos preços internacionais nos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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