Tribunal de Justiça de MT

Juíza profere palestra sobre tipos de violência contra a mulher para servidores da Rede Cidadã

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A Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no âmbito do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Cemulher-TJMT) proporcionou uma palestra sobre os tipos de violência contra a mulher para mais de 50 servidores da Rede Cidadã, programa da Polícia Militar (PMMT) que atende a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, na última sexta-feira (09 de agosto), na unidade do Complexo Pomeri, em Cuiabá.
 
Presencialmente, participaram servidores das unidades de Cuiabá e Várzea Grande e, de maneira remota, os servidores das unidades de Cáceres, Nova Olímpia e Rondonópolis também foram contemplados.
 
A palestra, que integra a campanha do Agosto Lilás – mês de conscientização e combate à violência contra a mulher, foi proferida pela juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá. Ela iniciou sua apresentação contando um pouco da história de vida de Maria da Penha, cuja trajetória de luta contra a violência sofrida por parte de seu ex-marido culminou com a criação da Lei nº 11.340/2006.
 
A magistrada também fez uma contextualização sobre a cultura machista na sociedade, a emancipação progressiva das mulheres, explicou sobre os tipos de violência contra a mulher (física, psicológica, sexual, patrimonial e moral), apresentou a rede de enfretamento e as formas de proteção disponíveis para as mulheres e onde elas podem buscar ajuda, destacando a importância de que todos denunciem esse tipo de crime.
 
“É muito importante a participação do Poder Judiciário, principalmente neste mês do Agosto Lilás, em que a Lei Maria da Penha completa 18 anos. Nós percebemos que conseguimos grandes avanços na nossa legislação, mas é sempre muito importante falar sobre o assunto, falar sobre os tipos de violência, para que as pessoas possam identificar que sofrem violência e possam denunciar para quebrar esse ciclo”, disse a juíza Tatyana Lopes.
 
Citando a 10ª Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, feita pelo Instituto DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência (OVM), divulgada em março deste ano, a magistrada destacou que menos de 24% das mulheres brasileiras afirmam conhecer muito a Lei Maria da Penha, o que reforça a necessidade de ações de conscientização. “Embora seja uma lei muito conhecida popularmente acerca da sua existência, as pessoas não conhecem os seus direitos, não conhecem os tipos de violência. Por exemplo, a violência psicológica, que muitas mulheres sofrem e não conseguem identificar. Quando a agressão física acontece, essa mulher, na maioria das vezes, já sofreu com violência psicológica, violência moral e, às vezes, até violência sexual”, disse.
 
A palestra da juíza da Vara de Violência Doméstica foi acompanhada pela coordenadora do Gabinete de Gestão Integrada (GGI) da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SESP), tenente-coronel PM Monalisa Furlan Toledo, à qual a Rede Cidadã está vinculada. Ela parabenizou o Poder Judiciário pela parceria. “Essa palestra vai possibilitar os profissionais que trabalham na Rede Cidadã conseguir identificar e conscientizar os alunos de alguma violência que, porventura, estejam sofrendo no seu ambiente familiar, e de que forma que podem despertar o direcionamento para uma eventual denúncia”.
 
Conforme a coordenadora da Rede Cidadã, capitã PM Vilma Wellen Camila Fernandes, o programa atende a crianças e adolescentes de 8 a 18 anos com cursos de artes, artes marciais, teclado, violão, futebol e informática. “Fomos atendidos pela Cemulher com essa palestra para capacitar os nossos profissionais, os nossos professores, que estão diretamente com os alunos. E não só os professores, mas também as psicólogas e as assistentes sociais que atendem esse público. Neste mês, a gente vai estar conscientizando, vamos estar trabalhando esse tema e a gente viu a importância de estar capacitando esses profissionais para que eles pudessem estar na linha de frente com essas crianças e adolescentes”, explica.
 
O servidor da Rede Cidadã, Ezio Pereira Moura, assistiu à palestra proferida pela juíza Tatyana Lopes e avaliou a iniciativa de forma positiva. “Foi muito boa a palestra, o ensinamento […] E vai ser muito útil porque, além de casa, dá pra gente trabalhar em outros setores, na comunidade, aqui mesmo na Rede Cidadã, às vezes, podemos ser abordados com essa questão”.
 
A professora de literatura da Rede Cidadã, Priscila Ribeiro da Silva Coelho, que atua na unidade de Várzea Grande, também aprovou a oportunidade de capacitação. “Têm mães que não conhecem que tem violência moral, que acha que é normal e realmente não é, tem mãe que não tem conhecimento. E a gente acaba identificando isso em sala de aula. Às vezes, o aluno comenta algo e a gente procura buscar os pais. Precisamos, sim, ter esse conhecimento e levar adiante sempre esse assunto”, avalia.
 
Capacitação terá continuidade – Além da palestra com a juíza Tatyana Lopes, a psicóloga da Cemulher, Adriany Carvalho, fez uma breve apresentação sobre a Cemulher e os serviços que oferece como, por exemplo, o projeto “Maria da Penha vai à Escola”, que consiste em palestra direcionadas a estudantes de escolas públicas e particulares.
 
Por meio da Cemulher, a profissional ainda irá retornar, em breve, à Rede Cidadã para ofertar uma nova capacitação para os servidores. Dessa vez, os professores e demais funcionários serão orientados sobre como acolher os alunos que estejam testemunhando e sofrendo situações de violência doméstica e familiar e como encaminhá-los para a rede de proteção.
 
#Paratodosverem. Esta matéria possui recursos de texto alternativo para inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: foto em plano aberto que mostra várias pessoas sentadas em uma sala de aula, assistindo à palestra da juíza Tatyana Lopes, que está à frente, falando ao microfone e olhando para o telão, que mostra um slide sobre violência doméstica. Foto 2: juíza Tatyana Lopes concede entrevista à TV Justiça. Ela é uma mulher de pele clara, olhos e cabelos castanhos escuros, cabelos longos e lisos, usando blusa branca e blazer rosa. Foto 3: servidor da Rede Cidadã, Ezio Moura, concede entrevista à TV.Jus. Ele é um homem negro, de olhos castanhos, cabelos curtos e grisalhos, usando camiseta polo azul marinho com a logomarca da Rede Cidadã. Ao fundo, é possível ver o pátio do local. 
 
Celly Silva
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT  
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Magistrada do TJMT reforça necessidade de mudança cultural no combate à violência contra a mulher

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Juíza Tatyana Borges - Mulher vestindo blazer escuro, blusa clara e saia preta discursa em pé no palco com um microfone na mão. Ao lado dela, há um púlpito de madeira e, ao fundo, um grande telão com o título A violência doméstica no Brasil não pode ser vista como caso isolado, mas como resultado de uma cultura histórica de desigualdade. Essa foi a principal mensagem da juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, durante palestra no “III Encontro Anual do Núcleo de Atendimento a Magistradas e Servidoras Vítimas de Violência Doméstica e Familiar – Espaço Thays Machado”, realizado nesta sexta-feira (19), na capital.

Promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), o evento reuniu magistrados(as) e servidores(as) que atuam nas Redes de Enfrentamento e Grupo Reflexivo de Homens, para ampliar o debate sobre a violência doméstica, divulgar canais de denúncia e fortalecer a rede de proteção às vítimas.

Durante a palestra, a magistrada destacou que o conhecimento jurídico não é suficiente para proteger mulheres da violência, inclusive dentro do próprio sistema de Justiça. “Ninguém está imune. É fundamental garantir espaços de escuta qualificada, acolhimento e proteção também dentro do Judiciário”, afirmou.

Violência como construção histórica

Ao abordar a evolução dos direitos das mulheres, a juíza ressaltou que a violência está enraizada em uma cultura que, por séculos, tratou a mulher como propriedade do homem. “Não são casos isolados. Viemos de uma cultura que autorizava a violência contra as mulheres. Apenas o aumento das penas não muda uma realidade construída ao longo de séculos”, pontuou.

Ela relembrou marcos históricos, como o direito ao voto em 1932, a capacidade civil plena em 1962 e a Constituição de 1988, que estabeleceu igualdade formal ainda não plenamente efetivada.

Ciclo silencioso de violência

A magistrada enfatizou que o feminicídio representa o estágio mais extremo de um ciclo de violência que, na maioria das vezes, começa de forma silenciosa, por meio de comportamentos controladores, humilhações e isolamento. “A violência não começa com agressões físicas. Muito antes disso surgem sinais nas palavras, nas atitudes e na convivência. O controle excessivo, o ciúme e as ameaças são alertas”, disse.

De acordo com ela, muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos por acreditarem em promessas de mudança ou por desejarem preservar a família. No entanto, essa permanência pode agravar o risco. “É preciso reconhecer os sinais e interromper esse ciclo antes que algo mais grave aconteça”, alertou.

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A juíza exemplificou com relatos reais de vítimas, de audiências que presidiu, e destacou situações em que mulheres sofreram agressões severas mesmo após tentativas de reconciliação.

Lei Maria da Penha e formas de violência

A juíza destacou a Lei Maria da Penha como marco no combate à violência ao afirmar que a lei deu visibilidade a uma violência que era invisível e criou mecanismos de proteção.

Ela explicou as cinco formas de violência: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial, ressaltando que a psicológica costuma ser a primeira e mais difícil de identificar. “A violência psicológica destrói a autoestima da vítima. Quando ela passa a acreditar que não tem valor, romper o relacionamento se torna ainda mais difícil”, explicou.

Dados preocupantes

Apesar dos avanços, os índices de feminicídio seguem elevados. A maioria dos casos ocorre no ambiente doméstico e é praticada por companheiros ou ex-companheiros. “Enquanto a mulher for vista como posse, o problema vai continuar”, destacou.

A magistrada também apontou que muitas vítimas não chegam a pedir ajuda antes da violência extrema.

Educação como caminho

Ao longo da palestra, a juíza reforçou que o enfrentamento à violência contra a mulher exige mais do que punição criminal, depende de transformação cultural profunda, baseada em educação e igualdade. “O combate ao feminicídio exige mudança de mentalidade. É preciso construir uma cultura de respeito, dignidade e igualdade entre homens e mulheres”, afirmou.

Programação integrada

O evento integrou uma agenda mais ampla promovida pelo TJMT. Entre os dias 17 e 19 de junho, servidores da Justiça Estadual e das comarcas participaram da capacitação “Reflexão e Sensibilização para Autores de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”, realizada pela Escola dos Servidores.

A iniciativa envolveu profissionais das Redes de Enfrentamento e dos Grupos Reflexivos para Homens, ampliando o debate sobre prevenção e responsabilização.

Compromisso institucional

Ao final do encontro, ficou evidenciada a mensagem comum de que combater a violência contra a mulher exige atuação contínua das instituições, fortalecimento das redes de proteção e investimento em educação.

Mais do que leis, o desafio está em transformar a sociedade. “Só vamos avançar quando deixarmos de naturalizar comportamentos abusivos e passarmos a promover relações baseadas no respeito”, concluiu a magistrada.

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Participantes

O integrante da equipe multidisciplinar da Cemulher-MT, Cristian Pereira Oliveira, destacou que a prevenção da violência passa pela mudança de padrões culturais, com foco no trabalho junto aos homens.

Cristian também chamou atenção para um ponto sensível no debate sobre a prevenção da violência. O papel das mulheres na condução de diálogos com homens autores de violência. Para ele, embora ainda haja resistência, a participação feminina nesses espaços é fundamental. “Nos grupos reflexivos, há um acordo inicial de respeito. Cada um tem o seu tempo de fala e precisa ouvir o outro. Se o homem não consegue lidar com uma mulher conduzindo esse diálogo, já há um problema desde o início”, explicou.

Ele também pontuou que o depoimento da órfã de feminicídio apresentado durante o encontro reforçou a importância do diálogo entre os próprios homens, especialmente em relações de amizade. “Muitas vezes falta um colega, um amigo, alguém próximo para dar um toque, orientar, chamar a atenção. Se esse diálogo acontecesse mais entre os homens, muitas histórias poderiam ser diferentes”, disse.

O policial civil da Delegacia da Mulher de Cuiabá, Armando Arce, afirmou que o depoimento da órfã de feminicídio foi profundamente impactante e trouxe uma nova perspectiva para sua atuação. “Foi um testemunho de fortes emoções, uma realidade que eu nunca tinha imaginado. A gente costuma focar no agressor, mas muitas vezes esquece dos órfãos, que também são vítimas dessa violência”, destacou.

Com 11 anos de atuação na área, Armando reforçou que o acolhimento humanizado é essencial no atendimento às vítimas. “Nosso trabalho é acolher sem julgamento, mostrar que ela não está sozinha e que existe uma rede pronta para ajudar. Como ela disse, calar dói mais. É preciso falar para se libertar”, afirmou.

Ele também ressaltou a importância da capacitação promovida pelo Judiciário para fortalecer a rede de enfrentamento à violência doméstica. “Essa é uma porta aberta, uma oportunidade gigantesca. Quanto mais preparados estivermos, melhor será o acolhimento às vítimas”, concluiu.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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