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Pecuária sustentável cobra ajustes no Plano Clima para garantir clareza e efetividade

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A Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável (MBPS) divulgou um posicionamento oficial sobre o Plano Clima, iniciativa do governo federal que estrutura políticas nacionais voltadas à mitigação e adaptação às mudanças climáticas. Representando a cadeia de valor da pecuária sustentável, a entidade já havia contribuído com sugestões ao Plano de Adaptação em maio e, mais recentemente, apresentou propostas à versão preliminar do Plano Setorial de Mitigação.

Embora reconheça avanços e uma estrutura robusta no documento, a MBPS aponta que ainda existem pontos que precisam ser detalhados para garantir a efetividade das ações e evitar interpretações equivocadas sobre o papel da agropecuária na agenda climática.

Principais recomendações da Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável

Entre as propostas enviadas ao governo, destacam-se medidas que buscam transparência, clareza e reconhecimento das práticas já aplicadas no setor. Confira os principais pontos:

  • Medição de emissões: a entidade cobra maior detalhamento sobre metodologias, bases de dados e formas de cálculo utilizadas para definir as metas climáticas.
  • Reconhecimento de boas práticas: técnicas como recuperação de pastagens, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e manejo de dejetos devem ser oficialmente associadas às metas, evidenciando sua contribuição real.
  • Carbono no solo e restauração: inclusão de métricas específicas que contemplem remoções de carbono em áreas de vegetação nativa e em pastagens recuperadas.
  • Apoio à agricultura familiar: criação de políticas adaptadas à realidade dos pequenos produtores, como crédito rural, assistência técnica e formas de monitoramento compatíveis com a escala produtiva.
  • Marcos intermediários: definição de metas parciais entre 2030 e 2035, como em 2032 e 2034, para facilitar o acompanhamento e eventuais correções de rota.
  • Monitoramento e transparência: fortalecimento da Plataforma AgroBrasil+Sustentável, integrada ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), para ampliar credibilidade e clareza nos resultados.
  • Redução do metano e inovação: incentivo ao uso de tecnologias já validadas, como aditivos que reduzem a emissão de metano pelos animais, com apoio em financiamento e assistência técnica.
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Setor defende clareza nas metas e competitividade internacional

Segundo Ana Doralina Menezes, presidente da MBPS, as adequações propostas têm como objetivo tornar o plano mais claro, preciso e viável:

“O Plano Clima é fundamental para orientar as políticas públicas do país frente aos desafios climáticos, e a pecuária tem um papel importante nesse processo. As adequações que propomos buscam justamente dar mais transparência, precisão e viabilidade ao Plano, para que ele seja um instrumento de transformação real, capaz de impulsionar a competitividade da pecuária brasileira e mostrar ao mundo que o Brasil pode liderar a produção sustentável de carne”, afirmou.

Compromisso com a sustentabilidade

A MBPS reforça seu papel como rede multissetorial que reúne diversos elos da cadeia produtiva da pecuária e se coloca à disposição do governo para dialogar com base em dados técnicos e conhecimento científico.

O trabalho apresentado foi conduzido pelo Grupo de Trabalho de Clima da entidade, que reúne representantes de organizações associadas e se dedica a análises técnicas e à construção colaborativa de propostas.

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Confira as contribuições na íntegra

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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MMA investe em infraestrutura para fortalecer manejo sustentável do pirarucu no Amazonas

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio do Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), apoia o fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis na Amazônia, unindo conservação da biodiversidade, geração de renda e permanência das comunidades em seus territórios. Neste mês, foi concluído um investimento em equipamentos para conservar o pirarucu manejado, na comunidade da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC), em Carauari (AM), visando fortalecer a economia local.

Uma fábrica de gelo e uma câmara fria foram instaladas na comunidade do Médio Juruá e ampliarão a renda de mais de mil pessoas. A fábrica de gelo, com capacidade de produção de até 12 toneladas de gelo por dia, passa a atender uma cadeia produtiva que envolve 282 famílias, em 47 comunidades, alcançando diretamente 1.052 manejadores e manejadoras. Já a nova câmara fria amplia a capacidade de armazenamento do entreposto em até 100 toneladas. 

As estruturas foram implantadas no entreposto de pescado da ASPROC com o objetivo de reduzir perdas, melhorar a qualidade do pescado e ampliar as condições de comercialização do pirarucu manejado – uma das principais cadeias da sociobiodiversidade amazônica.

Para chegar até a região, os equipamentos passaram por longo trajeto, enfrentando transporte terrestre, fluvial, e impactos da seca severa. As peças saíram do Sul do país em julho de 2025 e chegaram ao destino em agosto do mesmo ano. Durante o percurso, a estiagem extrema refletida no rio Juruá dificultou a navegação e evidenciou os desafios de levar infraestrutura a territórios de difícil acesso na Amazônia. A instalação da fábrica teve início em abril de 2026 e foi concluída neste mês.

Para Quilvilene Figueiredo da Cunha, diretora da ASPROC, a chegada da fábrica representa mais do que um avanço logístico. “O rio Juruá é um dos mais sinuosos do mundo e, em cada curva, existem histórias de luta e de resistência. Parcerias como esta criam condições para melhorar a qualidade de vida e fortalecer a permanência das comunidades em seus territórios”, destacou. 

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Infraestrutura soluciona gargalo logístico 

O investimento público trouxe resolução para um gargalo histórico da região amazônica, visto que o deslocamento entre a capital Manaus e Carauari pode levar até sete dias de viagem. 

A produção de gelo é considerada estratégica para o manejo do pirarucu, pois garante a conservação do pescado desde a captura até a comercialização na capital amazonense. Com isso, a cadeia ganha em qualidade sanitária, segurança alimentar e confiabilidade junto aos mercados.

Com a nova fábrica, a produção de gelo passa a ser local, reduzindo a dependência de fornecedores externos e aumentando a autonomia das comunidades. A expectativa é de que a iniciativa fortaleça a logística de escoamento e traga mais estabilidade para os produtores.

Cadeia produtiva alia renda e conservação

No Médio Juruá, o manejo comunitário do pirarucu é resultado de mais de duas décadas de organização social, com acordos de pesca, vigilância dos lagos e definição coletiva de regras de uso sustentável. O modelo envolve comunidades ribeirinhas e indígenas, unidades de conservação e outros arranjos territoriais que formam um conjunto de práticas que conecta conhecimento tradicional, gestão territorial e ciência aplicada.

Essa é uma das principais fontes de renda para comunidades da região amazônica e um instrumento de conservação ambiental. Ao valorizar o uso sustentável dos recursos naturais, o modelo contribui para a proteção dos lagos e o controle da pesca predatória.

A cadeia do pirarucu também tem ampliado a participação de mulheres em atividades como manejo, beneficiamento e organização comunitária. A nova estrutura contribui para fortalecer essas iniciativas e dar mais visibilidade aos diferentes papéis desempenhados nos territórios.

Permanência nos territórios

Ao melhorar a infraestrutura da cadeia produtiva e do entreposto de beneficiamento de pescado, as novas estruturas contribuem para a permanência das comunidades em seus territórios e para a manutenção de modos de vida ligados à floresta e aos rios.

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A experiência do Médio Juruá mostra que a conservação da biodiversidade pode caminhar junto com geração de renda, segurança alimentar e organização social. A região avança na consolidação de um modelo baseado no uso sustentável dos recursos naturais.

“O apoio ao entreposto da ASPROC é parte da estratégia do Projeto ASL Brasil em fomentar a conservação e o protagonismo local, por meio do manejo sustentável de recursos naturais e do fortalecimento de coletivos locais de governança territorial em áreas de manejo integrado da paisagem, como o Sítio Ramsar Juruá.” conclui Henrique Santiago-coordenador técnico do projeto ASL Brasil.

Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil) 

A Amazônia é essencial para a vida no mundo e sua paisagem vem passando por mudanças que ameaçam seus ecossistemas. Para reverter este cenário e contribuir com sua conservação e restauração, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), por meio de sua Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBIO), coordena o Projeto Paisagens Sustentáveis da Amazônia (ASL Brasil), executado pela Conservação Internacional (CI-Brasil), pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV Europe), em parceria com órgãos federais, estaduais e municipais de Meio Ambiente nos estados do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia.

O ASL Brasil é uma iniciativa do Governo Federal e integra o Programa Regional ASL, gerido pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e implementado pelo Banco Mundial (BM). O programa abrange projetos no Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela, com o objetivo de fortalecer a gestão integrada da paisagem na Amazônia.

 Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
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(61) 2028-1227/1051
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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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