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Brasil lança plano para fortalecer a governança climática em todos os níveis da federação

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O governo federal lançou nesta terça-feira (11/11), na COP30, em Belém (PA), o Plano de Aceleração da Governança Multinível. A estratégia foi apresentada pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, e busca consolidar a agenda climática como prioridade em todos os níveis de governo, promovendo integração federativa, participação social e decisões baseadas em ciência e evidências.

O lançamento do plano, coordenado pela Presidência da COP30 e elaborado pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e das Cidades (MCID), ocorreu durante o “Painel Ministerial de Alto Nível: Governança Multinível para a Implementação do Acordo de Paris e da Estratégia Climática”, na Zona Azul.

Na ocasião, Marina Silva defendeu uma ação integrada para enfrentar os desafios urbanos e climáticos. “Cada vez mais, nós vamos precisar de uma ação integrada. A ideia de nos adaptarmos é também a de nos transformarmos. E transformar não apenas as estruturas das nossas cidades, mas também a forma como fazemos a gestão das cidades e como nos relacionamos com os demais atores e segmentos envolvidos nessa gestão, que vão desde a sociedade até os nossos parceiros governamentais.”

A ministra enfatizou que a liderança multinível não é apenas um aspecto de coordenação, mas um espaço de responsabilização e corresponsabilidade entre diferentes atores e setores. “É preciso ter planos para adaptar as cidades e o meio ambiente, e fazer tudo de forma integrada e compartilhada, junto a estados, municípios e diferentes setores, para dar as respostas necessárias à proteção da vida das pessoas, do patrimônio público, político e histórico”, defendeu.

O Plano de Aceleração da Governança Multinível foi construído com base em experiências reais, como o AdaptaCidades e o Programa Cidades Verdes e Resilientes. A iniciativa oferece um roteiro prático para alinhar políticas, dados e financiamento entre os diferentes níveis de governo. Estruturado a partir de metas objetivas e mensuráveis, prevê que 120 Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs, na sigla em inglês) e Planos Climáticos incorporem mecanismos de governança multinível até 2030 e que seis mil gestores e técnicos públicos sejam capacitados até 2028.

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O plano também apoia a preparação de carteiras de projetos financiáveis e o acesso a recursos climáticos para acelerar transições justas, resilientes e inclusivas. No painel, a diretora do Departamento para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do MMA, Inamara Mélo, salientou a necessidade de fortalecimento da governança multinível  para combater a emergência climática de forma mais ambiciosa.

“Nosso plano de ação está vinculado a diversos compromissos climáticos. Estamos falando dos ODS [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável], dos Global Stocktake [GST], dos Objetivos Globais de Adaptação [GGA], da Coalizão para Ação Climática Multinível de Alta Ambição [Champ], da cooperação Sul-Sul. Precisamos fazer com que esta agenda e este plano de ação ampliem a ambição em torno da governança multinível para que possamos cumprir o Acordo de Paris”, afirmou.

O plano descreve nove resultados e 15 linhas de ação a partir do engajamento de 31 instituições e organizações nacionais e internacionais. Além disso, 77 países – entre eles o Brasil – já aderiram à iniciativa Champ, uma plataforma para fortalecer a colaboração entre governos nacionais e subnacionais em políticas e financiamento climático. “A governança multinível é a condição necessária para a promoção da justiça climática, da transição justa e para fazer com que toda essa agenda alcance os territórios. Este é o plano”, explicou Mélo.

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A diretora destacou que o governo brasileiro já é uma referência em federalismo climático, com uma agenda prioritária em todos os níveis. Essa trajetória, segundo ela, funciona a partir de um plano nacional, uma estratégia multissetorial, multinível, participativa e justa, que envolve o acesso a dados e o acesso a financiamento nas três instâncias federativas.

O ministro das Cidades, Jader Filho, afirmou que é preciso que os países sejam motores para que essas ações, de fato, ocorram em todo o mundo, e fez um chamado à cooperação. “Se nós não envolvermos os líderes subnacionais, será impossível alcançarmos as metas de redução de emissões. Isso porque a vida e as ações não acontecem na federação. Nós podemos, a partir dos governos centrais, indicar diretrizes e fazer recomendações, mas quem executa, de fato, as ações são os líderes subnacionais.”

A diretora-executiva da COP30, Ana Toni, salientou que a conferência é uma oportunidade para os municípios. “Esse é o momento da gente colocar a governança multinível na agenda climática de forma absolutamente estruturante. Já que estamos tratando a COP como sendo de implementação, e quem está na linha de frente são os prefeitos, os governadores. São eles que vão implementar. Então, cada vez mais essas agendas de negociação e de implementação têm de se unir.” 

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Acordo Mercosul-UE entra em vigor e abre mercado para agro brasileiro, com desafios distintos para café e frutas

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Após mais de duas décadas de negociações, o acordo entre Mercosul e União Europeia inicia uma nova fase com a entrada em vigor do chamado Acordo Interino de Comércio, marcando a abertura gradual do mercado europeu para produtos do agronegócio brasileiro. A partir de 1º de maio, o foco recai sobre o Pilar Comercial, permitindo a redução imediata de tarifas sem a necessidade de aprovação pelos parlamentos dos 27 países do bloco europeu.

O movimento representa uma janela relevante de oportunidades para o Brasil, mas com impactos distintos entre setores. Enquanto o café solúvel avança de forma mais gradual e sob forte pressão regulatória, o segmento de frutas tende a capturar benefícios mais rapidamente, embora ainda enfrente desafios logísticos e sanitários.

Acesso ampliado, mas condicionado à sustentabilidade

A abertura tarifária não garante, por si só, o aumento das exportações. Especialistas destacam que o acesso ao mercado europeu dependerá do cumprimento de exigências ambientais rigorosas, especialmente ligadas ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).

Nesse cenário, produtores brasileiros precisarão comprovar, de forma estruturada, a rastreabilidade e a sustentabilidade de suas cadeias produtivas. A adaptação a essas regras deve ser um dos principais desafios no curto prazo, sobretudo para o setor cafeeiro.

Café solúvel: recuperação gradual e exigências mais rígidas

No caso do café solúvel, o acordo prevê redução tarifária progressiva ao longo de quatro anos. Já na fase inicial, há uma diminuição de 1,8 ponto percentual sobre a tarifa atual, hoje em 9%.

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O setor avalia que o novo cenário pode ajudar o Brasil a recuperar participação no mercado europeu, perdida nas últimas décadas. Atualmente, a União Europeia responde por cerca de 20% a 22% das exportações brasileiras de café solúvel, com volume próximo de 16 mil toneladas ao ano.

Mesmo em caráter provisório, o acordo já começa a gerar efeitos positivos. Empresas exportadoras iniciaram negociações com compradores europeus, que passaram a demandar informações detalhadas sobre o novo ambiente tarifário e as condições de fornecimento.

A expectativa é de crescimento gradual das exportações, acompanhando a redução das tarifas e o avanço na adequação às exigências ambientais.

Frutas: ganho mais imediato e expansão de mercado

Para o setor de frutas, o impacto tende a ser mais direto, embora varie conforme o produto. Algumas categorias, como a uva de mesa, passam a ter tarifa zerada já na entrada em vigor do acordo. Outras frutas seguirão cronogramas de redução tarifária que podem se estender por quatro, sete ou até dez anos.

A avaliação do setor é de que o cenário é positivo, com potencial de aumento da competitividade e ampliação da presença brasileira no mercado europeu.

Exportadores já iniciaram processos de adaptação, com ajustes na documentação e nos padrões exigidos pelos compradores internacionais. A tendência é de avanço mais rápido em relação ao café, especialmente pela menor pressão regulatória ambiental direta sobre algumas cadeias produtivas.

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Desafios estruturais e competitividade

Apesar da abertura comercial, especialistas apontam que o principal obstáculo não está na produção, mas na capacidade de organização e adequação às exigências do mercado europeu.

A necessidade de consolidar sistemas de rastreabilidade, comprovação de origem e conformidade ambiental exige investimentos e coordenação entre produtores, cooperativas e exportadores.

Cenário político e limites do acordo

Outro ponto relevante é que o acordo mais amplo entre Mercosul e União Europeia ainda não foi totalmente ratificado, especialmente no que se refere às cláusulas ambientais. No entanto, a entrada em vigor do pilar comercial reduz a capacidade de países críticos ao acordo de interferirem no curto prazo.

Na prática, isso significa que a redução de tarifas já passa a valer, mesmo sem consenso total dentro do bloco europeu.

Perspectivas para o agro brasileiro

A implementação do acordo inaugura uma nova fase para o comércio entre Brasil e União Europeia, com potencial de ampliar exportações e diversificar mercados. No entanto, o sucesso dessa abertura dependerá diretamente da capacidade do agronegócio brasileiro de atender às exigências regulatórias e fortalecer sua competitividade internacional.

A janela está aberta, mas o avanço efetivo dependerá da adaptação do setor às novas regras do comércio global.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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