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Alongamento de dívida rural é direito garantido ao produtor e não depende apenas do banco, alerta especialista

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O alongamento de dívida rural, previsto na legislação brasileira e reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), continua sendo motivo de conflito entre produtores rurais e instituições financeiras. Apesar do entendimento consolidado pela Justiça, especialistas alertam que muitos bancos ainda tratam o mecanismo como mera negociação comercial, impondo barreiras para produtores em situação de dificuldade financeira.

A avaliação é da advogada Giulia Arndt, do escritório Maffioletti & Arndt Advogados, que aponta aumento na procura por orientação jurídica diante da pressão enfrentada pelo agronegócio nos últimos anos.

Segundo a especialista, a Súmula 298 do STJ estabelece que o alongamento da dívida originária de crédito rural não depende exclusivamente da decisão da instituição financeira quando o produtor comprova incapacidade temporária de pagamento causada por fatores como quebra de safra, eventos climáticos severos ou oscilações bruscas de mercado.

“O alongamento da dívida rural não é favor concedido pelo banco. Trata-se de um direito do produtor reconhecido pela Justiça. Mesmo assim, ainda existem negativas sem fundamentação adequada, como se a decisão dependesse apenas da vontade da instituição financeira”, afirma Giulia.

Crise financeira no agro amplia busca por renegociação de passivos

O tema ganha relevância em meio ao cenário de dificuldades financeiras enfrentado pelo setor agropecuário. Problemas climáticos recorrentes, aumento nos custos de produção, juros elevados e queda nos preços de commodities reduziram a capacidade de pagamento de produtores em diversas regiões do país.

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Com isso, cresceram as discussões envolvendo renegociação de passivos rurais, acesso ao crédito e sustentabilidade financeira das propriedades para as próximas safras.

De acordo com a advogada, muitos produtores ainda desconhecem os instrumentos legais disponíveis e acabam aceitando renegociações consideradas mais pesadas financeiramente, incluindo aumento de juros, reforço de garantias e assinatura de confissões de dívida.

“Muitos produtores buscam orientação apenas depois de assinarem contratos mais onerosos. Em vários casos, existia um direito que poderia ter sido utilizado antes da formalização dessas novas obrigações”, explica.

Diferença entre renegociação comercial e alongamento rural exige atenção

A especialista destaca que existe uma diferença jurídica importante entre renegociação comercial tradicional e alongamento de dívida rural.

Enquanto a renegociação depende de critérios internos e comerciais definidos pela instituição financeira, o alongamento possui fundamento legal específico e requisitos próprios previstos nas normas do crédito rural.

“Essa distinção muda completamente a forma como o pedido deve ser apresentado e analisado. Misturar renegociação comercial com pedido de alongamento pode enfraquecer a defesa do produtor rural”, ressalta.

Impactos atingem toda a cadeia do agronegócio

Segundo a advogada, os efeitos da negativa de alongamento vão além da propriedade rural. Sem reorganização financeira, muitos produtores perdem acesso ao crédito de custeio da safra seguinte, comprometendo toda a cadeia produtiva do agronegócio.

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O impacto pode atingir fornecedores de insumos, cooperativas, transportadoras, prestadores de serviços e até economias locais dependentes da atividade agropecuária.

“Quando o crédito trava, o problema deixa de ser apenas da fazenda. O reflexo alcança toda a cadeia do agro. O alongamento existe justamente para evitar que uma dificuldade temporária se transforme em um colapso financeiro mais amplo”, afirma.

Tema deve avançar nas discussões do próximo Plano Safra

A expectativa do setor é que o alongamento de dívida rural ganhe ainda mais espaço nas discussões relacionadas ao próximo Plano Safra e às medidas de apoio financeiro ao agronegócio.

Para a especialista, produtores rurais devem buscar orientação técnica e jurídica antes de formalizar acordos bancários em momentos de pressão financeira.

“O produtor precisa entender que existem mecanismos legais criados justamente para protegê-lo em períodos de crise. Conhecer esses instrumentos pode ser decisivo para preservar a atividade rural e evitar perdas irreversíveis”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Araguaína recebe etapa estratégica do Indicador do Boi DATAGRO na Estrada com foco no mercado pecuário de 2026

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Após percorrer importantes polos da produção agropecuária brasileira, o circuito Indicador do Boi DATAGRO na Estrada 2026 chega a Araguaína, no Tocantins, no próximo dia 28 de maio. A cidade sediará a quinta etapa do projeto, reforçando sua relevância estratégica para a pecuária nacional e consolidando-se como um dos principais centros de discussão sobre o mercado bovino brasileiro.

A realização do encontro em Araguaína amplia a presença do circuito em regiões-chave da bovinocultura e fortalece a proposta da DATAGRO de aproximar produtores, frigoríficos, investidores e demais agentes da cadeia pecuária. O objetivo é promover uma leitura mais ampla das tendências de mercado, gestão de risco e oportunidades para o setor em 2026.

A programação contará com workshop voltado à comercialização futura em bolsa, além de painéis sobre perspectivas econômicas, comportamento dos preços do boi gordo e estratégias para o mercado pecuário. O evento também deve aprofundar debates sobre integração entre mercado físico e financeiro, cenário das exportações e competitividade da carne bovina brasileira.

Entre os participantes confirmados estão representantes do Banco Pine, Nova Futura Investimentos, Genial Investimentos, Supera Invest | Necton, Corteva – Probeef | Cargill, Mitsubishi Motors, Naturafrig e da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC). A presença da indústria exportadora deve ampliar as discussões sobre demanda internacional, abertura de mercados e tendências globais para a proteína animal brasileira.

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Indicador do Boi DATAGRO ganha protagonismo no mercado futuro

O Indicador do Boi DATAGRO consolidou-se como uma das principais referências de preços da pecuária brasileira. O índice é construído a partir de coleta auditada de informações junto a pecuaristas e frigoríficos em todo o país, abrangendo mais de 60% do abate nacional.

Desde 2025, o indicador passou a ser a referência oficial para liquidação dos contratos futuros de boi gordo negociados na B3, fortalecendo a conexão entre os mercados físico e financeiro e ampliando a transparência na formação de preços da cadeia pecuária.

Criado em 2019, o indicador reúne dados de milhares de produtores e unidades frigoríficas distribuídas em mais de mil municípios brasileiros, garantindo maior confiabilidade e abrangência às informações do setor.

Visitas técnicas e networking fortalecem integração da cadeia pecuária

Mantendo o formato já consolidado nas etapas anteriores, o circuito em Araguaína incluirá visitas técnicas a confinamentos e indústrias da região, além de um encontro exclusivo com pecuaristas locais.

A proposta é estimular a troca de experiências práticas, fortalecer o networking entre os participantes e ampliar o entendimento sobre as dinâmicas do mercado pecuário tocantinense. A iniciativa também busca contribuir para maior transparência comercial e disseminação de estratégias de gestão em um cenário de crescente profissionalização da pecuária brasileira.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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