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Açúcar recua com superávit global e desvalorização do etanol

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Superávit global da safra 2025/26 pressiona preços

De acordo com Maurício Muruci, analista da Safras & Mercado, o superávit mundial de açúcar para a safra 2025/26 deve saltar de 5,3 milhões para 11,3 milhões de toneladas, um crescimento de 114% em relação à temporada anterior. O início antecipado das chuvas no Centro-Sul do Brasil contribui para melhores condições nos canaviais, reforçando a produtividade da próxima safra.

Além disso, a redução no preço da gasolina torna o etanol hidratado menos competitivo, incentivando as usinas a direcionarem mais cana para a produção de açúcar, o que amplia a oferta e pressiona as cotações.

Desempenho nas bolsas internacionais
  • Nova York
    • Na ICE Futures (Nova York), os contratos de açúcar bruto apresentaram recuo significativo:
      • Março/26: 14,97 centavos de dólar por libra-peso (-32 pontos)
      • Maio/26: 14,48 centavos de dólar por libra-peso (-30 pontos)
  • Londres
    • Na ICE Europe (Londres), o açúcar branco seguiu a mesma tendência:
      • Dezembro/25: US$ 431,30 por tonelada (-US$ 6,50)
      • Março/26: US$ 425,20 por tonelada (-US$ 8,20)
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Açúcar cristal no mercado doméstico

Segundo o Indicador Cepea/Esalq (USP), a saca de 50 quilos de açúcar cristal foi negociada a R$ 113,48, apresentando uma alta de 1,07% no período.

Queda contínua em Nova York e Londres

Nesta segunda-feira (27), os contratos de açúcar em Nova York consolidaram-se abaixo de 14,5 centavos por libra-peso:

  • Março/26: 14,62 cents (-2,34%)
  • Maio/26: 14,16 cents (-2,21%)
  • Julho/26: 14,07 cents (-2,02%)

Em Londres, o contrato de dezembro/25 caiu para US$ 420,70 por tonelada (-2,46%). Essa pressão reflete não apenas a oferta global robusta, mas também a desaceleração da demanda.

Exportações brasileiras mostram cenário misto

O número de navios aguardando carregamento nos portos brasileiros caiu de 90 para 86 na semana encerrada em 22 de outubro, e o volume agendado para embarque reduziu de 3,727 milhões para 3,391 milhões de toneladas, segundo a agência marítima Williams Brasil.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, em outubro, o Brasil exportou 2,334 milhões de toneladas de açúcar e outros melaços, gerando uma receita de US$ 962,296 milhões, com preço médio de US$ 412,20 por tonelada. Comparado a outubro de 2024, a receita diária média caiu 8,1%, enquanto o volume médio diário exportado subiu 5,9%. O preço médio por tonelada recuou 13,3%, refletindo a pressão do mercado internacional.

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Perspectivas para produtores e usinas

A combinação de superávit global e preços internacionais mais baixos exige cautela. Produtores e usinas precisam de planejamento estratégico para minimizar impactos e ajustar a produção diante de um cenário de oferta abundante e demanda mais lenta.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Escassez de carne força recuo de Trump e abre nova oportunidade ao Brasil

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A escassez de gado e a disparada do preço da carne nos Estados Unidos levaram Donald Trump a recuar temporariamente na política de proteção ao mercado interno. O presidente anunciou a abertura de uma cota adicional para a importação de até 300 mil toneladas de carne bovina, sem a tarifa aplicada aos volumes que excedem os limites atuais, pelo prazo de 90 dias.

O volume equivale a mais do que toda a carne bovina vendida pelo Brasil aos Estados Unidos em 2025. A medida, porém, ainda não representa uma venda garantida ao setor brasileiro. Trump não informou quais países fornecerão o produto e a ordem executiva que regulamentará a operação deverá ser assinada nas próximas duas semanas.

O Brasil aparece entre os principais candidatos a ocupar parte relevante dessa cota. O País tem escala de produção, frigoríficos habilitados e já é o segundo maior fornecedor externo de carne bovina ao mercado americano.

Em 2025, os Estados Unidos compraram 271,8 mil toneladas de carne bovina brasileira, com receita equivalente a aproximadamente R$ 8,5 bilhões, considerando a cotação atual de R$ 5,18. O mercado americano ficou atrás apenas da China entre os destinos do produto brasileiro.

O ritmo aumentou em 2026. Somente no primeiro semestre, o Brasil embarcou 205 mil toneladas para os Estados Unidos, alta de 13% sobre o mesmo período do ano passado. A receita avançou 29,8% e chegou ao equivalente a cerca de R$ 7 bilhões.

A importância da carne brasileira para os Estados Unidos não está apenas no volume. Grande parte dos embarques é formada por recortes bovinos magros e congelados usados pela indústria americana na produção de hambúrgueres e carne moída.

Os frigoríficos dos Estados Unidos misturam esses recortes importados com carne de maior teor de gordura obtida de animais terminados em confinamento. A combinação permite padronizar o percentual de gordura e aproveitar melhor a matéria-prima produzida no país.

Quando diminui o abate de vacas, também cai a oferta americana de carne magra destinada à moagem. É justamente nesse ponto que fornecedores como Brasil, Austrália, Nova Zelândia, Argentina e Uruguai se tornam necessários para a indústria.

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O problema se agravou depois de anos de seca, aumento do custo da alimentação e redução do rebanho. Os Estados Unidos iniciaram 2026 com 86,2 milhões de bovinos e bezerros, o menor contingente em aproximadamente 75 anos. A recomposição não ocorre rapidamente, porque o pecuarista precisa reter fêmeas e esperar o nascimento e o desenvolvimento dos animais.

A oferta ficou ainda mais apertada com as restrições à entrada de gado mexicano por razões sanitárias e com o fechamento de unidades frigoríficas americanas. Ao mesmo tempo, o consumo permaneceu firme.

Em julho, o preço médio da carne moída nos Estados Unidos chegou ao equivalente a aproximadamente R$ 78,70 por quilo, alta de 10% em um ano. A inflação da proteína passou a pressionar o orçamento das famílias e ganhou peso político às vésperas das eleições legislativas de novembro.

Trump afirmou que os fornecedores assumiram o compromisso de vender a carne abrangida pela medida com desconto de 25% sobre os preços de mercado. Ainda não está claro, porém, como essa redução será controlada nem quanto chegará efetivamente ao consumidor.

As 300 mil toneladas representam pouco mais de 2% do consumo anual de carne bovina dos Estados Unidos e cerca de 12% das importações projetadas para 2026. O volume pode aliviar a oferta de matéria-prima para a indústria, mas dificilmente resolverá sozinho o problema estrutural provocado pela redução do rebanho.

Para o produtor brasileiro, a abertura representa possibilidade de aumento da demanda por vacas, dianteiros e recortes destinados ao processamento. Se o Brasil conquistar parcela expressiva da cota, o movimento poderá melhorar o aproveitamento da carcaça, ampliar a procura dos frigoríficos habilitados e ajudar a sustentar o preço da arroba.

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O benefício não será automático nem uniforme. O reflexo dependerá da participação reservada ao Brasil, das condições de venda, do número de plantas autorizadas e da margem dos frigoríficos. O compromisso de oferecer a carne com desconto também pode limitar o ganho obtido com a retirada da tarifa.

A oportunidade surge em momento importante para o setor. A China, maior compradora da carne brasileira, estabeleceu uma cota anual de cerca de 1,1 milhão de toneladas, com sobretaxa de 55% para os volumes excedentes. A redução dos embarques chineses no segundo semestre aumentou a necessidade de encontrar destinos para parte da produção brasileira.

Os Estados Unidos podem absorver parte desse volume, mas o Brasil enfrentará concorrência de fornecedores que também produzem carne magra para processamento. A ausência de uma cota específica significa que preço, disponibilidade, logística e habilitação sanitária determinarão quem aproveitará a abertura.

A decisão também reforça a esperança de novos recuos sobre produtos brasileiros necessários à economia americana. O governo dos Estados Unidos já retirou ou reduziu tarifas de alimentos cuja produção doméstica é insuficiente, como café, sucos de frutas tropicais, cacau e especiarias, além de determinados fertilizantes.

O caso da carne mostra que, quando a tarifa encarece um produto indispensável e a oferta americana não consegue atender ao consumo, a proteção ao produtor local pode ceder lugar à necessidade de controlar a inflação. Esse argumento poderá fortalecer as negociações de outros setores brasileiros, embora cada redução dependa de uma decisão específica do governo americano.

Mais do que uma mudança definitiva na política comercial de Trump, o anúncio é uma resposta emergencial à falta de carne nos Estados Unidos. Para a pecuária brasileira, representa uma janela relevante de 90 dias, capaz de compensar parcialmente as restrições impostas pela China e ampliar a presença no segundo maior mercado comprador do País.

Fonte: Pensar Agro

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