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Agro brasileiro cresce, mas número de auditores fiscais agropecuários cai quase 40% em 25 anos

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O agronegócio brasileiro ampliou produção, conquistou novos mercados internacionais e consolidou sua posição entre os maiores exportadores de alimentos do mundo nas últimas décadas. No entanto, enquanto o setor avançou em volume e complexidade, o número de auditores fiscais federais agropecuários caiu de forma significativa no país.

Levantamento do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical), com base em dados administrativos da carreira, revela que o Brasil possuía 4.040 auditores ativos no ano 2000. Em 2026, esse número caiu para 2.461 profissionais.

Na prática, o país perdeu quase 40% do efetivo em 25 anos, justamente em um período marcado pelo crescimento da produção agropecuária e pela expansão das exportações brasileiras.

Fiscalização agropecuária sustenta exportações do Brasil

A atuação dos auditores fiscais federais agropecuários é considerada estratégica para garantir a segurança sanitária da produção nacional e a credibilidade do Brasil no comércio internacional.

Os profissionais atuam em diversas etapas da cadeia produtiva, incluindo:

  • Inspeção de produtos de origem animal e vegetal
  • Fiscalização em frigoríficos
  • Vigilância agropecuária internacional
  • Certificação sanitária para exportações
  • Controle em portos, aeroportos e fronteiras
  • Fiscalização de agrotóxicos e aviação agrícola
  • Controle de pragas e doenças
  • Certificação de produtos orgânicos
  • Atuação em laboratórios oficiais e adidâncias agrícolas no exterior

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), os produtos agropecuários brasileiros chegam atualmente a mais de 190 mercados internacionais, todos dependentes de rígidos protocolos sanitários e certificações oficiais.

Para o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo, o sistema de fiscalização é um dos pilares da competitividade do agro brasileiro.

“A fiscalização agropecuária é um pilar silencioso do agronegócio. Ela garante que os alimentos brasileiros atendam aos padrões sanitários exigidos e mantenham acesso aos principais mercados internacionais”, afirma.

Produção agropecuária cresce enquanto estrutura encolhe

O contraste entre o crescimento do agronegócio e a redução da estrutura de fiscalização chama atenção.

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Dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apontam que a produção brasileira de grãos saiu de aproximadamente 100 milhões de toneladas no início dos anos 2000 para mais de 320 milhões de toneladas na safra 2024/2025.

No mesmo período, o Brasil ampliou sua participação no comércio global, consolidando liderança em produtos como:

  • Soja
  • Carnes
  • Açúcar
  • Café
  • Milho

Apesar disso, o número de auditores continuou em trajetória de queda. Atualmente, o total de profissionais ativos já se aproxima da quantidade de aposentados da carreira, estimada em cerca de 2.300 servidores.

Sobrecarga aumenta em frigoríficos, fronteiras e lavouras

Com menos profissionais disponíveis, cresce a pressão sobre as equipes responsáveis pela fiscalização agropecuária em diferentes áreas do setor.

Nos frigoríficos, os auditores acompanham abates e inspeções sanitárias. Nas lavouras, atuam no controle fitossanitário e certificação vegetal. Já em portos, aeroportos e postos de fronteira, trabalham na fiscalização de cargas e bagagens para evitar entrada de pragas, doenças e produtos ilegais no país.

O médico veterinário Henrique Pedro Dias, diretor de Política Profissional do Anffa Sindical, afirma que a estrutura atual não acompanha o avanço da demanda do agronegócio brasileiro.

“O Brasil se tornou um dos maiores produtores e exportadores de alimentos do mundo. Isso exige uma fiscalização robusta, tanto na rotina quanto no combate a irregularidades. Hoje, não conseguimos atender todas as frentes com a estrutura disponível”, alerta.

Combate ao contrabando e fiscalização sanitária enfrentam limitações

Segundo Dias, áreas consideradas estratégicas, como inteligência e combate ao contrabando de insumos e agrotóxicos ilegais, operam com equipes reduzidas.

“Essa é uma atividade fundamental, porque muitas vezes esses produtos ilegais estão ligados a outras práticas criminosas. A área de inteligência é extremamente demandada, mas possui poucos profissionais”, afirma.

O diretor também destaca aumento da sobrecarga operacional em unidades de inspeção sanitária.

“A produção cresceu, os profissionais trabalham mais horas e, em muitos casos, um único auditor precisa acumular funções e atender exigências de diferentes mercados internacionais”, explica.

Credibilidade sanitária é vista como ativo estratégico do agro

Especialistas do setor defendem que o fortalecimento da fiscalização agropecuária será essencial para manter a competitividade brasileira no mercado global de alimentos.

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Para Janus Pablo Macedo, investir em estrutura técnica e ampliação do quadro de profissionais é uma necessidade estratégica para o país.

“A credibilidade sanitária do Brasil é um ativo estratégico do agronegócio. Garantir estrutura adequada e capacidade técnica é fundamental para preservar a confiança dos mercados internacionais”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Pecuária vive ciclo de valorização e impulsiona demanda por genética bovina no Brasil

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O mercado pecuário brasileiro chega à metade de 2026 consolidando um cenário de valorização da cadeia da carne bovina. A combinação entre demanda firme no mercado interno e externo, restrição de oferta global e recuperação dos preços do boi gordo vem estimulando produtores a ampliar investimentos em genética bovina e produtividade.

A avaliação é da Conexão Delta G, entidade que reúne criatórios das raças Hereford e Braford em um dos principais programas de melhoramento genético do país.

Segundo o diretor da entidade e representante da Estância Silêncio, Eduardo Eichenberg, o ambiente positivo já aparece em diferentes segmentos da pecuária, desde o boi gordo até os remates de genética e comercialização de terneiros.

“O mercado está demandando carne, e isso gera um efeito positivo em todas as categorias da pecuária”, afirma.

Oferta global restrita sustenta preços da carne bovina

De acordo com Eichenberg, o movimento de valorização não está restrito ao Brasil. Grandes produtores mundiais de carne bovina, como Estados Unidos, Austrália e Argentina, também enfrentam ciclos de menor oferta, fator que contribui para manter o mercado internacional mais ajustado.

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Com menor disponibilidade de animais e demanda aquecida, os preços permanecem sustentados, criando um ambiente mais favorável para retenção de matrizes, reposição e investimentos em eficiência produtiva.

O dirigente destaca que os preços do boi gordo já operam acima dos níveis registrados no mesmo período de 2025, enquanto feiras de outono e remates comerciais vêm demonstrando valorização consistente do mercado de terneiros.

Valorização aumenta procura por genética e produtividade

Com maior confiança no mercado, os pecuaristas passam a buscar animais capazes de elevar produtividade, ganho de peso e eficiência dos rebanhos.

Segundo a Conexão Delta G, esse movimento favorece especialmente programas de genética estruturados, com foco em avaliação técnica, seleção e desempenho produtivo.

“Quando o pecuarista enxerga valorização de preços, ele se sente estimulado a investir. A genética acaba sendo favorecida, principalmente aquela que agrega produção e produtividade”, ressalta Eichenberg.

Leilões registram forte valorização em 2026

Um dos principais sinais do aquecimento do setor foi observado em abril, durante o leilão Conexão Pampa de Produção, realizado com participação da Estância Silêncio e da Estância São Manoel, ambas localizadas em Alegrete e integrantes da Conexão Delta G.

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A oferta de ventres e vacas prenhas comerciais padrão Hereford e Braford registrou valorização próxima de 20% em comparação com a edição de 2025.

Embora o remate seja voltado ao gado comercial, o resultado é considerado um importante termômetro para o mercado de genética bovina nos próximos meses.

Mercado deve elevar exigência por animais melhoradores

A expectativa do setor é de um ambiente ainda mais favorável para os leilões de genética ao longo de 2026, especialmente para animais com avaliação consistente e potencial comprovado de ganho produtivo.

Ao mesmo tempo, a tendência é de aumento no nível de exigência dos compradores.

Segundo Eichenberg, em ciclos de preços mais firmes, o mercado passa a diferenciar ainda mais os animais oriundos de programas estruturados de melhoramento genético, com dados técnicos, seleção rigorosa e foco em produtividade.

O cenário reforça a percepção de que genética, eficiência e gestão devem ganhar ainda mais importância dentro da pecuária brasileira nos próximos anos, acompanhando a evolução da demanda global por carne bovina de qualidade.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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