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Bahia aposta no cacau sustentável e projeta crescimento da produção em 2026

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Celebrado em 26 de março, o Dia Nacional do Cacau reforça a importância histórica, econômica e ambiental da cultura para a Bahia. Desde a introdução das primeiras mudas no sul do estado, no século XVII, o cacau se consolidou como uma das principais atividades agrícolas regionais.

Atualmente, a Bahia figura entre os maiores produtores do país, com mais de 137 mil toneladas produzidas e estimativa de R$ 6,5 bilhões em valor bruto da produção em 2025. O avanço do setor é impulsionado por políticas públicas voltadas à inovação, sustentabilidade e geração de renda no campo.

Tecnologia e sustentabilidade impulsionam a produção

O crescimento da cacauicultura baiana está diretamente ligado à adoção de novas tecnologias, práticas sustentáveis e controle fitossanitário. Esses fatores, aliados às condições climáticas favoráveis, têm contribuído para o aumento da produtividade e da qualidade do produto.

Segundo o secretário estadual de Agricultura, Pablo Barrozo, a modernização do setor também inclui a diversificação do uso das amêndoas, ampliando a valorização do cacau nos mercados nacional e internacional.

Produção deve crescer em 2026

As projeções indicam continuidade na expansão do setor. De acordo com o IBGE, a produção de cacau na Bahia deve crescer 5,3% em 2026, consolidando o fruto como um dos motores do desenvolvimento agrícola estadual.

Além das áreas tradicionais do sul, o cultivo avança para novas regiões.

Oeste baiano surge como nova fronteira do cacau

Enquanto o sul da Bahia concentra a produção histórica, o Oeste baiano desponta como nova fronteira agrícola para o cacau.

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Com o uso de irrigação, a cultura tem apresentado bons níveis de produtividade na região, onde se integra a lavouras já consolidadas, como soja e algodão. Esse movimento contribui para a diversificação da produção e ampliação das oportunidades econômicas.

Sistema cabruca fortalece sustentabilidade e qualidade

Um dos principais diferenciais da produção baiana é o sistema cabruca, predominante no sul do estado. O modelo consiste no cultivo do cacau sob a sombra de árvores nativas da Mata Atlântica, favorecendo a conservação da biodiversidade.

Além dos benefícios ambientais, o sistema contribui para a produção de amêndoas de alta qualidade, valorizadas especialmente na fabricação de chocolates finos.

A cadeia também avança na busca pela Indicação Geográfica (IG) do cacau cabruca, iniciativa que deve agregar valor ao produto e ampliar sua competitividade no mercado internacional.

Políticas públicas fortalecem a cadeia produtiva

O Governo da Bahia tem intensificado ações para fortalecer a cacauicultura. Entre as principais iniciativas estão:

  • Programas de defesa fitossanitária para prevenir pragas como a monilíase
  • Ampliação da assistência técnica aos produtores
  • Incentivo a práticas como a poda de luz para aumento da produtividade
  • Investimentos em infraestrutura, como estufas solares e fermentação controlada

No âmbito institucional, o estado também atuou junto ao Governo Federal para suspender temporariamente a importação de amêndoas de cacau da Costa do Marfim, medida preventiva contra riscos sanitários.

Outro avanço importante foi a aprovação da Lei 1.769/2019, que estabelece percentual mínimo de cacau na produção de chocolate no Brasil, fortalecendo a cadeia produtiva nacional.

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Crédito rural e inovação ampliam oportunidades

O acesso ao crédito rural para o chamado “cacau sustentável” também tem sido ampliado, com condições diferenciadas e mecanismos como o pagamento por serviços ambientais (PSA), que remunera produtores pela conservação da biodiversidade e do carbono.

A inovação segue como destaque, com pesquisas voltadas ao aproveitamento integral do fruto, incluindo o uso da casca e da polpa para novos produtos, como o mel de cacau, além da produção de chocolates finos.

Bahia avança na produção de chocolates de origem

A cadeia produtiva do cacau na Bahia evoluiu e hoje se destaca por integrar todas as etapas, da produção à fabricação do chocolate.

Segundo Fausto Pinheiro, presidente da Câmara Setorial do Cacau, o estado deixou de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passou a se consolidar como referência em chocolates de alta qualidade e valor agregado.

Atualmente, o setor conta com mais de 120 marcas, entre indústrias, cooperativas e empreendimentos familiares, refletindo o avanço da profissionalização e da inserção estratégica no mercado internacional.

Cacau como motor do desenvolvimento agrícola

Com investimentos contínuos em tecnologia, sustentabilidade e políticas públicas, o cacau se consolida como um dos principais vetores de crescimento do agronegócio baiano.

A combinação entre tradição, inovação e responsabilidade ambiental posiciona o estado como referência global na produção sustentável e na agregação de valor ao fruto.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Centro de inovação mira avanço da produção brasileira de azeite de oliva

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O Rio Grande do Sul, responsável por mais de 80% da produção brasileira de azeite de oliva, começou a estruturar um novo movimento para fortalecer tecnicamente a olivicultura nacional. A criação de um Centro de Referência em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Olivicultura pretende ampliar estudos sobre adaptação climática, produtividade e qualidade dos azeites produzidos no estado, em uma tentativa de reduzir a instabilidade causada pelas variações do clima e consolidar a cadeia produtiva no país.

A iniciativa reúne universidades, governo estadual e produtores rurais em uma parceria articulada pelo Instituto Brasileiro de Olivicultura. O protocolo foi assinado durante a Abertura Oficial da Colheita da Oliva, realizada em Triunfo, e envolve a participação da Universidade Federal de Santa Maria, Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, além de secretarias estaduais ligadas à inovação e agricultura.

O projeto surge em um momento de expansão da olivicultura brasileira, mas também de crescente preocupação com os efeitos climáticos sobre a produção. O Rio Grande do Sul concentra praticamente toda a produção comercial de azeite extravirgem do país, porém enfrenta oscilações frequentes de safra provocadas por estiagens, excesso de chuva, geadas e variações térmicas durante períodos críticos do desenvolvimento das oliveiras.

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Nos últimos anos, o estado ganhou reconhecimento internacional pela qualidade dos azeites produzidos localmente. Marcas gaúchas acumulam premiações em concursos internacionais, especialmente pela qualidade sensorial dos azeites extravirgens produzidos em regiões da Campanha, Serra do Sudeste e fronteira oeste gaúcha. Apesar disso, o setor ainda busca estabilidade produtiva para consolidar escala comercial.

A proposta do novo centro é justamente aproximar ciência e produção rural. A estrutura deverá atuar em pesquisas voltadas à adaptação de cultivares ao clima gaúcho, manejo de olivais, controle fitossanitário, qualidade industrial, certificação de origem e desenvolvimento de tecnologias capazes de aumentar produtividade e reduzir perdas.

Segundo lideranças do setor, um dos principais gargalos da olivicultura brasileira ainda está dentro da porteira. A produção nacional de azeite continua pequena frente ao consumo interno, que depende majoritariamente de importações vindas de países como Portugal, Espanha e Argentina. O Brasil consome mais de 100 milhões de litros de azeite por ano, enquanto a produção nacional representa apenas uma fração desse volume.

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Fonte: Pensar Agro

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