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BNDES aprova R$ 1 bilhão para usina de etanol de milho em MT e reforça avanço dos biocombustíveis no Brasil

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BNDES financia nova usina de etanol de milho em Mato Grosso

O BNDES aprovou um financiamento de R$ 1 bilhão para a construção de uma usina de etanol de milho no município de Tapurah, localizado na região Médio-Norte do estado.

O crédito foi concedido à RRP Energia e corresponde a mais de 60% do investimento total previsto para a planta. Trata-se de um empréstimo de longo prazo, no qual o banco atua como principal financiador do projeto.

Capacidade produtiva reforça protagonismo do Mato Grosso

A nova unidade terá capacidade para produzir até 459 milhões de litros de etanol hidratado por ano, ou 452 milhões de litros de etanol anidro. Com isso, Mato Grosso amplia sua posição como um dos principais polos nacionais de biocombustíveis à base de milho.

A usina também será capaz de processar mais de 1 milhão de toneladas de milho por ano, além de gerar subprodutos importantes, como insumos para alimentação animal e óleo de milho.

Projeto se enquadra em políticas de transição energética

Os recursos utilizados no financiamento têm origem no Fundo Clima, voltado à redução das emissões de gases de efeito estufa, e na linha BNDES Finem, destinada a investimentos de grande porte.

O enquadramento no Fundo Clima reforça o papel do etanol como combustível renovável, contribuindo para a substituição de fontes fósseis e para a descarbonização da economia.

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Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o projeto está alinhado às diretrizes da Política Nacional de Biocombustíveis e da Nova Indústria Brasil, podendo evitar a emissão de cerca de 309 mil toneladas de CO₂ equivalente por ano.

Grupo Piccini entra no setor de biocombustíveis

Por trás da RRP Energia está o Grupo Piccini, controlado pelo empresário Joci Piccini.

A iniciativa marca a entrada do grupo no segmento de biocombustíveis e reflete uma tendência crescente de verticalização da produção agrícola no Centro-Oeste. Nesse modelo, o milho deixa de ser apenas exportado como commodity e passa a ser transformado em energia dentro do próprio estado.

Infraestrutura e geração de empregos

Localizada próxima à BR-163, principal corredor logístico de Mato Grosso, a usina contará ainda com uma termelétrica com capacidade de até 27 megawatts, destinada ao abastecimento energético da planta.

Durante a fase de construção, o projeto deve gerar cerca de 1.100 empregos. Na operação, a previsão é de aproximadamente 300 postos de trabalho permanentes.

Etanol de milho ganha espaço no Brasil

O avanço do etanol de milho evidencia uma transformação no setor energético brasileiro. Tradicionalmente dominado pela cana-de-açúcar, o mercado passa a incorporar novas matérias-primas e regiões produtoras.

Enquanto o Sudeste segue liderado por grandes grupos como a Raízen, o Centro-Oeste ganha protagonismo com o milho, beneficiado pela forte produção agrícola e pela integração com a pecuária.

Esse modelo fortalece a conexão entre agricultura, energia e produção de proteína animal.

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Novos investimentos ampliam capacidade do setor

O Grupo Potencial anunciou a ampliação de seu plano de investimentos para cerca de R$ 6 bilhões até 2030.

A estratégia inclui expansão da produção de etanol de milho e da capacidade de esmagamento de soja voltada ao biodiesel. A empresa decidiu mais que dobrar sua capacidade inicial, chegando a 2,6 milhões de toneladas de processamento anual de milho.

O movimento considera oportunidades geradas pelo cenário internacional, como a alta do petróleo em função de tensões geopolíticas, incluindo conflitos no Oriente Médio.

Raízen busca reestruturação financeira em meio a crise

Por outro lado, a Raízen enfrenta desafios financeiros e protocolou um pedido de recuperação extrajudicial para renegociar cerca de R$ 65 bilhões em dívidas.

A empresa atribui a situação ao ambiente de juros elevados no Brasil e às dificuldades econômicas na Argentina. A medida busca preservar o caixa para manter pagamentos a fornecedores e funcionários.

Setor de biocombustíveis vive momento de transição

O conjunto de investimentos e movimentos estratégicos reforça que o setor de biocombustíveis no Brasil vive um período de transição e expansão.

Com a diversificação de matérias-primas, avanço tecnológico e maior integração entre cadeias produtivas, o país amplia sua relevância global na produção de energia renovável, com o etanol de milho ganhando protagonismo nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Greening ameaça avançar sobre nova fronteira da citricultura

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A confirmação do primeiro foco de greening no Rio Grande do Sul levou as autoridades fitossanitárias a ampliar o monitoramento em 230 propriedades rurais na região de Palmitinho (437 km da capital, Porto Alegre). A ocorrência levou as autoridades a ampliar o monitoramento para 230 propriedades rurais na região e reforçar as medidas de contenção.

Presente no Brasil há duas décadas, o greening já compromete 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo Mineiro, maior região produtora de laranja do mundo. A doença é apontada como um dos fatores responsáveis pela redução da safra brasileira e pela perda de 49,6 milhões de caixas na temporada 2025/26, segundo o Fundecitrus.

Maior produtor mundial de laranja, o Brasil responde por cerca de 70% do comércio global de suco concentrado. A atividade ocupa aproximadamente 700 mil hectares e tem no cinturão de São Paulo e Minas Gerais sua principal base produtiva. Na safra encerrada em junho, foram colhidas 292,9 milhões de caixas de 40,8 quilos. Para 2026/27, a produção está estimada em 255,2 milhões de caixas, influenciada pela bienalidade dos pomares, pelas condições climáticas e pelo avanço do greening.

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Transmitida pelo psilídeo Diaphorina citri, a doença não tem cura e afeta todas as espécies de citros. Os sintomas incluem deformação dos frutos, queda prematura e redução da produtividade, podendo levar à morte das plantas.

No Rio Grande do Sul, equipes da Secretaria da Agricultura e do Ministério da Agricultura eliminaram cerca de 60 plantas contaminadas e ampliaram a área de vigilância para um raio de 2,4 quilômetros em torno do foco identificado. A principal suspeita é de que a bactéria tenha sido introduzida por meio de mudas contaminadas.

Até então, o Estado era considerado uma das poucas regiões produtoras ainda livres da doença. Entre novembro de 2025 e março deste ano, a Defesa Vegetal gaúcha instalou 374 armadilhas em 77 municípios e realizou mais de 4,3 mil inspeções para monitorar a presença do inseto transmissor.

A estratégia das autoridades é impedir que o greening se estabeleça em pomares comerciais e preservar a expansão da citricultura gaúcha. A recomendação aos produtores é utilizar apenas mudas certificadas e com origem rastreada, consideradas uma das principais barreiras contra a disseminação da doença.

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Fonte: Pensar Agro

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