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Brasil atualiza comunicação de adaptação à Convenção do Clima

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O Brasil atualizou a comunicação de adaptação à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC, na sigla em inglês), atendendo ao compromisso do Acordo de Paris. O documento publicado em 12 de janeiro é o capítulo de Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação do Primeiro Relatório Bienal de Transparência, que apresenta panorama sobre a agenda no País. A decisão da substituição foi tomada pelo Subcomitê Executivo do Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima em 10 de dezembro de 2025.

“Os relatórios de transparência climática estão ganhando mais importância à medida que trazem informações atualizadas sobre aspectos importantes dos impactos e da adaptação à mudança do clima. Essas informações, baseadas em evidências, são fundamentais para orientar decisões e contribuir para a construção de políticas públicas mais abrangentes e eficazes”, afirma a ministra do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos.

O MCTI é responsável por coordenar a elaboração das Comunicações Nacionais e dos Relatórios Bienais de Transparência. O trabalho é desenvolvido há três décadas por meio do projeto de cooperação técnica internacional Ciência&Clima, que conta com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD Brasil) e recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).

A comunicação de adaptação é um informe que deve ser atualizado regularmente pelos países, conforme estabelece o parágrafo 8° do Artigo 13 do Acordo de Paris, que trata da agenda de transparência climática, e operacionalizado por meio da Decisão 9/CMA.1. Trata-se de um instrumento oficial para os países relatarem vulnerabilidades, riscos e ações de adaptação climática.

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As informações contidas nos documentos submetidos pelos países são utilizadas para avaliações globais (Global Stocktake) que são realizadas a cada cinco anos e sinalizam as lacunas, os desafios e os avanços para limitar o aquecimento do planeta e as ações para aumentar a resiliência.

O documento pode ser parte das Comunicações Nacionais ou dos Relatórios Bienais de Transparência, por terem capítulos dedicados ao tema de adaptação. Nesses capítulos há detalhamento sobre mudanças observadas no clima, aspectos de vulnerabilidade do país e informações estratégias para aumentar a resiliência em setores como agricultura, água e saúde, por exemplo, visando a cooperação internacional.

“Sob o Acordo de Paris, a comunicação de adaptação tem a função de ser um relatório de monitoramento. O documento relata o que o país está fazendo nessa agenda, o que contribui para aumentar a visibilidade e fortalecer ações, facilitando o suporte internacional para países em desenvolvimento”, explica o especialista em transparência climática e assessor técnico do projeto Ciência&Clima, Ricardo Araujo.

O capítulo de Impactos, Vulnerabilidade e Adaptação do Primeiro Relatório Bienal de Transparência do Brasil, submetido à Convenção do Clima em 2024, apresenta um panorama atualizado sobre as características nacionais, detalha o perfil da população brasileira e a perspectiva de gênero, compila os números mais relevantes sobre as mudanças observadas no clima nos últimos 60 anos, descreve prioridades, estratégias e o progresso na implementação das ações de adaptação, entre outros dados.

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O capítulo foi citado no relatório global sobre lacuna de adaptação de 2025 do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) como destaque de exceções notáveis por apresentar informações detalhadas sobre gênero, raça e etnias, além de ter alcançado boa avaliação.

Ciência&Clima

Ciência&Clima é o projeto de cooperação técnica internacional executado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) na sua implementação e recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF). Ao longo de três décadas de trabalho, o projeto apoiou o governo brasileiro na elaboração e submissão dos relatórios de transparência climática, tendo sido submetidos quatro Comunicações Nacionais, cinco Relatórios de Atualização Bienal e o Primeiro Relatório Bienais de Transparência do Brasil à Convenção do Clima. O projeto trabalha para fortalecer as capacidades nacionais na implementação da Convenção do Clima e promover a conscientização sobre os impactos da mudança do clima no país. Acesse: https://www.gov.br/mcti/cienciaclima

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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