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Brasil compensa perdas com tarifaço nos EUA redirecionando exportações para outros mercados

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Redirecionamento de exportações minimiza impacto do tarifaço

Após a imposição de tarifas pelo governo americano, o Brasil conseguiu compensar boa parte da perda de receita nas exportações para os Estados Unidos redirecionando embarques para outros países. Entre os 20 produtos mais exportados aos EUA, nove apresentaram queda nas vendas para os americanos, mas aumentaram ou mantiveram embarques mais estáveis para outros mercados em comparação com agosto e setembro de 2024.

No agregado, o Brasil perdeu US$ 375,5 milhões de receita com esses nove produtos nos EUA, mas obteve US$ 1,25 bilhão a mais em exportações para o restante do mundo. A compensação foi impulsionada principalmente pelo café não torrado e carne bovina desossada e congelada, beneficiados também pela alta de preços.

Café e carne bovina lideram recuperação

Segundo dados da Secex, o café brasileiro foi redirecionado principalmente para a Europa (Alemanha e Holanda) e o Japão, enquanto as carnes bovinas tiveram maior destino para China e Filipinas.

O México, próximo aos Estados Unidos, também se destacou como destino estratégico:

  • Carne bovina congelada: alta de 292,6%
  • Café não torrado: crescimento de 90%

“Os exportadores estão buscando expandir mercados alternativos aos EUA. A China está absorvendo parte dessas exportações, especialmente carnes, enquanto o México também se torna um destino estratégico”, afirma José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

Impactos variados do tarifaço

A economista Lia Valls, da UERJ e FGV Ibre, explica que o tarifaço afetou produtos de forma desigual:

  • Em seis produtos, as exportações aos EUA cresceram, mas abaixo da expansão para outros mercados.
  • Em cinco produtos, as vendas para os EUA aumentaram, enquanto em outros países houve crescimento menor ou queda.
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Como resultado, a participação dos EUA nas exportações brasileiras desses 20 produtos caiu de 28% para 21,4%, e a fatia no total das exportações brasileiras recuou de 11,6% para 9%.

Produtos sem compensação total

Alguns itens não tiveram receita totalmente compensada. Entre eles:

  • Semimanufaturados de ferro ou aço: perda de US$ 86,7 milhões nos EUA; aumento de US$ 31,5 milhões para outros mercados
  • Preparações alimentícias, conservas de bovinos e transformadores elétricos: compensação parcial

“A mudança mais profunda com o tarifaço é que os Estados Unidos deixaram de ser um parceiro confiável”, alerta Rafael Cagnin, economista-chefe do Iedi.

Agronegócio é destaque na compensação

Os setores de café e carne bovina foram determinantes para a recuperação de receita:

  • Carne bovina congelada: queda de 58% nos EUA (perda de US$ 90,9 milhões), compensada por alta de 70% no resto do mundo (US$ 1,16 bilhão)
  • Café não torrado: recuo de 11,3% nos EUA (US$ 27,5 milhões), compensado por aumento de 9,1% para outros mercados (US$ 155,3 milhões)
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A China se tornou o principal destino da carne bovina: participação subiu de 58,8% para 67,2%, com alta de 81,8% nos embarques. O México também apresentou crescimento expressivo, embora sobre uma base menor.

“A dependência em relação aos EUA para café e carne é relativamente baixa, permitindo redirecionamento sem grandes perdas. Além disso, preços favoráveis ajudam a compensar impactos”, explica Cagnin.

Estratégia de diversificação é essencial

Apesar da recuperação parcial, a concentração de exportações em poucos mercados, especialmente a China, representa risco para o agronegócio brasileiro. Produtos que tiveram queda tanto nos EUA quanto em outros destinos, como partes para motores a diesel, madeiras compensadas e açúcares, reforçam a necessidade de diversificação para União Europeia e América do Sul.

Alguns produtos, no entanto, aumentaram embarques aos EUA mesmo com tarifa, como:

  • Pneus de borracha para ônibus e caminhões: +417,3%
  • Bulldozers e angledozers: +66,2% e +707%, respectivamente

Valls e Castro apontam que parte do aumento se deve a cadeias de produção e comércio intracompanhia, além de códigos específicos de isenção do tarifaço, que abriram brechas legais para exportação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Senado avança em projeto que pode destravar até R$ 200 bi para produtores endividados

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A articulação para criar uma ampla renegociação das dívidas do agronegócio ganhou força no Senado e pode abrir caminho para a liberação de até R$ 200 bilhões em crédito voltado à repactuação de débitos acumulados por produtores rurais nos últimos anos. A medida foi incorporada ao Projeto de Lei 5.122/2023 e prevê o uso do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI) como base para sustentar operações de alongamento e reorganização financeira no campo.

A proposta surgiu a partir de uma emenda apresentada pela vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), senadora Tereza Cristina, que autoriza o governo federal a ampliar em até R$ 20 bilhões sua participação no fundo. Na prática, o recurso funcionaria como garantia para destravar renegociações junto às instituições financeiras.

A avaliação dentro do setor é de que o modelo pode criar uma espécie de “colchão de segurança” para os bancos ampliarem prazos, reduzirem pressão sobre o caixa dos produtores e evitarem uma escalada ainda maior da inadimplência rural.

O tema ganhou prioridade dentro da bancada do agro diante do avanço das dificuldades financeiras no campo. Nos bastidores, parlamentares e lideranças do setor reconhecem que a combinação entre juros elevados, queda na rentabilidade de importantes commodities, problemas climáticos sucessivos e aumento do custo operacional criou um ambiente de forte pressão sobre o produtor rural.

Segundo dados do Banco Central, a inadimplência do crédito rural para pessoas físicas saiu de 2,7% em janeiro de 2025 para 7,3% em janeiro de 2026. Nas operações com juros livres de mercado, os índices já superam 13%.

Presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto) afirma que o avanço do endividamento deixou de atingir apenas produtores pontualmente descapitalizados e passou a atingir propriedades tecnificadas e economicamente estruturadas.

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“Hoje o problema não está restrito ao produtor que administrou mal a propriedade. O que vemos é um estrangulamento financeiro provocado por juros muito altos, margens comprimidas e sucessivas perdas climáticas. Muitos produtores que sempre foram considerados excelentes pagadores começaram a enfrentar dificuldade de fluxo de caixa”, afirma.

Segundo ele, a criação de um mecanismo estruturado de renegociação se tornou fundamental para evitar impacto mais amplo sobre toda a cadeia produtiva do agro brasileiro.

“O produtor rural sustenta uma atividade de ciclo longo, altamente dependente de clima, mercado internacional, câmbio e crédito. Quando há uma quebra nessa engrenagem, o efeito não fica apenas dentro da fazenda. Isso atinge cooperativas, revendas, transportadoras, cerealistas, agroindústrias e municípios inteiros cuja economia depende diretamente da produção agropecuária”, diz Isan Rezende.

O projeto em discussão no Senado prevê que o FGI seja utilizado como garantia para operações futuras de renegociação, permitindo maior segurança aos agentes financeiros. Integrantes da FPA avaliam que os R$ 20 bilhões previstos para o fundo poderiam destravar inicialmente cerca de R$ 70 bilhões em crédito, com potencial de alcançar até R$ 200 bilhões dependendo da adesão das instituições financeiras e da modelagem operacional.

Além do fundo garantidor, o texto também prevê a criação de uma linha emergencial de até R$ 30 bilhões com recursos do Fundo Social, destinada especificamente à prorrogação de dívidas rurais.

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O projeto tramita na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado sob relatoria do senador Renan Calheiros (MDB-AL), com expectativa de votação ainda nesta semana. A bancada ruralista tenta acelerar a tramitação para que as novas regras entrem em vigor antes do lançamento do próximo Plano Safra.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares do agro tratam o tema como prioridade absoluta diante do aumento das recuperações judiciais no campo e do crescimento da pressão financeira sobre produtores de diferentes portes e regiões do país.

Para Isan Rezende, o debate vai além de uma renegociação pontual e pode marcar uma mudança estrutural no modelo de financiamento agropecuário brasileiro.

“O Brasil construiu uma potência agrícola baseada em produtividade, tecnologia e expansão de mercado, mas ainda carrega um sistema de crédito extremamente vulnerável aos ciclos econômicos e climáticos. O que está sendo discutido agora pode representar um novo marco para o financiamento rural, criando condições mais modernas e sustentáveis para o produtor continuar investindo, produzindo e gerando riqueza”, afirma.

A preocupação do setor aumentou nos últimos meses diante da elevação da taxa Selic, da queda dos preços internacionais de algumas commodities agrícolas e da dificuldade de muitos produtores em renovar crédito de custeio e investimento para a próxima safra.

Integrantes da FPA também defendem que a aprovação rápida do projeto pode evitar retração mais forte nos investimentos do agro em 2026, principalmente em tecnologia, expansão de área, máquinas e infraestrutura dentro das propriedades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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