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Brasil destaca protagonismo de mulheres indígenas, manejo sustentável de pastagens e saberes tradicionais na CRIC 23

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O Brasil reafirmou seu compromisso com a proteção da terra, a valorização dos saberes tradicionais e a equidade de gênero durante sua participação na 23ª Reunião do Comitê de Revisão da Implementação da Convenção de Combate à Desertificação, a CRIC 23, realizada no Panamá, de 1 a 5 de dezembro.

A atuação brasileira foi liderada pela secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável (SNPCT)  do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Edel Moraes, que acompanhou as negociações, participou de eventos dedicados a povos e comunidades tradicionais, foi painelista no Segmento Especial do Caucus de Gênero e realizou intervenções nas reuniões com povos indígenas sobre a composição do caucus indígena da UNCCD.

A secretária também manteve reuniões bilaterais estratégicas com a secretária executiva da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), Yasmin Fouad, e com a secretária executiva adjunta da Convenção,  Andrea Meza.

Em suas intervenções, Edel ressaltou que enfrentar a degradação da terra exige centralidade das mulheres indígenas e tradicionais e a valorização de seus saberes ancestrais. Durante o Caucus de Gênero, ela afirmou que não será possível alcançar a neutralidade da degradação da terra, fortalecer a resiliência climática ou mitigar os efeitos da seca sem enfrentar de maneira direta as desigualdades de gênero. 

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Em sua mensagem, destacou que mulheres indígenas e tradicionais são guardiãs de conhecimentos essenciais para a proteção dos ecossistemas e completou que “quando as mulheres curam a terra, a terra cura o mundo”, reforçando que a prosperidade dessas mulheres está diretamente ligada à prosperidade de suas comunidades e territórios.

Paralelamente, o Brasil também contribuiu com uma agenda técnica voltada para o manejo sustentável de pastagens. No dia 2 de dezembro, o diretor do Departamento de Combate à Desertificação da SNPCT/MMA, Alexandre Henrique Bezerra Pires, participou de um evento internacional dedicado aos ecossistemas de pastagens, savanas e povos pastores, que reuniu experiências de países como Botsuana e Paraguai. 

Alexandre Pires destacou o sistema tradicional das comunidades de fundo e fecho de pasto como referência internacional. O diretor explicou que esse modelo integra geração de renda, segurança alimentar, manejo comunitário de animais e conservação ambiental, observando que “essas experiências demonstram que cuidar do território passa, necessariamente, por reconhecer a sabedoria das comunidades que convivem historicamente com a variabilidade climática”.

O encontro também marcou o pré-lançamento da Plataforma Regional de Gestão do Conhecimento sobre Pastagens e Savanas da América do Sul, que será apresentada oficialmente no dia 9 de dezembro e reunirá dados, pesquisas e práticas estratégicas de manejo adaptado ao clima. A iniciativa está alinhada ao tema da COP 17, que será dedicada ao Ano Internacional dos Pastores e Pastagens.

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O diretor Alexandre também participou de um evento paralelo promovido pelo Brasil dedicado à agenda de Neutralidade da Degradação da Terra. Ele apresentou os avanços do país na restauração de áreas degradadas, nas ações de adaptação climática no Semiárido e na integração entre solo, clima e biodiversidade. O diretor enfatizou que “alinhar políticas públicas, ciência e conhecimento tradicional é essencial para fortalecer a resiliência dos territórios e acelerar o cumprimento das metas da Convenção”.

A delegação brasileira reforçou que o país seguirá ampliando ações de combate à desertificação, fortalecendo territórios tradicionais e consolidando políticas públicas que integrem conservação da biodiversidade, adaptação climática e justiça socioambiental como pilares da política ambiental nacional.

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Exportação de milho do Brasil deve cair em 2025/26 com pressão dos EUA, Argentina e dólar mais fraco

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O mercado brasileiro de milho enfrenta um cenário mais desafiador para as exportações na temporada 2025/26. A forte concorrência dos Estados Unidos e da Argentina no mercado global, somada ao fortalecimento do real frente ao dólar, levou o Itaú BBA a reduzir sua estimativa para os embarques brasileiros do cereal.

Segundo relatório divulgado nesta segunda-feira, o banco revisou a projeção de exportação de milho do Brasil de 44 milhões para 40 milhões de toneladas na safra 2025/26.

Caso a previsão se confirme, o volume ficará abaixo do registrado na temporada passada, quando o Brasil exportou 41,6 milhões de toneladas e manteve a posição de segundo maior exportador mundial de milho, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente da Argentina.

Concorrência internacional reduz competitividade do milho brasileiro

De acordo com a análise do Itaú BBA, o milho brasileiro enfrenta atualmente uma disputa mais intensa no mercado internacional, principalmente diante da elevada oferta dos Estados Unidos e da Argentina.

Além disso, a valorização do real frente ao dólar reduz a competitividade do cereal brasileiro nas exportações, tornando o produto nacional relativamente mais caro para compradores internacionais.

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O cenário cambial, combinado com a maior disponibilidade global do grão, vem limitando o avanço dos embarques brasileiros e pressionando a participação do país no comércio internacional de milho.

Segunda safra preocupa mercado

Outro fator de atenção está relacionado à produção brasileira, especialmente à segunda safra, responsável pela maior parte da colheita nacional de milho.

Segundo o Itaú BBA, a oferta brasileira deverá ser menor do que o esperado inicialmente, após ajustes negativos nas estimativas da safrinha.

A segunda safra de milho está agora projetada em 110 milhões de toneladas, enquanto a produção total brasileira foi estimada em 138 milhões de toneladas, volume que representa queda anual de 2%.

O banco destaca que, apesar de o mercado interno ainda apresentar oferta relativamente confortável e estoques considerados adequados, novas revisões negativas podem alterar significativamente o equilíbrio do setor.

Mercado doméstico pode reter mais milho

O relatório também alerta que eventuais perdas adicionais na segunda safra podem incentivar retenção do cereal no mercado doméstico, reduzindo ainda mais o potencial exportador do Brasil.

Segundo o banco, caso a quebra da safrinha se intensifique, o mercado tende a manter estímulos de preços para segurar o milho internamente, priorizando o abastecimento nacional.

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Esse movimento pode impactar diretamente os embarques brasileiros, especialmente em um momento de forte competição internacional e custos logísticos ainda elevados.

Brasil segue como protagonista global no milho

Mesmo com a redução nas projeções de exportação, o Brasil continua entre os principais players globais do mercado de milho.

O país mantém forte participação no comércio internacional graças ao avanço tecnológico no campo, à expansão da segunda safra e à elevada capacidade produtiva do Centro-Oeste.

No entanto, o cenário para 2025/26 mostra um ambiente mais competitivo e sensível às condições climáticas, ao câmbio e às oscilações da demanda global.

Analistas do setor seguem monitorando principalmente:

  • o desenvolvimento final da segunda safra;
  • o comportamento do dólar;
  • a competitividade frente aos Estados Unidos e Argentina;
  • o ritmo da demanda chinesa;
  • e os estoques globais do cereal.

A expectativa é de manutenção da volatilidade nos preços e ajustes constantes nas projeções ao longo dos próximos meses, conforme o avanço da colheita e das negociações internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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