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Centro Internacional de Computação Quântica no Brasil será um polo de inovação e capacitação

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Uma parceria entre o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o governo da Paraíba e o Suzhou Quantum Center, centro de pesquisa chinês, vai construir em João Pessoa (PB) o Centro Internacional de Computação Quântica (CIQuanta). O espaço vai abrigar dois computadores quânticos com alta capacidade de processamento, os primeiros operacionais da América Latina. 

A ideia é que o CIQuanta tenha foco em capacitação, pesquisa aplicada, inovação, empreendedorismo e cooperação internacional. O centro terá governança colaborativa entre os institutos de pesquisa da região e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). As pesquisas e as inovações vão ser focadas nas áreas de novos algoritmos, simulação de materiais, otimização, aprendizado de máquina quântico e melhoria de hardware.

“As soluções esperadas são novos fármacos, agricultura de precisão, otimização financeira, materiais avançados. Nosso foco é criar uma cultura que gere inovação em tecnologia quânticas, e para isso serão capacitadas pessoas para desenvolver algoritmos, aplicações de mercado e, junto aos parceiros, melhorar o hardware”, detalha o físico Amílcar Queiroz, professor da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa da Paraíba (Fapesq).

Os computadores quânticos diferem da tecnologia clássica porque são capazes de fazer cálculos complexos com mais velocidade. Isso porque, enquanto os chips comuns processam a informação de forma binária (0 ou 1), os chips quânticos usam qubits, capazes de representar múltiplos estados ao mesmo tempo, o que supera a limitação da tecnologia atual.

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A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, visitou as obras do espaço na sexta-feira (27). O investimento é da ordem de R$ 150 milhões. A construção do centro faz parte de um acordo de cooperação foi assinado em novembro de 2025 pela ministra e pelo governador da Paraíba, João Azevedo.

Zero absoluto

O CIQuanta abrigará dois computadores quânticos, de 20 e 100 qubits, instalados em um espaço com controle de temperatura e estabilidade ambiental. O pesquisador da UFCG ressalta que esses computadores precisam de uma estrutura altamente refrigerada para manterem suas propriedades.

“O chip do computador quântico precisa estar refrigerado abaixo de 10 milikelvin (mK), o que está um pouquinho acima do zero absoluto (zero Kelvin ou 273 Celsius negativos). Esse chip precisa estar em uma temperatura muito baixa para manter essas propriedades quânticas”, aponta.

O cronograma do projeto prevê que, em junho e julho, haverá o treinamento de uma equipe brasileira de pesquisadores no Suzhou Quantum Center, na China. Em agosto está prevista a chegada dos dois computadores quânticos. Até outubro eles serão montados pela equipe brasileira. 

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O centro será instalado na Estação Ciência Cabo Branco, antiga Estação das Artes Luciano Agra. O espaço tem mais de 5,1 mil metros quadrados de área construída.

Capacitação

De acordo com Amílcar Queiroz, a capacitação é o pilar central do projeto. “O centro oferecerá cursos, escolas de verão e inverno, além de promover diversos eventos nacionais e internacionais, uso da plataforma em nuvem e integração curricular com universidades. Internacionalmente, haverá intercâmbio com o Suzhou Quantum Center e programas de visitação”, afirma.

Segundo os diretores de Programas de Inovação, Osório Coelho, e de Incentivo às Tecnologias Digitais, Hamilton José Mendes da Silva, ambos da Secretaria de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital (Setec) do MCTI, a parceria contribui para o fortalecimento da soberania tecnológica do Brasil e para a descentralização da infraestrutura científica. 

O centro faz parte da Iniciativa Brasileira para Tecnologias Quânticas (IBQuântica) do MCTI. Os diretores ressaltam que o acesso a computadores quânticos possibilita a cientistas brasileiros o desenvolvimento de conhecimento próprio, reduzindo a dependência de tecnologias externas e ampliando a autonomia do País.

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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