Agro News

Chuvas intensas reduzem produtividade da canola, mas cultura segue avançando no Rio Grande do Sul

Publicado

A colheita da canola no Rio Grande do Sul foi oficialmente finalizada, segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, divulgado na última quinta-feira (27). As poucas áreas ainda em maturação não têm peso suficiente para alterar o resultado final da safra.

Apesar do encerramento da colheita, a produtividade média estadual ficou abaixo das estimativas iniciais. A Emater apontou que as perdas foram provocadas por condições climáticas adversas durante as fases de implantação e estabelecimento da cultura, resultando em falhas de estande e erosão em áreas pontuais.

Mesmo com a redução, o rendimento geral da canola manteve-se dentro dos padrões esperados para o nível tecnológico adotado pelos produtores, variando de acordo com as condições de manejo, o ambiente e a intensidade das chuvas no início do ciclo.

Canola consolida espaço como cultura de rotação de inverno

O levantamento da Emater reforça a importância crescente da canola como alternativa viável para a rotação de culturas no período de inverno, contribuindo para a diversificação e sustentabilidade da produção agrícola no Estado.

Leia mais:  Irrigação Surge como Ferramenta Estratégica para Mitigar Desafios da Citricultura Brasileira em 2025

A área plantada nesta safra foi estimada em 176.076 hectares, com uma produtividade média de 1.645 kg por hectare, números que demonstram o avanço do cultivo, mesmo diante dos desafios climáticos enfrentados.

Região da Campanha registra maiores perdas, mas resultado econômico é positivo

Na região administrativa de Bagé, que abrange a Campanha e a Fronteira Oeste, restam apenas pequenas áreas a serem colhidas. Em Manoel Viana, onde se concentrou a maior área regional — cerca de 7.300 hectares —, a produtividade média foi de 1.400 kg/ha, representando queda de 32% em relação à previsão inicial.

Segundo a Emater, chuvas intensas durante a semeadura e o estabelecimento foram as principais causas das falhas de estande e da erosão. Apesar das perdas, os produtores consideram o resultado econômico satisfatório, sustentado pelo baixo custo de produção, estimado entre 600 e 900 kg/ha.

Desempenho regional varia conforme as condições climáticas

Na região de Santa Maria, os trabalhos também chegaram ao fim, com produtividades médias de 1.440 kg/ha em Tupanciretã e 1.320 kg/ha em Santiago. As reduções foram atribuídas às chuvas excessivas no início do ciclo, que impactaram o desenvolvimento das plantas.

Leia mais:  Aviação agrícola cresce 5,2% e mantém Brasil como segundo no mundo

Em Santa Rosa, a colheita foi concluída com produtividade média de 1.564 kg/ha, resultado 3,7% inferior ao estimado. A Emater destacou a grande variabilidade entre as lavouras, com registros que oscilaram entre 1.300 e 1.800 kg/ha, refletindo o impacto desigual das condições climáticas nas diferentes áreas de cultivo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Em ano de El Niño, Mapa recebe da Embrapa 163 medidas para gestão de riscos climáticos no campo

Publicado

O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) recebeu um conjunto de 163 medidas sistematizadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para apoiar a gestão de riscos climáticos na agropecuária. As recomendações consideram os possíveis impactos associados ao fenômeno El Niño na safra 2026/2027 e também propõem ações permanentes de prevenção, adaptação e redução de riscos no campo.  

A nota técnica foi elaborada no âmbito do Grupo de Trabalho sobre El Niño, instituído pelo Mapa, com a participação de especialistas da Embrapa e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Cerca de 50 profissionais da Embrapa contribuíram para a elaboração das recomendações. 

“Embora motivado pelo El Niño 2026/27, o documento adota uma perspectiva mais ampla de gestão de riscos agroclimáticos, reconhecendo que grande parte das ameaças, vulnerabilidades e medidas analisadas é aplicável também a outros eventos e condições climáticas recorrentes”, afirma a presidente da Embrapa Silvia Massruhá 

Das 163 medidas propostas, 14 são transversais a todo o setor agropecuário, 139 são específicas por segmento produtivo e dez correspondem a ações viabilizadoras ou de apoio a programas de política pública. 

Para o coordenador do Grupo de Trabalho, Bruno Leite, a nota técnica contribui para dimensionar os impactos associados ao El Niño e reúne referências técnicas que podem orientar ações de prevenção e redução de danos. 

Nós já temos um cardápio bastante grande de tecnologias que ajudam a enfrentar o El Niño e eventos climáticos adversos. O desafio agora é fazer com que esse conhecimento chegue ao produtor rural”, disse. 

GRUPO DE TRABALHO APRESENTA RELATÓRIO  

Na próxima quinta-feira (3), o Grupo de Trabalho instituído pela Portaria MAPA nº 928/2026, apresenta relatório com propostas e estratégias de adaptação e mitigação diante do fenômeno El Niño. A nota técnica elaborada pela Embrapa integra uma das frentes de trabalho do grupo.  

Durante o período de atuação, o GT reuniu informações e contribuições de diferentes instituições, entre elas a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Embrapa, o Inmet e secretarias do Mapa. 

Leia mais:  Sorgo ganha espaço no Rio Grande do Sul e pode gerar mais de R$ 2 mil por hectare ao produtor

Entre as propostas que serão apresentadas pelo grupo está a implantação de um plano de comunicação coordenado entre as instituições. Paralelamente, o Mapa trabalha na elaboração de uma página especial, vídeos informativos e outros materiais voltados à divulgação de informações sobre riscos climáticos e medidas de prevenção e adaptação.  

MEDIDAS PARA DIFERENTES CADEIAS PRODUTIVAS 

As recomendações da Embrapa estão estruturadas a partir da identificação dos principais riscos e impactos sobre culturas e cadeias produtivas e consideram diferentes formas de tratamento dos riscos, incluindo prevenção, redução de impactos, transferência de riscos e aceitação do risco remanescente. 

As 163 medidas indicam, ainda, o horizonte de implementação – imediato, curto, médio ou longo prazo – e as condições necessárias para sua adoção. 

Entre as medidas transversais estão o monitoramento de previsões meteorológicas e o uso de dados meteorológicos locais; a utilização do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc); a diversificação espacial e temporal da produção; a adoção de sistemas de integração lavoura-pecuária (ILP) e integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF); a elaboração de planos de contingência para eventos climáticos adversos; a manutenção da infraestrutura da propriedade rural; a avaliação econômica do nível de proteção para cada risco; dimensionamento da capacidade operacional; registro de eventos e impactos climáticos para melhor avaliação sobre as medidas adotadas; avaliação econômica do nível de proteção para cada risco; criação de reservas financeiras; utilização de seguro rural e outros mecanismos de transferência de risco; e capacitação de equipes. 

As recomendações específicas para as cadeias produtivas abrangem temas como manejo do solo, escolha de cultivares, planejamento das operações, estruturas de proteção, drenagem e irrigação. 

O documento também apresenta medidas de caráter institucional, financeiro, científico, tecnológico e de assistência técnica, cuja implementação depende da atuação de instituições públicas e de políticas voltadas à gestão de riscos climáticos. Entre elas estão o fortalecimento e aperfeiçoamento do Zarc, a ampliação de mecanismos de financiamento para adaptação climática, o aperfeiçoamento de instrumentos de transferência de riscos, como o seguro rural, o fortalecimento da assistência técnica e da pesquisa, além do aprimoramento dos sistemas de monitoramento agrometeorológico e da gestão integrada de recursos hídricos. 

Leia mais:  Câmbio favorece exportação e melhora competitividade do arroz brasileiro no mercado internacional

GESTÃO PERMANENTE DE RISCOS 

O coordenador da Rede Zarc e pesquisador da Embrapa Agricultura Digital, Eduardo Monteiro, destaca que a nota técnica aponta para um desafio que vai além dos efeitos específicos do El Niño: a consolidação de uma política permanente de gestão de riscos agroclimáticos. 

“O principal legado desse grupo de trabalho pode ser a transição de uma lógica predominantemente reativa de gestão de crises para uma cultura permanente de antecipação, preparação, adaptação, monitoramento e aprendizagem”, analisa Monteiro. 

Na prática, a abordagem considera a necessidade de ampliar a capacidade de antecipar, monitorar e responder a diferentes eventos climáticos, como secas, excesso de precipitação, ondas de calor, geadas, tempestades e incêndios. 

IMPACTOS DO EL NIÑO  

A nota técnica apresenta o histórico dos efeitos associados ao El Niño no Brasil e as projeções para 2026. As informações, no entanto, não determinam antecipadamente os impactos sobre cada região, cultura ou sistema produtivo.  

Entre os cenários considerados está a maior probabilidade de precipitação abaixo da média em áreas do Centro-Norte do país e acima da média na Região Sul. O documento considera riscos como atraso ou irregularidade no início da estação chuvosa, chuvas abaixo da média e déficit hídrico prolongado, temperaturas elevadas, chuvas acima da média e tempestades convectivas severas. 

Os impactos e as medidas de gestão são detalhados para diferentes cadeias, incluindo grãos e fibras, fruticultura, silvicultura, olericultura, pastagens e pecuária, culturas industriais e aquicultura. 

Informações à imprensa
[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana