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Etanol despenca no Centro-Sul com avanço da safra e excesso de oferta no mercado

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O mercado de etanol registrou forte queda nas últimas semanas no Centro-Sul do Brasil, refletindo o avanço acelerado da safra 2026/27, o aumento da oferta e a postura mais cautelosa das distribuidoras. Segundo levantamento da Consultoria Agro do Itaú BBA, o etanol hidratado encerrou o dia 8 de maio cotado a R$ 2,36 por litro, acumulando recuo de 22% em apenas 30 dias.

O valor representa o menor patamar para o biocombustível desde junho de 2024, reforçando a pressão sobre o setor sucroenergético em um momento de maior disponibilidade de produto no mercado.

Avanço da safra amplia oferta de etanol

A retração dos preços ocorre em meio à evolução da moagem de cana no Centro-Sul, favorecida pelas condições climáticas mais secas, que aceleraram os trabalhos no campo e aumentaram a produção de etanol nas usinas.

Além da cana-de-açúcar, o crescimento contínuo da produção de etanol de milho também contribui para o cenário de maior abastecimento. O avanço estrutural dessa indústria amplia a oferta do biocombustível principalmente no início da safra, elevando a concorrência entre produtores.

Com mais produto disponível, o mercado passou a operar sob forte pressão de baixa nas cotações.

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Distribuidoras reduzem compras e pressionam preços

Do lado da demanda, o comportamento das distribuidoras intensificou a queda do etanol. Com estoques considerados elevados, os compradores reduziram o ritmo de aquisições e passaram a atuar de forma mais cautelosa, aguardando preços ainda menores.

Esse movimento ampliou a pressão sobre as usinas, que precisaram ajustar valores para manter a competitividade e garantir o escoamento da produção.

Mesmo diante da desvalorização, o volume comercializado cresceu. Dados do Cepea mencionados no relatório apontam que as usinas venderam cerca de 25% mais etanol em abril na comparação com o mesmo período do ano passado.

O aumento nas vendas, entretanto, não foi suficiente para impedir a forte queda dos preços.

Etanol de milho ganha peso no mercado brasileiro

Outro fator relevante para o cenário atual é o avanço do etanol de milho no Brasil. Nos últimos anos, o biocombustível ganhou participação significativa no abastecimento nacional, especialmente nas regiões Centro-Oeste e Sudeste.

A ampliação da capacidade industrial elevou a oferta estrutural do mercado, contribuindo para maior competição e pressionando as margens do setor sucroenergético tradicional.

Analistas avaliam que esse movimento deve continuar nos próximos ciclos, tornando o mercado de etanol cada vez mais dependente do equilíbrio entre produção, consumo e exportações.

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Indefinição regulatória aumenta cautela

O ambiente regulatório também adiciona incerteza ao mercado. O adiamento da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), que avaliaria o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, gerou frustração entre agentes do setor.

Sem uma definição sobre a ampliação da mistura, o mercado segue concentrado nos fundamentos de curto prazo, especialmente no ritmo da safra e no comportamento das distribuidoras.

A expectativa do setor é de que uma eventual elevação da mistura poderia ampliar a demanda doméstica por etanol e ajudar a equilibrar o mercado nos próximos meses.

Mercado segue atento ao comportamento da safra

Com a moagem avançando rapidamente no Centro-Sul, o setor acompanha de perto os próximos movimentos da demanda e as condições climáticas, que serão determinantes para o comportamento dos preços.

A tendência de curto prazo ainda aponta para um mercado abastecido, com elevada disponibilidade de etanol e maior competitividade entre produtores, mantendo pressão sobre as cotações do biocombustível.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Gergelim: o novo trunfo do produtor mato-grossense para garantir o lucro

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Mato Grosso, tradicionalmente reconhecido pela hegemonia na produção de soja e milho, diversificou sua matriz produtiva e consolidou o gergelim como uma cultura estratégica para o desenvolvimento econômico estadual. Com uma participação de 73% na produção nacional, o estado deixou de ser um produtor de nicho para se tornar o principal fornecedor do mercado brasileiro, com reflexos diretos na balança comercial.

Dados comparativos entre as safras 2018/19 e a projeção para 2025/26 revelam a velocidade da expansão: a produção estadual cresceu 465%, enquanto a área cultivada avançou 588%. Esse movimento é resultado da adaptação da oleaginosa à janela da safrinha, período em que o gergelim demonstra maior resiliência a condições climáticas adversas em comparação a outras culturas, garantindo estabilidade produtiva.

A escala alcançada por Mato Grosso permitiu a conquista de mercados externos exigentes. Entre 2020 e 2025, o volume de exportações de gergelim teve alta de 600%. A demanda é sustentada principalmente pela China e pela Índia, países que utilizam o grão tanto para o consumo in natura quanto para a extração de óleo e processamento industrial.

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Para o produtor rural, a adoção do gergelim atua como um mecanismo de proteção de receita. A cultura oferece uma alternativa de fluxo de caixa que reduz a dependência exclusiva das oscilações de preços internacionais da soja e do milho, permitindo a manutenção da rentabilidade mesmo em ciclos de retração das commodities principais.

O próximo estágio do setor, segundo analistas, é a elevação do valor agregado. Embora o estado domine o volume exportado, o desafio atual é a industrialização. A transformação do grão em derivados, como óleo e farelos, dentro de Mato Grosso, é vista como o passo necessário para maximizar a captura de margens na cadeia produtiva e encerrar a dependência da exportação da matéria-prima bruta.

Fonte: Pensar Agro

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