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Exportações de frango batem recorde no 1º trimestre, enquanto embarques de ovos recuam com menor demanda externa

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O setor brasileiro de proteínas animais apresentou resultados distintos no mercado externo no início de 2026. Enquanto as exportações de carne de frango atingiram volumes recordes no primeiro trimestre, os embarques de ovos registraram forte retração, refletindo a menor demanda internacional.

Exportações de frango alcançam recorde histórico no 1º trimestre

Mesmo diante de um cenário geopolítico desafiador, o Brasil exportou 1,45 milhão de toneladas de carne de frango entre janeiro e março de 2026. O volume representa um recorde para o período e supera em 0,7% o até então maior patamar, de 1,44 milhão de toneladas, registrado no primeiro trimestre de 2025.

Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e foram analisados pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), com base na série histórica iniciada em 1997.

O resultado surpreendeu agentes do setor consultados pelo Cepea, já que o início do ano costuma apresentar menor demanda internacional, com maior intensidade de embarques concentrada no segundo semestre.

Tensões geopolíticas e impacto nos preços internos

Apesar do desempenho expressivo nas exportações, o mercado interno de carne de frango registrou queda nos preços ao longo de março. Segundo pesquisadores do Cepea, o setor também operou sob cautela diante de possíveis reflexos do conflito no Oriente Médio.

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No entanto, em abril, já é possível observar uma recuperação nas cotações. O movimento de alta é atribuído principalmente ao aumento dos custos com frete, impulsionado pela elevação dos preços dos combustíveis, além do aquecimento típico da demanda no início do mês.

Com isso, os preços atuais voltam a se aproximar dos níveis registrados em fevereiro, indicando uma retomada no mercado doméstico.

Exportações de ovos recuam com menor demanda internacional

Em sentido oposto, as exportações brasileiras de ovos apresentaram queda significativa em março, pressionadas pela redução da demanda por parte dos principais parceiros comerciais.

De acordo com dados da Secex, compilados e analisados pelo Cepea, o Brasil exportou 1,87 mil toneladas de ovos in natura e processados no mês, o menor volume desde dezembro de 2024.

O total embarcado representa uma queda de 36% em relação a fevereiro e corresponde à metade do volume exportado em março de 2025, quando foram registradas 3,77 mil toneladas.

Faturamento também recua, mas em menor intensidade

A receita obtida com as exportações de ovos somou US$ 4,53 milhões em março. Embora também tenha apresentado retração, a queda foi menos intensa que a observada no volume embarcado.

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O faturamento recuou 27% frente a fevereiro e 48% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Cenário reflete dinâmicas distintas no mercado de proteínas

Os dados reforçam a diferença de comportamento entre os segmentos de proteínas animais no Brasil. Enquanto a carne de frango mantém forte desempenho no mercado internacional, mesmo em um contexto adverso, o setor de ovos enfrenta desafios relacionados à demanda externa.

A tendência para os próximos meses dependerá da evolução do cenário internacional, dos custos logísticos e do comportamento da demanda tanto no mercado externo quanto interno.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de arroz segue travado em abril, com preços firmes e baixa liquidez no Brasil

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A primeira quinzena de abril consolidou um cenário de baixa liquidez no mercado de arroz, marcado pelo desalinhamento entre a oferta potencial e a disponibilidade efetiva do produto. Segundo o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a formação de preços segue descolada do fluxo de negociações.

De acordo com ele, o comportamento do produtor tem sido determinante nesse contexto. A retenção estratégica dos estoques, motivada por margens abaixo do custo de produção, limita a oferta no mercado e reduz o volume de negócios.

Intervalo de preços indica estabilidade artificial no mercado

Durante o período, as cotações oscilaram dentro de uma faixa entre R$ 61 e R$ 68 por saca de 50 quilos, configurando um piso no curto prazo. No entanto, essa estabilidade não reflete um mercado ativo.

Segundo o analista, trata-se de uma estabilidade artificial, com preços ofertados, mas sem efetivação de negociações, em um ambiente de baixa profundidade no mercado spot.

Indústria compra apenas para reposição imediata

Do lado da demanda, a indústria manteve uma postura cautelosa, realizando aquisições pontuais e voltadas exclusivamente à reposição de curto prazo. Esse comportamento reforça o cenário de poucos negócios e contribui para a manutenção do mercado travado.

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Exportações perdem competitividade com queda do dólar

No mercado externo, a competitividade do arroz brasileiro apresentou deterioração significativa ao longo da quinzena. O principal fator foi a valorização do real frente ao dólar, com a moeda norte-americana operando abaixo de R$ 5,00.

Esse movimento reduziu as margens de exportação (FOB), tornando inviável a participação do Brasil em mercados internacionais. Como consequência, o país atingiu paridade com os Estados Unidos, eliminando o diferencial competitivo necessário para exportações nas Américas.

Queda na demanda externa reduz ritmo de embarques

Após um início de ano com volumes expressivos, superiores a 600 mil toneladas no trimestre, o mercado registrou desaceleração nas exportações. A redução da atratividade do produto brasileiro resultou em retração da demanda internacional.

Com isso, as exportações deixaram de cumprir o papel de escoamento da produção, ampliando a pressão sobre o mercado interno.

Entrada da nova safra amplia oferta e pressiona dinâmica do mercado

O período também foi marcado pela transição entre o fim da entressafra e a chegada da nova safra, com avanço da colheita e consolidação de uma produção volumosa, com boa produtividade.

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Esse aumento na oferta potencial, somado à retração das exportações e à baixa liquidez interna, reforça o cenário de desequilíbrio entre produção e comercialização.

Cotação do arroz registra leve alta na semana, mas segue abaixo de 2025

No Rio Grande do Sul, principal estado produtor, a média da saca de 50 quilos (58% a 62% de grãos inteiros, pagamento à vista) foi cotada a R$ 63,14 na quinta-feira (16), registrando alta de 0,77% em relação à semana anterior.

Na comparação mensal, o avanço foi de 7,12%. No entanto, em relação ao mesmo período de 2025, o preço ainda acumula queda de 18,14%, evidenciando o cenário desafiador para o setor orizícola.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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