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Festival Curicaca marca novo ciclo da indústria brasileira com foco em inovação e sustentabilidade

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Foi oficialmente aberto nesta terça-feira (7) o Festival Internacional sobre Tecnologia e Sustentabilidade na Indústria — Curicaca. A solenidade de abertura ocorreu no Estádio Nacional Mané Garrincha (Arena BRB), e o evento se estende até sábado (11), com o tema Um Novo Tempo, Uma Nova Indústria. 

Promovido pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o festival é apoiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e diversos outros parceiros. A programação completa está disponível no site do Festival Curicaca.

Presente no local, a ministra do MCTI, Luciana Santos, também participou da 5ª Semana Nacional da Educação Profissional e Tecnológica (5ª SNEPT), promovida pelo Ministério da Educação (MEC) e realizada junto ao festival. A autoridade destacou que, após mais de uma década, foi a indústria de transformação que puxou o crescimento do País em 2024.

“Estamos no rumo certo: o da transição energética, da transformação digital. Esse é o rumo para a gente poder enfrentar o aquecimento global, às vésperas da COP30, e ter a certeza que, quando a gente aposta na inteligência, na criatividade do povo brasileiro, a gente vai longe”, afirmou. Para ela, essa é a missão do MCTI: transformar conhecimento, pesquisa e ciência em impacto real, em soluções para nosso povo e nossa gente. “Ela precisa estar do lado do povo brasileiro. Precisamos virar a página do negacionismo no nosso País”. 

A ministra destacou projetos importantes e feitos do MCTI dentro da Nova Indústria Brasil (NIB). Entre os citados, estão os 2.795 projetos estratégicos contratados de 2023 a maio de 2025, representando um investimento de R$ 38,6 bilhões. Ela falou ainda do Sirius, um acelerador de partículas e, acoplado a ele, o Órion, um laboratório de máxima contenção biológica, o Reator Multipropósito Brasileiro, que busca autonomia brasileira na fabricação de radiofármacos e o CBERS 6, Satélite de Observação Terrestre, que revolucionará o monitoramento meteorológico. 

Inovação na Nova Indústria

O vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin, destacou que a indústria brasileira precisa investir em inovação para agregar maior valor aos produtos nacionais e impulsionar o crescimento econômico. “Temos que ter uma indústria mais inovadora, com universidades, institutos de pesquisa, setor produtivo, todo mundo junto para a gente poder avançar.”

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Alckmin apresentou a estratégia de desenvolvimento para a indústria do País, baseada em quatro pilares principais: tornar-se mais exportadora; aumentar a competitividade, com foco na reforma tributária; promover a sustentabilidade por meio da inovação tecnológica verde; e intensificar a inovação para elevar o valor agregado do comércio brasileiro.

Já o ministro da Educação, Camilo Santana, anunciou a criação de 5 mil novas vagas para o próximo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Elas serão distribuídas em cursos de universidades e institutos federais voltados para as áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Stem).

Santana também anunciou a publicação do edital do Programa Acelera NIT Brasil, que tem como objetivo fortalecer os Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs) das universidades federais por meio da promoção da inovação, do empreendedorismo e da sustentabilidade. 

“Nós discutimos com reitores das universidades a respeito da necessidade de ofertar cursos mais conectados com o mundo atual do trabalho, na área da ciência, tecnologia, engenharia, matemática, que traga robótica, inteligência artificial e novas matrizes energéticas que hoje nós estamos discutindo no mundo inteiro”, disse. 

Festival Curicaca

O Festival Curicaca presta homenagem a uma ave típica do Cerrado, famosa pelo seu canto rouco que simboliza transformação. O conceito guia toda a proposta do evento. A iniciativa busca impulsionar o desenvolvimento, a geração de empregos, renda e novas oportunidades.

Anfitrião da abertura, o presidente da ABDI, Ricardo Cappelli, afirmou que o evento pode ser um marco para fortalecer a política industrial brasileira, reunindo num mesmo espaço representantes da indústria, pesquisadores, empreendedores e criadores. “A gente não faz um país grande, desenvolvido e justo sem uma indústria forte. A gente não faz um país vendendo só commodities. Quem implementa produtos de maior valor agregado é a indústria.”

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Durante o festival, serão promovidas atividades focadas em compartilhar práticas inovadoras e sustentáveis, além de buscar soluções tecnológicas para os desafios econômicos e ambientais enfrentados pelo setor produtivo.

O evento está estruturado em dez temas centrais que exploram a relação entre tecnologia, inovação e sustentabilidade no contexto da indústria nacional. Entre eles, destacam-se: energia renovável, biotecnologia, transformação digital, defesa tecnológica, economia circular, agroindústria sustentável, inovação social, regulação, mobilidade verde e inclusão digital.

Nova Indústria Brasil

O Curicaca deságua na Nova Indústria Brasil (NIB) como um dos grandes palcos de convergência entre discurso e prática para a iniciativa. A NIB é a política industrial lançada pelo Governo do Brasil em janeiro de 2024, cujo objetivo é promover a neoindustrialização do País até 2033, orientada por seis missões estratégicas. Ela mobiliza recursos públicos e privados — estimados em cerca de R$ 300 bilhões até 2026 — por meio de financiamentos, incentivos não reembolsáveis e parcerias institucionais, com foco em inovação, sustentabilidade, competitividade e autonomia tecnológica.

Liderada pelo MDIC, a iniciativa conta com participação do MCTI e outros órgãos, e  investe em pesquisa, infraestrutura científica, semicondutores, inteligência artificial e qualificação profissional, com metas distribuídas em seis missões estratégicas. Os investimentos miram os segmentos da agroindústria, automotivo, bioeconomia e energia renovável, construção civil, indústria da saúde, papel e celulose, siderurgia e defesa, aero e nuclear. 

O MCTI atua na NIB por meio de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), digitalização de processos produtivos e fortalecimento da infraestrutura científica nacional, garantindo que a política industrial avance sustentada em ciência, tecnologia e inovação.

O plano aposta em financiamento à pesquisa e desenvolvimento, construção de grandes laboratórios e centros tecnológicos. A política está estruturada em seis missões que envolvem metas claras e ações integradas e, ao reunir governo, setor produtivo e comunidade científica, o Festival Curicaca reforça os princípios da Nova Indústria Brasil: inovação, sustentabilidade e soberania tecnológica.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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