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Soberania digital é debatida em seminário sobre a construção da pilha de IA brasileira

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A abertura do Seminário Nacional Pilha de IA: Desafios para Autonomia Tecnológica e Soberania Digital reuniu, na quarta-feira (1⁰), especialistas da academia, do Governo do Brasil e do setor produtivo para discutir como o País pode avançar no desenvolvimento de uma inteligência artificial (IA) justa, soberana e orientada ao bem público. Na ocasião, foi introduzido o tema, com os seus principais conceitos e realizadas discussões sobre como sustentar o setor de inteligência artificial nacional. O evento promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) ocorreu na sede do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), em Brasília (DF). 

Compuseram a mesa de abertura o secretário de Ciência e Tecnologia para Transformação Digital, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Henrique Miguel; o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Computação, Cristiano Maciel; o representante da Casa Civil e CTIDigital, Rogério Veiga; e o diretor do Serpro, André Agatte 

Ao abrir o evento, o secretário Henrique Miguel destacou a importância do evento no apontamento dos pontos mais relevantes sobre às tecnologias vinculadas à IA. “Temos aqui uma importante questão a ser analisada. Com o apoio e a parceria da academia, dos pesquisadores, ficarão mais evidentes as necessidades que devemos abordar no setor de inteligência artificial brasileiro”, comentou.  

Rogério Veiga destacou o compromisso do Governo do Brasil em se atualizar no setor de IA, sobretudo com o desenvolvimento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia). “O presidente da República faz reuniões semanais para saber do andamento da inteligência artificial no Brasil. É nossa função traduzir os progressos e fomentar as capacidades que o Brasil tem. É preciso identificar qual a melhor estratégia a seguir, de onde vêm as demandas e quais as metas possíveis para suprir essas necessidades de estruturação”, afirmou.  

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O diretor do Serpro, André Agatte, também expôs o compromisso de aproximar a sociedade do desenvolvimento tecnológico, lembrando do potencial brasileiro em ter uma empresa pública para articular a soberania desse ambiente. O diretor afirmou que o Serpro age com o compromisso de promover o processo de inclusão digital na sociedade. “As novas tecnologias pautam a sociedade, e o Estado tem um papel preponderante. A tecnologia, ou a falta dela, não pode diminuir o nosso desenvolvimento. Queremos não só consumir, mas produzir conhecimento. Em uma perspectiva de soberania, o desenvolvimento tecnológico é um fator essencial”, disse. 

Pilha de IA 

Na apresentação inicial, Pilha de IA: Oportunidades e Barreiras, o professor do Instituto de Computação da Universidade Estadual de Campinas (IC-Unicamp), Edson Borin, falou sobre os conceitos principais que caracterizam o que é uma pilha de IA. Em resumo, é um conjunto organizado de dados, hardware e tecnologias de software como sistemas operacionais, bibliotecas e aplicações que trabalham juntas para permitir que um sistema de IA funcione.  

Aliado a um projeto de pilha de IA eficiente, é preciso um treinamento dos modelos para articular uma linguagem própria. O professor apresentou, ainda, os principais objetivos e as barreiras que cercam o tema, com base nas diversas oportunidades do País nessa indústria de IA. Entre as potencialidades, foram destacadas: a quantidade de dados que o Brasil tem para serem explorados; o amplo mercado interno e com a economia diversificada, em setores como agronegócio, indústria, serviços e finanças; e a capacitação de recursos humanos e geração de inovação.  

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Porém, Borin reforça que é preciso superar os desafios que rondam essas oportunidades. Foi ressaltada a necessidade de uma infraestrutura computacional nacional, com o uso de hardwares próprios, assim como o domínio completo dos componentes de software da pilha de IA. Além disso, é necessária a elaboração de políticas de capacitação e retenção de novos talentos, com base em modelos de financiamento sustentáveis.  

“Essa estratégia de componentes organizados em camadas possibilita a troca e o desenvolvimento de sistemas complexos, com a substituição de elementos sem mexer na pilha como um todo. Esse tipo de modelo é um dos aspectos de soberania necessários para não dependermos do conhecimento de terceiros. Mas, para isso, precisamos especializar pessoas e fazer com que elas queiram ficar no País”, destaca. 

Com informações do CGEE

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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