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GMF-MT inspeciona unidades prisionais e socioeducativa em Cáceres e ouve demandas de internos

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O Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/TJMT) realizou, nesta quarta-feira (03 de setembro), inspeção extraordinária em três unidades de Cáceres: o Centro Socioeducativo, a Cadeia Pública Feminina e a Cadeia Pública Masculina.

A comitiva foi liderada pelo supervisor do GMF, desembargador Orlando de Almeida Perri, e pelo coordenador do grupo, juiz Geraldo Fernandes Fidélis Neto, que percorreram as instalações, conversaram com adolescentes e pessoas privadas de liberdade e ouviram as principais demandas relacionadas à rotina e às condições de permanência nas unidades.

Durante as visitas, o desembargador e o juiz buscaram conhecer de perto a realidade das unidades, dialogando diretamente com os internos. Perguntaram sobre a qualidade da alimentação, fornecimento de produtos de higiene, assistência médica e odontológica, acesso ao trabalho e à educação, além de atividades de lazer e oportunidades de remição de pena.

“Nosso objetivo, junto ao Governo do Estado, é apresentar melhorias nas condições de cumprimento de pena. Não apenas destacamos problemas, mas também atuamos na prática, acompanhando a execução das mudanças. O Judiciário é o maior parceiro do governo no sistema prisional. Sem ele, o sistema estaria falido”, destacou o desembargador Orlando Perri.

O juiz Geraldo Fidélis reforçou a preocupação com o futuro dos internos. “A maioria dos homens é bastante jovem, entre 18 e 25 anos. São pessoas que erraram, mas que em breve retornarão ao convívio social. E a pergunta que devemos nos fazer é: que tipo de pessoas queremos receber de volta às nossas cidades? Precisamos oferecer condições de estudo, trabalho e profissionalização, porque esse é o verdadeiro caminho para combater a reincidência”, afirmou.

Centro Socioeducativo

O Centro Socioeducativo de Cáceres abriga atualmente 17 adolescentes, em uma estrutura com capacidade para 18 vagas. A unidade recebe jovens de toda a região Oeste.

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O juiz da Vara Especializada da Infância e Juventude, Elmo Lamoia de Moraes, destacou que já existe decisão judicial transitada em julgado determinando a construção de uma nova unidade para abrigar os reeducandos em Cáceres.

A juíza Leilamar Rodrigues, coordenadora do eixo socioeducativo do GMF-MT, também integrou a comitiva e falou sobre a nova unidade. “Essa é uma forma de conhecer de perto as realidades locais enfrentadas no interior. Com a decisão judicial, a previsão é que as obras sejam iniciadas em 2026. A proposta é que todas as novas unidades contem com cerca de 60 vagas, ampliando a capacidade e atendendo melhor a região Oeste do Estado.”

Para os próprios internos, a visita do GMF-MT tem significado especial. G.G, de 19 anos, relatou que o acompanhamento do Judiciário dá mais confiança. “Mostra que não é só a nossa família que se preocupa com a gente. Tem outras pessoas olhando, buscando melhorar as condições, e isso dá mais força para a gente.”

Unidade feminina

Com 75 internas, a Cadeia Pública Feminina enfrenta problemas de estrutura física. O prédio, que funcionou como delegacia no passado, não oferece condições adequadas para estudo, trabalho e atividades de ressocialização.

Apesar disso, a equipe técnica e a direção buscam oferecer oportunidades. A recuperanda E. C., de 39 anos, relatou que, após várias prisões, encontrou nos cursos profissionalizantes uma chance real de mudança: “Vou sair daqui com uma profissão, com um caminho pronto. Se a pessoa não sai daqui com uma qualificação, acaba voltando para o crime. Aproveitar as oportunidades faz toda a diferença.”

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Para o juiz José Eduardo Mariano, titular da 1ª Vara Criminal da Comarca de Cáceres, a presença do GMF nas unidades é de extrema relevância para o sistema prisional do estado. “Essa iniciativa possibilita uma visão mais ampla dos problemas enfrentados no interior. Aqui em Cáceres, enfrentamos calor extremo, superlotação e estruturas inadequadas. A presença do GMF fortalece o trabalho do juiz da comarca, dá respaldo às entidades parceiras e contribui para melhorias reais no sistema.”

Unidade masculina

A Cadeia Pública Masculina de Cáceres atende atualmente 419 pessoas privadas de liberdade. Além de atividades laborais, quase 150 internos estão matriculados no ensino fundamental e médio. O diretor da unidade, policial penal Antônio Júlio Rodrigues, reforçou que a ressocialização é possível. “Nem todos retornarão à sociedade totalmente transformados, mas aqueles que se dedicam ao estudo e ao trabalho dentro da unidade têm reais condições de reconstruir suas vidas. O Estado oferece diversas oportunidades, e cabe a cada indivíduo aproveitá-las.”

Ao final da visita, os integrantes do GMF ressaltaram que o trabalho de inspeção não se limita a apontar falhas, mas a contribuir efetivamente para que o Estado implemente melhorias estruturais e de atendimento. “É um trabalho contínuo, que só terá resultados duradouros se oferecer oportunidades de estudo e de trabalho. Nossa missão é garantir que essas pessoas retornem à sociedade em condições de não reincidir”, concluiu o juiz Geraldo Fidélis.

Imagem aérea: Aldenor Camargo

Autor: Roberta Penha

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Execução Penal: equilíbrio entre punir e preservar humanidade é apontado como desafio

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Mulher de terno azul-claro fala ao microfone em um púlpito de madeira. Ao fundo, um grande telão exibe a silhueta de um homem caminhando em direção a uma luz forte.“Com diálogos bem estruturados, todos são chamados à responsabilização. Sem responsabilidade e sem consciência, não há caminho de transformação. O ser humano fica à deriva por muito mais tempo”. Foi com essa constatação que a desembargadora Clarice Claudino da Silva abriu o Encontro Técnico “Inteligência na Execução Penal e a Importância da Ressocialização”, nesta quinta-feira (28), no auditório da Sede das Promotorias de Justiça de Cuiabá.

Ela representou o presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira, e ainda ressaltou o papel do encontro na promoção da integração institucional e no fortalecimento de ações voltadas à dignidade das pessoas privadas de liberdade. Ela também chamou atenção para os desafios estruturais do sistema e a necessidade de ampliar o diálogo e a construção de soluções conjuntas. Ao abordar caminhos para o aprimoramento da execução penal, enfatizou a relevância das práticas restaurativas, ao destacar o potencial dessa abordagem para promover mudanças efetivas.

Homem branco, de barba e cabelos grisalhos curtos, fala ao microfone em um púlpito de madeira clara. Ele veste paletó escuro, camisa branca e gravata pontilhada. O fundo é neutro e desfocado.

Já o supervisor do Núcleo de Cooperação Judiciária (NCJud), no ato também representando a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), desembargador Wesley Sanchez Lacerda, reforçou a necessidade de tratar a execução penal com racionalidade e estratégia, e alertou para o fortalecimento das organizações criminosas no ambiente prisional. Ele também defendeu a importância da atuação conjunta para garantir resultados mais eficazes na ressocialização.

“O sistema penal não pode existir apenas para punir, mas precisa oferecer caminhos reais para que a pessoa privada de liberdade possa reconstruir sua vida e retornar à sociedade de forma digna e produtiva. A ressocialização não beneficia apenas quem cumpre pena, ela beneficia toda a sociedade. Quando o Estado investe em educação, trabalho e apoio dentro do sistema prisional, reduz a reincidência e amplia as chances de um futuro mais seguro. Precisamos ter a coragem de construir um sistema que não apenas puna, mas que transforme, porque a verdadeira justiça não termina com a sentença, ela começa ali”, destacou.

Mulher branca de cabelos castanhos claros concede entrevista, gesticulando com a mão. À sua frente, um microfone com a marca

Ainda na abertura, durante a fala, a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente questionou: “Que tipo de sociedade nós estamos ajudando a construir quando falamos sobre execução penal?”. Coordenadora do Centro de Apoio Operacional (CAO) da Execução Penal, ela finalizou o pensamento: “Porque nenhuma instituição é medida apenas pela sua capacidade de punir. Ela também é medida pela sua capacidade de preservar humanidade mesmo diante dos ambientes mais difíceis”.

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Para a procuradora de Justiça, o sistema prisional coloca diariamente seus operadores diante de situações extremas, com o risco de reduzir as pessoas privadas de liberdade apenas aos seus erros, números ou processos. “Quando isso acontece, todos nós perdemos um pouco. Perdemos como instituições, perdemos como sociedade e perdemos principalmente a capacidade de acreditar em transformação. Talvez o maior desafio da execução penal contemporânea seja exatamente este: encontrar equilíbrio entre firmeza e humanidade, entre segurança e dignidade, entre controle e reconstrução”, afirmou.

Retrato aproximado de um homem pardo, de cabelos pretos curtos, olhando para o lado com expressão séria. Ele veste paletó cinza, camisa branca e gravata xadrez. O fundo está desfocado.

Nesse contexto, o coordenador do Centro de Segurança e Inteligência (CSI), promotor de Justiça Mauro Zaque de Jesus, destacou a relevância do encontro como espaço de integração institucional e de construção coletiva de soluções. “Nós temos uma obrigação com a sociedade: entregar justiça e garantir que o cidadão experimente verdadeiramente a sensação de segurança. Isso passa, necessariamente, pelo sistema prisional. Mas não tem como nós pensarmos em justiça sem dignidade, sem humanidade, sem respeito à pessoa humana. Tenho certeza de que sairemos daqui melhores do que chegamos, em um momento de sinergia para buscar soluções e aprimorar nossa atuação”, defendeu.

Mulher branca de óculos e blazer preto fala ao microfone em um púlpito com brasão do Mato Grosso. Ao fundo, há um telão com texto desfocado e uma pessoa sentada à direita.

Representando o procurador-geral de Justiça, a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento e Gestão, Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, destacou o caráter coletivo e integrador do evento. Segundo ela, o principal propósito do encontro é fortalecer a atuação conjunta entre as instituições, baseada na cooperação e no compartilhamento de experiências, especialmente diante de desafios estruturais que não podem ser enfrentados de forma isolada.

De acordo com a subprocuradora, o tema exige a superação de modelos tradicionais e uma atuação mais qualificada e inovadora. “É onde cruza de forma bastante intensa e evidente tanto a segurança pública, a justiça, a dignidade humana e o desafio permanente da ressocialização. E é justamente nesse ponto que eu convido a todos nós a uma reflexão. Não há política de segurança pública verdadeiramente eficaz sem uma execução penal que funcione. E também não há uma execução penal que funcione sem oportunidade de ressocialização”, considerou.

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Homem branco de cabelos escuros fala ao microfone em um púlpito de madeira. Ele veste paletó cinza quadriculado, camisa branca e gravata vermelha. Ao fundo, um telão exibe uma imagem alaranjada.

O coordenador do Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional do MPMT, promotor de Justiça Caio Márcio Loureiro, enfatizou a relevância da participação interinstitucional no debate. “Este evento já demonstra sua importância e indispensabilidade para todos nós, comprometidos com essa missão constitucional e com esse chamado humanitário de tratar o cumprimento de pena, buscando formas de alcançar os melhores resultados possíveis na reinserção social”, afirmou.


Aprimoramento técnico

Durante dois dias, o encontro promove reflexões sobre a gestão do sistema prisional e a efetividade da execução penal no Brasil, com foco no uso da inteligência institucional e no aprimoramento técnico. A programação também destaca a dimensão transformadora da pena, com ênfase em políticas de ressocialização. O público reúne membros do Ministério Público, magistrados, profissionais das forças de segurança e especialistas do Sistema de Justiça.

Também compuseram o dispositivo de honra a promotora de Justiça Alessandra Gonçalves da Silva Godoi, representando o corregedor-geral do MPMT, o desembargador Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, e o presidente da Associação Mato-grossense do Ministério Público (AMMP), promotor de Justiça Milton Mattos da Silveira Neto.

O encontro é realizado pelo MPMT, por meio do CAO da Execução Penal, do CSI e do Ceaf, em parceria com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso, via Escola Superior da Magistratura (Esmagis-MT) e o Núcleo de Cooperação Judiciária (NCJud), com apoio da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT).


Com informações de Ana Luíza Anache/MPMT

Autor: Assessoria de Comunicação

Fotografo: Josi Dias

Departamento: CGJ-MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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