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Ministra Luciana Santos anuncia R$ 300 milhões em subvenção para fortalecer inovação nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste

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Nesta segunda-feira (17), a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, anunciou a liberação de R$ 300 milhões para a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada à pasta. O valor será aplicado em um edital de chamada de subvenção para as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. De acordo com a chefe da pasta, o objetivo é descentralizar os investimentos no País, conforme compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A chamada atende à diretriz do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) de melhorar a distribuição de apoio por subvenção em todo o País, segundo o diretor de inovação da Finep, Elias Ramos. “Com aprovação do MCTI, o edital deve ser disponibilizado no site da Finep no início de dezembro e conta com a participação do Sebrae na avaliação de empresas inscritas”, afirmou o diretor.

O edital deve ser lançado em parceria com as superintendências de desenvolvimento regionais do Norte, Nordeste e Centro-Oeste. A iniciativa surgiu durante a execução da Chamada Nordeste, iniciativa inédita que colocou R$ 10 bilhões à disposição para crédito em inovação, em ação conjunta que envolve sete instituições apoiadoras: Finep, Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Consórcio Nordeste, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Brasil, Caixa e Banco do Nordeste (BNB).

Luciana participou virtualmente da abertura da etapa Nordeste do Prêmio Finep de Inovação, que ocorreu no Recife (PE). Os vencedores das outras quatro etapas já foram anunciados, e a atual reconheceu, entre 24 finalistas da região Nordeste, os melhores projetos apoiados pela Finep. “Este prêmio passou dez anos suspenso, mas, depois do período de desmonte da ciência no nosso País, superamos as dificuldades e, agora, resgatamos esta iniciativa, que é o que podemos chamar de um verdadeiro Oscar da inovação brasileira”, disse a ministra.

Luciana ressaltou o simbolismo de finalizar a agenda no Nordeste, “terra de criatividade, de inteligência e de um ecossistema de ciência, tecnologia e inovação vivo e pujante”. A ministra também sublinhou a prioridade dada ao desenvolvimento regional, com ações para corrigir a histórica concentração de investimentos no Sul e Sudeste. Nesse contexto, ela apontou o papel central da Finep e destacou que a estatal vive hoje seu momento de maior presença nordestina na própria direção. “Isso reflete a transformação que estamos promovendo”, afirmou.

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O presidente da Finep, Luis Antonio Elias, destacou que a importância da retomada do prêmio acompanha a retomada da ciência no País. “Nosso presidente Lula, um nordestino, recolocou o conhecimento no coração do projeto nacional, devolvendo recursos ao FNDCT e fortalecendo a Finep como instrumento estratégico de Estado. O prêmio simboliza esse movimento”, disse.

Para Elias, a premiação vai muito além do símbolo, é um retrato da inovação brasileira. “É a importância de demonstrar a capacidade, a ousadia, a criatividade da sociedade brasileira, e fazer valer a sua invenção, a sua percepção da importância do complexo da indústria em todas as áreas do conhecimento”, afirmou.

Nesta segunda-feira, a Finep inaugurou o escritório do Nordeste, que passa a funcionar na sede da Sudene. Para Luciana, o gesto simboliza um novo ciclo de proximidade e fortalecimento do ecossistema regional de inovação. “Estamos fincando raízes. Quem está aqui conhece as potencialidades, as demandas e a força desta região.”

A ministra destacou ainda os resultados da política de expansão dos investimentos no Nordeste. De 2023 a 2025, os valores contratados pela Finep na região mais do que triplicaram. Os recursos não reembolsáveis saltaram de R$ 323 milhões para R$ 1 bilhão, enquanto as contratações de crédito para inovação cresceram 352%, chegando a R$ 1,4 bilhão. Chamadas estratégicas como Parques Tecnológicos e Proinfra Desenvolvimento Regional também tiveram forte participação nordestina.

Ao parabenizar finalistas e vencedores da etapa regional, a ministra enfatizou o papel da ciência na resposta aos grandes desafios nacionais e celebrou o avanço da diversidade no ecossistema de inovação. Como primeira mulher a liderar o MCTI em quatro décadas, destacou a importância de reconhecer e ampliar a liderança feminina: “Diversidade não é apenas justiça, é excelência. Ela produz uma ciência melhor”.

Luciana Santos concluiu afirmando que ciência, tecnologia e inovação são pilares do novo ciclo de progresso e soberania que o País pretende construir: “Parabéns aos vencedores, parabéns ao Nordeste, parabéns ao Brasil que inova e acredita no futuro”.

Prêmio Finep de Inovação

O Prêmio Finep de Inovação 2025 tem como objetivo reconhecer e divulgar iniciativas apoiadas pela Finep, destacando o impacto dessa política de fomento no desenvolvimento do País, na competitividade das empresas e no bem-estar da sociedade. A seleção parte de um universo de 3 mil projetos, financiados com recursos reembolsáveis e não reembolsáveis entre janeiro de 2023 e dezembro de 2024. Desse total, 300 projetos foram pré-selecionados, e 144 aceitaram disputar as etapas regionais, distribuídos nas seguintes categorias:

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– Cadeias Agroindustriais Sustentáveis – soluções para segurança alimentar e sustentabilidade da agroindústria

– Complexo Econômico-Industrial da Saúde – inovação para reduzir vulnerabilidades do SUS e ampliar o acesso à saúde

– Infraestrutura, Saneamento, Moradia e Mobilidade Sustentáveis – tecnologias para resíduos, biogás, economia circular, saneamento, moradia popular e mobilidade verde

– Transformação Digital da Indústria – iniciativas que impulsionam produtividade e indústria 4.0

– Bioeconomia, Descarbonização, Transição e Seguranças Energéticas – projetos em biomassa, combustíveis sustentáveis e químicos renováveis

– Tecnologias para Soberania e Defesa Nacional – autonomia em tecnologias críticas, comunicações, microeletrônica, cibernética, nuclear e espacial

– Deep Tech Startup – startups de base científica profunda com alto potencial de impacto

– Ambiente de Inovação – incubadoras, aceleradoras, parques tecnológicos e ecossistemas inovadores

– Infraestrutura de P&D em ICTs – modernização e expansão da infraestrutura de pesquisa nas instituições científicas e tecnológicas

A avaliação dos projetos é feita por comissões julgadoras formadas por especialistas, representantes de órgãos públicos e profissionais da Finep. Os vencedores regionais avançam para a etapa nacional, cuja premiação ocorrerá entre novembro e dezembro de 2025, no Palácio do Planalto, em Brasília. Todos os premiados — regionais e nacionais — recebem o Selo Prêmio Finep de Inovação 2025, para uso em materiais de divulgação.

O prêmio também traz um destaque especial para liderança feminina: será reconhecido o melhor projeto coordenado por mulheres, ou com maior participação feminina nas equipes, tanto na etapa regional quanto na final nacional.

Também estavam presentes o secretário de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes) do MCTI, Inacio Arruda; a Cônsul-Geral da China no Recife, Lan Heping; o secretário de Transformação Digital, Ciência e Tecnologia da cidade do Recife, Rafael Cunha; o diretor de inovação da Finep, Elias Ramos; a diretora de administração da Finep, Janaína Privô; o diretor desenvolvimento científico e tecnológico da Finep, Carlos Aragão; o diretor-financeiro de Crédito e Captação da Finep, Márcio Stefani; o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco, José Antônio de Lucas; o representante da presidência da Fiep, Bruno Veloso; e a secretária de Tecnologia e Inovação do Estado de Pernambuco, Mauricélia Vidal Montenegro.

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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