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MTE afasta mais de 100 adolescentes do trabalho infantil em fábricas de calçados de Birigui (SP)

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A Inspeção do Trabalho do MTE realizou, entre os dias 10 e 14 de novembro, uma operação que afastou 107 adolescentes de situações de trabalho infantil no município de Birigui, em São Paulo. A operação foi conduzida por uma equipe de cinco Auditores-Fiscais do Trabalho, com a participação do Ministério Público do Trabalho (MPT) e o apoio de seis agentes da Polícia Federal (PF). Durante a ação foram fiscalizados 53 estabelecimentos, sendo constatado trabalho infantil em 49 deles. Entre os 107 adolescentes encontrados, 67 eram meninos (62,6%) e 40 eram meninas (37,4%).
De acordo com a coordenadora da operação, a Auditora-Fiscal do Trabalho, Paula Neves, os adolescentes trabalhavam com exposição ou manuseio de produtos químicos, operação de máquinas perigosas, ruído acima dos limites de tolerância e utilização de instrumentos perfurocortantes, atividades proibidas para menores de 18 anos por estarem em fase de desenvolvimento físico e psíquico, mais suscetíveis às doenças e aos acidentes de trabalho”.
A legislação brasileira permite o trabalho de adolescentes a partir dos 16 anos, mas proíbe, para menores de 18 anos, atividades insalubres, perigosas, noturnas ou incluídas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil — Lista TIP (Decreto nº 6.481/2008).

A auditora explicou que todos os 107 adolescentes estavam em situações previstas na Lista das Piores Formas de Trabalho Infantil, expostos a graves riscos ocupacionais e a repercussões à saúde que podem causar prejuízos permanentes. Entre as situações constatadas, destacou-se a de um adolescente cujo pai cumpre pena em regime fechado. “O adolescente operava uma máquina eletropneumática que prensava a intertela sob alta temperatura, deixando suas mãos e dedos expostos ao risco de queimaduras e esmagamento”, relata outra Auditora-Fiscal do Trabalho, Ísis de Oliveira Freitas, também integrante do Grupo Especial Móvel de Fiscalização do Trabalho Infantil.
A sujeição ao trabalho infantil, além dos riscos imediatos à saúde, compromete o desenvolvimento escolar e cognitivo dos adolescentes, reduzindo suas oportunidades de romper o ciclo de desigualdade social. “São justamente as crianças e adolescentes que mais necessitam da proteção da sociedade e do Estado aqueles que, muitas vezes, acabam submetidos ao trabalho infantil, o que limita suas possibilidades de futuro e intensifica vulnerabilidades já existentes”, ressaltou a Auditora.

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Autuação

Diante do cenário, todos os empregadores flagrados fazendo uso do trabalho infantil foram autuados é deverão pagar multas pelo descumprimento da legislação. Além disso, os empregadores que não realizarem a mudança de função dos adolescentes para atividades permitidas para sua faixa etária deverão efetuar a quitação de todas as verbas rescisórias devidas, conforme determina a legislação trabalhista.

Aprendizagem Profissional

Os adolescentes que tiverem seus contratos de trabalho rescindidos serão encaminhados para programas de aprendizagem profissional como aprendizes, terão acesso à qualificação, experiência prática em ambiente seguro e protegido, além de direitos trabalhistas e previdenciários, favorecendo a transição da escola para o mundo do trabalho. Por meio do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e do SENAC (Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial), estão sendo articuladas vagas de aprendizagem para os adolescentes afastados, conforme prioridade assegurada pelo Decreto nº 9.579/2018.

Ao final da operação, ocorreu uma reunião dos auditores do MTE com representantes dos sindicatos laboral e patronal do setor para esclarecimentos sobre as proibições legais e apresentação dos dados da fiscalização. Além disso, o Grupo Especial Móvel de Fiscalização do Trabalho Infantil emitirá notificações orientadoras a 500 empresas do setor, com o objetivo de prevenir novos casos de trabalho infantil e esclarecer atividades proibidas para menores de 18 anos. Foi sugerida ainda às empresas e sindicatos a produção de materiais informativos e a realização de eventos setoriais para promover mudanças estruturais que garantam a erradicação do trabalho infantil no setor de fabricação de calçados de Birigui.

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Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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Nacional

Senasp promove encontro nacional para compartilhamento de boas práticas em investigações envolvendo criptoativos

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Brasília, 17/6/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), realizou, entre 9 e 11 de junho, o III Encontro Técnico de Compartilhamento de Boas Práticas em Investigações Envolvendo Criptoativos, na capital federal.

Coordenado pelo Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), com apoio do Crypyolab e do Instituto de Direito Público (IDP), o evento reuniu profissionais das áreas de investigação, persecução penal, inteligência, defesa cibernética e rastreamento patrimonial, promovendo o intercâmbio de experiências e o fortalecimento da cooperação institucional no enfrentamento aos crimes relacionados a ativos virtuais.

A ação integrou os esforços da Senasp voltados ao fortalecimento das capacidades das instituições de segurança pública diante dos desafios impostos pelo uso crescente de criptoativos em práticas criminosas, como lavagem de dinheiro, fraudes eletrônicas, exploração sexual de crianças e adolescentes e outras modalidades de criminalidade organizada.

Programação

Ao longo dos três dias de programação, foram debatidos temas relacionados à tecnologia blockchain, ao rastreamento de ativos virtuais, à investigação financeira, à recuperação patrimonial, ao compliance, à cooperação internacional, à atuação de organizações criminosas e a estudos de casos reais conduzidos por instituições nacionais e estrangeiras.

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O encontro reuniu representantes de tribunais de justiça, polícias civis, polícias militares, ministérios públicos estaduais, Ministério Público Federal (MPF), Procuradoria-Geral da República (PGR), Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), Ministério da Justiça e Segurança Pública e Exército Brasileiro, por meio da Escola Nacional de Defesa Cibernética.

A programação também contou com a participação de especialistas internacionais vinculados ao Serviço Secreto dos Estados Unidos (United States Secret Service), à Homeland Security Investigations (HSI), ao Federal Bureau of Investigation (FBI) e ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos (Department of Justice – DOJ), por intermédio do programa International Computer Hacking and Intellectual Property (ICHIP).

O último dia foi dedicado a atividades práticas voltadas ao aperfeiçoamento técnico dos participantes, com a aplicação de metodologias e ferramentas utilizadas em investigações envolvendo criptoativos.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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