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Oferta elevada e concorrência externa mantêm mercado de trigo pressionado no Brasil

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O mercado brasileiro de trigo encerrou a semana sob forte pressão de oferta, resultado do avanço da colheita, do elevado volume interno disponível e da concorrência externa, especialmente da Argentina.

Com compradores retraídos e produtores segurando as vendas, o setor registrou baixa liquidez e pouca movimentação comercial, em um cenário típico de fim de ano.

De acordo com Evandro Oliveira, analista da Safras & Mercado, o fluxo comercial segue travado, sem perspectiva de recuperação imediata. “O mercado teve liquidez extremamente reduzida, com compradores ausentes e produtores retendo vendas”, destacou.

Paraná e Rio Grande do Sul acentuam tendência de queda

A entrada simultânea do trigo do Paraná e do Rio Grande do Sul intensificou a pressão sobre os preços.

No Rio Grande do Sul, o mercado foi balizado pela paridade de exportação, com dificuldades de escoamento e necessidade de ajustes negativos para tornar os embarques viáveis diante da queda do dólar.

Já nas demais regiões, o avanço da colheita reduziu temporariamente a necessidade de importações, mas não eliminou o excesso de oferta no mercado doméstico.

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As indicações FOB no Paraná permanecem entre R$ 1.170 e R$ 1.230 por tonelada, em um mercado sem vetores de reação no curto prazo, segundo o analista.

Cenário internacional aumenta pressão sobre cotações

No cenário global, as negociações entre Rússia e Ucrânia voltaram a influenciar o comportamento dos preços.

Segundo Oliveira, um eventual acordo entre os dois países pode normalizar a logística no Mar Negro e aumentar a oferta mundial, o que adiciona um risco baixista estrutural às cotações internacionais no médio prazo.

No Brasil, a colheita, já próxima de 7 milhões de toneladas, e o bom padrão de qualidade dos grãos reforçam o ambiente de conforto na oferta interna.

Disparidades regionais e custos de produção preocupam

Durante a semana, o mercado apresentou um descompasso regional mais evidente. O Paraná concentrou a maior pressão devido ao alto volume colhido e à chegada do trigo argentino, enquanto Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo mostraram alguma sustentação, embora o mercado de balcão tenha registrado quedas generalizadas.

Outro ponto de atenção é a deterioração das margens de produção.

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Segundo Oliveira, os custos do setor aumentaram entre 30% e 60% nos últimos anos, comprimindo os ganhos dos produtores. “Mesmo em cenários de boa produtividade, a margem permanece apertada, o que aumenta o risco para as próximas decisões de plantio”, alertou.

Cotações mantêm estabilidade com viés de baixa

As referências regionais seguiram sem tração.

No Rio Grande do Sul, o preço FOB permaneceu entre R$ 1.000 e R$ 1.020 por tonelada, enquanto o Paraná registrou negócios entre R$ 1.170 e R$ 1.180 por tonelada.

A oferta abundante, a demanda industrial já atendida e o ambiente externo incerto consolidaram um quadro de estabilidade a ligeira pressão, sem sinais de recuperação no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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