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Pela paz nas escolas, Peixoto de Azevedo inicia implantação da Justiça Restaurativa

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Um público de mais de 400 pessoas, em sua maioria servidores da rede pública de educação da Comarca de Peixoto de Azevedo, participou nesta quarta-feira (4), no Centro Cultural Luiz Gonzaga, da aula magna que marcou o início do cronograma de formações em Justiça Restaurativa e Círculos de Construção de Paz, iniciativa implementada pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, por meio do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), enquanto política pública de pacificação social nos municípios do estado.

Em dezembro do ano passado, o Poder Judiciário, por intermédio do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) e do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (Nugjur), firmou com a Prefeitura Municipal de Peixoto de Azevedo o Termo de Cooperação Técnica nº 08/2025, oficializando a intenção de atuar de forma articulada na prevenção e no tratamento adequado de conflitos no âmbito comunitário.

A cooperação tem por objeto a união de esforços para a difusão e a implementação da Justiça Restaurativa como política pública de orientação e solução extrajudicial de conflitos, especialmente no ambiente escolar e em outros contextos que demandem práticas restaurativas, por meio do Programa Vozes que Curam – Justiça Restaurativa. As ações seguem diretrizes estabelecidas pela Resolução n.º 225, de 31 de maio de 2016, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Ao destacar a dimensão pedagógica e social das formações, o juiz diretor do Fórum, João Zibordi Lara, explicou que a proposta busca transformar a forma como a comunidade lida com seus próprios conflitos, investindo na formação, no diálogo e na corresponsabilidade entre escola, comunidade e poder público.

Imagem horizontal colorida do público que participou da aula magna no Centro Cultural Luiz Gonzaga, em Peixoto de Azevedo.“O resultado esperado por nós com relação à prevenção dos conflitos e ao fortalecimento do vínculo entre escola, família e comunidade é que exista uma maior possibilidade de convivência harmoniosa dessas crianças, adolescentes e também dos pais, que passam a ter mais clareza sobre as necessidades emocionais de cada um deles, refletindo isso em uma melhor qualidade das relações dentro das escolas. E não estamos falando de uma educação meramente formal, mas de uma educação socioemocional, que fortaleça os vínculos de paz e contribua para a construção dessa paz por meio da mudança de atitudes e de novas percepções sobre si e sobre o outro”, analisou o juiz João Zibordi.

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O magistrado conta que a iniciativa de implantar a Justiça Restaurativa na comarca surgiu logo no início de sua atuação à frente da unidade judicial, a partir do contato com o Nugjur, coordenado pelo juiz auxiliar da presidência Túlio Duailibi Alves Souza e presidido pela desembargadora Clarice Claudino da Silva. Segundo ele, os resultados efetivos já alcançados em outras localidades demonstraram seu potencial transformador, sendo compreendida como uma estratégia eficiente para promover o desenvolvimento social, especialmente em municípios que ainda enfrentam desafios relacionados à segurança e ao acesso à educação formal.

De acordo com o secretário de Educação de Peixoto de Azevedo, professor João Paulo Silva Souza, o objetivo dessa parceria é formar facilitadores de círculo de construção de paz e levar essa prática para estudantes e servidores das Secretarias de Educação, Saúde e Assistência Social. Peixoto de Azevedo conta com cerca de 5,4 mil alunos da Educação Infantil ao 5º ano do Ensino Fundamental e mais de 400 profissionais da Educação.

Aula Magna – Utilizadas para marcar o início de uma nova formação de facilitadores de Círculos de Construção de Paz, as aulas magnas são momentos em que o Poder Judiciário se aproxima e sensibiliza a comunidade sobre conceitos que ainda permanecem distantes do cotidiano de grande parte da população, como Cultura de Paz, Justiça Restaurativa e os próprios Círculos de Paz. Realizadas em formato acessível e em linguagem simples, as palestras não têm limite de participantes e são abertas a toda a comunidade.

Em um tom mais provocativo, a instrutora em Justiça Restaurativa e Círculos de Construção de Paz, Janaína Irma Oliveira, convidou os educadores a revisitar antigas concepções ligadas à violência, convivência e aprendizagem. Com o uso de perguntas reflexivas, como se a violência pode ser aprendida e se a paz também pode ser ensinada, a instrutora estabeleceu um paralelo entre a cultura do medo e a cultura de paz, defendendo que esta última deve ser compreendida como um ideal ético voltado à humanização das relações e à efetivação da justiça como valor cotidiano.

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“A Justiça Restaurativa é apresentada a partir de seus conceitos e valores, com o entendimento de que a sabedoria coletiva sempre será maior e mais competente do que a individual. Nós [educadores] estamos aqui para formar integralmente as crianças, não apenas no conhecimento científico, mas para formar um cidadão responsável, um cidadão integral. O Círculo é essa oportunidade, inclusive como atividade transversal dentro do currículo. O bom andamento da comunidade escolar está na qualidade de suas relações, por isso os Círculos se colocam como uma prática restaurativa para criar e fortalecer vínculos, desenvolver habilidades socioemocionais e trabalhar atitudes e valores. Não existe qualidade educacional sem convivência, nem aprendizagem sem vínculos; a cultura de paz se constrói no diálogo e na responsabilidade coletiva, e é quando a criança se sente segura, amada e escutada que a escola realmente se transforma”, defendeu Janaína.

Além da participação dos servidores da rede municipal de educação, público prioritário da formação, as atividades também contaram com a presença de profissionais da saúde, da assistência social, de servidores do Poder Judiciário e autoridades locais, como a promotora de Justiça Fernanda Luckmann Saratt, a defensora pública Ana Paula Lopes Ferreira e o vice-prefeito José Agnaldo Paranhos Souto, representando o Executivo municipal.

Fotos: Prefeitura de Peixoto de Azevedo

Autor: Naiara Martins

Fotografo:

Departamento: Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa – NugJur

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Pena Justa: Esmagis-MT sedia módulo sobre audiências de custódia com participação do CNJ

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A Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) sediou nesta segunda-feira (18 de maio) o terceiro módulo do curso ‘Pena Justa no Ciclo Penal’. Desta vez, as audiências de custódia foram o tema da capacitação ministrada pelo juiz Marcos Faleiros da Silva, titular da Quarta Vara Criminal de Cuiabá, pelo assessor Marcos Eduardo Moreira Siqueri e pela socióloga Jamile Carvalho, assistente técnica nacional do Programa Fazendo Justiça (Conselho Nacional de Justiça).
A capacitação, com oito horas-aula, contou com a presença do juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Luís Geraldo Sant’Ana Lanfredi, atual coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF). Também participou do encontro, de maneira virtual, a representante da Associação para Prevenção à Tortura (APT) no Brasil, Sylvia Diniz Dias.
Papel dos magistrados(as)
Lanfredi destacou a centralidade das audiências de custódia no funcionamento do sistema de justiça criminal brasileiro, ressaltando o papel decisivo da magistratura nesse processo. Segundo ele, o sistema prisional deve ser compreendido como uma estrutura dinâmica, marcada por fluxos constantes de entrada e saída, diretamente influenciados pelas decisões dos juízes. “Se nós não começarmos a encarar que quem coloca para dentro e quem coloca para fora do sistema prisional é o magistrado, não vamos entender a dimensão da importância e da responsabilidade que temos sobre aqueles que estão nesse sistema”, afirmou.
Ao longo da exposição, ele chamou a atenção para a necessidade de os juízes assumirem uma postura mais comprometida com os efeitos das decisões judiciais no sistema prisional. Para o magistrado, não é possível transferir integralmente a responsabilidade pelas condições das unidades prisionais aos seus gestores, uma vez que o ingresso e a permanência de pessoas no sistema estão diretamente ligados às decisões da magistratura. Assim, defendeu a reflexão sobre os critérios de encarceramento, destacando que a atuação judicial deve considerar também as condições em que a prisão será cumprida.
Lanfredi abordou o problema do encarceramento excessivo e a importância de qualificar essas decisões, reforçando a necessidade de compromisso com os direitos fundamentais. “Não basta eu prender e achar que fiz a minha parte. Parte, sim, mas não o todo. É preciso que haja compromisso com a qualidade do encarceramento que será dispensado àquela pessoa”, pontuou. Ele acrescentou que os espaços do sistema prisional são limitados e devem ser compreendidos como recursos escassos, exigindo responsabilidade na definição de quem efetivamente deve ocupar esses lugares.
O coordenador do DMF reforçou a importância de um olhar mais amplo sobre a criminalidade e criticou a tendência de atribuir ao direito penal a solução de problemas sociais complexos. Para ele, é essencial fortalecer o debate qualificado sobre o sistema prisional e assegurar que a aplicação da pena esteja alinhada aos princípios constitucionais e aos tratados internacionais. “Precisamos fazer valer um sistema prisional levado a sério, para que a pena seja, de fato, justa e não ridicularizada”, concluiu.
Reestruturação da legislação
Promovido pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF-MT) em parceria com a Esmagis-MT e a Escola dos Servidores do Poder Judiciário, o curso ‘Pena Justa no Ciclo Penal’ tem como objetivo fortalecer a fiscalização do sistema prisional e a aplicação de medidas alternativas à prisão. A formação integra a diretriz estratégica voltada ao cumprimento das metas estabelecidas no Prêmio CNJ de Qualidade 2026/2027.
Supervisor do GMF-MT, o desembargador Orlando de Almeida Perri destacou a necessidade de reestruturação da legislação penal, inclusive para a efetividade do plano Pena Justa. Ele lamentou o aumento constante da população carcerária, fruto também da atuação dos juízes. “Somos um estado encarcerador. Enquanto a população carcerária brasileira cresce 6% ao ano, Mato Grosso cresce acima de 17%. Alguma coisa está errada. Isso é inadmissível.”
Na avaliação do desembargador, o principal diferencial do programa Pena Justa está na Central de Regulação de Vagas, que conseguirá conter a população carcerária durante certo período, mas com efeitos colaterais. Para ele, a única saída será a alteração legislativa com a descriminalização de determinados crimes.
Também presente à capacitação, o secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho, destacou a necessidade de ampliar o olhar sobre a segurança pública, indo além do momento da prisão. Segundo ele, há uma percepção equivocada de que o trabalho se encerra com o encarceramento, quando, na realidade, essa é apenas uma etapa do processo. Ele enfatizou que é fundamental garantir condições adequadas dentro do sistema prisional, com foco na dignidade da pessoa humana e na ressocialização.
O secretário, que está há dois meses à frente da pasta, afirmou que pretende percorrer todas as comarcas com unidades prisionais para conhecer de perto a realidade do sistema e orientar ações mais efetivas. As primeiras visitas estão previstas para o mês de junho, nos municípios de Vila Rica, São Félix do Araguaia e Porto Alegre do Norte, onde acompanhará o desembargador Orlando Perri.
Conforme pontuou, a reinserção social depende de investimento, especialmente em trabalho e políticas estruturantes dentro dos presídios, de modo a permitir que as pessoas tenham oportunidades reais de reconstruir suas próprias trajetórias.
Combate à tortura
Durante o curso, a assessora jurídica sênior e representante da Associação para Prevenção à Tortura (APT) no Brasil, Sylvia Diniz Dias, participou brevemente das discussões e destacou a importância do diálogo com o sistema de Justiça. Segundo ela, o contato com magistrados e magistradas é fundamental para o enfrentamento da tortura, especialmente no contexto das audiências de custódia. “É uma honra poder estabelecer diálogos com o sistema de Justiça, que exerce papel essencial no dia a dia dessas audiências”, afirmou.
Na ocasião, Sylvia apresentou a atuação da APT, organização internacional de direitos humanos sediada em Genebra e presente em cerca de 30 países, dedicada à promoção de medidas de prevenção à tortura e aos maus-tratos. Ela ressaltou os resultados de uma pesquisa global conduzida pela entidade em 2016, que analisou, ao longo de três décadas e em 16 países, a eficácia de diferentes estratégias de prevenção à tortura.
De acordo com o estudo, as medidas mais efetivas concentram-se nas primeiras horas após a prisão, especialmente aquelas que garantem direitos fundamentais. Entre elas, estão o rápido acesso à defesa técnica, o atendimento médico imediato e a apresentação do custodiado à autoridade judicial em curto espaço de tempo, prática que, no Brasil, se materializa nas audiências de custódia.
Para a APT, essas audiências representam um marco no fortalecimento do acesso à Justiça e na garantia das salvaguardas constitucionais. Além disso, desempenham papel essencial ao dar visibilidade a possíveis casos de violência policial, tortura e maus-tratos ocorridos durante a abordagem ou nas primeiras horas de detenção. Apesar dos avanços, Sylvia alertou que a efetividade do instrumento depende diretamente da forma como ele é conduzido. “As audiências de custódia dependem muito dos parâmetros aplicados e da maneira como são realizadas”, pontuou.
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Fotos: Alair Ribeiro e Keila Maressa

Autor: Lígia Saito

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Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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