Tribunal de Justiça de MT
Programa de Pacificação nas Escolas já alcança mais de 75 mil participações em Círculos de Paz
Publicado
30 de setembro de 2025, 11:30
Mato Grosso já soma mais de 75 mil participações em 5,9 mil Círculos de Construção de Paz realizados pelo Poder Judiciário e seus parceiros. A maior parte delas acontece dentro das escolas, onde crianças, adolescentes, professores e comunidade encontram no diálogo um caminho para transformar dores em aprendizados, fortalecer vínculos e cultivar relações mais humanas e solidárias.
Idealizado pela desembargadora Clarice Claudino da Silva, o Programa de Pacificação nas Escolas foi ampliado durante sua gestão à frente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (2023-2024). Nesse período, 30 leis municipais foram sancionadas, consolidando o programa como política pública no ambiente escolar, e 39 termos de cooperação técnica reforçaram a atuação dos círculos em parceria com municípios e instituições ligadas ao Poder Judiciário. A iniciativa nasceu da compreensão de que o Judiciário deve se colocar ao lado da sociedade, oferecendo respostas concretas e eficazes ao enfrentamento da violência e da evasão escolar.
Para a desembargadora Clarice, a essência da Justiça Restaurativa está em um novo jeito de se relacionar e de olhar para o outro, ao mesmo tempo em que reflete sobre seu papel nas escolas e na sociedade, destacando a importância do diálogo, da escuta e da compreensão mútua.
“A Justiça Restaurativa não vem para buscar culpados; ela vem como uma oportunidade para a reformulação de valores a partir de uma comunicação não violenta e voltada para a compreensão de si e do outro, e, nas escolas, isso não é diferente. Quando trabalhamos a nossa comunicação, fortalecemos a nossa capacidade de manter a humanidade, mesmo em condições adversas. É dentro de um diálogo estruturado e respeitoso que somos automaticamente levados a reformular nossa maneira de nos expressar e ouvirmos o outro. E é a partir do momento em que me desarmo e me abro para ouvir o outro que as palavras, ao invés de automáticas, vão se tornando conscientes, e é neste momento que percebemos e sentimos verdadeiramente a nós e ao outro. É um exercício de se colocar no lugar do outro, mas sem se distanciar de si”, afirma a desembargadora, que preside o Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NUGJUR), unidade responsável pela implantação e difusão das práticas restaurativas no Estado.
A Justiça Restaurativa (JR) é um modelo de justiça que prioriza a reparação e a restauração do equilíbrio social. Por meio de processos colaborativos, promove a escuta, a responsabilização e a transformação das relações, prevenindo e resolvendo conflitos de maneira mais humana e eficaz. Já o Círculo de Construção de Paz, uma das principais práticas da Justiça Restaurativa, é um espaço de diálogo estruturado em que a fala circula por meio do objeto da palavra. Cada participante tem a vez de falar e todos têm a oportunidade de ouvir com atenção, criando um ambiente democrático, respeitoso e acolhedor, no qual histórias e sentimentos podem ser compartilhados e compreendidos.
Ao refletir sobre as possíveis causas da violência nas escolas, a desembargadora Clarice destaca a importância de compreender a dimensão emocional dos conflitos. “É no ambiente escolar que muitas dores vêm à tona, especialmente as que têm origem no convívio familiar e social. Essas explosões nas escolas são expressões trágicas de necessidades não atendidas. Os círculos oferecem um espaço para que essas dores sejam compreendidas e ressignificadas, mostrando que a mesma dor que dói em mim também dói no outro, e que podemos decidir nos apoiar, em vez de nos ferir”.
Parceira do Poder Judiciário no Programa de Pacificação nas Escolas, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) tem avançado na proposta de construir ambientes emocionalmente mais seguros e acolhedores. Desde a assinatura do Termo de Cooperação Técnica, em 2016, o programa vem consolidando sua presença nas escolas, com destaque para os anos de 2023 e 2024, quando a participação nos Círculos de Construção de Paz cresceu de 1.691 para 15 mil participações.
“Investir na formação continuada e fortalecer as equipes psicossociais é reafirmar que educar vai muito além de transmitir conteúdo. É sobre cultivar relações saudáveis, incentivar a corresponsabilidade e preparar os jovens para viver em sociedade com empatia, ética e solidariedade”, destaca o secretário de Educação, Alan Porto.
Segundo ele, os resultados desse movimento já podem ser sentidos no dia a dia das escolas. “As práticas restaurativas têm ajudado a transformar o clima escolar, tornando-o mais acolhedor e centrado na aprendizagem e no desenvolvimento humano. É gratificante ver como o diálogo e a escuta estão abrindo caminhos para uma convivência mais respeitosa e colaborativa entre alunos e educadores. Todos os países de primeiro mundo têm as práticas restaurativas como parte do currículo das escolas, isso já considerando as questões de saúde mental, a pressão com o avanço das questões tecnológicas e em tudo que podemos sofrer lá na frente. O que nós queremos hoje é que as práticas restaurativas sejam parte viva das escolas”, completa Alan.
Em 2023, quando o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) declarou o Ano da Justiça Restaurativa na Educação, o Poder Judiciário de Mato Grosso ganhou destaque nacional ao ter reconhecida, pelo então conselheiro Luiz Philippe Vieira de Mello, a originalidade na implementação das práticas restaurativas no ambiente escolar. O reconhecimento foi manifestado publicamente em outubro, durante a participação do conselheiro no I Encontro Nacional de Justiça Restaurativa e a Transformação da Cultura Institucional, realizado presencialmente em Cuiabá. As soluções aplicadas pelo Judiciário mato-grossense para a expansão da cultura da paz no ambiente escolar se alinham à agenda de pacificação social preconizada pelo CNJ e superam as expectativas nacionais quando se refere ao enfrentamento da violência escolar e ao combate à evasão.

Em Campo Verde, a juíza Maria Lúcia Prati, titular da 2ª Vara e coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), liderou a implantação do Programa “Eu e Você na Construção da Paz”. Um marco decisivo desse movimento foi a Lei Municipal nº 2.866/2022, que institucionalizou a Política Pública de Pacificação nas Escolas e se transformou em referência para a expansão legal do programa em outras comarcas.
“Nosso programa se apoia em quatro dimensões (institucional pedagógica, relacional e social), todas com ações concretas e articuladas com a rede de proteção. Quando a escola trabalha valores essenciais, crianças e adolescentes se tornam mais colaborativos e menos resistentes às necessidades do próximo”, afirma a juíza Maria Lúcia Prati.
Em Lucas do Rio Verde, o juiz Luís Felipe Lara de Souza, titular da 4ª Vara Cível e coordenador do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc), destaca que a Justiça Restaurativa representa um movimento de transformação social que começa no espaço escolar e se irradia para toda a comunidade.
“Quando levamos os círculos de paz para as escolas, não estamos apenas criando um espaço de diálogo para alunos e professores, estamos plantando sementes de convivência respeitosa que alcançam suas famílias e toda a comunidade. A Justiça Restaurativa, nesse sentido, é uma forma de cuidar das nossas crianças e adolescentes antes mesmo que conflitos se agravem, fortalecendo laços de pertencimento, responsabilidade, e construindo uma comunidade que dialoga melhor com o outro. O que vemos nascer desses encontros é uma atmosfera mais humana de convivência e próxima das pessoas, capaz de transformar a cultura local e preparar uma comunidade mais resiliente, aberta ao diálogo e comprometida com a paz. Este ano, ampliamos o alcance do programa que, além do trabalho realizado nas escolas das redes municipal e estadual, também passou a atender os adolescentes em conflito com a lei, internados na Casa da Semiliberdade de Lucas do Rio Verde. Temos um trabalho extraordinário aqui e em franca expansão”, refletiu o juiz Luís Felipe Lara.
Fotos: Alair Ribeiro, Maycon Xavier e Assessoria Seduc-MT
Autor: Naiara Martins
Fotografo:
Departamento: Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa – NugJur
Email: [email protected]
Tribunal de Justiça de MT
Esmagis-MT completa 41 anos com balanço positivo de 99 ações pedagógicas no biênio 2025/2026
Publicado
13 de junho de 2026, 09:31
Neste sábado (13 de junho de 2026), a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) celebra 41 anos de criação (1985). A data marca também o balanço de quase 18 meses da atual gestão (biênio 2025/2026), período caracterizado pela continuidade das ações de formação e pelo fortalecimento das atividades pedagógicas voltadas aos juízes(as) e desembargadores(as), bem como aos profissionais que integram o sistema de Justiça e instituições parceiras.
A direção da Esmagis-MT é exercida pelos desembargadores Márcio Vidal, na função de diretor-geral, e Anglizey Solivan de Oliveira, como vice-diretora-geral (janeiro de 2025 a dezembro de 2026). A coordenação das atividades pedagógicas está sob responsabilidade do juiz Antônio Veloso Peleja Júnior, e a Secretaria-Geral é conduzida pela servidora Claudia Regina Duarte Bezerra Candia.
Ações formativas
De janeiro de 2025 a maio de 2026, a Escola realizou 99 ações pedagógicas, entre cursos, seminários, eventos e capacitações, totalizando 3.770 horas de formação.
O diretor-geral da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal, destaca que os resultados apresentados não devem ser compreendidos apenas em sua dimensão numérica, mas principalmente como expressão de um processo mais amplo de amadurecimento institucional. “Ao longo desses quase 18 meses de gestão, buscamos preservar a continuidade das ações já consolidadas pelos meus antecessores, ao mesmo tempo em que promovemos ajustes necessários para que a Esmagis permaneça fiel à sua missão formativa em um cenário de constantes transformações”, pontua.
“A formação do magistrado, em nosso tempo, exige muito mais do que a atualização técnica: impõe uma postura intelectual aberta, sensível às mudanças sociais, às inovações tecnológicas e às complexidades humanas que atravessam a atividade jurisdicional. A Escola tem procurado afirmar-se como um espaço de reflexão qualificada, voltado não apenas à transmissão do conhecimento, mas à construção de um pensamento crítico e de inequívoca responsabilidade.”
Programação pedagógica
A programação da Esmagis-MT manteve alinhamento com as diretrizes da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira (Enfam). No período, das 99 ações pedagógicas, foram realizados 19 cursos credenciados, correspondentes a 19% da programação. As atividades foram desenvolvidas nas modalidades presencial, híbrida, virtual e a distância (EAD), com o objetivo de ampliar o acesso à formação em todo o Estado.
A vice-diretora da Esmagis-MT, desembargadora Anglizey Solivan de Oliveira, ressalta a relevância da diversificação das modalidades e os resultados alcançados pela instituição até o momento. “A Esmagis tem ofertado um ciclo de trabalho consistente, marcado pelo comprometimento institucional e pela busca permanente de aprimoramento. Mais do que números, esses indicadores revelam a consolidação de uma política educacional que vem sendo construída com seriedade, planejamento e atenção às reais necessidades da magistratura”, salienta.
Segundo a desembargadora, cada ação desenvolvida, cada participação registrada e cada hora de formação realizada traduzem um esforço coletivo voltado ao fortalecimento da atividade jurisdicional e à valorização do saber como instrumento essencial à prestação da Justiça. “Esse conjunto de resultados também reflete o engajamento da própria magistratura, que reconhece na Escola Superior da Magistratura um ambiente confiável para o seu desenvolvimento profissional e intelectual. Trata-se de um movimento que ultrapassa a mera dimensão administrativa e alcança um sentido muito mais amplo: o de contribuir para a construção de um Judiciário cada vez mais preparado, consciente de seu papel e comprometido com as transformações da sociedade.”
Formação acadêmica stricto sensu
Em mais um ano, a Esmagis-MT manteve o apoio à formação acadêmica stricto sensu de magistrados(as), com participação em programas de mestrado e doutorado, em parceria com instituições de ensino superior. Atualmente, 19 magistrados integram programas de mestrado e 18 de doutorado.
O juiz coordenador das atividades pedagógicas, Antônio Veloso Peleja Júnior, ressalta a relevância da iniciativa. “O incentivo à formação acadêmica stricto sensu representa um compromisso institucional com a qualificação aprofundada da magistratura. Trata-se de uma política que ultrapassa a capacitação imediata, ao estimular a produção de conhecimento jurídico e o desenvolvimento de uma atuação jurisdicional cada vez mais fundamentada e refletida.”
Conforme o magistrado, a participação de magistrados e magistradas em programas de mestrado e doutorado contribui para o fortalecimento do pensamento crítico e para a construção de soluções mais consistentes diante das demandas contemporâneas do sistema de Justiça. “Ao investir nesse tipo de formação, a Esmagis reafirma seu papel não apenas como espaço de ensino, mas como ambiente de reflexão, pesquisa e desenvolvimento institucional.”
Ampla participação
A política de formação continuada registrou resultados expressivos no período. Em 2025, o programa alcançou 77,43% do quadro da magistratura, com 247 magistrados e magistradas capacitados. Destaca-se o elevado nível de engajamento, que superou o número de participantes individuais e atingiu 942 participações, evidenciando a adesão recorrente a múltiplas ações formativas.
No primeiro semestre de 2026, a tendência se mantém consolidada, com 165 magistrados(as) já envolvidos em atividades ofertadas pela Esmagis, o que representa 47% do corpo funcional capacitado até o momento, somando 723 participações no período.
A secretária-geral da Esmagis-MT, Claudia Regina Duarte Bezerra Candia, destaca a adesão às capacitações. “Mais do que um dado estatístico, esse engajamento dos magistrados e magistradas do Judiciário mato-grossense expressa o compromisso com o aprimoramento permanente e com a qualidade da prestação jurisdicional.”
Segundo a gestora, a participação registrada ao longo do biênio revela o reconhecimento da formação continuada como elemento indispensável ao exercício da jurisdição. “Os números alcançados refletem não apenas a procura pelas atividades promovidas pela Esmagis, mas também a credibilidade construída a partir de uma programação alinhada às necessidades da magistratura”, assinala.
Comunicação e presença digital
A presença digital da Esmagis-MT também foi ampliada no período, com forte produção audiovisual e jornalística voltada à divulgação de conteúdos jurídicos e institucionais. Ao longo do biênio, a Escola produziu 167 episódios de podcasts e programas temáticos, além de vídeos educativos e materiais para redes sociais, consolidando a comunicação como ferramenta estratégica de aproximação com a sociedade.
Entre os principais formatos, destacam-se o programa Por dentro da Magistratura, o podcast Explicando Direito, a série Entendendo Direito, a versão do Explicando Direito para o YouTube e o programa Magistratura e Sociedade, que abordam temas jurídicos de forma acessível e promovem o diálogo entre o Judiciário e a população. Os conteúdos foram produzidos com o objetivo de ampliar o alcance das ações institucionais, contribuindo para a difusão do conhecimento jurídico e o fortalecimento da confiança no sistema de Justiça.
A produção jornalística institucional também registrou crescimento, com a publicação de 571 matérias no site oficial (janeiro de 2025 a maio de 2026) e intensificação da presença nas redes sociais.
A Esmagis-MT registrou crescimento expressivo em sua presença digital no primeiro semestre de 2026. Os dados levantados pela Assessoria de Comunicação apontam avanço significativo nas principais métricas do Instagram institucional (@esmagismt), com destaque para o aumento de 46% nas interações com o conteúdo publicado em comparação ao mesmo período de 2025.
Entre 1º de janeiro e 8 de junho de 2026, as publicações do perfil acumularam 385,2 mil visualizações, crescimento de 10,1% frente ao desempenho registrado no ano anterior. No total, foram publicados 635 conteúdos, entre posts, Reels, carrosseis e stories, que juntos alcançaram mais de 210 mil contas e geraram 13,6 mil interações, incluindo curtidas, comentários, compartilhamentos e salvamentos. O perfil também conquistou 882 novos seguidores no período, fortalecendo a base de audiência da instituição nas redes sociais.
Segundo a assessora de Comunicação da Esmagis-MT, jornalista Keila Maressa, a comunicação é uma ponte essencial entre o Judiciário e a sociedade, contribuindo para a transparência e para a compreensão do papel da magistratura, além de ampliar o acesso da população a informações claras e confiáveis.
Pluralidade de conteúdos formativos
As ações formativas desenvolvidas pela Esmagis-MT contemplaram temas diretamente relacionados à atividade jurisdicional e às demandas contemporâneas, com abordagem em áreas como tecnologia, direitos fundamentais, políticas públicas e sustentabilidade, evidenciando a preocupação institucional em oferecer uma formação abrangente, atualizada e interdisciplinar.
Segundo o diretor-geral, a definição desses conteúdos decorre de um processo criterioso de identificação das necessidades da magistratura, em diálogo permanente com as transformações sociais e institucionais que impactam o exercício da jurisdição. “A estruturação da programação formativa parte de uma leitura atenta e sistemática das demandas que emergem da prática jurisdicional, buscando não apenas acompanhar, mas também antecipar os desafios impostos pelo cenário contemporâneo. Trata-se de uma atuação orientada por uma perspectiva estratégica, na qual o conhecimento é compreendido como instrumento essencial para o fortalecimento institucional do Poder Judiciário.”
A pluralidade temática, explica o desembargador, não constitui apenas um dado quantitativo, “mas expressa uma concepção pedagógica comprometida com a formação de magistrados aptos a atuar com segurança, discernimento e responsabilidade diante da complexidade crescente das demandas judiciais.”
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Autor: Lígia Saito
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]
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