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Programa Futuras Cientistas amplia acesso de meninas a laboratórios e centros tecnológicos

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Em janeiro, Aline Vitória Almeida de Aquino, de 17 anos, viveu uma experiência que vai marcar a sua juventude. Graças ao Programa Futuras Cientistas, ela participou de atividades práticas em laboratórios de universidades e centros tecnológicos de referência no País, assistiu a palestras de cientistas e pesquisadores renomados e fez parte de ações presenciais e remotas sobre ciência, tecnologia, engenharia e matemática.  

A estudante foi uma das 470 meninas do 2º ano do Ensino Médio que participaram da iniciativa do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). “Nós aprendemos muito sobre ferramentas, motores e biodiesel, um combustível extraído de plantas oleaginosas que não agride tanto o meio ambiente como os derivados do petróleo”, destacou.  

Quando se formar, ela quer seguir na engenharia mecânica. É uma área com a qual Aline Vitória Almeida de Aquino sempre se identificou e que, agora, tendo maior contato com profissionais que já atuam no mercado, ganhou mais motivação para estudar cada vez mais e passar no vestibular no ano que vem. Esse, inclusive, é um dos principais objetivos do programa: estimular o interesse e promover a participação de meninas nas áreas de ciência e tecnologia. 

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Durante o período do programa, que se encerra nesta sexta-feira (30), ela desenvolveu um trabalho em grupo, sob a tutoria da professora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco Andrezza Carolina Carneiro Tomás, doutora em mecânica. “É um desafio ser mulher em qualquer área profissional, principalmente nas exatas, mais ainda especificamente na engenharia mecânica”, avalia. Elas trabalharam em cima do tema Sustentabilidade em Movimento — Avaliando o Impacto do Biodiesel em Motores Diesel. 

A ministra do MCTI, Luciana Santos, participará da cerimônia de encerramento do programa na sexta-feira. O evento será a partir das 9 horas, no auditório do Salão Nobre da Universidade Federal Rural de Pernambuco. 

Programa Futuras Cientistas 

A Imersão Científica 2026 começou em 5 de janeiro e teve 80 horas de atividades ao longo do mês em todas as regiões do Brasil. A cerimônia de encerramento ocorre nesta sexta-feira, na Universidade Federal Rural de Pernambuco. As participantes selecionadas recebem auxílio financeiro de R$ 300, concedido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de um kit com materiais para experimentos científicos. 

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Criado em 2011, o Programa Futuras Cientistas já impactou centenas de jovens em todo o País, ampliando o acesso de meninas e professoras do Ensino Médio público à ciência, tecnologia e inovação. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Cerâmica ancestral renasce pelas mãos de mulheres da Amazônia

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Uma história viva. É assim que a coordenadora do Grupo de Agricultores Orgânicos da Missão, Bernardete Araújo, descreve a japuna, um tipo de forno de origem indígena. Hoje, essa e tantas outras peças há tempos esquecidas voltam a ganhar vida pelas mãos de mulheres agricultoras e ceramistas da comunidade que fica em Tefé (AM), graças ao projeto Cadeias Operatórias das Japuna no Médio Solimões.  

“A japuna, para mim, significa a história viva, um museu vivo. Eu via, desde pequena, minha mãe produzindo e usando essa peça para torrar farinha, café, cacau, milho e castanha. Estamos resgatando o conhecimento tradicional das nossas mães, avós e bisavós”, conta a coordenadora. Outro ponto positivo de voltar a adotar a técnica ancestral é a possibilidade de gerar renda com a venda de vasos, fogareiros, fruteiras e panelas. 

A iniciativa reuniu as mulheres da associação Clube de Mães para atuar em todas as etapas do processo, chamada pelos arqueólogos de cadeia operatória das japuna. Esse processo vai desde a coleta do barro na própria comunidade, passando pela modelagem e pela queima natural do material, até a finalização das peças, práticas aprendidas com suas antepassadas. 

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O projeto conta com três eixos de pesquisa: o primeiro com base em escavações na região; o segundo, de caráter etno-histórico, fundamentado em relatos de livros históricos e na memória das mulheres; e o terceiro, etnográfico, baseado na observação das técnicas das ceramistas da comunidade. A iniciativa é uma parceria entre o grupo e o Instituto Mamirauá, organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). 

Segundo a arqueóloga do Mamirauá e uma liderança da iniciativa, Geórgea Holanda, há anos a produção das japuna estava adormecida, com risco de ser extinta. “Mas elas estavam presentes na mente das ceramistas. Então, por meio do projeto, foi possível colocar em prática esse conhecimento. Que foi repassado de geração para geração pelas suas antepassadas”, conta.  

“Voltar a fazer as japuna é como o resgate do conhecimento tradicional dos nossos pais. A gente tem que manter viva essa tradição, esse conhecimento e a continuidade dessa história da nossa ancestralidade”, diz Bernardete. 

De acordo com Geórgea, a relação entre o instituto e a comunidade acontece de forma participativa, sempre respeitando as decisões das pessoas da comunidade. “Esse trabalho só foi possível porque elas aceitaram e passaram esse rico conhecimento para nós”, finaliza a arqueóloga. 

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Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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