Nacional

Setor aquaviário da Região Norte cresce 3% durante o terceiro trimestre de 2025

Publicado

A movimentação portuária da Região Norte apresentou desempenho positivo no terceiro trimestre de 2025, com 43,3 milhões de toneladas movimentadas entre julho e setembro. O resultado representa um crescimento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

O aumento foi impulsionado principalmente pelas operações de granel sólido, que totalizaram 33,8 milhões de toneladas, crescimento de 2,5% na comparação com 2024. O granel líquido também apresentou alta, somando 4,4 milhões de toneladas, avanço de 3,3%, com destaque para o transporte de petróleo e derivados.

Movimentação Portuária Região Norte
Movimentação Portuária Região Norte

Entre os tipos de carga, o melhor desempenho foi da carga conteinerizada, que registrou aumento de 9,93% e alcançou 3,2 milhões de toneladas no trimestre. O resultado reflete a expansão da movimentação de bens industrializados e o fortalecimento dos portos da região como importantes corredores logísticos do país. 

Nos terminais públicos, o destaque foi o Porto de Vila do Conde, que movimentou 5,5 milhões de toneladas, 2,9% a mais que no mesmo período de 2024. Entre os terminais privados, o Terminal Graneleiro Hermasa apresentou crescimento expressivo de 43,9%, atingindo 3,1 milhões de toneladas.

Leia mais:  Na China, Silveira discute armazenamento de energia e minerais críticos com CATL

No recorte por mercadorias, a soja se destacou com aumento de 83,5%, totalizando 5,6 milhões de toneladas movimentadas no trimestre. O petróleo e derivados, sem considerar o óleo bruto, também registraram avanço de 5,6%, somando 3,4 milhões de toneladas.

O transporte pelas vias interiores da região continua em expansão. Foram movimentadas 30,3 milhões de toneladas, representando crescimento de 1,3%. O aumento foi impulsionado tanto pelo transporte nacional, que cresceu 8,2%, quanto pelo internacional, que apresentou expressivo avanço de 282%. Esse resultado consolida o potencial da navegação interior como eixo estratégico para a integração logística da Amazônia.

O longo curso também apresentou desempenho positivo, com 17,6 milhões de toneladas movimentadas e alta de 1,03%, resultado impulsionado pelo aumento de 10,5% nas importações.

Os números reforçam a força do setor aquaviário da Região Norte e o papel dos portos públicos e privados no fortalecimento da economia, na ampliação da conectividade regional e na sustentabilidade do transporte de cargas no país.

Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos

Leia mais:  Leilões de três terminais portuários garantem mais de R$ 226 milhões em investimentos privados

 

 

 

Fonte: Portos e Aeroportos

Comentários Facebook
publicidade

Nacional

MTE resgata duas trabalhadoras submetidas a condições análogas à escravidão em Santa Catarina

Publicado

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Auditoria-Fiscal do Trabalho, resgatou duas trabalhadoras submetidas a condições análogas à escravidão em ações realizadas no estado de Santa Catarina (SC) durante o mês de maio. As operações ocorreram nos municípios de Benedito Novo, no Vale do Itajaí, e em Florianópolis, e contaram com atuação conjunta de órgãos públicos de proteção aos direitos humanos e trabalhistas.

No município de Benedito Novo, a ação realizada em 12 de maio reuniu equipes da Auditoria-Fiscal do Trabalho do MTE, Polícia Federal (PF), Ministério Público do Trabalho (MPT), Defensoria Pública da União (DPU), além de profissionais das áreas de psicologia e assistência social. Durante a fiscalização, foi resgatada uma mulher de 40 anos submetida a mais de quatro décadas de exploração doméstica praticada pelos próprios familiares em uma propriedade rural da região.

As diligências foram iniciadas após denúncias sobre possíveis violações de direitos humanos e trabalhistas no local. Segundo informações da equipe de Auditoria-Fiscal do Trabalho, a vítima vivia em situação de trabalho forçado doméstico, submetida a jornadas exaustivas, condições degradantes e restrição de locomoção.

No início da operação, os familiares da trabalhadora resistiram à entrada das equipes e tentaram impedir o contato da fiscalização com a vítima. Mesmo diante da presença policial, houve ameaças aos agentes públicos, incluindo intimidações com uso de facas.

Após a contenção da situação, as equipes conseguiram conversar com a trabalhadora, que apresentava sinais de neurodivergência e forte temor de deixar a residência. De acordo com os relatos obtidos durante a fiscalização, ela realizava atividades domésticas permanentes desde a infância, sem remuneração, autonomia ou acesso a direitos trabalhistas.

O MTE também constatou condições precárias de habitação e fortes indícios de isolamento social. Relatos de moradores da região indicavam que a vítima raramente era vista fora da propriedade.

Na mesma propriedade, a fiscalização identificou ainda uma serraria funcionando de forma irregular, com trabalhadores sem registro formal e expostos a graves riscos de acidentes. Máquinas artesanais operavam sem proteção adequada, sem treinamento de segurança e sem fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Um dos trabalhadores informou atuar no local há mais de dois anos sem acesso a direitos trabalhistas. Segundo relatos colhidos pela fiscalização, a serraria contava com pelo menos cinco trabalhadores em situação informal.

Leia mais:  Sedigi discute implantação do ECA Digital com setores do mercado adulto

Já em Florianópolis, em outra operação conjunta, a equipe de Inspeção do Trabalho identificou, no início de maio, uma trabalhadora doméstica etíope, de 34 anos, submetida a condições análogas à escravidão em uma residência localizada em condomínio fechado no bairro Rio Tavares.

A fiscalização constatou indícios de jornadas exaustivas, violência psicológica, retenção de documentos e restrição de liberdade. A vítima havia sido contratada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, por intermédio de uma empresa estrangeira de serviços domésticos identificada como Maids Domestic Workers Services L.L.C., e trazida ao Brasil por um casal formado por um homem brasileiro e uma mulher árabe, sem visto de trabalho regular.

Segundo relatos colhidos durante o atendimento, a trabalhadora era submetida a jornadas diárias das 7h às 22h30, inclusive aos finais de semana, acumulando atividades de limpeza, preparo de alimentos, cuidados com os filhos da família e com os animais de estimação da residência.

A vítima relatou episódios constantes de violência psicológica, verbal e moral, marcados por gritos, insultos, ameaças e intimidações. Também foram relatadas tentativas de agressão física e arremessos de objetos em sua direção, criando um ambiente permanente de medo e pressão emocional.

Os empregadores também retiveram os documentos pessoais da trabalhadora, incluindo o passaporte, restringindo sua liberdade de locomoção e dificultando qualquer possibilidade de busca por ajuda. Temendo por sua integridade física, a vítima fugiu da residência durante a noite levando apenas as roupas do corpo e um aparelho celular.

Após horas perambulando pelas ruas, conseguiu pedir ajuda utilizando ferramentas de tradução no celular para se comunicar com pessoas que encontrou pelo caminho. A trabalhadora foi inicialmente acolhida pela rede pública de segurança, saúde e assistência social, que posteriormente acionou o MTE para atendimento especializado.

Leia mais:  Diretores de Tecnologia Apresentam Inovação Contra a Corrupção em Alagoas

Durante o atendimento, a vítima informou desejar interromper imediatamente a relação de trabalho em razão das violências sofridas, da carga horária excessiva e da privação de liberdade. Ela também relatou que os empregadores condicionavam a devolução de seus documentos e pertences pessoais ao pagamento de supostas dívidas relacionadas a passagens aéreas, emissão de visto, alimentação e outras despesas.

As equipes do MTE e da rede de acolhimento confirmaram que, mesmo após a fuga, a trabalhadora continuou recebendo mensagens intimidatórias e acusações falsas por parte dos empregadores. Sem rede de apoio no Brasil e desconhecendo seus direitos, a vítima apresentava forte abalo emocional no momento do acolhimento pelos órgãos públicos.

Nos dois casos, as trabalhadoras resgatadas foram encaminhadas para atendimento especializado nas áreas de saúde, assistência social e apoio psicossocial. Os órgãos responsáveis também adotaram as providências cabíveis para investigação e responsabilização dos envolvidos.

O Ministério do Trabalho e Emprego reforça que o combate ao trabalho análogo ao de escravo tem como objetivo proteger a dignidade humana e assegurar condições mínimas de liberdade, saúde e segurança aos trabalhadores. A prática pode ser caracterizada não apenas pela restrição física de liberdade, mas também por jornadas exaustivas, condições degradantes de trabalho, retenção de documentos, violência psicológica e mecanismos de coação que impeçam a autonomia da vítima.

Denúncias

Casos de trabalho análogo ao de escravo podem ser denunciados de forma anônima e segura por meio do Sistema Ipê, plataforma gerenciada pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A ferramenta fortalece o combate a essas violações por meio da participação ativa da sociedade.

 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana