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Trigo em queda: preços recuam no Brasil e no exterior com avanço da colheita e ampla oferta global

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O relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, apresentou uma análise detalhada sobre o cenário atual do mercado de trigo. O estudo aponta que os preços seguem em queda tanto no Brasil quanto no exterior, influenciados pelo avanço da colheita e pelo excesso de oferta global.

De acordo com a Conab, os preços internos recuaram 9% em outubro, em comparação com setembro, encerrando o mês com média de R$ 64,22 por saca de 60 kg no Paraná. Na primeira quinzena de novembro, a tendência de baixa se manteve, com o valor médio em R$ 64,00/sc até o dia 14.

A pressão vem da maior disponibilidade de grãos no mercado e do cenário internacional, que também apresenta sinais de enfraquecimento nas cotações. Para mitigar os impactos sobre os produtores, a Conab anunciou, em 7 de novembro, a liberação de R$ 67 milhões para leilões públicos com os mecanismos de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e Prêmio de Escoamento do Produto (PEP), com o objetivo de incentivar a comercialização de 250 mil toneladas de trigo.

Cotações internacionais seguem pressionadas pela oferta global

No mercado internacional, o preço do trigo apresentou estabilidade em outubro, mas ainda sob forte pressão. O contrato do trigo soft em Chicago fechou o mês a USDc 511/bu, leve alta de 0,4% frente a setembro, porém 12,7% abaixo do mesmo período de 2024.

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Já no início de novembro, as cotações reagiram brevemente às especulações de compras chinesas, atingindo USDc 550,25/bu em 4 de novembro. Entretanto, com os embarques menores do que o esperado e os novos dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontando maior oferta, os preços voltaram a cair, fechando a média parcial de novembro em USDc 538/bu até o dia 14.

Produtores brasileiros vendem abaixo do preço mínimo

Enquanto o cenário externo apresenta volatilidade, os produtores brasileiros enfrentam preços inferiores ao mínimo estimado pela Conab, de R$ 78,51/sc. Essa diferença reforça a necessidade de medidas de apoio à comercialização.

Segundo o Itaú BBA, o aumento da oferta global e o ritmo acelerado da colheita interna devem continuar pressionando o mercado nas próximas semanas, especialmente nas regiões Sul e Centro-Oeste, principais polos produtores.

USDA amplia projeções e reforça cenário de ampla oferta global

O USDA revisou para cima suas estimativas de produção e estoques globais, consolidando um quadro de ampla oferta mundial de trigo. Após o período de shutdown, o órgão elevou a projeção de produção mundial para a safra 2025/26 de 807 para 829 milhões de toneladas, o que representa alta de 4% em relação à safra anterior.

Os estoques finais dos Estados Unidos também foram ampliados, passando de 23 para 24,5 milhões de toneladas, enquanto os estoques mundiais subiram de 261 para 271 milhões de toneladas. O relatório destacou aumentos simultâneos em oferta, consumo e estoques finais.

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Colheita avança no Brasil com boa produtividade, mas clima preocupa

No Brasil, a colheita de trigo atingiu 63,7% da área total até 8 de novembro, segundo a Conab. No Paraná, principal produtor nacional, o trabalho está praticamente concluído, com 88% das lavouras colhidas. Já no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, o ritmo é mais lento, com 60% e 86% das áreas ainda pendentes, respectivamente.

Apesar da produtividade satisfatória, o clima no Sul trouxe desafios, como chuvas intensas, granizo e relatos de queda na qualidade dos grãos, o que pode limitar ganhos de rentabilidade dos produtores.

Argentina deve bater recorde e aumentar pressão sobre preços

Na Argentina, a colheita avança com boas expectativas, alcançando 16,5% da área total até 13 de novembro, segundo a Bolsa de Cereales. As lavouras apresentam excelente condição, e a produção foi revisada de 22 para 24 milhões de toneladas, superando em 7% o recorde da safra 2021/22.

Com isso, o país vizinho deve ampliar seu excedente exportável, o que tende a pressionar ainda mais os preços no mercado brasileiro. Mesmo diversificando destinos, o Brasil segue como o principal comprador do trigo argentino.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Protocolo Verde dos Grãos atinge 95% de conformidade e volume auditado de soja no Pará cresce mais de 600%

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O terceiro ciclo de auditorias do Protocolo Verde dos Grãos (PVG) confirma o avanço da governança socioambiental na cadeia da soja no Pará. Os resultados, divulgados pelo Ministério Público Federal (MPF) em parceria com o Imaflora, apontam que o volume de grãos rastreados alcançou 9,7 milhões de toneladas, representando crescimento superior a 600% em relação à primeira edição do programa.

O volume auditado refere-se às safras 2022/2023 e 2023/2024 e totaliza 9.770.450,56 toneladas, equivalente a 108% da produção estadual — percentual que supera 100% por incluir operações de revenda. O número consolida o PVG como uma das principais iniciativas de monitoramento da cadeia produtiva de grãos no país.

Crescimento contínuo e consolidação do programa

Desde sua criação, o Protocolo Verde dos Grãos apresenta expansão consistente. No primeiro ciclo de auditorias (safra 2017/2018), foram analisadas 1,5 milhão de toneladas. Já no segundo ciclo (safras 2018/2019 e 2019/2020), o volume subiu para 3,2 milhões de toneladas, evidenciando a rápida evolução da iniciativa.

O avanço reforça a eficácia dos acordos setoriais conduzidos pelo MPF, inspirados em modelos como o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) da Carne Legal, que também atua na promoção de boas práticas produtivas na Amazônia.

Conformidade socioambiental se mantém em nível elevado

Além do crescimento no volume auditado, o terceiro ciclo confirmou alto nível de conformidade socioambiental. Segundo o relatório, 95,39% das operações analisadas atenderam integralmente aos critérios do protocolo, enquanto apenas 4,61% apresentaram inconformidades.

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Os dados indicam amadurecimento da cadeia produtiva. No primeiro ciclo, a taxa de conformidade era de 80,36%, evoluindo para 96% no segundo ciclo e mantendo-se acima de nove em cada dez operações regulares desde então.

Esse desempenho demonstra o papel do PVG como indutor de boas práticas, contribuindo para alinhar a expansão agrícola à preservação ambiental e à proteção dos recursos naturais na Amazônia.

Adesão de empresas cresce e fortalece competitividade

O aumento da credibilidade do protocolo também se reflete na adesão das empresas. No terceiro ciclo, foram entregues 36 relatórios de auditoria, abrangendo 47% das 77 empresas signatárias ativas no período analisado.

O número representa o triplo das empresas auditadas no primeiro ciclo (12) e quase o dobro da segunda rodada (19 relatórios). Atualmente, o PVG reúne 95 empresas signatárias ativas, consolidando-se como referência para o setor.

O engajamento crescente indica que a certificação no protocolo deixou de ser apenas uma exigência de conformidade para se tornar um diferencial competitivo no mercado, especialmente em cadeias que demandam rastreabilidade e sustentabilidade.

Metodologia garante transparência ao mercado

A robustez da metodologia adotada também fortalece a confiabilidade dos resultados. Neste ciclo, a auditoria avaliou uma amostra equivalente a 35% do volume comercializado, totalizando 3.444.405,92 toneladas.

Desse total, 3.285.547,18 toneladas foram consideradas regulares, atendendo aos critérios ambientais e sociais estabelecidos pelo protocolo.

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A transparência do processo contribui para ampliar a segurança dos compradores e reforça a credibilidade da soja produzida no Pará nos mercados nacional e internacional.

Evento reúne setor para debater avanços e desafios

A apresentação dos resultados ocorreu em Belém (PA), durante evento que reuniu representantes do setor produtivo, organizações da sociedade civil e instituições públicas.

A programação incluiu exposição técnica dos dados das auditorias e debates sobre os desafios e perspectivas para o monitoramento da cadeia da soja. Participaram entidades como Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, ABIOVE, ANEC, Unigrãos e Instituto Centro de Vida.

Responsável pela análise técnica e condução das auditorias, o Imaflora também organizou o encontro em parceria com o MPF, reforçando seu papel na promoção da transparência e no aprimoramento contínuo das práticas socioambientais no agronegócio.

Perspectivas para a cadeia da soja

Os resultados do terceiro ciclo indicam que o Protocolo Verde dos Grãos se consolida como um instrumento estratégico para o desenvolvimento sustentável da produção de soja na Amazônia.

Com alta adesão, níveis elevados de conformidade e expansão contínua da rastreabilidade, a iniciativa fortalece a imagem do agronegócio brasileiro e amplia sua competitividade em mercados que exigem cada vez mais responsabilidade socioambiental.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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