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Uso reduzido de sementes certificadas ameaça qualidade do trigo gaúcho, alertam especialistas

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Rio Grande do Sul lidera produção, mas enfrenta desafios

O Rio Grande do Sul mantém sua posição como maior produtor de trigo do Brasil, respondendo por quase metade da produção nacional. A safra 2025/26 deve alcançar 7,5 milhões de toneladas no país, segundo estimativas da StoneX, sendo 3,7 milhões de toneladas provenientes do território gaúcho.

De acordo com a Emater/RS-Ascar, o Estado cultivou 1,14 milhão de hectares, com produtividade média de 3.261 kg/ha. O cenário, contudo, exige cautela. “O agricultor precisou decidir com cuidado em quais culturas investir após as adversidades climáticas da safra de verão”, explica Arthur Machado, desenvolvedor de mercado da APASSUL (Associação dos Produtores de Sementes e Mudas do RS).

Segundo ele, o trigo continua sendo uma opção estratégica, impulsionada por cultivares mais produtivas, resistentes e de alta qualidade industrial, resultado de anos de aprimoramento genético no Estado.

Queda no uso de sementes certificadas acende alerta

Apesar dos avanços tecnológicos, o uso de sementes certificadas no Rio Grande do Sul caiu para 48%, o menor índice dos últimos anos, segundo a APASSUL. Isso significa que mais da metade das lavouras são plantadas com sementes salvas ou de origem desconhecida, comprometendo a rastreabilidade, segurança alimentar e qualidade industrial.

Na prática, apenas 4,8 hectares em cada 10 utilizam sementes certificadas — o que afeta diretamente a produtividade e a reputação do trigo gaúcho. “A semente é o início de tudo. Sem ela, não há genética, produtividade ou qualidade industrial”, ressalta Machado.

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Avanços genéticos não chegam ao campo sem base sólida

Nos últimos anos, o melhoramento genético do trigo trouxe variedades com maior resistência a doenças, estabilidade produtiva e melhor perfil industrial. Esse salto tecnológico garantiu retornos econômicos e sustentabilidade, elevando a competitividade do trigo gaúcho no mercado nacional.

Entretanto, para Pedro Basso, CEO da SCV e conselheiro da APASSUL, o desafio está na adoção dessas tecnologias. “É preciso que mais produtores invistam em sementes de alta qualidade para que o trigo do RS seja realmente maior e melhor”, afirma.

O pesquisador da Embrapa Trigo, Giovani Faé, reforça: “O uso insuficiente de sementes certificadas impede que o salto tecnológico chegue ao campo. Quando o produtor opta por sementes sem origem confiável, ele rompe a rastreabilidade e compromete toda a cadeia produtiva.”

Cadeia do trigo tem papel estratégico na segurança alimentar

A cadeia do trigo é uma das mais integradas do agronegócio brasileiro, conectando produtores, moinhos, indústrias e comércio. “Os obtentores e multiplicadores de sementes asseguram a pureza genética e a rastreabilidade; o agricultor planta o futuro; os moinhos garantem a qualidade da farinha; e a indústria transforma isso em alimento e renda”, explica Machado.

Apesar dos esforços produtivos, o Brasil ainda não é autossuficiente em trigo. Segundo a Secex/Cepea, até maio de 2025 o país importou 3,09 milhões de toneladas, o maior volume em 24 anos. Nos últimos dez anos, o Brasil gastou mais de US$ 11,3 bilhões na compra líquida do cereal, conforme dados da Embrapa Trigo.

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Oportunidade para crescimento sustentável

A APASSUL alerta que a redução no uso de sementes certificadas, somada a fatores como custos elevados, falta de crédito e instabilidade climática, coloca em risco o futuro da cultura no Estado.

“O produtor que investe em sementes certificadas garante rastreabilidade, inovação e sustentabilidade para sua lavoura”, afirma Márcio Só e Silva, CEO da Semevinea Genética Avançada.

Faé, da Embrapa Trigo, acrescenta que o trigo cultivado com sementes certificadas contribui para o sequestro de carbono, fortalecendo o papel do cereal na agricultura sustentável. “O Rio Grande do Sul tem potencial de aumentar em mais de 40% sua produção de trigo de alta qualidade. Mas isso depende da adoção de sementes com procedência e genética comprovada”, reforça o pesquisador.

Financiamento e inovação garantem futuro da pesquisa

O ciclo de melhoramento genético depende do financiamento contínuo da pesquisa. Segundo Arthur Machado, o royalty do germoplasma — cerca de R$ 11 a R$ 12 por saca de 40 kg — é fundamental para sustentar os programas de inovação.

Empresas do setor destinam, em média, 20% do faturamento para pesquisa e desenvolvimento (P&D), garantindo a evolução constante das cultivares e a competitividade do trigo brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Laranja de São Paulo lidera produção mundial, impulsiona exportações e conecta o Brasil a mercados de todos os continentes

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A laranja produzida em São Paulo consolidou-se como um dos principais ativos do agronegócio brasileiro, combinando produtividade, tecnologia, sustentabilidade e forte presença no comércio internacional. Líder absoluta da citricultura nacional, a produção paulista abastece o mercado interno e coloca o Brasil na posição de maior exportador mundial de suco de laranja, fortalecendo a balança comercial e levando um dos alimentos mais consumidos do planeta para consumidores de diferentes culturas.

Muito além da relevância econômica, a fruta representa um elo entre continentes, conectando tradição agrícola, inovação tecnológica e intercâmbio cultural por meio da alimentação.

São Paulo concentra a maior produção de laranja do Brasil

O cinturão citrícola formado por São Paulo e pelo Triângulo/Sudoeste Mineiro é reconhecido como a maior região produtora de laranja do mundo.

Na safra 2025/26, a produção foi estimada em cerca de 314 milhões de caixas de 40,8 quilos, mantendo a região como referência global na oferta de frutas para consumo in natura e para a indústria de suco.

São Paulo responde por aproximadamente 80% da produção brasileira de laranja e por cerca de 90% do suco exportado pelo país, desempenho sustentado por décadas de investimentos em pesquisa, inovação, mecanização, manejo fitossanitário e melhoramento genético.

Entre os principais polos produtores destacam-se municípios como Bebedouro, Araraquara, Limeira, Matão, Itápolis, Catanduva, Barretos, São José do Rio Preto, Botucatu, Avaré e Casa Branca, onde a citricultura movimenta a economia local e gera milhares de empregos diretos e indiretos.

Cadeia da laranja movimenta mais de R$ 20 bilhões

A importância econômica da citricultura vai muito além da produção nos pomares.

Em 2025, a cadeia produtiva da laranja movimentou mais de R$ 20 bilhões, considerando atividades como cultivo, processamento industrial, transporte, logística e exportações.

O Brasil também mantém posição de liderança no comércio internacional, respondendo por aproximadamente 70% das exportações mundiais de suco de laranja.

Os principais mercados compradores incluem:

  • Estados Unidos;
  • União Europeia;
  • Japão;
  • China;
  • Coreia do Sul;
  • Canadá;
  • Reino Unido;
  • países do Oriente Médio.
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Essa presença internacional consolida a fruta paulista como uma das principais embaixadoras do agronegócio brasileiro no exterior.

Novos mercados são estratégicos para fortalecer o setor

Apesar da liderança global, especialistas avaliam que a diversificação dos destinos das exportações será fundamental para ampliar a competitividade da cadeia citrícola.

Segundo Cássio Leme, presidente do Sindicato Rural de Paranapanema, os Estados Unidos continuam sendo o principal destino do suco brasileiro, mas a abertura de novos mercados pode reduzir riscos comerciais e ampliar a rentabilidade dos produtores.

Além do cenário internacional, o setor enfrenta desafios relacionados às oscilações climáticas, à disponibilidade de mão de obra especializada e à variação cambial, fatores que influenciam diretamente os custos de produção e a competitividade da atividade.

Em diversas regiões paulistas, áreas não irrigáveis vêm sendo aproveitadas para o cultivo de laranja destinada ao processamento industrial, ampliando a utilização eficiente das propriedades rurais.

Tecnologia fortalece a competitividade da citricultura

A liderança da citricultura paulista também é resultado de uma cadeia altamente estruturada.

O setor reúne produtores, viveiristas, cooperativas, pesquisadores, transportadores, indústrias e centros de tecnologia que trabalham de forma integrada para elevar produtividade, qualidade e sustentabilidade.

Os investimentos em inovação incluem:

  • melhoramento genético de variedades;
  • monitoramento fitossanitário;
  • controle biológico de pragas;
  • mecanização das operações;
  • agricultura de precisão;
  • desenvolvimento de novas tecnologias de manejo.

Esses avanços permitem manter elevados padrões de qualidade exigidos pelos mercados consumidores e fortalecem a competitividade da produção brasileira.

Greening continua sendo o maior desafio da citricultura

Entre os principais desafios do setor está o avanço do greening (HLB), considerada a doença mais severa da citricultura mundial.

Transmitida pelo psilídeo (Diaphorina citri), a enfermidade compromete o desenvolvimento das plantas, reduz significativamente a produtividade e exige monitoramento permanente dos pomares.

O controle integrado da doença, aliado ao uso de mudas certificadas, manejo adequado e investimentos contínuos em pesquisa, permanece como uma das principais prioridades da cadeia produtiva.

Da Ásia ao Brasil: uma fruta que une culturas

Originária do sudeste da Ásia, a laranja percorreu antigos caminhos comerciais, como a Rota da Seda, antes de chegar ao Oriente Médio, à Europa e, posteriormente, ao continente americano.

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Ao longo dos séculos, tornou-se parte da cultura alimentar de diferentes povos e passou a simbolizar prosperidade, fartura, saúde e hospitalidade em diversas tradições.

Hoje, além de seu peso econômico, a fruta está presente em receitas típicas, sobremesas, bebidas e celebrações em diferentes regiões do mundo.

Na China, por exemplo, a laranja é tradicionalmente associada ao Ano-Novo Lunar como símbolo de prosperidade. Em países do Mediterrâneo, integra festivais ligados à colheita, enquanto no Oriente Médio é amplamente utilizada em preparações culinárias e doces tradicionais.

Gastronomia reforça a conexão entre Brasil e Oriente Médio

A influência da laranja também está presente na culinária árabe.

Uma das sobremesas mais tradicionais da região é o malabie (também conhecido como mhalabieh ou muhallebi), preparado à base de leite e tradicionalmente aromatizado com água de flor de laranjeira, ingrediente que confere identidade ao doce há mais de mil anos.

Com a imigração árabe para o Brasil, receitas como essa passaram a fazer parte da gastronomia nacional e ganharam novas interpretações, incluindo versões com caldas de laranja produzida nos pomares brasileiros.

Essa integração entre agricultura, gastronomia e comércio internacional reforça o papel da laranja como um alimento que ultrapassa fronteiras, aproxima culturas e consolida o protagonismo do agronegócio brasileiro no cenário mundial.

Perspectivas para a cadeia citrícola

Mesmo diante dos desafios fitossanitários e climáticos, a citricultura paulista mantém perspectivas positivas sustentadas pela inovação tecnológica, expansão dos mercados consumidores e elevada demanda internacional por frutas e derivados.

Com liderança global na produção e exportação de suco de laranja, São Paulo segue como referência para o setor, fortalecendo a geração de emprego, renda, divisas e desenvolvimento regional, além de consolidar a laranja como um dos produtos mais emblemáticos e estratégicos do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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