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Setor pressiona governo para elevar mistura de biodiesel para 16%

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Produtores de biodiesel e parlamentares ligados ao agronegócio intensificaram a pressão para que o governo federal aprove o aumento da mistura do biocombustível ao diesel fóssil de 15% para 16% ainda em 2026. Embora a legislação permita a elevação a partir de 1º de março, a mudança depende da aprovação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), vinculado ao Ministério de Minas e Energia (MME).

Reunião do CNPE e testes em andamento

Fontes em Brasília indicam que a questão deve ser discutida em reunião do CNPE prevista para 12 de março. No entanto, o governo planeja realizar novos testes para validar a mistura mais elevada, que só devem ficar prontos na metade do ano.

Até o momento, os testes realizados pelo MME usaram misturas de 15% de biodiesel. Os próximos experimentos, já programados, devem avaliar a mistura de 20%, garantindo dados técnicos antes da aprovação do aumento da proporção no diesel.

Posição da indústria automotiva

A indústria automotiva apoia a decisão do governo de realizar testes antes da implementação do novo percentual. Segundo Henry Joseph, assessor especial da presidência da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea):

“Aumentar a mistura sem ter referência se vai causar problemas nos motores não é viável. Se os testes mostrarem algum problema, como lidaríamos com o combustível que já está circulando?”

A medida busca conciliar o cronograma previsto na Lei do Combustível do Futuro, que prevê aumento anual de 1 ponto percentual, com a segurança operacional dos veículos.

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B16 como estratégia para reduzir custos e dependência externa

As usinas defendem o B16 como forma de reduzir os custos com combustíveis fósseis, diante da alta nos preços do diesel provocada pelo conflito no Irã e por flutuações internacionais.

Segundo a Coalizão pelos Biocombustíveis e as Frentes Parlamentares do Biodiesel (FPBio) e da Agropecuária (FPA):

“Importamos cerca de 25% do diesel que consumimos. Mesmo sendo exportadores de petróleo bruto, permanecemos expostos às oscilações externas no abastecimento e no preço do diesel refinado. A elevação da mistura para o B16 é necessária neste momento de instabilidade internacional. Cada ponto percentual adicional de biodiesel reduz a necessidade de importação, diminui a exposição cambial, amplia a segurança energética e fortalece a produção nacional.”

Segurança energética e fortalecimento da produção nacional

O aumento da mistura de biodiesel é visto como medida estratégica para blindar o país frente a crises internacionais, garantindo maior autonomia energética e fortalecendo a produção doméstica de biocombustíveis.

A aprovação do B16 representa, segundo o setor, uma combinação de benefícios econômicos, ambientais e de segurança energética, alinhada aos desafios atuais do mercado global de combustíveis.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Exportações do agronegócio brasileiro disparam e abril registra segundo melhor resultado da história

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O agronegócio brasileiro voltou a mostrar força no mercado internacional em abril de 2026. As exportações do setor alcançaram US$ 16,6 bilhões no período, crescimento de 12% em relação ao mesmo mês do ano passado e o segundo melhor resultado mensal da série histórica, ficando atrás apenas de maio de 2023.

Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA mostram avanço consistente das vendas externas, puxado principalmente pelo complexo soja, proteínas animais e algodão.

Complexo soja lidera exportações e garante avanço da receita

A soja voltou a ser o principal motor das exportações brasileiras. Em abril, os embarques do grão atingiram 16,7 milhões de toneladas, maior volume mensal do ano, gerando receita de US$ 7 bilhões.

Além do aumento da disponibilidade da safra brasileira, o preço médio da commodity também subiu e alcançou US$ 416 por tonelada, alta anual de 8,4%.

O farelo de soja também apresentou desempenho positivo:

  • Volume exportado: 2,4 milhões de toneladas
  • Crescimento anual: 13%
  • Preço médio: US$ 363/t

Já o óleo de soja teve comportamento distinto. Apesar da queda de 7,8% no volume exportado, os preços avançaram pelo quinto mês consecutivo, alcançando US$ 1.191/t, alta de 15% frente a abril de 2025.

Carne bovina ganha força com demanda chinesa aquecida

O setor de proteínas animais manteve ritmo forte nas exportações, especialmente na carne bovina.

Os embarques de carne bovina in natura cresceram 4,3% em relação a abril do ano passado, somando 252 mil toneladas. A China permaneceu como principal destino, absorvendo 54% do total exportado.

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O principal destaque, no entanto, veio da valorização dos preços:

  • Preço médio da carne bovina: US$ 6.241/t
  • Alta anual: 24%
  • Alta frente a março: 7,3%

Segundo a análise, os chineses aumentaram os preços pagos pela proteína brasileira, influenciando diretamente o movimento de valorização internacional.

Carne suína e frango seguem em expansão

A carne suína também apresentou desempenho positivo:

  • Volume exportado: 121 mil toneladas
  • Crescimento anual: 9,7%
  • Preço médio estável em US$ 2.497/t

Já a carne de frango in natura somou 417 mil toneladas embarcadas, avanço de 2,5% sobre abril de 2025. Os preços médios chegaram a US$ 1.949/t, crescimento anual de 2,1%.

Açúcar perde valor e etanol recua nas exportações

No complexo sucroenergético, o cenário foi mais desafiador.

As exportações de etanol recuaram 50% em volume frente ao mesmo período do ano anterior, totalizando 87 mil toneladas. Apesar disso, os preços subiram 8%, chegando a US$ 624/m³.

O açúcar VHP registrou:

  • Volume exportado: 958 mil toneladas
  • Alta de 1,2% nos embarques
  • Queda de 23% no preço médio

O açúcar refinado também perdeu valor, com retração de 19% nos preços em relação a abril do ano passado.

Algodão dispara em volume, mas preços seguem pressionados

O algodão em pluma teve um dos maiores avanços do período em volume exportado.

Os embarques atingiram 348 mil toneladas, crescimento expressivo de 55% frente a abril de 2025. Entretanto, os preços continuam em trajetória de queda e recuaram 7,3% na comparação anual, chegando a US$ 1.513/t.

Fertilizantes enfrentam impacto da guerra no Oriente Médio

Enquanto as exportações avançaram, as importações de fertilizantes mostraram desaceleração em abril.

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O volume total importado caiu 11% na comparação anual, somando 3,2 milhões de toneladas. O mercado segue pressionado pelos impactos geopolíticos da guerra no Oriente Médio, que elevou preços internacionais e gerou dificuldades logísticas.

Entre os destaques:

  • Forte queda nas importações de fosfatados
  • Redução de cerca de 200 mil toneladas de ureia
  • Aumento equivalente nas compras de sulfato de amônio

O MAP foi importado a US$ 733/t FOB, alta de 16% sobre abril de 2025. Já a ureia alcançou US$ 574/t FOB, disparando 55% na comparação anual.

Segundo o relatório, parte relevante dos embarques ainda reflete contratos fechados anteriormente, o que reduz a capacidade dos dados atuais retratarem totalmente as condições mais recentes do mercado global.

Café perde receita mesmo com preços ainda elevados

Outro ponto de atenção foi o café verde.

Entre janeiro e abril de 2026, as exportações do produto somaram US$ 4,1 bilhões, mas o volume embarcado caiu 25% frente ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, os preços médios permaneceram elevados em US$ 6.773/t.

Agro mantém protagonismo nas contas externas brasileiras

Os números reforçam o protagonismo do agronegócio na balança comercial brasileira em 2026, especialmente em um cenário global marcado por volatilidade, tensões geopolíticas e juros elevados nas principais economias.

Com forte demanda internacional por alimentos e proteínas, o Brasil segue ampliando sua presença no comércio global, sustentado principalmente pela competitividade da soja, carnes e fibras naturais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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