Agro News

Economia do mar no centro das discussões em Itajaí (SC)

Publicado

O Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA) participou, nesta quarta-feira (24/06), da Expomar 2026, realizada em Itajaí (SC). Esse é um dos principais eventos voltados à economia do mar, à pesca, à inovação e ao desenvolvimento sustentável do setor pesqueiro brasileiro.

A exposição reúne representantes do setor pesqueiro, da indústria, da aquicultura, da pesquisa e inovação, de instituições públicas e privadas. Nos últimos anos, consolidou-se como um dos principais fóruns nacionais para discussão dos desafios e oportunidades da economia do mar no Brasil.

“A participação do Ministério na Expomar integra a estratégia de aproximação com os diferentes segmentos do setor, fortalecendo o diálogo com produtores, pesquisadores, empresas, entidades representativas e gestores públicos. O evento constitui um importante espaço para a construção de parcerias, o intercâmbio de experiências e a apresentação de soluções voltadas ao crescimento sustentável da economia do mar”, destacou o secretário nacional de Pesca Industrial, Amadora e Esportiva, Carlos Mello.

O MPA integrou o painel “Importância da Produção de Proteína Marinha na Conservação Global”. O encontro reuniu especialistas internacionais para discutir o papel estratégico da pesca na segurança alimentar, na conservação dos recursos pesqueiros e na promoção de sistemas produtivos cada vez mais sustentáveis.

Leia mais:  Ministro Carlos Fávaro homenageia Mariangela Hungria com a Medalha Apolônio Salles

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Justiça Federal concede 10 anos para produtor pagar dívidas com a Caixa

Publicado

A 2ª Vara Federal Cível e Criminal de Cáceres (MT) determinou que a Caixa Econômica Federal reestruture o pagamento de uma dívida de crédito rural de R$ 925,6 mil, concedendo ao produtor um prazo de 10 anos para a quitação, com a primeira parcela fixada para março de 2027. A decisão, proferida pela juíza federal Ana Lya Ferraz da Gama Ferreira no dia 1º de julho de 2026, suspende a execução extrajudicial que estava em curso pelo banco e blinda o produtor contra restrições cadastrais, ao mesmo tempo em que veda a cobrança de juros moratórios ou multas sobre o saldo devedor.

O despacho afasta a mora — a inadimplência técnica — e obriga o banco a reformular o contrato, fundamentando-se na comprovação técnica de uma quebra superior a 50% na produtividade da safra de soja na propriedade. Ao analisar o pedido, o Judiciário entendeu que o contrato original, diante dos prejuízos climáticos, tornava-se inexequível, ameaçando a continuidade da atividade agrícola. A decisão rejeitou o argumento da Caixa, que invocava o princípio da liberdade contratual e a nova regulamentação do Conselho Monetário Nacional (CMN) para recusar o alongamento da dívida.

Impactos e desdobramentos

A decisão ocorre em um momento de tensão regulatória. No mesmo dia da sentença, entrou em vigor a Resolução nº 5.314 do CMN, que alterou o Manual de Crédito Rural (MCR) para conferir às instituições financeiras maior autonomia para decidir sobre prorrogações de dívidas, sob o critério de “conveniência e decisão” bancária. A sentença de Mato Grosso, portanto, não é apenas um caso isolado de cobrança, mas um sinal de alerta para o mercado financeiro: a autonomia concedida pelo CMN aos bancos não é absoluta perante o Judiciário.

Leia mais:  Câmara aprova pacote fiscal sem afetar o Proagro e governo anuncia o “Desenrola Rural”

Embora o efeito desta decisão não seja automático para outros produtores — ou seja, não se trata de uma lei que obriga todos os bancos a alongarem dívidas em todo o país —, o caso funciona como um “leading case” ou precedente persuasivo. Advogados do setor agropecuário devem utilizar este entendimento em outros tribunais para demonstrar que, quando há comprovação de frustração de safra, o direito ao alongamento da dívida de crédito rural deve prevalecer sobre normas administrativas de conveniência bancária.

O novo cenário de judicialização

Para o setor produtivo, a decisão abre uma porta de saída, mas exige cautela. O precedente demonstra que o Judiciário não agirá como um “cancelador” de dívidas. A magistrada só concedeu o benefício porque a defesa apresentou laudos técnicos irrefutáveis sobre a quebra de produtividade. Isso sinaliza que produtores que buscam o Judiciário para evitar a falência precisarão de governança impecável: contabilidade em dia, monitoramento climático e provas técnicas de que a inadimplência é fruto do clima, não de má gestão.

Para o sistema financeiro, a notícia traz um aumento no risco de “judicialização” do crédito rural. Se os tribunais consolidarem o entendimento de que a prorrogação de 10 anos é uma medida de justiça social e econômica, os bancos serão forçados a recalibrar suas carteiras de risco. O efeito prático disso pode ser uma maior seletividade na concessão de crédito, com exigências mais rigorosas de garantias, ou até mesmo um aumento nas taxas de juros para compensar a possibilidade de, em caso de quebra de safra, o pagamento ser alongado judicialmente por uma década.

Leia mais:  Exportações recordes de carne bovina impulsionam alta do boi gordo no Brasil

O caso segue para as instâncias superiores, já que a Caixa Econômica Federal deve recorrer da decisão. Até que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) pacifique o tema, o cenário será de insegurança jurídica, com produtores buscando amparo nos tribunais federais para garantir a viabilidade das lavouras em anos de insucesso climático.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana