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Conselheiros Tutelares de Cuiabá recebem formação em Justiça Restaurativa e Círculos de Paz

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Uma ação estratégica conduzida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso integrou o Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), a Segunda Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá e o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) da Infância e Juventude da Capital em torno de uma temática sensível para o Poder Judiciário e para a sociedade, que é o fortalecimento da rede de proteção de crianças e adolescentes no município.

A formação em facilitadores de Círculos de Construção de Paz realizada entre os dias 17 e 19 de novembro, na sede do Complexo dos Juizados Especiais de Cuiabá, teve como objetivo enriquecer o conhecimento prático dos conselheiros e ampliar as possibilidades de atuação na proteção integral da criança e do adolescente. O curso ministrado pelo NugJur contou com a participação de conselheiros das seis unidades do Conselho Tutelar de Cuiabá, localizadas no centro da cidade e nas regionais do Pedra 90, CPA, Cidade Alta, Coxipó e Planalto.

Formada em Matemática pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Ezelina Morais da Cruz, 64 anos, atua desde 2009 como conselheira tutelar no Primeiro Conselho Tutelar de Cuiabá, no centro na cidade. Ela conta que a experiência de se formar como facilitadora de Círculos de Paz possui uma ligação direta com a postura acolhedora que decidiu adotar para a vida e, principalmente para a lida com as relações humanas.

“Eu gostei muito da ferramenta, porque ela permite que a pessoa se solte, se conheça e se respeite. Mostra que cada indivíduo é de um jeito e que todos merecem ser respeitados exatamente como são. Também percebi que já fazia rodas de conversa com os meus alunos, mesmo sem saber que havia um nome ou um preparo para isso. Me lembro de uma reunião em que uma professora comentou que eu “brincava” com meus alunos, e, de fato, eu brincava, mas era uma brincadeira para aprender. A melhor forma de ensinar e conquistar a confiança de uma criança é brincando. Nas rodas, eles se conheciam, ajudavam uns aos outros, reconheciam suas dificuldades e diminuíam a resistência. Às vezes, nós julgamos um aluno apenas porque ele se senta no fundo da sala, mas nós nunca fizemos o movimento de ir até ele. Foi exatamente o que aprendemos aqui, muitas vezes julgamos uma pessoa, mas não fazemos o movimento de ir até ela”, relatou Ezelina.

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Ampliar a perspectiva sobre aquilo que já é feito. Para a instrutora em Justiça Restaurativa e Círculos de Construção de Paz do NugJur Ana Teresa Pereira Meira, as famílias de um modo geral atravessam um momento extremamente sensível na sociedade, e é exatamente nesses momentos que os conselheiros têm o papel de atuar.

“Tenho total certeza de que o Conselho Tutelar é um lugar potente para o uso das práticas de Justiça Restaurativa, exatamente por trabalhar com a dor. Os Círculos vão oferecer aos conselheiros um conjunto maior de ferramentas capaz de garantir uma abordagem mais sensível em situações de conflitos, vulnerabilidades, violência, crises familiares, rompimentos de vínculos e violações de direitos. Acredito que a metodologia dos Círculos permitirá promover diálogos mais seguros e acolhedores. Eles passarão a contar com ainda mais recursos para reduzir tensões, restabelecer a comunicação entre as partes e buscar resultados mais sólidos e duradouros para essas famílias”, defendeu Ana Teresa.

Uma abordagem mais afetiva é essencial em contextos de conflitos familiares. Atitudes mais rígidas ou punitivas tendem a gerar confrontos desnecessários e até mesmo a revitimização de crianças e responsáveis. A proposta da formação é exatamente fornecer aos conselheiros um arcabouço maior de possibilidades de diálogo, a partir de referenciais de uma comunicação não violenta, humanizada e de reconhecimento das histórias, limites e necessidades daqueles envolvidos no trauma.

O segredo das relações está na comunicação. Com experiência no acolhimento de denúncias e no suporte à rede de proteção, Fabiane Marques é jornalista e atua há um ano e meio como conselheira tutelar na Regional do bairro Cidade Alta. Para ela, a formação em Círculos de Paz ampliou sua visão quanto à necessidade, cada vez maior, de uma abordagem sensível na recepção dos casos.

Fabiane conta que graças a uma comunicação qualificada e atenta, foi possível evitar um caso de abuso envolvendo uma criança de oito anos.

“Um certo dia, uma mãe e uma avó procuraram o Conselho Tutelar para pedir que a guarda de uma das netas fosse transferida para a avó. Durante a conversa, percebemos que havia algo além do pedido formal. A avó revelou que desconfiava do comportamento do namorado da mãe em relação à neta de oito anos. Em conversa reservada com a criança, ela relatou de forma espontânea que gostaria de morar com a avó e, ao perguntarmos o porquê, ela relatou que não gostava mais do namorado da mãe pois ele havia se exposto para ela e tentado induzi-la a tocá-lo. Diante disso, nós interrompemos a conversa para protegê-la e chamamos novamente a mãe e a avó, explicando que havia ocorrido a revelação de uma situação grave e que seria necessário registrar boletim de ocorrência e acionar a rede de proteção. A mãe imediatamente hesitou, mas a avó decidiu registrar o caso. O Conselho emitiu um termo de responsabilidade para que a criança ficasse sob os cuidados da avó enquanto os procedimentos legais eram iniciados. Meses depois, fomos informadas de que o homem havia assassinado a mãe da criança”, contou Fabiane.

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Ao avaliar o impacto da formação oferecida aos conselheiros tutelares, a gestora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania da Infância e Juventude (Cejusc) de Cuiabá, Juliana Kido destacou a importância do fortalecimento profissional e humano proporcionados pelo curso.

“Os conselheiros tutelares são a porta de entrada da proteção da infância e da juventude, porque atendem diretamente as famílias, as crianças e os adolescentes. Eles são fundamentais e indispensáveis nesse processo de defesa e cuidado. Por isso, o curso vem fortalecer ferramentas essenciais como o diálogo, a mediação e o acolhimento, sobretudo porque muitas crianças chegam ao Conselho fragilizadas e carentes de um atendimento realmente humanizado. As conselheiras falaram muito sobre o próprio desenvolvimento humano, sobre se reconhecerem, se escutarem e se fortalecerem. São profissionais que passam o tempo inteiro cuidando do outro e quase nunca têm espaço para cuidar de si mesmas. Com certeza o Conselho Tutelar sai fortalecido dessa formação”, enfatizou Juliana Kido.

Autor: Naiara Martins

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Departamento: Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa – NugJur

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Poder Judiciário funciona em regime de plantão neste final de semana (04 e 05 de julho)

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Poder Judiciário funciona em regime de plantão neste final de semana (04 e 05 de julho)

Neste final de semana (04 e 05 de julho), o Poder Judiciário atua em regime de plantão para o recebimento dos feitos cíveis de urgência, como mandados de segurança, processos criminais de urgência, como habeas corpus, e processos urgentes de Direito Cível Público.

PLANTONISTAS DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Direito Público e Coletivo

Desembargador Gilberto Lopes Bussiki

Direito Privado

Desembargador Deosdete Cruz Junior

Direito Criminal

Desembargador Gilberto Giraldelli

Secretaria Plantonista: Departamento da 5ª Câmara de Direito Privado

Telefone: (65) 99989-5920

O sistema de plantão só é aplicável nos feriados e finais de semana para apreciação de medidas judiciais que reclamem soluções urgentes, e após o expediente forense (19h) durante os dias de semana (até às 11h59). Sendo assim, durante o plantão devem ser seguidas as regras da Consolidação das Normas Gerais da Corregedoria-Geral da Justiça do Estado de Mato Grosso (CNGC), aplicáveis à situação em questão.

Durante o plantão judiciário, as medidas urgentes devem ser protocolizadas via Processo Judicial Eletrônico (PJe).

Comarcas

Confira quem serão os plantonistas na Comarca de Cuiabá:

PLANTONISTAS DA COMARCA DE CUIABÁ

Ações cíveis privadas de urgência

Juíza: Elza Yara Ribeiro Sales Sansão

Gestor: Carlos Henrique Saliés Ribeiro
Telefone: (65) 99948-8823

Ações cíveis públicas de urgência

Juiza: Célia Regina Vidotti

Gestora: Anna Paula Fernandes Delgado

Telefone: (65) 99327-8977

Ações criminais de urgência

Juiz: José Mauro Nagib Jorge

Gestor: Max Allan da Silva Manso Gomes

Telefone: (65) 99949-0558

Juiz: Jurandir Florêncio de Castilho

Júnior

Gestora: Mariethy Steffania Rezende Veloso

Telefone: (65) 99329-1571

Turmas Recursais

Juiz: Aristeu Dias Batista Vilella

Gestor: Thiago Augusto Aquino Taques

Telefone: (65) 99343-1609

Confira quem serão os plantonistas na comarca de Várzea Grande:

PLANTONISTAS COMARCA DE VÁRZEA GRANDE

Ações cíveis

Juiz: Francisco Ney Gaíva

Gestora: Izabela Gomes da Silva

Telefone: (65) 99202-6105

Ações criminais

Juiz: Katia Rodrigues Oliveira

Gestor: Marcela Oliveira Cavalcanti

Telefone: (65) 99225-1385

Para atendimento das medidas urgentes de Saúde Pública, de competência da 1ª Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, fica disponível o telefone (65) 99202-6105. O plantão se inicia a partir das 19h desta sexta-feira até o início do expediente seguinte, na segunda-feira (12h).

Para facilitar o acesso, o plantão pode ser conferido diretamente da página principal do Tribunal de Justiça.

A Resolução n. 10/2013/TP regulamenta as matérias cabíveis de interposição durante o plantão judiciário. São elas: habeas corpus e mandados de segurança em que figurar como coator autoridade submetida à competência jurisdicional do magistrado plantonista; medida liminar em dissídio coletivo de greve; comunicações de prisão em flagrante e a apreciação dos pedidos de concessão de liberdade provisória; em caso de justificada urgência, de representação da autoridade policial ou do Ministério Público visando à decretação de prisão preventiva ou temporária; pedidos de busca e apreensão de pessoas, bens ou valores, desde que objetivamente comprovada a urgência; medida cautelar, de natureza cível ou criminal, que não possa ser realizada no horário normal de expediente ou de caso em que da demora possa resultar risco de grave prejuízo ou de difícil reparação; medidas urgentes, cíveis ou criminais, da competência dos Juizados Especiais a que se referem as Leis nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, e 10.259, de 12 de julho de 2001, limitadas as hipóteses acima.

Durante o plantão não serão apreciados pedidos de levantamento de importância em dinheiro ou valores nem liberação de bens apreendidos.

As demais ações, distribuídas durante o horário de expediente no PJe, devem seguir o fluxo normal, com a regular distribuição, e as eventuais ações físicas deverão obedecer às orientações dos Diretores de Foro de cada comarca.

Conforme estabelece a Portaria Conjunta 271-Pres/CGJ, fica regulamentado o encaminhamento dos alvarás de soltura e mandados de prisão aos estabelecimentos prisionais de Cuiabá e Várzea Grande por malote digital ou e-mail institucional para o seu devido cumprimento. A medida se refere ao Provimento n. 48/2019-CGJ para o segundo grau de jurisdição do Tribunal de Justiça estadual.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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