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IX Congresso Internacional da CTETP reforça 30 anos de combate ao trabalho escravo

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Nos dias 11 e 12 de setembro, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), por meio da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), participou do IX Congresso Internacional da Clínica de Trabalho Escravo e Tráfico de Pessoas (CTETP) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), realizado em Belo Horizonte (MG). O encontro, que teve como tema “Rememorar para esperançar: 30 anos de enfrentamento ao trabalho escravo e perspectivas para a concretização do trabalho decente até 2030”, também celebrou os 10 anos de atuação da Clínica.

O MTE esteve representado na mesa de abertura por Cynthia Mara da Silva Alves Saldanha. Já Luiz Henrique Ramos Lopes integrou o debate “Das normas voluntárias às obrigações jurídicas: a nova agenda do trabalho decente”, no qual destacou a atuação do Programa Trabalho Sustentável e ressaltou a importância da Portaria Interministerial nº 18, que instituiu o Cadastro de Empregadores em Ajustamento de Conduta.

Na roda de conversa “A história contada em imagens”, o auditor-fiscal do Trabalho Sérgio Carvalho e o aposentado Riciotti Piana Filho compartilharam vivências acompanhadas por registros fotográficos que retratam a trajetória da fiscalização do trabalho. O evento também contou com a exibição do documentário “Nos passos do Zé: o caso José Pereira e o combate ao trabalho escravo no Brasil”, dirigido por Benedito Lima, Gustavo Botelho, Márcio Leitão e Sérgio Carvalho, em parceria com a Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) e o Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho.

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A auditora-fiscal Jamile Freitas Virgínio participou da mesa “Da norma à ação: experiências institucionais no enfrentamento ao trabalho escravo”, abordando estratégias de combate ao trabalho doméstico irregular e ao tráfico de pessoas. O encerramento do congresso contou com a participação de Marcelo Campos na mesa “Recordar para esperançar: 30 anos de combate ao trabalho escravo no Brasil”, que revisitou a trajetória da política nacional de enfrentamento ao trabalho análogo à escravidão.

Durante o congresso, ocorreu também o lançamento do livro “Restolho”, de autoria de Benedito Lima, além da exposição fotográfica com obras de João Roberto Ripper e do auditor-fiscal Sérgio Carvalho, pertencentes ao acervo do Centro de Memória da Justiça do Trabalho de Minas Gerais.

 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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MTE resgata 35 trabalhadores em condições análogas à escravidão no interior de São Paulo

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O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou, no dia 20 de maio, 35 trabalhadores durante operação de fiscalização realizada em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT) e a Defensoria Pública da União (DPU). Os trabalhadores, que atuavam no corte de cana-de-açúcar, foram encontrados em condições análogas à escravidão em uma fazenda no município de Gabriel Monteiro, no interior de São Paulo.

De acordo com informações da equipe de auditores-fiscais do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de São Paulo, entre os resgatados havia um adolescente de 17 anos, situação considerada uma das piores formas de trabalho infantil. Os trabalhadores não possuíam carteira de trabalho assinada e, por isso, estavam sem acesso a direitos básicos, como férias, 13º salário e benefícios previdenciários.

Segundo a fiscalização, o recrutamento era feito por um empreiteiro contratado pelo proprietário da fazenda. Os trabalhadores eram aliciados em estados do Nordeste e em municípios do interior paulista com promessas de registro formal, alojamento adequado e cumprimento das normas trabalhistas, o que não se confirmou.

Condições degradantes de trabalho

Os trabalhadores realizavam o corte manual da cana utilizando facões, permanecendo em pé durante toda a jornada, sob intensa exposição ao sol e à chuva. A jornada ocorria de segunda-feira a domingo, sem descanso semanal.

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A equipe de fiscalização constatou que não havia instalações sanitárias no local de trabalho, obrigando os trabalhadores a realizarem suas necessidades fisiológicas no canavial. Também não havia local adequado para refeições, que eram feitas no chão, em meio à plantação e sem qualquer proteção contra intempéries.

Nenhum equipamento de proteção individual era fornecido, como botas, luvas e caneleiras, nem itens de proteção contra a exposição solar, como chapéus e protetor solar. O transporte até a frente de trabalho era realizado em ônibus sem autorização para transporte de trabalhadores e em condições inadequadas de segurança.

Alojamentos precários

Os trabalhadores estavam alojados em duas casas alugadas pelo empreiteiro no município de Santo Antônio de Aracanguá. Segundo a fiscalização, os ambientes apresentavam condições degradantes de habitação.

Os trabalhadores dormiam em colchões velhos espalhados pelo chão, sem roupas de cama e sem armários para guardar pertences pessoais. Alguns utilizavam papelão para se proteger do frio. A inspeção também identificou fogões com botijões de gás instalados dentro dos quartos, situação que oferecia grave risco de explosão e intoxicação.

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Providências adotadas

A Inspeção do Trabalho determinou a imediata paralisação das atividades e a dispensa dos trabalhadores por culpa do empregador. Os resgatados foram encaminhados para hospedagem em hotel, com despesas custeadas pelo proprietário da fazenda.

Foram apuradas verbas rescisórias no valor de R$ 415.012,45. Também foi firmado Termo de Ajustamento de Conduta com o MPT e a DPU, prevendo o pagamento de R$ 111 mil por danos morais individuais aos trabalhadores e R$ 150 mil por dano moral coletivo.

Os valores das verbas rescisórias e das indenizações individuais foram pagos integralmente em 22 de maio de 2026.

Os trabalhadores já estão retornando às cidades de origem com passagens custeadas pela fazenda e receberam guias para acesso ao seguro-desemprego especial para trabalhadores resgatados, com direito a três parcelas de R$ 1.621,00.

Denúncias

Denúncias de trabalho análogo ao de escravo podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê Trabalho Escravo, lançado pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT) em parceria com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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