Tribunal de Justiça de MT

Magistrados e servidores se qualificam para atuar em círculos de construção de paz mais complexos

Publicado

A imagem retrata uma reunião em sala iluminada, com pessoas sentadas em círculo. No centro há objetos e uma planta. Algumas anotam ou falam; há janelas grandes e um quadro branco ao fundo.Teve início nesta segunda-feira (8 de setembro) o módulo 2 do Curso de Formação de Instrutores de Justiça Restaurativa e Facilitadores de Círculos de Construção de Paz Mais Complexos, destinado a magistrados e servidores que já atuam nessa vertente da Justiça. A qualificação ocorre presencialmente na Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), até sexta-feira (12).

O curso, promovido pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (Nugjur-TJMT) e pela Esmagis-MT, tem como formadora a pedagoga e especialista em Neurociência e Comportamento Katiane Boschetti da Silveira. Ela explica que a formação busca aprofundar o conhecimento dos profissionais que já atuam com Justiça Restaurativa, visando ampliar esse trabalho para casos judiciais, ou seja, onde já existe um conflito instalado.

Katiane Boschetti está de costas desenha um círculo em quadro branco. Usa blusa roxa e segura caneta. À esquerda, há anotações: “Conceito”, “Sentido de Comunidade”, “Cerimônias”, “Divertentes” e “Desafogantes/Serenos”.“Nós dividimos a formação da Justiça Restaurativa em situações menos complexas e mais complexas. Então a maioria dos cursos que o Tribunal de Justiça ofertou, desde 2023, foi para formar facilitadores na ponta para situações menos complexas, que são diálogos, celebração, fortalecimento de vínculo, senso comunitário. Círculos esses que trabalhavam o pertencimento e a prevenção da violência. Agora, com os instrutores formados, eles vão estar capacitando lá na ponta os facilitadores que já têm essa primeira formação, aplicar à situação de conflito, trabalhar em situações de luto, por exemplo, pra poder reintegrar adolescentes ou adultos que estejam privados de liberdade ou afastados da sociedade por algum motivo”, afirma.

A presidente do NugJur, desembargadora Clarice Claudino da Silva, ressaltou que este é um momento de grande relevância para o núcleo, em que o Tribunal de Justiça dá um passo importante ao investir na formação de instrutores preparados para conduzir círculos mais completos e complexos, nos quais o conflito é tratado de forma ampla. “Isso significa um segundo passo gigante da Justiça Restaurativa no nosso estado, capaz de atender muito mais casos, inclusive na esfera penal e de ressarcimento de danos. Estamos contentes e esperançosos com a multiplicação que será possível a partir dessa formação continuada, já que os círculos mais complexos demandam expertise, metodologia envolvente e a participação ativa da comunidade e de todas as partes do conflito”, destacou.

Euzeni Paiva e Katiane Boschetti estão sentadas em cadeiras pretas, em frente a uma parede clara. À esquerda, uma delas usa terno marrom e blusa vinho, olhando para a colega ao lado. À direita, a outra veste blusa roxa e fala, com expressão atenta.Presente na abertura da aula desta segunda-feira (8), a gestora-geral do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), Euzeni Paiva de Paula destacou que trabalhar com as ferramentas da Justiça Restaurativa é um chamado e uma vocação e agradeceu a todos pela dedicação, comprometimento e entrega.

Leia mais:  Nota de Pesar

“Para a gente é de extrema importância essa formação. É a continuidade da nossa trilha, é importante para a política, é importante para o tribunal e é importante para o NugJur. É gratificante ver como estamos bem organizados. Então fico agradecida a todos vocês que continuam imbuídos nessa missão”, disse.

Servidor José Nivaldo usa camisa clara segura microfone da TV Justiça. Rostos desfocados. Ao fundo, outras pessoas em pé e sentadas. Ambiente interno, sugerindo evento ou entrevistaPara o gestor do Centro Judiciário de Solução de Conflitos (Cejusc) de Tangará da Serra, José Nivaldo de Lima, que já é instrutor de Justiça Restaurativa desde 2023, participar dessa formação para atuar em casos mais complexos é importante para propiciar às pessoas atendidas pelo Judiciário estadual uma resolução mais efetiva das suas demandas, por meio da Justiça Restaurativa. “As partes são convidadas a participar da resolução dos conflitos, que na verdade são delas. Então elas passam a ser atores também dessa solução”, afirma.

Segundo ele, é importante lembrar que mais do que réus ou vítimas, tratam-se de seres humanos, que sofrem reflexos dos casos em julgamento que vão além de uma sentença. “É importante nós isolarmos a vida da pessoa do fato. Às vezes, foi um fato isolado na vida dela, que precisa ser resolvido. E também quais consequências que a vítima vai apontar com relação a esse acontecimento, justamente pra que o infrator tenha a noção de que não foi apenas uma agressão, mas que isso teve reflexo no âmbito emocional, psicológico e no transcorrer de toda a vida da vítima para que ele não venha a cometer novamente esses atos”.

Rogéria Borges é uma mulher de cabelos longos e lisos sorri em ambiente interno iluminado. Ela veste blusa estampada em preto e branco. Ao fundo, pessoas desfocadas participam de atividade em sala ampla com janelas de vidro.A gestora do Cejusc de Nova Xavantina, Rogéria Borges, afirma que é gratificante ver a preocupação do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em proporcionar aperfeiçoamento aos magistrados e servidores que atuam na Justiça Restaurativa. “Isso é um marco importantíssimo para o nosso tribunal na pacificação social, na restauração de relacionamentos relacionados a crimes concretos”.

O primeiro módulo da formação correspondeu a cinco encontros semanais, ofertados ao longo do mês de agosto e início de setembro, por meio de videoconferência. Os próximos dois módulos da formação preveem novos encontros virtuais, que vão até o mês de dezembro, além do estágio supervisionado, que consistirá na formação de facilitador de círculo de construção de paz mais complexo, a ser realizada presencialmente.

Leia mais:  Empresa de ônibus é condenada a indenizar idosa após incêndio em veículo

No total, o curso tem carga horária de 100 horas, que abrangerão os seguintes tópicos: o papel do instrutor — habilidades e atribuições; relação da Justiça Restaurativa com a teoria dos conflitos; procedimento restaurativo; tipos de círculos de construção de paz mais complexos; possibilidades de aplicação dos círculos de construção de paz mais complexos; construção e definição de consenso nos círculos de construção de paz; tipificação e possibilidades de aplicação dos círculos de construção de paz; e planejamento e organização — vivência prática e elaboração de roteiros.

Círculo de objetos coloridos no chão exibe planta em vaso, instrumentos musicais, cartazes com palavras como “cuidado” e “humildade” e cartilha de círculos de paz, simbolizando valores de convivência.O que é o Círculo de Construção de Paz – É um processo estruturado para organizar a comunicação em grupo, a construção de relacionamentos, a tomada de decisões e resolução de conflitos de forma eficiente. Geralmente é realizado com grupos pequenos, em torno de 10 a 20 pessoas, e tem duração média de duas horas, dependendo do tema a ser trabalhado pelo facilitador.

O objetivo dessa prática da Justiça Restaurativa é promover o bem-estar e a saúde emocional, proporcionando um espaço seguro e acolhedor para os participantes compartilharem suas experiências, desafios e emoções. Essa prática pode ajudar a reduzir o estresse, melhorar o clima organizacional e promover a saúde emocional.

A realização do círculo é indicada até mesmo na ausência aparente de um conflito, de modo a fortalecer as relações interpessoais e a comunicação, pois os participantes são estimulados a desenvolver um olhar de empatia, escuta ativa e de compreensão mútua.

Para saber mais sobre o círculo de construção de paz e o trabalho desenvolvido pelo Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur) do TJMT, entre em contato pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3617 ou (65) 9 9222-9757 (WhatsApp)

Acesse a página do NugJur: https://portalnugjur.tjmt.jus.br/

Autor: Celly Silva

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
publicidade

Tribunal de Justiça de MT

Canal e registro garante sigilo e proteção à vítima de assédio e discriminação

Publicado

Arte gráfica roxa aborda assédio e não violência, com ilustração de pessoas e informações institucionais.Possíveis casos de assédio moral, assédio sexual e discriminação ocorridos no âmbito do Poder Judiciário de Mato Grosso devem ser informados e são apurados por uma das Comissões de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação, que tem como premissa básica de sua atuação o acolhimento e o apoio à vítima.

O respeito integral à pessoa noticiante começa com o acatamento à sua vontade quanto a quaisquer encaminhamentos ou decisões. E tudo tramita de modo seguro e confidencial, por meio de escuta humanizada e ética, com o compromisso de manutenção do sigilo dos dados das vítimas e das informações por elas apresentadas. Essa conduta visa minimizar os riscos psicossociais e promover a saúde mental no trabalho.

A Instrução Normativa TJMT/PRES n. 4/2024 do TJMT, que regulamenta o processo de trabalho da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação, garante que a escuta e o acompanhamento da pessoa que noticia caso de assédio ou discriminação observem métodos e técnicas profissionais, propiciando atenção humanizada e centrada na necessidade da pessoa noticiante, respeitando seu tempo de reflexão e decisão e fortalecendo sua integridade psíquica, autonomia e liberdade de escolha.

Leia mais:  Podcast: juiz Bruno Marques fala sobre atuação da Vara Especializada em Ações Coletivas

O serviço de acolhimento, escuta, acompanhamento e orientação é prestado à pessoa que queira recebê-lo, independentemente se decidiu formalizar ou não a notícia do caso para as providencias cabíveis, ou seja, nada é feito sem o consentimento da vítima.

Vale destacar que a Resolução CNJ n. 351/2020 proíbe qualquer forma de retaliação contra a pessoa noticiante, seja a vítima, a testemunha ou qualquer indivíduo que, de boa-fé, relate, testemunhe ou colabore na apuração de condutas de assédio ou discriminação. A pessoa que pratica retaliação pode ser responsabilizada disciplinar ou funcionalmente, conforme a legislação aplicável.

Magistrados(as), servidores(as), estagiários(as), colaboradores(as) credenciados(as) e quaisquer outros prestadores(as) de serviços, independentemente do vínculo jurídico mantido, podem registrar casos de assédio moral, assédio sexual e discriminação por meio de um formulário on-line, disponível na página da Comissão de Prevenção e Enfrentamento do Assédio Moral, do Assédio Sexual e da Discriminação. Para acessá-lo, basta clicar no banner da Comissão, localizada na página inicial do portal do TJMT. Depois, clicar em “Canal de Manifestação”.

Leia mais:  Escola Superior da Magistratura disponibiliza 20 vagas para programa de mestrado

Saiba mais sobre o assédio moral, assédio sexual e a discriminação no ambiente de trabalho no Guia de Combate ao Assédio, também disponível na página da Comissão, no portal do TJMT.

Autor: Celly Silva

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana