Agro News

Setores de varejo e serviços têm início fraco no quarto trimestre de 2025, aponta IGet

Publicado

O Índice Getnet de Desempenho do Setor de Varejo e Serviços (IGet), elaborado pelo Santander em parceria com a Getnet, revelou um cenário de desaceleração nas atividades econômicas em outubro de 2025. Os números apontam para quedas tanto no varejo quanto nos serviços, marcando um início de trimestre mais fraco.

De acordo com o relatório, o IGet Serviços apresentou retração de -3,2% na comparação mensal (m/m) e de -7,6% na base anual (a/a). Já o IGet Varejo mostrou queda de -1,3% no índice restrito e -0,8% no ampliado, revertendo parte dos ganhos do terceiro trimestre.

Serviços registram segunda queda consecutiva

O setor de serviços prestados às famílias encerrou outubro no menor patamar desde agosto de 2022, refletindo os efeitos da política monetária restritiva sobre o consumo.

Dentro do segmento, os serviços de alojamento e alimentação recuaram -2,9% m/m, enquanto os outros serviços às famílias tiveram queda de -0,5% m/m.

Segundo os analistas do Santander, o movimento reforça uma tendência de desaceleração gradual, ainda que o mercado de trabalho aquecido e medidas de estímulo, como o crédito consignado para trabalhadores do setor privado e o pagamento de precatórios, possam amenizar parte dos efeitos negativos.

Leia mais:  Prazo para semeadura do girassol em Goiás termina em 31 de março e exige atenção do produtor
Varejo recua após alta no trimestre anterior

O desempenho do varejo também foi negativo em outubro, interrompendo uma sequência de resultados positivos no terceiro trimestre. O IGet Ampliado caiu -0,8% m/m, enquanto o IGet Restrito recuou -1,3% m/m, corrigindo distorções sazonais provocadas pelo feriado de 12 de outubro.

Mesmo com a retração mensal, o setor ainda apresenta alta anual de 6,1% (a/a), resultado mais robusto do que os dados oficiais, devido a diferenças de metodologia.

Desempenho por categoria: farmácias e vestuário em queda

Entre os segmentos do varejo restrito, os destaques negativos foram:

  • Artigos farmacêuticos: -4,0% m/m
  • Vestuário: -0,5% m/m
  • Supermercados: -0,1% m/m

Por outro lado, o índice ampliado foi beneficiado pelo aumento de 7,4% m/m em materiais de construção, embora o segmento de automóveis, partes e peças tenha caído -1,5% m/m.

Perspectivas para o final de 2025

Os resultados do IGet de outubro indicam um início de quarto trimestre moderado, com sinais de perda de fôlego nas vendas e nos serviços. O Santander avalia que, apesar dos incentivos de curto prazo e da resiliência do emprego, a taxa de juros elevada continuará limitando o ritmo da atividade econômica nos próximos meses.

“A política monetária restritiva deve seguir impactando o consumo à frente, ainda que fatores pontuais possam suavizar a desaceleração”, destaca o relatório.

Fonte: Portal do Agronegócio

Leia mais:  Soja recua em Chicago após sequência de altas; mercado acompanha tensões geopolíticas e safra brasileira

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Reino Unido amplia pressão e setor do agro brasileiro reage a novas restrições à carne

Publicado

O agronegócio brasileiro enfrenta um novo cenário de pressão no comércio internacional após a decisão da União Europeia (UE) de suspender, a partir de setembro, as exportações de carne brasileira, somada ao anúncio de que o Reino Unido também avalia impor restrições adicionais ao produto nacional.

O movimento conjunto dos mercados mais exigentes do mundo acende um alerta no setor pecuário e reforça a necessidade de adequação às regras sanitárias internacionais, especialmente no que se refere à rastreabilidade, uso de antimicrobianos e comprovação de conformidade produtiva.

Pressão internacional exige maior comprovação sanitária do Brasil

Especialistas avaliam que o principal desafio do Brasil não está apenas no cumprimento formal das normas, mas na capacidade de demonstrar, de forma auditável e contínua, que toda a cadeia produtiva atende aos padrões exigidos por mercados como o europeu e o britânico.

De acordo com a coordenadora de contratos e agronegócios do CSA Advogados, Ieda Queiroz, a União Europeia adota critérios rigorosos baseados em evidências verificáveis.

“A UE não trabalha com presunção de conformidade; ela exige evidências. Sem demonstrar, de forma verificável, o uso adequado de antimicrobianos e a rastreabilidade animal, o impacto será duradouro — e afeta a credibilidade global do país”, afirma.

A especialista ressalta que o avanço das restrições britânicas reforça que o tema não é pontual, mas sistêmico dentro do comércio internacional de proteínas animais.

“Quando outro mercado de alta exigência sanitária sinaliza restrições, fica claro que a governança sanitária brasileira está sob escrutínio internacional”, acrescenta.

MAPA articula resposta técnica para evitar ampliação das restrições

Diante do cenário, o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) trabalha na consolidação de relatórios técnicos para responder às exigências das autoridades europeias e buscar a reversão das medidas anunciadas.

Leia mais:  Brasil participa de fórum econômico em Nova York e avança em negociações em Washington

A estratégia do governo envolve a apresentação de dados sobre controle sanitário, práticas de produção e sistemas de fiscalização adotados no país.

No entanto, especialistas destacam que a reabertura ou manutenção de mercados dependerá diretamente da capacidade de comprovação prática de conformidade ao longo de toda a cadeia produtiva da carne bovina.

Rastreamento e uso de antibióticos seguem no centro do debate

Embora o Brasil possua regulamentação que proíbe o uso de antibióticos como promotores de crescimento na pecuária, esse fator, isoladamente, não é suficiente para atender às exigências dos mercados europeu e britânico.

As autoridades internacionais também demandam rastreabilidade individual dos animais, auditorias independentes e documentação completa de todas as etapas do processo produtivo, desde a origem até o abate e processamento.

Segundo especialistas, a diferença entre a legislação vigente e a implementação prática desses controles ainda representa um dos principais entraves para o acesso pleno a mercados mais rigorosos.

“A distância entre norma e prática ainda é grande”, avalia Ieda Queiroz.

Competitividade da carne brasileira pode ser impactada

O aumento das exigências internacionais ocorre em um momento em que o Brasil ocupa posição de destaque no comércio global de proteínas animais, com forte participação em mercados da Ásia, Oriente Médio e Europa.

Leia mais:  Entidade pede urgência na aprovação de projetos que protejam pequenos produtores de bioinsumos

No entanto, a ampliação das barreiras sanitárias pode impactar diretamente a competitividade do setor, caso o país não consiga comprovar com robustez a conformidade de seus sistemas produtivos.

Especialistas alertam que a manutenção e expansão da presença brasileira no mercado internacional dependerá cada vez mais de transparência, rastreabilidade e alinhamento com padrões globais de governança sanitária.

Setor agropecuário entra em fase de adaptação e resposta

O cenário reforça a necessidade de adaptação estrutural do setor agropecuário brasileiro, especialmente na pecuária de corte, que depende fortemente do mercado externo.

A tendência é de maior pressão por sistemas integrados de controle, digitalização de processos e fortalecimento de auditorias independentes, com foco na comprovação de origem e conformidade sanitária.

Com a União Europeia avançando em restrições e o Reino Unido sinalizando medidas semelhantes, o Brasil enfrenta um momento decisivo para consolidar sua reputação como fornecedor global de carne dentro dos padrões exigidos pelos mercados mais rigorosos do mundo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana