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Brasil retoma Conferência Nacional de Economia Popular e Solidária após mais de uma década

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Após mais de uma década desde sua última edição, a 4ª Conferência Nacional de Economia Popular e Solidária (4ª Conaes) foi aberta oficialmente no dia 13 de agosto, no Salão Nobre do Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Promovida pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a conferência marca a retomada da participação social na formulação de políticas públicas para o setor e servirá de base para a elaboração do 2º Plano Nacional de Economia Popular e Solidária.

A cerimônia de abertura contou com a presença do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, do secretário Nacional de Economia Popular e Solidária, Gilberto Carvalho, e de cerca de 1.200 participantes, incluindo delegados e delegadas, representantes dos governos federal, estaduais e municipais, da sociedade civil, de empreendimentos solidários e convidados especiais.

Com o tema “Economia Popular e Solidária como Política Pública: Construindo territórios democráticos por meio do trabalho associativo e da cooperação”, a conferência acontece no dia 14 de agosto até sábado (16), no Centro de Treinamento Educacional da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria (CNTI), em Luziânia (GO).

Tatiana Valente, representante do Fórum Nacional de Economia Popular e Solidária, destacou a importância do evento, especialmente após anos sem encontros para discutir políticas públicas e ações concretas voltadas ao fortalecimento da economia solidária no país. “A partir de 2016, nós, enquanto empreendimento de economia solidária, tomamos conta da organização do movimento, sozinhos, sem recurso, sem apoio. E isso nos trouxe até aqui. Entendemos, presidente, que em 2022 você era, e continua sendo, a nossa esperança para o fortalecimento de um outro modelo de sociedade”, afirmou Tatiana. 

A última edição da CONAES ocorreu em 2014, quando foi elaborado o 1º Plano Nacional de Economia Solidária. A 4ª edição, agora, busca consolidar um novo ciclo de políticas públicas estruturantes, pautadas nos princípios da autogestão, da cooperação e da solidariedade. Espera-se que os resultados da conferência sirvam de base para a elaboração do 2º Plano Nacional de Economia Popular e Solidária, com foco na inclusão social, na redução das desigualdades e no fortalecimento dos territórios por meio do trabalho coletivo e cooperativo.

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Para o secretário Gilberto Carvalho, a conferência acontece em um momento simbólico para o setor, com a promulgação da Lei 15.068/2024, conhecida como Lei Paul Singer, em dezembro de 2024. “Essa lei estabeleceu um novo marco regulatório para a economia solidária no Brasil, homenageando um dos principais pensadores e defensores do setor”, destacou Gilberto.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, informou que o Ministério está empenhado na regulamentação da Lei Paul Singer, com previsão de conclusão até o fim do ano. Ele também destacou o projeto do Sistema Nacional de Finanças Solidárias, atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados. “Estamos trabalhando para que a Câmara possa apreciar o projeto e, quem sabe, vermos aprovada mais essa legislação que é um pilar tão importante na consolidação do sistema de finanças da economia solidária”, adiantou o ministro.

Durante o evento, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, reforçou a importância da distribuição de renda e o papel do trabalhador na geração de riqueza nacional. “Quando o PIB cresce 3%, por que isso acontece? Porque é o conjunto da riqueza produzida pelo povo brasileiro. Se foi o povo que gerou essa riqueza, o que devemos fazer? Distribuir esse crescimento para todos nesse país”, declarou. Lula reforçou ainda que cada trabalhador deve ter clareza da sua importância na economia brasileira.

Também participaram da cerimônia o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Márcio Macedo; a presidenta da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar, Fátima Torres; e o presidente da Cooperativa Central de Produção Industrial de Trabalhadores em Metalurgia, Maurício da Costa. Além deles, estiveram presentes o presidente do Banco Nordeste, Paulo Câmara; o presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima; e o presidente da Fundação Banco do Brasil, Kleytton Guimarães Morais.

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Fase preparatória

A conferência é fruto de um amplo processo participativo, que ao longo de um ano incluiu 185 conferências locais, 27 estaduais e 14 temáticas. Mais de 16 mil pessoas de 1.584 municípios participaram das etapas preparatórias, que envolveram diagnósticos territoriais e a sistematização de propostas. Ao final, foram eleitos 968 delegados e delegadas, seguindo critérios de representatividade de gênero (50% mulheres) e de juventude (20% jovens).

Economia Popular e Solidária em números

A economia popular e solidária surge como uma alternativa ao desemprego, à informalidade e à precarização das relações de trabalho. Nesse modelo, os trabalhadores se organizam coletivamente por meio de cooperativas, associações ou grupos produtivos, compartilhando os meios de produção e dividindo os resultados de maneira justa e igualitária.

Segundo dados da Secretaria Nacional de Economia Popular e Solidária (Senaes), o Brasil já contou com mais de 27 mil empreendimentos solidários, envolvendo cerca de 2 milhões de trabalhadores em 3.186 municípios. Em 2023, esses empreendimentos movimentaram R$ 65 bilhões em rendimentos, o equivalente a 2% da massa salarial nacional, conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNADC).

As iniciativas atuam em diversas cadeias produtivas, como agricultura familiar, reciclagem, produção de alimentos, confecção, serviços e redes comunitárias de comercialização e finanças solidárias.

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

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Seminário inédito debate proteção e direitos dos consumidores-apostadores

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Brasília, 17/6/2026 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e da Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi), participou da 1ª edição do Seminário de Proteção ao Consumidor Apostador e Jogo Responsável, realizado pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, na terça-feira (16).

O encontro reuniu representantes do Governo Federal, especialistas e entidades do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) para debater medidas de prevenção ao superendividamento, publicidade responsável, proteção de dados e promoção do jogo responsável.

Para o secretário nacional do Consumidor, Ricardo Morishita, o Estado brasileiro tem obrigação constitucional de promover direitos e proteger os consumidores. Segundo ele, o Código de Defesa do Consumidor deve orientar a interpretação e a aplicação das regras do setor.

“Este seminário é importante porque nos permite olhar especificamente para o consumidor-apostador. Num primeiro momento, nossa prioridade é combater as bets ilegais, mas ação recente do Ministério Público do Distrito Federal, que identificou oferta de bets ilegais em aplicativos dentro de plataformas legalizadas, nos leva a ampliar o monitoramento, incluindo as plataformas legalizadas”, declarou, mencionando que o tema fará parte da 39ª Reunião com o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, no mês de julho, em São Luís (MA).

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O secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes, destacou a importância da cooperação institucional para enfrentar os desafios trazidos pela digitalização das apostas esportivas. “Os desafios colocados pelo ambiente digital não serão enfrentados por um único órgão. Eles exigem cooperação institucional, compartilhamento de evidências e diálogo permanente”, disse.

Segundo Fernandes, o avanço das plataformas digitais ampliou o alcance das apostas e trouxe novos riscos relacionados à proteção de dados pessoais, à saúde mental e à defesa do consumidor.

Proteção à saúde, à segurança e ao patrimônio

Em palestra sobre proteção dos consumidores-apostadores, Ricardo Morishita abordou as garantias já previstas pelo Código de Defesa do Consumidor, que completou 35 anos, e pela Lei nº 14.790/2024, que regula as apostas de quota fixa no Brasil.

Ricardo Morishita reforçou o dever constitucional do Estado com a saúde , a segurança e o patrimônio dos consumidores-apostadores. Foto: Isaac Amorim/MJSP
Ricardo Morishita reforçou o dever constitucional do Estado com a saúde , a segurança e o patrimônio dos consumidores-apostadores. Foto: Isaac Amorim/MJSP

“As apostas de quota fixa constituem um serviço público operado pela iniciativa privada e, por isso, estão sujeitas a mecanismos específicos de controle e fiscalização do Estado, o que exige proteção reforçada à saúde, à segurança e ao patrimônio dos consumidores”, defendeu.

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Morishita enfatizou que a legislação estabelece uma lógica clara para a proteção dos consumidores: prevenir riscos e, quando isso não for suficiente, reparar integralmente os danos causados.

O secretário alertou ainda que reclamações sobre retenção de valores, falhas nos mecanismos de autoexclusão, publicidade enganosa, bloqueios de contas e ausência de alertas obrigatórios demonstram a necessidade de aperfeiçoar as práticas adotadas pelos operadores para garantir o cumprimento das normas de proteção ao consumidor.

A secretária de Prêmios e Apostas, Daniele Correa Cardoso, reforçou que a proteção dos consumidores é prioridade para o Governo Federal e que a sustentabilidade econômica do mercado depende da capacidade dos operadores de enfrentar riscos associados ao jogo problemático, ao superendividamento e à publicidade abusiva.

“O centro do modelo regulatório das apostas é a proteção das pessoas. Não existe sustentabilidade econômica de longo prazo sem sustentabilidade social”, concluiu.

Além de apresentar medidas voltadas ao fortalecimento do jogo responsável e à proteção dos apostadores, o evento reuniu especialistas para discutir mecanismos de monitoramento, fiscalização, atendimento ao consumidor, resolução de conflitos e prevenção à ludopatia (vício em jogo).

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

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